Macroeconomia e mercado

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Para Abag, eleição de Trump desperta medo de protecionismo

A eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos precisa ser analisada friamente para evitar julgamentos precipitados sobre seus efeitos sobre o agronegócio, apontou o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, em entrevista ao Broadcast Agro antes do evento Fórum Estadão - A Importância do Cacau para o Agronegócio.

"Se analisarmos todo o período Obama, para o Brasil de fato não aconteceu nada", apontou Carvalho. "A única coisa mais efetiva foi a ratificação da COP 21, que é um primeiro ponto que eu não sei se o novo presidente faria." Carvalho assinalou ainda que nem sempre o que é dito na campanha significa a realidade do futuro governo, se referindo às declarações de Trump sobre proteção da economia norte-americana.

"Mas é um discurso que, de alguma forma, se relacionava com uma nova realidade que a gente está vivendo, que é o protecionismo. A preocupação maior é que, se ele abraçar uma causa dessas, ele carrega com ele a liderança dos EUA, que tem uma posição importante no mundo. E é óbvio que não é positivo para o Brasil", assinalou.

"Mas eu não posso adiantar nada ou imaginar que isso é real. É um receio, mas eu acho que a gente tem de esperar." Sobre o fórum, o presidente da Abag ressaltou que a associação tem tentado resgatar commodities importantes para a história econômica brasileira e que ainda são relevantes para o agronegócio no mundo. Ele destacou a liderança da África no setor de cacau e assinalou que é preciso atrair investimento externo para recuperar a produção brasileira.

"O Brasil passou de exportador para importador e segue importador", apontou. "O cacau tem uma geração de empregos muito boa, potencial de renda positivo para o agricultor e uma cadeia produtiva interessante. Tem um mercado interno e externo excepcional.". (Agência Estado 10/11/2016)

 

Agência Internacional de Energia vê excesso de petróleo em 2017 se não houver cortes na Opep

O excedente no mercado de petróleo pode entrar em seu terceiro ano em 2017 se não houver um corte de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), enquanto a crescente produção de exportadores ao redor do globo poderia levar a um crescimento implacável de oferta, disse a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) nesta quinta-feira.

Em seu relatório mensal do mercado de petróleo, o grupo disse que a oferta global subiu em 800 mil barris por dia (bpd) em outubro para 97,8 milhões de bpd, liderados pela produção recorde da Opep e pelo crescimento na produção de países de fora da Opep como a Rússia, Brasil, Canadá e Cazaquistão.

A IEA, localizada em Paris, manteve sua previsão de crescimento da demanda de 2016 em 1,2 milhão de bpd e espera que o consumo aumente no mesmo ritmo no próximo ano, tendo gradualmente desacelerado de um pico de cinco anos de 1,8 milhão de bpd em 2015.

A Opep se reunirá no fim de novembro para discutir uma proposta de corte na produção para uma faixa de 32,5 milhões a 33 milhões de bpd, mas uma discórdia entre membros sobre isenções e níveis de produção criou dúvidas sobre a habilidade do cartel de entregar uma redução significativa.

"Qualquer que seja o resultado, a reunião em Viena terá um grande impacto no eventual --e muito adiado-- reequilíbrio do mercado de petróleo", disse o IEA.

"Se não for alcançado um acordo e alguns membros individuais continuarem a expandir sua produção, então o mercado vai continuar com excedente ao longo do ano, com pouca perspectiva de preços do petróleo subindo significativamente. De fato, se o excedente de oferta persistir em 2017, pode haver algum risco dos preços caírem de novo". (Reuters 10/11/2016)

 

Donald Trump escolhe “maior cético do clima” para liderar transição da EPA

Escolha de Myron Ebell significa que o próximo presidente dos Estados Unidos planeja reformular drasticamente as políticas climáticas da Agência de Proteção Ambiental

Donald Trump selecionou um dos mais conhecidos “céticos do clima” para liderar sua equipe de transição na Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). As informações foram dadas por duas fontes próximas à campanha de Trump, em setembro, ainda antes das eleições.

De acordo com as fontes, o escolhido é o diretor do Centro de Energia e Meio Ambiente do conservador Competitive Enterprise Institute, Myron Ebell.

O time de Trump também já recrutou os líderes para suas equipes do Departamento de Energia (DOE) e do Departamento de Interior. O lobista de energia republicano Mike McKenna irá dirigir a equipe do DOE, enquanto o ex-advogado do Departamento de Interior dos Estados Unidos, David Bernhardt, deve liderar os esforços do outro departamento, informaram as fontes.

Cabeça fria contra os alarmistas

Ebell é uma figura bem conhecida e polarizante da esfera de energia e meio ambiente. Sua participação na transição da EPA sinaliza que o time de Trump está buscando drásticas reformulações nas políticas climáticas que a agência perseguiu sob a administração de Obama. O papel de Ebell, provavelmente, deve enfurecer ambientalistas e democratas, mas animará os críticos ao regime climático de Obama.

Tendo sido apelidado de “nerd elegante” e “sabichão da política” pela revista Vanity Fair, Ebell é conhecido por seus textos prolíficos que questionam o que ele chama de “mudança climática alarmista”. Ele aparece frequentemente na mídia e no Congresso e também é o presidente da “Coalização dos Cabeças Mais Frias” (Cooler Heads Coalition, em tradução livre) – um grupo de organizações sem fins lucrativos que “questiona o alarmismo do aquecimento global e se opõe a políticas de racionamento de energia”.

Ebell parece saborear as críticas vindas da esquerda. Em um resumo biográfico de duas páginas, entregue para o congresso norte-americano, Ebell listou entre suas conquistas que foi listado no “Guia de Criminosos do Clima”, do Greenpeace; apelidado como “deturpador” do aquecimento global pela revista Rolling Stone; e que foi sujeito a uma moção de censura na Câmara dos Comuns Britânica após criticar os pontos de vista do principal conselheiro científico do Reino Unido sobre o aquecimento global.

Em 2007, ele disse à Vanity Fair: “Houve um pouco de aquecimento, mas ele tem sido muito modesto e bem dentro dos limites de variabilidade natural e, se ele é causado pelos seres-humanos ou não, não é nada para nos preocuparmos”.

Mais recentemente, Ebell chamou de ilegal o Plano de Energia Limpa da administração de Obama, destinado a gases do efeito estufa. Ele ainda disse a adesão do presidente ao acordo sobre o clima da conferência de Paris “é claramente uma usurpação inconstitucional da autoridade do Senado”.

As visões de Ebell parecem se alinhar com as de Trump quando se trata da agenda da EPA. Trump tem chamado o aquecimento global de “besteira” (bullshit, no original) e afirmou que iria “cancelar” o acordo de Paris sobre o aquecimento global, além de reverter ações executivas do Presidente Obama sobre alterações climáticas (conforme publicação da revista ClimateWire em 27 de maio).

Outros nomes da transição

Por sua vez, para liderar a equipe do Departamento de Energia de Trump, o partido republicano dos Estados Unidos contratou Mike McKenna.

O presidente da MWR Strategies é bem conhecido nos círculos de energia republicanos. Ele era diretor de políticas e relações exteriores do Departamento de Qualidade Ambiental do estado da Virgínia, sob a administração do então governador republicano George Allen e atuou como especialista em relações exteriores do Departamento de Energia durante o governo de George H. W. Bush (pai).

Entre seus clientes, para quem fez lobby em 2016, estão Koch Companies Public Sector, Southern Company Services, Dow Chemical e Competitive Power Ventures, de acordo com divulgações públicas.

Já dirigindo os esforços de transição do Departamento de Interior está David Bernhardt, co-presidente do Departamento de Recursos Naturais do escritório de advocacia de Brownstein Hyatt Farber Schreck.

Ele atuou como advogado do Departamento de Interior no governo de George W. Bush (filho), após a realização de vários outros trabalhos de alto escalão da mesma divisão.

Além dos líderes da equipe da EPA e dos Departamentos de Interior e Energia, o especialista em energia do partido republicano Mike Catanzaro também está trabalhando com política energética para a equipe de transição de Trump (conforme publicado pela Greenwire em 14 de setembro).

Durante a transição de Obama, em 2008, uma equipe relativamente pequena foi montada antes da eleição, a fim de traçar metas políticas gerais.

Após a eleição, a operação expandiu drasticamente e as equipes foram enviadas para trabalhar fora de de suas agências para recolher informações junto a funcionários políticos e de carreira, além de escrever rajadas de memorandos e compilar grossas pastas de inteligência para entregar à liderança responsável pela transição (Greenwire, 19 de agosto).

Com a vitória de Trump, Ebell, McKenna e Bernhard provavelmente liderarão esforços semelhantes para suas respectivas agências.

A campanha Trump não respondeu aos pedidos de comentário. (ClimateWire 10/11/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Pressão cambial: As incertezas com a vitória de Donald Trump continuam interferindo no mercado de commodities. Ontem, uma realização de lucros no Brasil levou o real a registrar sua maior desvalorização em oito anos, pressionando as cotações do café. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,6565 a libra-peso, recuo de 815 pontos. O dólar mais forte tende a incentivar as exportações num momento em que a oferta de café do país no mercado internacional tem diminuído devido à escassez do grão conilon no mercado doméstico. A desvalorização foi impulsionada ainda pela liquidação de posições vendidas dos fundos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 562,61 a saca de 60 quilos, queda de 0,07%.

Algodão: Demanda firme: Os dados das exportações semanais dos EUA deram força às cotações do algodão ontem na bolsa de Nova York após a revisão nas estimativas de produção do país realizada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) derrubar o valor dos contratos na quarta-feira. Os papéis com vencimento em março fecharam a 69,83 centavos de dólar a libra-peso, alta de 97 pontos. Segundo o USDA, os americanos fecharam contratos para exportar 36,75 mil toneladas de algodão da safra 2016/17 na semana móvel encerrada no último dia 2, o que representa um crescimento de 5% na comparação com os sete dias anteriores. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 84,56 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Brasil preocupa: A preocupação do mercado com a safra 2016/17 na América do Sul deu fôlego às cotações da soja ontem na bolsa de Chicago. Os contratos de soja com vencimento em janeiro fecharam a US$ 9,98 o bushel, alta de 7 centavos. Segundo a Conab, o Brasil deve colher entre 101,6 milhões e 103,5 milhões de toneladas de soja no ciclo, abaixo do intervalo entre 101,8 milhões e 104 milhões estimados anteriormente. Segundo a Granoeste Corretora, mercado tende a voltar-se para os fundamentos nos próximos dias, com os investidores atentos ao clima no Brasil e na Argentina e ao ritmo da demanda pelo produto dos EUA. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou ontem em R$ 78,04 a saca de 60 quilos, alta de 1,31%.

Milho: Alta em Chicago: Os contratos futuros do milho registraram alta ontem na bolsa de Chicago, apesar do recuo nas vendas semanais dos EUA. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 3,52 o bushel, avanço de 2,25 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos fecharam contratos para exportar 1,23 milhão de toneladas da safra 2016/17 na semana encerrada no dia 2, recuo de 16% em relação à semana anterior, mas um volume considerado elevado pelos analistas. O órgão reportou ainda a venda pontual de 140 mil toneladas de milho para a Arábia Saudita, o que também deu fôlego às cotações. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 39,12 a saca de 60 quilos, recuo de 0,99%. (Valor Econômico 11/11/2016)