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Usina Ester e Tereos na lista de clientes de Palocci,diz a Receita Federal

Dentre eles, a Usina Açucareira Ester S/A, com R$ 1,1 milhão e a Tereos Internacional, com R$ 780 mil. Relatório do Fisco anexado aos autos da Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato, revela que Projeto Consultoria Empresarial e Financeira, controlada pelo ex-ministro dos Governos Lula e Dilma, rendeu entre 2007 e 2015, um total de R$ 12.076.339,59 como remuneração do trabalho e lucros/dividendos ao petista.

Relatório da Receita Federal aponta que a Projeto Consultoria Empresarial e Financeira, empresa do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil / Governos Lula e Dilma), recebeu R$ 81,3 milhões de 47 empresas. A investigação aponta apenas empresas que efetuaram pagamentos em montante superior a R$300 mil .

O documento da Receita foi anexado aos autos da Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato que prendeu Palocci em 26 de setembro.

A auditoria da Receita mira exclusivamente na Projeto. O relatório não levanta qualquer suspeita sobre as empresas e instituições financeiras que contrataram a assessoria de Palocci.

No caso do Banco Bradesco, os lançamentos de valores se referem à Renda de Aplicações Financeiras e não a remuneração de serviços prestados.

A Projeto foi fundada em 10 de agosto de 2006. A Receita informa que o quadro de funcionários da Projeto oscilou de três para no máximo oito – em 2007 e em 2008 eram três funcionários; em 2009 e 2010, quatro; em 2011, cinco; em 2012, sete; em 2013, seis; e 2014 e 2015 oito funcionários.

A receita da empresa, entre 2006 e 2015, foi de R$ 107.641.399,64.

“Em 2011, a empresa declarou que auferiu receitas proveniente de suas atividades apenas no quarto trimestre, nos três primeiros trimestres auferiu apenas rendimentos provenientes de aplicações financeiras, o que chamou a atenção pois no ano anterior teve um grande faturamento em decorrência de suas atividades e em 2011 não auferiu nenhuma receita em decorrência de suas atividades por nove meses”, informa o relatório.

A Projeto rendeu a Palocci, entre 2007 e 2015, um total de R$ 12.076.339,59 como remuneração do trabalho (R$ 335.900,00) e lucros/dividendos (R$ 11.740.439,59).

Palocci foi o ministro mais poderoso do PT ao lado de José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula). Os dois estão presos. Dirceu foi capturado em 3 de agosto de 2015 e já pegou condenação de 20 anos e três meses de reclusão.

Entre 1 de janeiro de 2003 e 27 de março de 2006, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a chefia do Ministério da Fazenda esteve nas mãos de Antonio Palocci. Ele assumiu o mandato de deputado federal em 1.º de fevereiro de 2007, licenciando-se a partir de 1.º de janeiro de 2011 para ocupar a cadeira de ministro-chefe da Casa Civil no primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. Ficou no cargo até 7 de junho de 2011.

O documento que analisa os resultados da Projeto crava que os valores constantes da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte ‘são divergentes’ daqueles que fazem parte da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof, que envolve informações de saldo e movimentação bancária, tanto depósitos/valores recebidos quanto transferências/pagamentos).

“Seria interessante por meio do sigilo bancário apurar as demais origens e destinos dos recursos pertencentes a Projeto Consultoria Empresarial e Financeira Ltda”, sugere a Receita.

Segundo a Receita, a partir de 2011 passou a constar na Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas o balanço patrimonial da Projeto. O relatório afirma que havia no balanço o valor de R$7.482.024,00 constantes na rubrica “Edifícios e Construções” e o valor oscilando em torno de R$ 1,6 milhão na rubrica “Equipamentos, máquinas e instalações industriais”.

“Acredita-se que estes valores são elevados para uma empresa com poucos funcionários e que exerce atividade de consultoria em gestão empresarial. Em 2014 com a apresentação da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) foi possível ver que o valor R$7.482.024,00 classificado no ativo na conta “edifícios e construções” eram discriminados como “apto 131 edif. Dante Alighieri” no valor de R$6,6 milhões e “conj.401 edif. Ciragan off” no valor de R$882.024,00”, aponta a Receita.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, QUE DEFENDE ANTONIO PALOCCI

“Ao longo da sua existência, a Projeto Consultoria, desde que nasceu e até hoje, se encontra sob fiscalização intensa, sofrendo uma devassa em todos os níveis.”

“A Procuradoria-Geral da República, o Ministério Público Federal de primeiro grau em Brasília, o Ministério Público do Estado de São Paulo, o Gedec, Grupo de Investigação de Delitos Econômicos, a Receita municipal e federal, enfim, ao longo de toda a sua existência a Projeto tem sido devassada.”

“Quais foram os resultados obtidos com essa devassa? Nada, nenhuma irregularidade foi encontrada na Projeto, em sua contabilidade, em suas atividades. Nenhum ato de sonegação. Nada de ilícito.”

“A Procuradoria-Geral da República investigou até mesmo a compra do famoso apartamento onde residiu o ministro Palocci, investigou todas as contas, todos os clientes, todas as receitas, todas as tributações efetivamente realizadas nos âmbitos municipal e federal em relação à receita da Projeto e acabou fazendo uma longa promoção de arquivamento dos autos e dessa investigação que fora suscitada por alguns senadores e deputados.”

“Por seu turno, o Ministério Público Federal de primeiro grau em Brasília, inconformado com esse arquivamento, resolveu afrontar a decisão do procurador-geral da República e fez instaurar inquérito civil e procedimento investigatório criminal para apurar exatamente a regularidade das receitas e as legalidades dos contratos celebrados pela Projeto e seus clientes.”

“Entre os clientes da Projeto Consultoria não há uma única empresa que tenha qualquer vinculação com o poder público em seus três níveis, federal, estadual e municipal.”

“O Ministério Público Federal de primeiro grau em Brasília acabou arquivando essas investigações, tanto na esfera civil como na esfera penal. As investigações se arrastaram por mais de cinco anos.”

“Ao longo dessas investigações, os investigadores requisitaram contratos e toda a documentação da Projeto. O resultado acabou sendo o mesmo encontrado pela Procuradoria-Geral da República: arquivamento das investigações pelo fato de que não havia nenhum contrato ilegal, nenhuma receita sem causa, nenhum crime de sonegação fiscal, nem lavagem de dinheiro.”

“Então, o que a defesa pode dizer é que existe esse atestado de idoneidade da Procuradoria-Geral da República e do Ministério Público Federal de primeiro grau.”

“Não bastasse isso esses políticos que haviam denunciado (Antonio Palocci) à Procuradoria-Geral da República também representaram ao Ministério Público do Estado de São Paulo pedindo apuração de suposta lavagem de dinheiro. Foi instaurado inquérito pelo Gedec, o grupo de promotores que combate delitos econômicos. Nova devassa foi realizada, por longo tempo, abrangendo até mesmo contrato de locação do apartamento onde morava o ministro Palocci.”

“Os promotores do Gedec acabaram arquivando também essa apuração. Não encontraram nenhuma irregularidade, nenhum indício por microscópico que fosse, de lavagem ou sonegação.”

“Na esfera administrativa, a Receita fez uma devassa, examinou todos os contratos, os ingressos (de receitas) e não encontrou nenum indício de sonegação, uma única irregularidade de ordem tributária. Este foi o resultado da fiscalização da Receita.”

“Finalmente, igual procedimento foi instaurado pela Receita do Município de São Paulo e, uma vez mais, ficou demonstrada a realização efetiva dos serviços da Projeto. São palestras remuneradas, consultorias prestadas periódica e verbalmente. Chegou-se ao detalhe de investigarem junto à sede das empresas e instituições se efetivamente foram dadas as palestras por Palocci. Tudo minuciosamente investigado e nada se encontrou de irregular.”

“Agora, foi instaurado esse processo em Curitiba (base da Lava Jato, onde Palocci está preso), a partir de um inquérito absolutamente vazio, destituído de qualquer prova indiciária de qualquer crime. Antonio Palocci não é o ‘Italiano’ (codinome lançado nas planilhas de propinas da empreiteira Odebrecht). Então, querem agora arrumar uma outra vertente investigatória, criando outra investigação. Pela sexta vez. Coisas que só podem ocorrer na ‘delatópolis’, o paraíso das delações premiadas.”

“Espero que não se trate apenas de um expediente que tem sido muito usado, o drible ao Supremo Tribunal Federal. Quando os acusadores sentem que a acusação é muito fraca e a ordem de prisão do investigado não se sustenta ocorre o milagre da multiplicação dos inquéritos. É o que estão chamando de drible aos tribunais superiores.”

“Em nenhum contrato da Projeto será encontrada consultoria inexistente como estão pensando. Na lista de clientes não há nenhuma empreiteira, nenhuma prestadora de serviços do Estado brasileiro.”

“Por que procuraram a Projeto? Por que a contrataram? Ora, quem é que colocou nos eixos a economia do País? Foi ele, Antonio Palocci. Então eu pergunto. “Por que todo mundo procurava o Ivo Pitanguy? O Adib Jatene? Por que todos procuram o Hospital Albert Einsten? E o Sírio Libanês? Pela competência, pelo renome, pela excelência do serviço.”

COM A PALAVRA, O BANCO BRADESCO

“O Bradesco esclarece que informou à Receita Federal tempestiva e adequadamente a movimentação constante no citado relatório, caracterizando-a como Renda de Aplicações Financeiras e não remuneração de serviços prestados.”

COM A PALAVRA, A JBS

A JBS confirma que contratou a consultoria Projeto em 2009 para apoio na tomada de decisão na aquisição da Pilgrim´s Pride, dos Estados Unidos. Os serviços foram prestados, com ampla oferta de análises e informações de cenários macroeconômicos, do mercado mundial de frango e de proteína, além de detalhado estudo sobre a empresa americana. O trabalho se mostrou fundamental para a aquisição ocorrida em setembro daquele ano, e a decisão se comprovou altamente acertada, gerando valor para os acionistas e para a empresa. O contrato e os pagamentos foram devidamente documentados.

COM A PALAVRA, O BANCO MODAL

O Banco Modal contratou os serviços da Projeto Consultoria em junho de 2014. Os serviços contemplaram consultoria político-econômica, com foco nos desdobramentos do que se denominava à época “nova matriz econômica” do país. Além da Projeto, outras consultorias foram contratadas com o mesmo objetivo. O contrato, que não continha cláusula de performance, expirou em maio de 2015 e não foi renovado. Os honorários mencionados referem-se ao acumulado de 12 meses.

COM A PALAVRA, A MONTE CRISTALINA

Em 28 de outubro deste ano, a Monte Cristalina enviou à Operação Lava Jato o contrato e as notas fiscais que comprovariam a prestação de serviços da Projeto à empresa.

“A Monte Cristalina esclarece que contratou mensalmente, a preço de mercado, análises econômicas da Projeto, executadas ao longo de alguns anos, e que procurou, espontaneamente, as autoridades para fornecer todas as informações e documentos sobre o trabalho realizado.”

COM A PALAVRA, AO BANCO ORIGINAL

Nota à Imprensa

O Banco Original contratou a Projeto Consultoria Empresarial e Financeira Ltda para serviços de consultoria macroeconômica, elaboração de cenários e análise de conjuntura político-econômica conforme contrato estabelecido entre as partes e devidamente documentado.
Banco Original

COM A PALAVRA, A AMBEV

A Ambev manteve com a Projeto Consultoria Empresarial e Financeira Ltda., por cerca de 3 anos, contrato para prestação de serviços de consultoria, através de análises de cenários e conjuntura, com remuneração mensal em linha com o mercado.

COM A PALAVRA, A BRASIF

A BRASIF S.A. Administração e Participações formou, em 2007, um Comitê Financeiro que desde então se reúne mensalmente para debater temas econômicos e financeiros nacionais e internacionais. A empresa Projeto Consultoria Empresarial e Financeira LTDA. foi contratada para, na pessoa do ex-ministro da Fazenda, sr. Antônio Palocci, participar, juntamente com outros membros contratados e convidados, do referido Comitê. O ex-ministro participava das reuniões expondo e discutindo cenários econômicos e financeiros. Em contrapartida, recebia uma remuneração mensal. A BRASIF esclarece que, durante o período em que o referido ex-ministro exerceu cargo público, o mesmo não participou de tal Comitê e tampouco recebeu qualquer remuneração.

COM A PALAVRA, A SIGNO PROPERTIES INVESTIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA

A empresa esclarece que não pode comentar sobre o assunto em razão da confidencialidade prevista nos contratos, porém garante que todos eles estão de acordo com a legislação em vigor.

COM A PALAVRA, A CYRELA

“Durante um período de dois anos, já encerrado, a Cyrela contratou a Projeto Consultoria para serviço de consultoria em gestão financeira. Todos os pagamentos foram declarados e informados à Receita Federal.”

COM A PALAVRA, A ECORODOVIAS

A EcoRodovias contratou a Projeto, que tem entre seus sócios o ex-ministro da fazenda Antonio Palocci, para prestação de serviços de consultoria e análise de cenários econômicos, por 23 meses, pelo valor de R$ 30 mil mensais, entre os anos de 2012 e 2014.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, QUE DEFENDE A CAOA

“No caso da CAOA não houve palestra (do ex-ministro Antonio Palocci), mas contrato de consultoria econômico-financeira, por escrito e com trabalho apresentado e já juntado na Procuradoria-Geral da República e no Ministério Público Federal de primeiro grau no Distrito Federal.”

COM A PALAVRA, O BANCO ITAÚ BBA

“Em maio de 2010, Antonio Palocci participou do 5th Annual Latin America CEO Conference, promovido pelo Itaú Securities, no painel ‘The Brazilian Election: With Antonio Palocci Filho & Gesner Oliveira’. Ele também fez algumas palestras e reuniões sobre conjuntura econômica, com remuneração estritamente em linha com o mercado de palestrantes. Os pagamentos foram exclusivamente relacionados a essas palestras e ele nunca representou a instituição junto a qualquer autoridade.”

COM A PALAVRA, O BANCO SAFRA

O Banco Safra não irá comentar.

COM A PALAVRA, A HOLCIM

A Holcim Brasil confirma que contratou a empresa Projeto Consultoria Empresarial e Financeira para fins específicos de estudos financeiros no período em que estava em redefinição de sua estratégia no Brasil. A Projeto, à época, apresentou trabalhos de projeção de macro tendências econômicas e análises financeiras de projetos da Holcim Brasil em estudos.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE IMPRENSA DA WTORRE

O ex-ministro Antonio Palocci foi contratado como palestrante em eventos privados promovidos pela WTorre. Estas palestras aconteceram entre os anos de 2007 e 2010, porém não de forma contínua e limitando-se a algumas poucas reuniões, nas quais o ex-ministro proferiu palestra ao corpo diretivo da empresa e a vários empresários convidados, tendo o cenário macroeconômico como tema. As palestras foram devidamente remuneradas e os recibos estão à disposição para consultas. Assim como o ex-ministro Antonio Palocci, outras figuras expoentes do cenário macroeconômico e político do País, tais como o ex-ministro Antonio Kandir e o executivo Alcides Tápias, estiveram na empresa, à convite da WTorre, para proferir palestras sobre temas diversos para o staff, prospects e outros convidados da companhia.

Por fim, gostaríamos de acrescentar que, esta relação, comercial e dentro das práticas da boa governança corporativa, foi alvo de questionamento público por parte de um veículo de comunicação, em 2010. A Procuradoria Geral da União (PGU) avaliou minuciosamente o contrato entre o ex-ministro Antonio Palocci e a WTorre e não encontrou qualquer irregularidade, tornando público parecer neste sentido.

Todos os documentos referente à contratação do ex-ministro, tanto as notas fiscais emitidas pela Projeto, quanto o parecer da Procuradoria Geralda União estão à disposição, caso queira consultá-los.

COM A PALAVRA, SOUZA CRUZ

A Souza Cruz contratou a empresa Projeto – Consultoria Empresarial e Financeira Ltda. para a prestação de serviços de consultoria econômica, consistentes na análise da conjuntura político-econômica do país e das perspectivas de sua evolução no curto, médio e longo prazo. A escolha da Projeto Consultoria deveu-se ao reconhecido conhecimento técnico e relevante experiência como Ministro da Fazenda de seu sócio majoritário, Antonio Palocci. Os referidos serviços foram prestados por um período total de 3 anos e 4 meses.

COM A PALAVRA, MULTIPLAN

“Em relação ao questionamento da reportagem do Estado de São Paulo, entre 2009 e 2010, a Projeto Consultoria elaborou estudos e prestou serviços de consultoria que compreendiam a realização de reuniões, apresentações e relatórios. Todos os serviços foram prestados satisfatoriamente de acordo com o escopo do contrato.”

COM A PALAVRA, PAIC PARTICIPAÇÕES

A assessoria de imprensa de PAIC Participações informa que contratou a empresa Projeto para a prestação de serviços de consultoria financeira e empresarial.

COM A PALAVRA, A TV SUL DE MINAS E A CAP PIONEIRA

No tocante à TV Sul de Minas, esclareço que a Projeto foi contratada especificamente para elaboração de um estudo socioeconômico da Região Sul de Minas. A contratação ocorreu em outubro de 2011 e o estudo, consistente e detalhado, foi devidamente entregue na data acordada para subsidiar a decisão estratégica de dividir a cobertura do território da TV Sul de Minas em duas emissoras, considerando o potencial do mercado da região.

O estudo foi desenvolvido pelos senhores André Palocci e Adrian Ortega.

No tocante à CAP Pioneira, tenho a dizer que a Projeto foi contratada, em março de 2012, para avaliar um investimento de seus sócios no interior do Estado da Bahia, efetivamente realizado alguns meses depois.

O estudo foi desenvolvido pelos senhores André Palocci e Adrian Ortega.

Respondendo, ainda, ao seus questionamentos, esclareço que as empresas mencionadas em seu e-mail não têm atividades vinculadas, tampouco similares, sendo que o objeto das contratações tiveram finalidades distintas.

COM A PALAVRA, A ARTERIS

Resposta à imprensa – O Estado de S. Paulo

São Paulo, 10 de novembro de 2016 – A Arteris S.A. esclarece que identificou em seus arquivos contrato referente a serviço de consultoria econômica prestado pela Projeto entre janeiro de 2009 e abril de 2010, totalizando R$ 300 mil. Os atuais acionistas assumiram as operações da Arteris em aquisição de ativos concretizada em dezembro de 2012.

COM A PALAVRA, A JGP

A JGP contratou a Projeto Consultoria Financeira e Econômica Ltda para prestar serviços de consultoria sobre conjuntura político-econômica, realizando pagamentos mensais de R$ 10.000,00 (dez mil reais), em duas etapas: de maio a dezembro de 2007 e de abril de 2008 a maio de 2010.

É prática comum entre empresas de gestão de recursos a contratação de consultorias para auxiliar na construção de cenários macroeconômicos e políticos.

COM A PALAVRA, A AMIL

A Amil não comenta contratos sob confidencialidade entre entes privados. A empresa está à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento que se fizer necessário. (O Estado de São Paulo 12/11/2016)

 

Gigantes do petróleo se voltam aos poucos para energias renováveis

As gigantes do petróleo estão, lentamente, investindo em um setor de energias renováveis que cresce rapidamente e que lhes permite diversificar seus ativos em um cenário energético de grandes mudanças.

“Não é uma tendência apenas conjuntural” relacionada com os preços baixos do petróleo, afirma Francis Perrin, especialista em estratégias e políticas energéticas.

“É algo mais profundo: a adaptação de alguns grandes atores do setor petroleiro a mudanças energéticas e econômicas dramáticas”, diz.

A francesa Total se apresenta como um bom aluno nesta matéria. Sua filial Sunpower fabrica painéis fotovoltaicos e, nos Estados Unidos, está entrando no setor de energia eólica.

A italiana ENI investirá 1 bilhão de euros ao longo de três anos em projetos de pesquisa e desenvolvimento, enquanto Shell, BP e Statoil apostam em energia eólica.

A americana ExxonMobil é a ovelha negra do grupo, enquanto que seu compatriota Chevron se afasta agora da energia geotérmica e aposta pelos biocarbonetos.

Benefícios

“A prioridade para as companhias petroleiras é a criação de valor” diante da escassa rentabilidade do petróleo. Para isso, estão se desendividando, cedendo ativos não estratégicos, e buscando a diversificação, explica Jérôme Sabathier, chefe do departamento de economia da IFP Energies nouvelles.

Essas tendências começaram “antes da queda de preços no verão de 2014 e continuarão se os preços se recuperarem”.

As grandes petroleiras querem subir no bonde desses desenvolvimentos energéticos para se preparar para o futuro, em vez de deixá-los passar.

“Se não fizermos isso hoje, quem sabe lamentaremos amanhã”, admitiu recentemente o presidente da Total, Patrick Pouyanné, cujo grupo destina anualmente 500 milhões de dólares às energias renováveis.

Os acionistas, entre eles grandes fundos de investimentos, vigiam observam de perto os movimentos no setor, diante dos riscos financeiros potenciais do Acordo de Paris.

No fundo, os interesses ecológicos e econômicos convergem. “Alguns mecanismos de financiamento e subsídios em torno dessas energias renováveis conseguem atrair as companhias” destaca Jérôme Sabathier, da IFPEN.

“O que é durável são os lucros. Uma empresa durável não se desenvolverá simplesmente por ser ecologista. Crescerá se for rentável”, destacou o presidente de Total durante um debate energético.

“Se essas decisões estratégicas contribuem para melhorar a imagem, melhor”, resume Francis Perrin.

Gás e eletricidade

As petroleiras não renunciarão, contudo, à sua maior fonte de receitas: os hidrocarbonetos fósseis ainda têm muito futuro pela frente, em particular no setor de transportes.

Os montantes dedicados ao investimento alternativo “são muito pequenos (menos de 3%)”, explica um estudo do escritório Sia Partners.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo de petróleo e de gás aumentará até 2040.

O gás aumentará seu percentual na matriz energética, entre outras coisas porque pode substituir o carvão.

Dez empresas do sector energético, reunidas no seio da OGCI (Oil and Gas Climate Initiative), afirmaram seu compromisso recentemente com o setor de tecnologias de baixa emissão de gases com efeito estufa. (Agence France-Presse 14/11/2016)

 

“O negócio dos carros vai mudar drasticamente nos próximos dez anos”

Durante visita ao Brasil, Sergio Marchionne, executivo-chefe global da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), falou sobre os desafios do mercado de hoje e as oportunidades para o carro do futuro.

Ele é o homem que comandou a fusão entre as gigantes Fiat e Chrysler em 2014, o bacharel em Filosofia, mestre em Business Administration, formado também em Direito e CEO da Fiat S.p.A. desde 2003. Com seu estilo decidido, traçou a aliança estratégia entre os dois grupos e desenhou a fusão de ambos na Fiat Chrysler Automobiles (FCA). Num movimento típico de sua forma de gestão, desembarcou em Recife no final de setembro para coordenar reuniões da máxima instância executiva do grupo, o Group ExecutiveCouncil, e também para participar dos eventos de lançamento do Jeep Compass no Brasil.

Italiano naturalizado canadense, e executivo fundamental para as relações comerciais entre Itália e Estados Unidos, Sergio Marchionne chegou ao Brasil lembrando que o país tem um papel fundamental a cumprir nos negócios globais do grupo. Ele recebeu jornalistas brasileiros e de países vizinhos da América Latina para uma conversa de cerca de uma hora. Confira abaixo os melhores momentos da entrevista do executivo-chefe da FCA:

Carros autônomos já em 2017

“[Nossa parceria com o Google está indo] muito bem, estamos muito entusiasmados com esse relacionamento. Acho que vocês verão nossos primeiros veículos [que não precisam de motoristas] no primeiro trimestre do ano que vem. Uma vez que a tecnologia se torne bem aceita, o custo da direção autônoma não será muito grande. Será possível torná-la disponível para a maioria dos consumidores por um preço razoável e essa será uma excelente ferramenta para melhorar sua qualidade de vida. Há muitas situações em que o seu real desejo de dirigir não é lá muito grande. Por exemplo, se você ficar preso num engarrafamento na estrada, quando você só para e acelera e não pode fazer nada… Há usos melhores do seu tempo do que sentar lá e dirigir feito um robô apenas tentando evitar bater em alguma coisa. A máquina vai fazer um trabalho tão bom quanto o seu, se não melhor. O negócio automotivo vai mudar drasticamente na próxima década. E o fato de termos sido escolhidos pelo Google para ser seu parceiro de desenvolvimento é uma indicação da vontade da FCA de abraçar a mudança e colaborar com pessoas que tradicionalmente não são fabricantes de carros. E nós temos interesse em entrar nesse espaço. Precisamos permanecer completamente abertos para oportunidades desse calibre.

Combustíveis alternativos

“Nós compreendemos o valor do etanol. Vocês [do Brasil] precisam continuar a fomentá-lo. É uma solução significativa em termos do impacto ambiental e quando você segue os números, descobre que a maneira mais barata de derrubar as emissões [de carbono] é através do etanol. Dólar por dólar, não existe melhor maneira de fazer isso. Dito isso, digo que a eletrificação virá, em todos os nossos carros, nos próximos cinco anos. Mas não contem com a eletrificação como sendo a única solução.”

Fim da crise

“Minha expectativa é que provavelmente veremos alguma melhora no mercado [brasileiro de automóveis] por volta do segundo ou terceiro trimestre de 2017. Os sinais de recuperação gradual já estão aqui. Mas é preciso ter cautela. Não vai acontecer da noite para o dia. Temos que ter paciência com o Brasil. É em tempos como este que você não deve desesperar. Este é um país que é tanto jovem quanto engenhoso. Tenho total confiança de que o Brasil vai sair da crise atual. Não tenho dúvida disso. E o resto do mundo quer que o Brasil saia da crise. De vez em quando você precisa ser capaz de emergir sobre os eventos pelos quais está passando agora para enxergar o futuro através disso. Será muito melhor”. (Fiat Chrysler Automobiles 11/11/2016)

 

Montadoras desafiam baixa demanda por carros elétricos

Os veículos elétricos vão estar na berlinda nos próximos dias.

Na corrida para cumprir as normas mais rígidas dos governos contra a emissão de gases do efeito estufa, as montadoras vão apresentar novos veículos alimentados por baterias durante o Salão do Automóvel de Los Angeles, que começa na sexta-feira. Os lançamentos, que imitam vários outros que as montadoras da Europa fizeram de carros desse tipo em outubro, serão seguidos, em dezembro, pelo início das vendas do Chevrolet Bolt, daGeneral Motors Co. O modelo custará US$ 35 mil nos Estados Unidos e irá concorrer com o Model 3, da também americana Tesla Motors Inc.

O que está faltando para esses veículos, porém, são compradores. As montadoras estão penando com um excesso de estoques de sedãs e cupês, preteridos pela forte demanda por utilitários esportivos e caminhonetes. A adição de veículos elétricos a essas opções poderá agravar o excesso de oferta se os consumidores continuarem preferindo picapes e utilitários esportivos aos carros elétricos.

As vendas de veículos elétricos cresceram globalmente neste ano, alta essa gerada, principalmente, pelos consumidores chineses que se beneficiaram de um generoso subsídio fiscal e outros incentivos. Mas o volume total continua representando menos de 1% dos estimados 83 milhões de veículos leves que serão vendidos este ano. E com exceção dos caros modelos elétricos da Tesla, carros como o Leaf, da Nissan Motor Co., e o i3, daBMW AG, não conquistaram uma grande legião de fãs, levando muitas montadoras a afirmar que não está claro se a demanda por carros elétricos irá florescer.

Essa é uma notícia ruim para executivos tentando cumprir os padrões mais severos de emissões de gases. China, Europa e Estados Unidos criaram regulações que estimulam o desenvolvimento de carros elétricos. Mas não é certeza se os incentivos fiscais e todo o esforço para reduzir o custo das baterias poderão impulsionar a demanda no curto prazo.

A agência de classificação de crédito Moody’s Investors Service prevê que, até 2020, 19 novos modelos de carros elétricos serão lançados só nos EUA, potencialmente triplicando o número atualmente disponível. Entre as montadoras presentes no Salão do Automóvel de Los Angeles, que vai até o dia 27, estarão a Jaguar, unidade da indiana Tata Motors Ltd., e a sul-coreana Hyundai Motor Co., que devem informar como se encontram na corrida da eletrificação. A Fiat Chrysler Automobiles NV irá exibir, pela primeira vez, uma versão “plug-in” de sua popular minivan Pacífica, um pouco antes do início do evento na cidade californiana.

As montadoras europeias ficaram mais otimistas com os carros elétricos depois do escândalo das fraudes nos testes de emissões da Volkswagen AG, que manchou a imagem dos veículos a diesel como alternativa verde aos movidos a gasolina. As alemãs Volkswagen e Daimler AG, controladora da Mercedez-Benz, que juntas vendem 13 milhões de veículos por ano, estimam que os carros elétricos representarão entre 15% e 30% de todas as vendas de veículos até 2025.

Mas nem todo mundo está tão otimista.

No salão de Paris, por exemplo, o diretor de vendas da BMW AG, Ian Robertson, disse que o diesel continuará sendo a fonte de energia preferida na Europa, mesmo depois dos problemas da Volkswagen. “Vemos alguns híbridos plug-in a gasolina substituindo [carros a] diesel, mas é inconclusivo”, disse ele. “Não parece haver um ponto de inflexão [...] no curto prazo.”

A firma de pesquisa IHS Automotive prevê que o lançamento de novos veículos elétricos multiplique por quatro as vendas anuais desses modelos, para cerca de 320 mil em 2020, o que ainda assim seria menos de 2% do mercado atual. Para vendê-los, será preciso um forte incentivo do governo, se a gasolina continuar barata e os americanos continuarem preferindo utilitários esportivos, prevê a IHS.

“Ainda não há um mercado suficiente para justificar todo o desenvolvimento e esforço dedicados aos carros elétricos”, diz Paul Lacy, analista da IHS.

A Toyota Motor Corp., crítica dos veículos puramente elétricos e altamente dependente das vendas de caminhonetes e veículos híbridos, que consomem gasolina na maior parte das viagens, informou na terça-feira que está relutantemente mudando de direção. “Embora os carros elétricos apresentem problemas como alcance, tempo de recarga e desempenho da bateria, dependendo do cenário energético de cada país e região, assim como da infraestrutura, gostaríamos de estar prontos para comercializá-los”, disse Takahiko Ijichi, diretor executivo da Toyota.

A Agência Internacional de Energia informou, em sua análise anual do setor de veículos elétricos, que ele “exigirá um apoio expressivo de políticas” para ganhar força. Ressaltando a dificuldade em casar objetivos de vendas ambiciosos com a demanda real, o Japão cortou pela metade a sua meta, que agora é de um milhão de veículos elétricos e mais de um milhão de postos de recarga até 2020.

Há pontos positivos, como os grandes investimentos em curso nos EUA, China e Europa para estações de recarga. O custo das baterias de íons de lítio caiu 65% desde 2010 — para em torno de US$ 350 por quilômetro por hora no ano passado — e devem continuar recuando, dizem analistas.

Isso poderia levar a um declínio nos custos de desenvolvimento de carros elétricos, enquanto crescem os custos para criar motores convencionais. “Em algum momento, essas duas curvas vão se cruzar”, diz o diretor-presidente da Volkswagen, Matthias Müller. “Exatamente quando isso vai acontecer, não podemos dizer.”

Mike O’Brien, diretor de planejamento de produto da Hyundai, disse na semana passada que a montadora não espera que governos ou flutuações do preço do petróleo levem a mudanças. “O mercado vai crescer e os ‘millenials’ [consumidores nascidos a partir dos anos 80] serão o principal agente”, disse. Mudanças demográficas e a urbanização “irão contribuir, por si só, para uma mudança significativa na adoção de carros elétricos, independentemente do preço do combustível e da regulação”. (The Wall Street Journal 14/11/2016)

 

Marlon Arraes (MME): Expectativa é de que redução da gasolina chegue

O Ministério das Minas e Energia avalia que a queda de 3,1% nos preços da gasolina nas refinarias, anunciada pela Petrobras, chegue ao consumidor final do derivado de petróleo, ao contrário do que ocorreu por ocasião do reajuste de 14 de outubro. À época, a baixa de 3,2% na gasolina foi anulada pela forte alta do etanol anidro, misturado em até 27% ao combustível vendido nos postos. Segundo o coordenador-geral de inserção de novos combustíveis renováveis do Ministério, Marlon Arraes, o cenário desde então é de estabilidade do preço do anidro e a queda de R$ 0,03 a R$ 0,04 por litro de gasolina nos postos, estimada pelo mercado, pode ser concretizada.

Segundo ele, a estabilização no preço do anidro ocorre porque o combustível, contratado pelas distribuidoras junto às usinas no início da safra, em abril, tem preço de realização balizado pelo etanol hidratado. Como o hidratado havia subido de preço antes da primeira baixa do preço da gasolina, houve um impacto no anidro e, consequentemente, na gasolina. "Mas nas últimas três semanas houve estabilização do hidratado e, possivelmente, a redução do preço da gasolina poderá chegar ao consumidor, porque o anidro também está estabilizado", explicou Arraes ao Broadcast durante o Congresso Nacional de Bioenergia, em Araçatuba (SP).

O coordenador do Ministério das Minas e Energia admitiu que a oferta de etanol hidratado na atual safra é mais restrita que na passada por conta da prioridade dada pelas usinas à produção de açúcar nesta temporada. No entanto, Arraes garantiu que haverá estoques suficientes até o final da entressafra, em março de 2017, tanto do etanol utilizado puro e diretamente nos tanques, como do anidro misturado à gasolina. "Estamos vendo ainda uma retração de demanda de hidratado após alta nos preços e, além dos estoques, há uma janela de oportunidades para importar anidro dos Estados Unidos", afirmou.

Arraes disse ainda que o ministério responsável pela gestão do combustível feito de cana-de-açúcar no governo trabalha junto ao Ministério da Fazenda para que a volta da cobrança do PIS/Cofins sobre o etanol, em 1º de janeiro de 2017, convirja também para a gasolina. O setor produtivo de etanol pleiteou junto ao governo que o tributo, de R$ 0,12 por litro, seja cobrado sobre a gasolina e não sobre o etanol ou, no máximo, que haja uma divisão do tributo entre os dois combustíveis.

"Defendemos que essas alterações de preços não prejudiquem a relação de preços entre etanol e gasolina. Fizemos gestão junto à Fazenda no sentido de fazer a convergência; a proposta foi discutida com a Receita (Federal), levada ao governo e isso não está fechado", concluiu. (Agência Estado 14/11/2016)

 

Produtores e usina inovam na pesagem e análise da cana no Brasil

Estreliana, em Pernambuco, é a primeira usina no País que faz apenas a fiscalização desses procedimentos, o contrário do que acontece nas demais unidades industriais no Estado e dentro do território nacional.

Depois de ser o primeiro estado a reabrir usinas fechadas no Brasil, por meio da iniciativa de fornecedores de cana, há três anos, no auge da crise do setor sucroenergético, o ineditismo volta a Pernambuco, tendo a primeira usina no país onde os procedimentos de pesagem e análise da qualidade da cana é feita por uma entidade da área dos canavieiros. O processo, que avalia o teor de açúcar, é indispensável para a definição do valor da matéria-prima fornecida pelos agricultores. A usina Estreliana, em Ribeirão, transferiu essas etapas para técnicos da Associação dos Fornecedores de Cana do Estado (AFCP) desde o início da safra atual. 

"A iniciativa é resultado de um convênio experimental entre a AFCP e a usina Estreliana", conta Alexandre Andrade Lima, presidente da órgão de classe dos canavieiros, que mantêm uma equipe técnica preparada nos setores de pesagem e no laboratório da usina 24 horas por dia. Os resultados têm gerado grande satisfação para os fornecedores de cana e a própria unidade industrial, já que tem estimulando os agricultores a fornecerem sua cana para o local, porque a inovação confere legitimidade para os envolvidos nas etapas da pesagem  e da análise das taxas de açúcar recuperáveis (ATR).

A maior parcela da cana processada pela unidade industrial provêm da cana dos produtores independentes na região. Estreliana esmagou 500 mil toneladas na última safra. Andrade Lima, que também preside a União Nordestina dos Produtores de Cana e a Associação dos Plantadores de Cana do Brasil, parabeniza a unidade por sua atitude onde trás maior credibilidade e fortalece toda a cadeia produtiva. Lima aproveita para sugerir que o convênio entre a usina Estreliana e a AFCP seja mantido para a próxima safra, bem como que outras usinas pernambucanas e do Brasil sigam o mesmo exemplo de boas práticas, o que indispensável para todo o setor sucroenergético nacional. (AFCP 14/11/2016)

 

Reduzir o preço da gasolina é uma burrice intolerável

A Petrobras reduziu o preço da gasolina, mostrando que seus dirigentes não entenderam nada do que aconteceu no mundo e no Brasil ao longo dos últimos anos. É um erro estratégico grotesco da nova gestão da estatal brasileira, sob o governo Temer, que repete a matriz com que Lula e Dilma destruíram a empresa.

Neste momento, a imprensa (tão crítica aos governos do PT) aprova a redução como se marcasse a independência da nova administração. Pobre opinião pública nacional que tem como porta-voz um jornalismo tacanho. Quando o monopólio estatal de petróleo quebrar novamente, os analistas vão ficar com a mesma cara com que assistiram a vitória de Donald Trump. "Ah é, é?!"

A Petrobras está falida. Se não fosse uma companhia estatal, seria vendida a preço de banana para uma empresa saudável, que demitiria a maior parte de seus funcionários, venderia seus prédios faraônicos e usaria seu patrimônio em poços de petróleo e refinarias para pagar as dívidas. Como pertence ao Estado brasileiro, ela é salva com dinheiro do tesouro, diretamente, ou, indiretamente, através de financiamentos do BNDES, e segue empregando mais funcionários do que necessita e tomando decisões que beneficiam a política econômica do governo, embora destruam o valor da companhia.

Por duas vezes nas últimas semanas, a nova direção da Petrobras anunciou reduções do custo dos combustíveis nas refinarias, alegando que o preço para o consumidor final cairia (não é verdade: os postos não repassam a redução para o preço final). O resultado dessa medida é um impacto positivo na inflação e uma queda das receitas da empresa. Bom para o governo, péssimo para a Estatal, exatamente como ocorreu durante os 13 anos do governo petista.

A alegação da empresa sob nova administração é que, conforme ocorre nos Estados Unidos, o preço da gasolina na bomba vai oscilar com o petróleo no mercado internacional. OK, mas os preços praticados pelos países produtores tradicionais de petróleo são menores do que os necessários para extração da matéria prima no Brasil (mais cara porque é predominantemente submarina e, agora, cada vez mais oriunda de águas profundas, o caríssimo petróleo do pré-sal). Ou seja, quando cai o preço internacional do óleo, aumenta o prejuízo da Petrobras (do Brasil, em verdade, uma vez que a empresa é estatal).

A melhor solução para esse déficit estrutural seria reduzir a extração de petróleo do pré-sal e importar gasolina ao preço internacional, barato. Mas, se o nacionalismo brasileiro exigir a produção deficitária, cobrar do consumidor um preço final suficiente para pagar os custos da extração. Seria o caso de perguntar ao eleitor brasileiro: você quer ser cidadão de país produtor de petróleo, como Lula e Dilma prometeram? Então pague os custos na bomba e no preço final dos produtos que têm combustíveis na sua cadeia de produção ou distribuição.

O resultado, neste caso, será uma gasolina mais cara, talvez em torno de R$ 10,00 por litro, se computados todos os custos. O "bilhete premiado", slogan do estelionato lulista, custa mais do que o preço internacional do petróleo. Por tudo isso, quando a Petrobras, sob governo Temer, reduz o custo dos combustíveis derivados de petróleo, comete um erro estratégico para a empresa, pois se ela aumentasse os preços poderia crescer sua margem de lucro.

A medida também representa um desserviço ao mundo e ao meio ambiente, uma vez que a gasolina barata incentiva o uso do carro particular, aumenta o congestionamento nas grandes cidades brasileiras e as emissões de gases de efeito estufa. Por fim, a redução do custo de combustíveis nas refinarias faz mal para a indústria do álcool, menos poluente: quanto mais barata a gasolina, menos competitivo o etanol.

Se a notícia da queda do preço da gasolina tivesse saído em editorias de Meio Ambiente, os jornais provavelmente teriam prestado atenção ao efeito negativo que a redução poderá ter, por aumentar a demanda e o uso de um combustível fóssil e altamente poluente.

Certamente teria mais destaque o fato de que ao ameaçar o álcool, a política de preços da Petrobras deve reduzir o consumo e a própria sustentabilidade da cadeia de produção de um combustível que não contribui para o "efeito estufa", mas é totalmente dependente de compras estatais.

Com tudo somado, o efeito da redução de preços é ruim para o país: a Petrobras venderá mais gasolina no mercado interno (receberá reais para isso); vai ter menos combustível para exportar (receberá menos dólares); vamos ter mais poluição e talvez um uso ainda maior de carros particulares para o deslocamento dos brasileiros; o álcool, menos poluente, ficará mais caro, proporcionalmente, e deve vender menos, deixando de beneficiar o ar das grandes cidades.

Se a Petrobras subisse o preço da gasolina, teria uma receita maior em reais e o consumo cairia, liberando mais gasolina para exportação (recebendo dólares por ela); o álcool ficaria mais competitivo, cresceria seu consumo, geraria mais empregos no campo e o ar das cidades ficaria melhor.

Moral da história: no curto prazo, a medida anunciada pela diretoria da petroleira estatal pode ser boa para a empresa (aumenta o consumo de gasolina nas próximas semanas) e para o governo (reduz a pressão inflacionária).

Em médio e longo prazos, no entanto, é ruim para a companhia (reduz suas receitas); para o governo (tem que cobrir parte do déficit da estatal; deixa de receber uma receita extra de impostos sobre o combustível mais caro) e para o Proálcool; para a poluição das grandes cidades e para o aquecimento global. Em outras palavras: reduzir o preço da gasolina é uma burrice intolerável, que o Brasil já assistiu nos últimos 13 anos e não deveria mais aceitar. (Folha de São Paulo 14/11/2016)

 

Agricultores de SC usam drones para reduzir tempo, custo e até agrotóxicos

Perceber que existe algo errado em uma planta é fácil, mas fazer isso em uma lavoura inteira é bem mais complicado. Por isso, agricultores catarinenses estão investindo em uma ajuda extra para fazer o monitoramento. Os drones - veículos aéreos não tripulados - são utilizados a para facilitar o trabalho e reduzir custos.

Até a popularização desse tipo de veículo, o monitoramento aéreo de grandes plantações poderia ser feito de duas maneiras: com satélites e pequenos aviões. No caso dos satélites, as desvantagens são a demora e a baixa resolução das imagens. Já usar aviões custa caro, e é preciso depender das condições do tempo, que podem atrapalhar o serviço.

Pra diminuir gastos, tempo e tornar o diagnóstico da lavoura mais preciso, uma empresa catarinense desenvolveu um drone com tecnologia voltada especialmente pra agricultura. Equipado com duas câmeras e GPS, o aparelho tem autonomia para percorrer 20 quilômetros e captar imagens em alta resolução. (G1 14/11/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Aversão a risco: A persistência da aversão a riscos no mercado financeiro após a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA levou o dólar a esboçar a maior série de valorizações desde a crise financeira de 2008 na sexta-feira, o que pressionou os contratos futuros do café. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,631 a libra­peso, recuo de 255 pontos. O café também tem sido alvo de forte especulação devido às incertezas em relação à safra 2017/18 no Brasil, o que gera instabilidade no mercado. Segundo Jack Scoville, vice­presidente da Price Futures Group, a desvalorização do real tem reduzido o posicionamento dos fundos em todas as commodities para as quais as apostas eram de alta. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão ficou em R$ 563,29 a saca, alta de 0,12%.

Suco de laranja: Pressão cambial: A forte valorização do dólar em relação ao real também pressionou os contratos do suco de laranja na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2,0915 a libra-peso, recuo de 400 pontos. O Brasil é o maior produtor mundial de laranja, e o dólar forte tende a incentivar as exportações, pressionando o mercado apesar dos fundamentos de alta. O país deve ter produção 14% menor que a da temporada anterior na safra 2016/17, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Nos EUA, o órgão estima uma safra 10% menor no atual ciclo devido ao clima seco e ao greening. No mercado interno, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria ficou em R$ 25,08, alta de 0,32%, segundo o Cepea.

Algodão: Contaminação: O sentimento de aversão a risco e a valorização do dólar também contaminaram as negociações no mercado de algodão na sexta-feira. Os contratos com vencimento em março fecharam a 69,03 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York, recuo de 80 pontos. Os dados de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) deram pressão adicional às cotações. De acordo com o órgão, os EUA, maior exportador mundial de algodão, devem encerrar a safra 2016/17 com estoques finais de 6,77 milhões de toneladas, acima do apontado em outubro e 17,21% acima do estimado no ciclo anterior. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 84,56 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Safra promissora: O otimismo do mercado com a produção de soja na safra 2016/17 nos EUA e na América do Sul pressionou os contratos do grão na bolsa de Chicago na última sexta­feira. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 9,86 o bushel, queda de 12 centavos de dólar. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher entre 101,6 milhões e 103,5 milhões de toneladas na atual temporada. Apesar de representar uma redução em relação à estimativa anterior, se confirmado, o volume ainda será recorde e significará um crescimento de 6,5% a 8,5% em relação ao colhido na temporada 2015/16. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 78,93 a saca de 60 quilos, alta de 1,14%. (Valor Econômico 14/11/2016)