Macroeconomia e mercado

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Mendonça de Barros acelera seu caminhão

Luiz Carlos Mendonça de Barros é o condutor de um projeto que trafega na contramão da indústria automobilística brasileira. A chinesa Foton, que chegou ao país pelas mãos do híbrido de economista e empresário, vai iniciar nas próximas semanas a produção em larga escala de caminhões na fábrica da Agrale, em Caxias do Sul.

Consultada, a empresa confirmou que "já está em fase de teste de linha com a produção em pré-serie". O acordo para o uso das instalações da Agrale é apenas um aquecimento. Os chineses vão investir cerca de R$ 350 milhões em uma planta própria em Guaíba (RS).

Originalmente, a largada na operação estava prevista para 2018, mas a Foton vai antecipar a inauguração para o último trimestre do ano que vem. A empresa confirma o projeto e a nova data. O timing chama a atenção: a Foton dá a partida em seu projeto Brasil no momento em que a venda de caminhões no país acumula uma queda de mais de 30% nos últimos 12 meses.

Os chineses, no entanto, mantêm a aposta na recuperação do setor – palavra do próprio Mendonça de Barros, que projeta um aumento do PIB de 2% em 2017 e de 4% no ano seguinte. Por sinal, Mendonça de Barros, chairman da Foton no Brasil, foi personagem fundamental nas negociações com o governo gaúcho que resultaram no pacote de incentivos fiscais para a construção da fábrica do Guaíba. (Jornal Relatório Reservado 24/10/2016)

 

Participação do anidro no preço da gasolina sobe e atinge 16,4%

A participação do etanol anidro na formação do preço da gasolina vendida nos postos de São Paulo aumentou de 13,4% no fim de agosto para 16,4% na semana passada, refletindo a alta nas cotações do biocombustível. Os cálculos são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Entre 17 e 21 de outubro, o anidro foi cotado a R$ 2,1081 por litro, correspondendo a 16,4% do valor do derivado de petróleo no período equivalente, de R$ 3,472 por litro. Há oito semanas a participação era de 13,4% e, há um ano, de 14,1%. As contas levam em consideração os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a mistura de 27% de anidro na gasolina.

"Desde o fim de agosto, o etanol anidro acumula forte aumento de 22% nas usinas paulistas, enquanto a valorização da gasolina se limita a 1,4%. Na parcial desta safra (de 1º de abril a 21 de outubro), a participação do biocombustível no preço da gasolina está em 13,38%, pouco abaixo da verificada na temporada anterior, de 13,59%", afirmou o Cepea, em relatório antecipado ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Na semana passada, a primeira em que vigorou a redução de 3,2% no valor do combustível fóssil nas refinarias, a gasolina subiu em 11 Estados e no Distrito Federal. Esse avanço foi creditado à apreciação do anidro. Mas para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), essa relação não pode ser feita. De acordo com a entidade, a composição do preço da gasolina depende de diversas variáveis, entre elas o preço do produto na refinaria, a margem da distribuidora, a margem da revenda, o valor do Preço Médio Ponderado Final (PMPF), atualizado a cada quinze dias para recolhimento do ICMS, e o próprio anidro. (Agência Estado 25/10/2016)

 

S&P mantém notas de crédito da Cosan

A agência de classificação de risco S&P Global reafirmou nesta segunda-eira os ratings “BB” da Cosan Limited, da Cosan S.A. Industria e Comércio e da Cosan Lubrificantes e Especialidades, mantendo as notas em perspectiva negativa.

Segundo a S&P, o rating da Cosan Limited reflete a sólida posição de negócios da empresa e geração de fluxo de caixa resiliente de suas subsidiárias, que permite a manutenção de uma liquidez adequada mesmo em meio ao pesado ciclo de investimentos da companhia.

Quanto à Cosan S.A., a S&P afirma que apesar de seu fluxo de caixa forte e previsível, seu negócio de logística Rumo ainda tem uma estrutura de capital pesada e perfil de amortização de dívida relativamente de curto prazo, cuja melhora depende da conclusão de agressivo plano de investimento, de cerca de R$ 8,5 bilhões para os próximos cinco anos, que deve elevar a eficiência operacional e margem de lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia dos atuais 45% para 50% em 2020.

“Após o aval regulatório para venda da [gestora de propriedades agrícolas] Radar, a qualidade de crédito da Cosan S.A. dependerá mais da sua distribuidora de gás Comgás, posto que o fluxo de caixa desta deve representar cerca de 55% do total da companhia”, estima a S&P. O segundo maior negócio a contribuir para o Ebitda da empresa deverá ser a Raízen, por meio do seu fluxo de dividendos. (Valor Econômico 24/10/2016 às 14h: 55m)

 

Petrobrás e a francesaTotal fazem parceria

Empresas vão estudar negócios no exterior, e Total poderá comprar ativos da estatal.

A Petrobrás firmou ontem a terceira parceria com uma empresa petroleira de grande porte em menos de dois meses. A francesa Total será sua aliada estratégica na exploração e produção de petróleo e poderá estar ao seu lado no leilão do pré-sal marcado para o ano que vem, informou o presidente da Petrobrás, Pedro Parente. Antes da Total, em agosto, a estatal já havia anunciado a intenção de ter a norueguesa Statoil como parceira prioritária. Em seguida, disse o mesmo sobre a portuguesa Galp.

No caso da Total, as conversas vão além da sociedade em novos projetos que podem surgir do pré-sal. As duas vão estudar oportunidades para produzir petróleo no exterior, e a Total ainda poderá comprar ativos de geração de energia elétrica e do segmento de gás natural.

“Essa parceria pode incluir tanto ativos já existentes quanto a participação em futuros leilões. E na área de downstream(abastecimento) pode implicar desinvestimentos. Estamos discutindo. Os detalhes só vamos conhecer quando tiver concluída a negociação que esperamos fazer proximamente”, disse Parente. A ideia é definir projetos para dividirem até o fim do ano.

A Petrobrás incluiu na sua lista de bens à venda, para engordar o caixa em meio à crise financeira, redes de gasodutos, terminais de regaseificação, por onde chegam os navios com gás importado e unidades de tratamento do gás natural produzidos em alto mar, além de usinas térmicas.

Refinarias também fazem parte do pacote, mas, no comunicado enviado ao mercado, a estatal informou que a discussão sobre esse tipo de negócio acontecerá numa segunda etapa. Em coletiva para comentar a parceria, Parente ainda afirmou que “o conjunto de refinarias” não está em discussão. “Seriam coisas mais pontuais”, complementou, sem dar detalhes das conversas.

A formação de parcerias tem sido apontada pela Petrobrás como uma solução para seguir em frente com os investimentos. Sem dinheiro em caixa, a estatal quer dividir custos e riscos com outras empresas. A estratégia tem sido utilizada há anos na produção de petróleo, mas nunca foi uma alternativa de fato em outros segmentos de atuação. Agora, a ideia é estendê-la a toda a empresa.

No refino, comandado pelo diretor Jorge Celestino, o desenho de como será essa parceria está avançando. Em palestra durante a feira Rio Oil & Gas, ele informou que, até o fim do ano, a diretoria da Petrobrás apresentará ao conselho de administração o modelo de sociedade que será firmado dentro do programa de venda de ativos.

Pacote. A ideia é juntar em um mesmo pacote ativos de refino e sua infraestrutura logística, “de maneira que faça sentido econômico para o sócio”, segundo Celestino. “Para atrair investidor, o ativo tem de ter valor relevante, capacidade de refino e acesso ao mercado”, afirmou.

Serão formadas empresas, nas quais seriam alocadas uma ou mais refinarias e a estrutura logística. Cada uma dessas empresas teria parte do capital vendido a futuros sócios. Mas ainda não foi definido o porcentual a ser vendido e se a estatal permanecerá como operadora.

O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, disse ter sido "decepcionante" o preço da gasolina ter subido em 11 estados e no Distrito Federal após a empresa ter anunciado uma redução nas suas refinarias, no último dia 15. O combustível ficou 3,2% mais barato para as distribuidoras, que repassam o produto para os postos antes que cheguem ao consumidor.

Para os motoristas, após dez dias do corte pela Petrobrás, o combustível ficou mais caro em alguns locais, segundo levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Acho que, como expectativa, certamente, é decepcionante ver que isso não chegou ao consumidor. Mas não fazemos pesquisa nos postos e nem sei se foi uma situação generalizada. Acho que era uma expectativa justa que isso tivesse acontecido, mas não há o que fazer, porque o mercado é livre”, disse Parente.

Distribuidoras e donos de postos têm independência para definir os preços que pretendem praticar, sem que sofram interferência da Petrobrás e do governo. Ao anunciar o corte de preços nas refinarias, Parente estimou que os motoristas poderiam ser beneficiados com uma queda de R$ 0,05 por litro de gasolina. Mas a projeção não se concretizou.

Para o diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino, ao avaliar os preços dos combustíveis na bomba, é preciso levar em conta o efeito do álcool anidro, adicionado na proporção de 27% na gasolina. “O preço do etanol está subindo. Isso explica em parte o fato de o preço não ter caído para o consumidor”, disse. (O Estado de São Paulo 25/10/2016)

 

Fertilizantes Brandt mira expansão no Brasil com novas aquisições

A norte-americana Brandt, especializada em fertilizantes foliares, prevê um novo ciclo de expansão no Brasil, possivelmente por meio de aquisições de outras empresas, após entrar no mercado local com a compra de uma unidade industrial no interior de São Paulo no ano passado, disse o presidente da companhia nesta segunda-feira.

A compra do controle da brasileira Target foi anunciada em julho do ano passado e nos primeiros 12 meses sob controle da norte-americana, com sede em Illinois, houve aumento de 50 por cento nas vendas, disse à Reuters o presidente da companhia, Rick Brandt.

"Investimos na contratação de pessoas e trouxemos novos produtos, que fazem parte do portfólio nos Estados Unidos. Aqui no Brasil ainda somos uma empresa relativamente pequena, mas pretendemos crescer mais 50 por cento no segundo ano", disse o executivo.

Segundo ele, "em dois anos vamos ficar sem espaço", o que deverá gerar a necessidade de expansão por meio de aquisições. Ele salientou, no entanto, que não há nenhuma negociação em andamento.

A empresa desenvolve e fabrica fertilizantes foliares, que contêm micronutrientes que são borrifados sobre as plantações.

Na estimativa da empresa, esse tipo de insumo é utilizado em apenas 30 por cento das lavouras de soja no Brasil e 25 por cento das de milho, o que indica potencial de crescimento do setor.

O setor de fertilizantes foliares faturou 3,7 bilhões de reais no Brasil em 2015, segundo dados da Associação Brasileira de Indústrias de Nutrição Vegetal (Abisolo). Mais de 200 empresas têm fertilizantes foliares no portfólio, a maior parte delas com 5 milhões de reais ou menos de faturamento anual, o que indica uma elevada fragmentação do mercado. (Reuters 24/10/2016)

 

Presidente da Petrobras diz que alta da gasolina em postos é 'decepcionante'

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou nesta segunda-feira (24) que foi decepcionante que a redução do preço da gasolina anunciada pela estatal na semana passada não tenha chegado às bombas para o consumidor final.

No último dia 14, a Petrobras divulgou redução de 2,7% nos preços do diesel e de 3,2% para a gasolina.

A redução entrou em vigor para o combustível vendidos nas refinarias da estatal. Até chegar ao consumidor final, é incluso o custo de transporte e também o preço do álcool adicionado nas bombas. Apesar do corte, os brasileiros não verificaram diferença significativa nas bombas.

Distribuidoras e postos dizem que o aumento do preço do etanol anidro, que é misturado à gasolina, compensou a redução promovida pela Petrobras.

Parente deu a declaração durante coletiva na Rio Oil & Gas, feira do setor do petróleo, no Rio.

Segundo o executivo, características de mercado do segmento foram determinantes para que a redução dos preços não chegasse na mesma proporção ao consumidor final.

Ele ressaltou, contudo, que o mercado de distribuição de combustíveis no varejo funciona com preços livres e que a Petrobras não tem ingerência sobre quanto donos de postos de combustíveis cobram pelo produto.

"Deixamos claro que existiam fatores que independem da nossa vontade para a queda dos preços. De certa forma é decepcionante. Era uma expectativa justa que tivesse acontecido, mas não há nada que possamos fazer a respeito. O preços são livres", disse. (Folha de São Paulo 24/10/2016)

 

Suécia propõe que União Europeia proíba carros a gasolina em 2030

Alemanha também avalia vetar motores a combustão no país. Estudo diz que elétricos serão maioria em cidades ricas até 2030.

A União Europeia deve considerar a possibilidade de proibir a venda de veículos que utilizem gasolina ou diesel a partir de 2030, propôs no último sábado (22) a ministra sueca do Meio Ambiente, Isabella Lövin, segundo informou a France Press.

A ministra, em entrevista ao jornal Aftonbladet, comemorou uma resolução nesse sentido que foi adotada em setembro passado pelo senado alemão, ainda que sem valor obrigatório.

"É uma proposta verdadeiramente interessante (...) Para concretizá-la só podemos aplicar uma proibição desse tipo a nível de União Europeia" declarou ao jornal.

"Como ministra do Meio Ambiente a única solução que vejo é deixar de lado os veículos com combustíveis fósseis", acrescentou.

O governo sueco, formado por uma coalizão de socialdemocratas e ecologistas, tem como objetivo conquistar uma matriz energética 100% renovável no país em 2040.

Em alta

De acordo com pesquisas recentes, veículos elétricos podem corresponder a dois terços de todos os carros nas ruas até 2030 em cidades ricas como Londres e Cingapura, devido a regulamentações de emissões mais rigorosas, redução nos custos da tecnologia e mais interesse dos consumidores, informou a agência Reuters.

Os veículos elétricos estão se tornando cada vez mais comuns. Para ajudar a diminuir as prejudiciais emissões de gases do efeito estufa, os governos estão tentando encorajar o seu uso através de subsídios e isenções fiscais e introduzindo zonas de baixas emissões.

Os custos da tecnologia também estão caindo rapidamente. O custo de um pacote de baterias de íons de lítio caiu 65% em 2015, para cerca de US$ 350 por kilowatt hora, ante US$ 1.000 dólares/kwh em 2010 e deve ficar abaixo dos US$ 100 dólares/kwh na próxima década, mostrou um relatório do McKinsey & Co e Bloomberg New Energy Finance (BNEF).

"Em cidades densamente povoadas e de alta renda, como Londres e Cingapura... veículos elétricos podem representar até 60 por cento de todos os veículos em operação em 2030, como resultado de zonas de baixa emissão, interesse dos consumidores e economia favorável", disse o relatório.

No entanto, o crescimento dos veículos elétricos pode ser uma ameaça ao setor automotivo. "O setor automotivo enfrenta um futuro que pode ser fundamentalmente diferente de seu passado e pode precisar considerar uma mudança do uso do modelo de posse dos produtos em direção ao fornecimento de uma variada gama de serviços de transporte", disse o relatório. (Auto Esporte 23/10/2016)

 

Governo indica ex-Petrobras Décio Oddone para comandar ANP

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, anunciou nesta segunda-feira (24) que o governo indicará o engenheiro Décio Oddone para o cargo de diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

O cargo ficará vago a partir de 4 de novembro, quando vence o mandato da atual diretora-geral, Magda Chambriard, que não pode mais ser reconduzida.

Oddone fez carreira na Petrobras, boa parte dela na área internacional da companhia. Era presidente da Petrobras Bolívia na época em que o governo Evo Morales nacionalizou ativos do setor de petróleo no país.

Atualmente, Oddone é diretor de projetos de óleo e gás da Prumo Logística, controladora do Porto do Açu, no Rio.

O ministro anunciou a indicação em discurso na cerimônia de abertura da feira Rio Oil&Gas, que conta com a presença do presidente Michel Temer. (Folha de São Paulo 24/10/2016)

 

Delação conjunta da Odebrecht pode ser assinada em até três semanas

O pedido de delação premiada da empresa Odebrecht está em fase final, e o acordo pode ser assinado com o Ministério Público Federal em até três semanas, depois de pelo menos quatro meses de negociação, segundo apuraram Cristiana Lôbo e Mariana Oliveira, da TV Globo.

Cerca de 50 executivos citaram nomes de políticos de vários partidos, incluindo os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o presidente Michel Temer, ministros do atual governo, além de dez governadores e ex-governadores e cerca de 200 parlamentares. Mas somente depois que a delação for homologada pelo Supremo Tribunal Federal é que a Procuradoria Geral da República decidirá quem será alvo de investigação.

A delação da Odebrecht tem potencial para provocar enorme impacto no mundo político, uma vez que atinge praticamente todos os partidos.

Quando já completava um ano de prisão do ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht (Foto) em Curitiba, a Odebrecht passou a negociar um acordo de colaboração coletivo, incluindo não só os atuais dirigentes, mas também ex-funcionários da empresa.

Por essa negociação, Marcelo Odebrecht permaneceria quatro anos preso em regime fechado e dinheiro seria devolvido aos cofres públicos, em valores ainda não definidos.

Até aqui, os representantes da Odebrecht que aderiram à delação premiada forneceram apenas informações preliminares. A partir da assinatura do acordo é que prestarão depoimentos oficiais, formalizando assim a deleção premiada em troca de benefícios como penas de prisão reduzidas.

Só depois de assinado com o Ministério Público Federal é que o acordo é encaminhado ao ministro Teori Zawaski, relator no Supremo Tribunal Federal dos processos relativos à Operação Lava Jato.

Se seguir como em casos anteriores, a delação premiada da Odebrecht ficará em segredo até a abertura dos inquéritos referentes aos fatos delatados. Mas, diante do impacto e dos vazamentos já acontecidos até aqui, isso pode mudar (G1 24/10/2016)

 

PF liga codinome 'amigo' em planilhas da Lava Jato a Lula

Ex-presidente foi citado em indiciamento do ex-ministro Antonio Palocci.
Delegado diz que Lula recebeu R$ 8 milhões; defesa fala em perseguição.

A Polícia Federal (PF) ligou os codinomes "amigo", "amigo de meu pai" e "amigo de EO" – que aparecem em planilhas de pagamentos ilícitos apreendidas durante a Operação Lava Jato – ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda de acordo com o delegado federal Filipe Pace, foram repassados R$ 8 milhões para "amigo".

A informação consta no indiciamento do ex-ministro Antonio Palocci, preso durante a 35ª fase da Operação Lava Jato. Palocci foi indiciado nesta segunda-feira (24) por corrupção passiva –outras cinco pessoas também foram indiciadas. O ex-ministro é suspeito de receber propina para agir em favor da Odebrecht dentro do governo federal.

Conforme a PF, os pagamentos a Lula começaram no fim de 2012 e se estenderam ao longo de 2013. A PF ainda diz que os pagamentos foram coordenados por Marcelo Bahia Odebrechet, ex-presidente da Odebrecht, e por Antonio Palocci.

De acordo com o delegado Filipe Pace, o dinheiro saiu de uma conta corrente mantida pela Odebrecht para pagamento de vantagens indevidas.

"A análise aprofundada da planilha 'POSICAO - ITALIANO 22 out 2013 em 25 nov.xls', no entanto, revelou que os pagamentos no total de R$ 8.000.000,00 foram debitados do 'saldo' da 'conta-corrente da propina' que correspondia ao agente identificado pelo codinome de AMIGO", afirmou Pace.

Conforme o relatório da Polícia Federal, Marcelo Bahia Odebrecht usava os termos "Amigo de meu pai" e "Amigo de EO" para se referir a Lula.

Já outras pessoas, ao conversar com Marcelo Bahia Odebrecht, usavam os apelidos "Amigo de seu pai" e "Amigo de EO".

Segundo a PF, um dos benefícios indevidos concedidos pela Odebrecht, descritos nas planilhas, foi a aquisição de um terreno para a construção de uma nova sede do Instituto Lula.
Embora o prédio não tenha sido erguido, o terreno foi efetivamente adquirido, afirma a polícia.O Instituto Lula nega a acusação e diz que jamais teve outra sede ou recebeu qualquer terreno.

"Diante de documento da Operação Lava Jato que cita o Instituto Lula e uma suposta 'nova' sede, mais uma vez é importante destacar que desde que foi criado, em 2011, o Instituto Lula funciona em um sobrado adquirido em 1991 pelo antigo Instituto de Pesquisas do Trabalhador. No mesmo endereço funcionou, por mais de 15 anos, o Instituto Cidadania. Originalmente, era um imóvel residencial, semelhante a tantos outros no bairro Ipiranga, zona sul de São Paulo.O Instituto Lula jamais teve outra sede ou recebeu qualquer terreno, por isso não tem sentido especular sobre esse tema. Todas as doações recebidas pelo Instituto foram devidamente declaradas e registradas e estão absolutamente dentro da lei", afirma o instituto, em nota.

A defesa da empreiteira de Marcelo Bahia Odebrecht afirmaram que não vão se manifestar.

Os advogados do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, afirmaram que não foram apresentadas provas e que existe uma perseguição política. Leia a nota na íntegra abaixo.

"Na falta de provas, usa-se da 'convicção' e de achismos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua esposa, a empresa de palestras LILS e sua família já tiveram suas vidas absolutamente devassadas pela Operação Lava-Jato - sigilo bancário, fiscal, telefônico e busca e apreensão - e tudo que foi encontrado está rigorosamente dentro da lei, afirmou o advogado.

No despacho de indiciamento, a Polícia Federal diz apesar dos indícios de que o “amigo”, citado nas planilhas é uma referência ao ex-presidente Lula, a apuração de responsabilidade criminal não cabe à autoridade policial responsável pelo indiciamento de Palocci.

“Muito embora haja respaldo probatório e coerência investigativa em se considerar que o 'AMIGO' das planilhas “POSICAO – ITALIANO310712MO.xls” e “POSICAO - ITALIANO 22 out 2013 em 25 nov.xls” faça referência a Luiz Inácio Lula da Silva, a apuração de responsabilidade criminal do ex-Presidente da República não compete ao núcleo investigativo do GT Lava Jato do qual esta Autoridade Policial faz parte”, diz um trecho do documento.

Nota da defesa de Lula

“A Lava Jato não apresentou qualquer prova que possa dar sustentação às acusações formuladas contra Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo após ter promovido devassa em relação ao ex-presidente, seus familiares, colaboradores, ao Instituto Lula e à empresa de palestras LILS. São, por isso, sem exceção, acusações frívolas, típicas do lawfare, ou seja, da manipulação das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.

Neste caso, uma autoridade que não é a responsável pelas investigações em relação a Lula, emitiu sua "convicção", sem lastro, para atacar a honra e a reputação do ex-Presidente, repetindo o abuso praticado na coletiva realizada pelos Procuradores da Operação Lava Jato (14/9/2016), quando nosso cliente foi alvo de comentários sobre questões estranhas ao processo ali tratado. Tal posicionamento não pode, assim, ser tratado como oficial, mas tão somente como a indevida e inconsequente opinião de um membro da Polícia Federal, sem elemento algum para autorizar a conclusão de que Lula recebeu qualquer vantagem indevida. Todas as contas de Lula já foram analisadas pela Polícia Federal e nenhum valor ilegal foi identificado. (G1 24/10/2016)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Avanço da colheita: As expectativas com o avanço da colheita da safra 2016/17 de algodão nos EUA pressionaram as cotações da pluma na bolsa de Nova York. Ontem, os papéis com vencimento em março fecharam a 69,22 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 25 pontos. De acordo com o Departamento de Agricultura americano (USDA), 39% da área plantada com a pluma no país havia sido colhida até o último domingo. O índice é igual ao observado no mesmo período do ano passado e acima da média histórica dos últimos cinco anos, de 37%. Em relação às condições das lavouras, o USDA apontou que 48% delas eram avaliadas como boas ou excelentes nesse período ­ um ponto percentual acima do registrado no dia 16. No Brasil, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 85,41 por arroba, de acordo com a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Embarques em alta: A continuidade da demanda internacional firme pela soja produzida nos EUA deu sustentação ao grão ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em janeiro encerraram o dia a US$ 10,0225 por bushel, alta de 10 centavos. Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os americanos enviaram para o exterior 2,74 milhões de toneladas de soja na semana móvel encerrada em 20 de outubro, 9,16% acima do registrado na semana anterior. Segundo analistas, tratase de um volume bem alto para esta época do ano. Na safra 2016/17, a produção americana de soja deve chegar a 116,18 milhões de toneladas um recorde para o país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&Bovespa para a oleaginosa ficou ontem em R$ 76,33 por saca, leve queda de 0,05%.

Milho: Demanda fraca: O fraco desempenho das exportações semanais de milho dos Estados Unidos e a perspectiva de avanço da colheita no país pressionaram as cotações do cereal ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam o pregão cotados a US$ 3,58 por bushel, recuo de 4,25 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos enviaram para o exterior 541,53 mil toneladas de milho ao longo da semana móvel encerrada no último dia 20 ­ queda de 38,3% na comparação com a semana móvel anterior, encerrada no dia 13. Os EUA devem produzir 382,48 milhões de toneladas do grão na safra 2016/17, segundo o USDA. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o cereal ficou em R$ 40,4 por saca de 60 quilos, desvalorização de 1,7%.

Trigo: Efeito dólar: A alta do dólar ante as principais moedas do mundo maximizou os efeitos da queda dos embarques semanais dos EUA sobre as cotações do cereal ontem. A moeda americana mais cara diminui a competitividade da produção do país, reduzindo a demanda internacional. Em Chicago, os papéis da commodity com vencimento em março fecharam a US$ 4,245 o bushel, recuo de 10,5 centavos. Já em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a R$ 4,305, queda de 8,75 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, os americanos embarcaram 244,33 mil toneladas de trigo na semana encerrada no dia 20 ­ 47,5% abaixo do registrado no período anterior. No Paraná, o preço médio do cereal ficou em R$ 634,52 a tonelada, segundo o Cepea. (Valor Econômico 25/10/2016)