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Plantio de soja flui bem, e safra poderá ser recorde

Enfim o Brasil deverá ter uma safra de soja acima dos 100 milhões de toneladas. Um volume também esperado nas safras anteriores, mas que não se confirmou.

O ponto de partida favorável deste ano é o plantio. As máquinas avançam rapidamente sobre as áreas destinadas à oleaginosa, e o clima aponta condições bem mais favoráveis do que as de 2015.

No ano passado, devido à seca, o plantio foi retardado em várias regiões, adiando a colheita e dificultando até a safrinha de milho.

Um cenário favorável neste ano é o do norte do Paraná, Estado que tem a segunda maior produção do país.

Os produtores semearam com o solo úmido e não faltaram chuvas após o plantio.

Com clima favorável, o volume da safra de soja de 2016/17 poderá ficar perto dos 105 milhões de toneladas.

A AgRural estima 100 milhões, enquanto a Safras & Mercados prevê 103,5 milhões. O Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) estima 102 milhões, enquanto a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê até 104 milhões de toneladas.

A safra começou bem, continua boa, com apenas sinais de alerta nos Estados do Sul, principalmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde há atrasos no plantio, avalia Daniele Siqueira, analista da AgRural.

ÁREA SEMEADA

A agência estima que 53% da área que será destinada à soja no país já tenha sido semeada. Mato Grosso do Sul e Mato Grosso lideram, com percentuais superiores a 80%.

Em Mato Grosso, líder nacional em produção, apenas a região nordeste do Estado tem ritmo lento. As máquinas avançaram sobre apenas 33% da área destinada à soja.

No resto do Estado, o plantio está sendo tranquilo, apenas com problemas pontuais em algumas áreas.

Um dos sinais desse cenário favorável é o aumento de produtividade esperada para o Estado. Daniel Latorraca, superintende do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), diz que a estimativa do órgão é de 53 sacas por hectare na safra que está sendo semeada, bem acima das 49,7 da anterior.

Com estimativa de plantio de 9,4 milhões de hectares, o Estado poderá colher 30 milhões de toneladas.

O desempenho do plantio vai bem, mas há uma preocupação, segundo Latorraca. "A comercialização da nova safra está muito lenta."

Preços da soja na Bolsa de Chicago e valor do dólar em patamares inferiores aos do ano passado frearam as vendas antecipadas.

Latorraca diz que apenas 30% da safra já foi comercializada. Com isso, dificilmente o setor vai chegar aos 50% de comercialização até janeiro do próximo ano.

A concentração da venda após a safra preocupa. O preço pode não ser favorável. Pior ainda. Não é só o Brasil que tem perspectivas de safra histórica. O mundo deverá colher o volume recorde de 335 milhões de toneladas no período de 2016/17.

Os dados de colheita dos EUA, líder mundial, poderão surpreender na atualização desta semana, chegando a 119 milhões de toneladas, acreditam alguns analistas.

A produção argentina está prevista em 57 milhões de toneladas; e a paraguaia, em 9,2 milhões.

Venda de máquina agrícola cresce no segundo semestre

A perspectiva de uma safra recorde movimenta o setor rural em busca de máquinas. Nos quatro primeiros meses deste segundo semestre, as vendas acumuladas do setor superam as de todo o primeiro semestre do ano.

Dados divulgados nesta segunda-feira (7) pela Anfavea (associação do setor) indicam que as vendas de julho a outubro somaram 18,1 mil máquinas, 14% mais do que em igual período de 2015.

Esse volume supera as 17 mil unidades do primeiro semestre, quando as vendas haviam recuado 31% em relação às de janeiro a junho do ano passado.

Dificilmente o setor terá um cenário positivo de vendas neste ano, ante igual período de 2015, devido à forte queda das vendas no primeiro semestre.

Mas executivos do setor estimam uma queda de apenas 5%, bem longe das previsões baixistas do início do ano.

As vendas de tratores somaram 29,9 mil unidades até outubro, 12% menos do que as de igual período do ano passado. Já as de colheitadeiras somaram 3.259, o mesmo número das de 2015.

Preocupa

Os produtores de Mato Grosso temem que o milho que deveria ser exportado –e acabou ficando no mercado interno devido aos preços mais favoráveis aqui do que no exterior– vai derrubar os preços agora na entrada da safra.

Safra nacional

Os preços melhoraram, e os produtores optaram por plantar mais milho no verão. O aumento de área foi de 12%. Já a evolução no período de inverno será de 11%.

Volume elevado

O resultado é que a soma das safras de verão e de inverno poderá render 94,7 milhões de toneladas, segundo a consultoria Horizon.

Fim de safra

A colheita de milho atingiu, em média, 91% nos Estados Unidos. Illinois e Missouri lideram, com 99% da área já colhida. A colheita de soja chegou a 94%, segundo dados do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).

Soja

A Horizon prevê que a área de soja suba 1,3% na safra 2016/17 no Brasil, somando 33,6 milhões de hectares. Confirmada a área, a produção subirá para 103,7 milhões de toneladas.

Preços

As exportações de açúcar refinado estão sendo feitas a valores 54% superiores aos de há um ano. As do açúcar bruto, a 30% mais. (Folha de São Paulo 08/11/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Dólar e oferta: A queda do dólar ante o real deu fôlego às cotações do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 21,65 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 46 pontos. As expectativas do mercado com as eleições de hoje nos EUA deram fôlego ao real, o que tende a desestimular a exportações do Brasil em um cenário de déficit na oferta mundial. As projeções em relação à produção no Centro-Sul do país na segunda quinzena de outubro também influenciaram. Segundo estimativa do Banco Pine, a região produziu 1,88 milhão de toneladas do adoçante no período, 13,8% abaixo do registrado em igual intervalo de 2015. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 100,74 a saca de 50 quilos, alta de 0,18%.

Café: Compras especulativas: As compras especulativas seguem impulsionando as cotações do café arábica na bolsa de Nova York diante da perspectiva de uma menor oferta no Brasil na próxima safra. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,7795 a libra­peso, alta de 305 pontos. De acordo com a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os fundos elevaram em 11,79% suas apostas na alta do café ao longo da semana móvel encerrada no último dia 1º comparado ao posicionamento de uma semana antes, com um saldo líquido comprado de 56.621 contratos. A queda do dólar ante o real também impulsionou as cotações do café. O indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou ontem em R$ 577,74 a saca de 60 quilos, alta de 1,86%.

Cacau: Novas perdas: Os contratos futuros de cacau registraram a segunda queda expressiva ontem na bolsa de Nova York, atingindo o menor valor em três anos. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2.445 a tonelada, recuo de US$ 87. Os preços futuros do cacau são pressionados pela perspectiva de recuperação da produção no oeste da África e pela recente alta da libra, o que derruba o valor do cacau na bolsa de Londres, forçando a uma correção em Nova York. Segundo alguns analistas, o clima no oeste africano é favorável para o desenvolvimento da segunda colheita da safra 2016/17, que será realizada na próxima primavera. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 134 a arroba, com recuo de 4,08%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Soja: Apetite chinês: O avanço na demanda chinesa por soja deu fôlego às cotações do grão ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 9,985 o bushel, valorização de 7,75 centavos. Segundo o governo chinês, o consumo no país deve crescer 3% em 2016/17 e somar 99,7 milhões de toneladas, enquanto as importações devem somar 85,3 milhões de toneladas até setembro de 2017. A China é o maior importador mundial de soja. Já os EUA devem colher 116,18 milhões de toneladas na atual temporada, das quais 14,08 milhões foram vendidas até o último dia 3, segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA). No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 76,55 a saca de 60 quilos, alta de 0,08%. (Valor Econômico 08/11/2016)