Macroeconomia e mercado

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Raízen Energia sai de prejuízo e registra lucro no 2º tri de 2016/17

A Raízen Energia registrou lucro líquido de R$ 302,5 milhões no segundo trimestre da safra 2016/17, ante prejuízo de R$ 175,6 milhões no mesmo período da temporada passada. A melhora do resultado líquido deveuse tanto ao aumento da produção, da vendas e dos preços, como da redução dos custos financeiros.

A receita operacional líquida ajustada cresceu 8,8%, para R$ 3,148 bilhões, puxada pelo avanço do faturamento com as vendas de etanol. Já as receitas com a venda de açúcar recuaram levemente no período (1%), para R$ 1,443 bilhões, diante do menor volume vendido ao mercado externo.

A receita também foi afetada pela valorização do real em relação ao trimestre anterior, o que reduziu a receita em R$ 140 milhões, já que a taxa de câmbio média fixada para os embarques foi de R$ 3,78, mas a taxa média de câmbio realizada (Ptax) foi de R$ 3,24.

O menor volume de venda do açúcar ainda acabou pesando sobre a geração de caixa da companhia no trimestre. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado recuou 5,5%, para R$ 795,4 milhões.

O resultado financeiro líquido, por sua vez, passou do negativo no segundo trimestre da safra passada para o positivo no último período, para R$ 72,4 milhões. A empresa foi beneficiada tanto pela redução das despesas financeiras como pelo aumento da receita financeira. O efeito líquido dos derivativos continuou positivo, embora menor na comparação anual.

Ainda assim, a dívida líquida cresceu 22,9% em um ano, somando no fim do trimestre passado R$ 8,5 bilhões.

A Raízen Energia também teve um aumento do dispêndio com investimentos de capital (Capex), que cresceram 63,4% na comparação anual, para R$ 376,5 milhões, aplicados principalmente no plantio do canavial e em projetos. (Valor Econômico 14/11/2016)

 

Brasil lança parceria internacional para voltar a incentivar o etanol

Brasil ressuscita a antiga "diplomacia do etanol", agora rebatizada como "diplomacia da bioenergia", lançando uma plataforma com 19 outros países para ganhar escala na produção de biocombustíveis de segunda geração, a partir da quebra de celulose, a fim de reduzir emissões do setor de transporte.

Depois de anos sem defender o etanol como uma política externa, o Brasil vai reassumir nesta quarta-feira (16) sua “diplomacia do etanol”, que tinha sido marcante na primeira gestão Lula, agora rebatizada de “diplomacia da bionergia”. O País lança junto com 19 outras nações a “Plataforma Biofuturo”, uma parceria para incentivar os chamados biocombustíveis avançados e ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor de transporte.

Parceria quer incentivar etanol de segunda geração. Crédito: EBC

Para o cenário brasileiro, a idéia é dar escala para o etanol de segunda geração, obtido através da quebra de celulose do bagaço de cana (e não só do açúcar), hoje já obtido por duas usinas no Brasil, mas ainda em quantidade pequena.

Atualmente o País produz cerca de 30 bilhões de litros de etanol por ano somente com a tecnologia de primeira geração. De acordo com o governo federal, a segunda geração tem potencial para aumentar em 50% a produção.

Esses 15 bilhões de litros extras deixariam o Brasil perto de cumprir uma das metas nacionais junto ao Acordo de Paris, que é fazer com que os biocombustíveis respondam por 18% da matriz energética até 2030. No caso do etanol, a produção teria de saltar para 50 bilhões de litros.

De acordo com Renato Godinho, chefe da Divisão de Recursos Energéticos do Itamaraty e um dos nomes por trás da plataforma, a ideia é que os países trabalhem para oferecer soluções rápidas para as emissões de transporte. Hoje, segundo cálculos da Agência Internacional de Energia, o setor (que inclui também navegação e aviação), responde por 23% das emissões de gases de efeito estufa de energia.

“A tecnologia de usar material celulósico já saiu do laboratório e chegou à indústria, mas ainda tem alguns problemas de escala. Queremos chamar a atenção do mundo para essas coisas. Países como China e Índia nunca pensaram em plantar cana (porque competiria com a produção de alimentos), mas com essa tecnologia podem usar palha de arroz, de milho e extrair mais valor”, disse a jornalistas brasileiros em Marrakesh. Já existem seis plantas de biocombustível avançado no mundo. Duas estão no Brasil (Alagoas e Piracicaba). A maior está nos Estados Unidos.

Artur Milanez, gerente do Departamento de Biocombustíveis, também envolvido na plataforma, acredita que o modelo pode ajudar a derrubar barreiras europeias ao produto, que se estabeleceram por causa do potencial risco de a cana-de-açúcar roubar espaço de alimentos ou impulsionar o desmatamento da Amazônia. Como o etanol de segunda geração é feito com resíduos da produção de primeira geração, não existe pressão para aumento de área.

A retomada da investida brasileira em etanol internacionalmente ocorre em um momento que cresce a tentativa de eletrificar a frota de carros no mundo. A Alemanha decidiu em outubro que vai proibir a venda de veículos a combustão (de diesel e gasolina) a partir de 2030. E a Índia anunciou um plano de só ter carros elétricos circulando nas ruas naquele ano.

Questionados se isso não poderia ser um problema para os planos de expansão, Milanez e Godinho disseram acreditar que a mudança não será tão imediata quanto a que pode ser oferecida já pelo etanol.

“A eletrificacao requer trocar a frota inteira, infraestrutura para lidar com as baterias. Acho que os planos vêm mais do fato de que os países ainda não veem outras possibilidades de resolver as emissões de transporte”, comentou Godinho. “Mesmo nos cenários mais otimistas, ainda devemos ter motores a combustão por um bom tempo.”

Ele acredita também que a eletrificação não será num primeiro momento soluções para o transporte aéreo e naval. “Usar biocombustível para isso está no mandato da plataforma”, explicou.

O evento, sob comando dos ministros Sarney Filho (Ambiente) e Blairo Maggi (Agricultura), será realizado na 22.ª Conferência do Clima da ONU, que ocorre em Marrakesh. Também participam representantes de Argentina, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Estados Unidos, Finlândia, França, Filipinas, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Paraguai, Reino Unido, Suécia e Uruguai. “É o G20 da bioeconomia”, brincou Godinho. (O Estado de São Paulo 16/11/2016)

 

Suedzucker vê chance de aquisições de usinas no Brasil

O grupo alemão Suedzucker, maior produtor europeu de açúcar, está considerando aquisições no Brasil, disse à Reuters o presidente executivo da companhia.

Wolfgang Heer disse que a Suedzucker tem poder financeiro e conhecimento para fazer grandes aquisições se necessário, que poderiam ser fora da União Europeia.

"Naturalmente nós estamos sempre examinando projetos para crescimento por aquisições, não apenas para açúcar", disse ele em entrevista à Reuters.

O Brasil é o maior produtor de açúcar do mundo, mas extrai a commodity da cana, ao invés da beterraba, que é utilizada na Europa.

"Tirando a matéria-prima ser diferente, a produção de açúcar de cana ou de beterraba é muito similar", ele disse.

"Não precisa necessariamente ser uma aquisição custando bilhões. Posso conseguir a mesma coisa com uma aquisição pequena no longo prazo que com uma grande aquisição", afirmou.

Heer disse também que espera que os preços do açúcar continuem firmes nos próximos meses.

"Se você considerar que a demanda no próximo ano vai ser maior que a oferta, então o preço deve se manter", disse ele. "Espera-se que o preço no mercado global definitivamente suba ao invés de cair. Isso vai apoiar a situação dos preços na UE", disse.

Em 13 de outubro, a Suedzucker disse que os preços em alta do açúcar ajudaram a impulsionar uma alta de 81 por cento em seus lucros no primeiro semestre do ano comercial 2016/17, que inicia em março. (Reuters 14/11/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Novas liquidações: Uma nova realização de lucros dos fundos pressionou os contratos futuros do açúcar ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 20,59 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 37 pontos. De acordo com a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os investidores e fundos de hedge detêm atualmente cerca de 26% do mercado futuro de açúcar em Nova York. Trata-se de menos de um terço do observado em outubro, mas um volume ainda considerável se considerados os padrões históricos do mercado, o que eleva o temor de uma liquidação em massa. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 99,23 a saca de 50 quilos na última segunda-feira, queda de 0,84%.

Café: Pregão volátil: Os contratos futuros do café arábica registraram leve queda ontem na bolsa de Nova York, após registrarem forte volatilidade ao longo do pregão. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,653 a libra-peso, recuo de 15 pontos. De um lado, a forte desvalorização do real desde a vitória de Donald Trump eleva a oferta de produtores brasileiros no mercado internacional devido ao aumento das margens. De outro, o terceiro recuo seguido nos estoques europeus da commodity, avaliados em 707,779 mil toneladas pela Federação Européia de Café (ECF) ­ menor volume desde abril ­ deu fôlego às cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 563,25 a saca de 60 quilos na última segunda-feira, queda de 0,01%.

Cacau: Mais perdas: A perspectiva de superávit na oferta mundial de cacau na safra 2016/17 segue pressionando os contratos futuros da commodity na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2.395 a tonelada ontem, recuo de US$ 23. "As perspectivas de cultivo nos principais países produtores, especialmente no oeste da África, são tão boas que as previsões de superávit para a atual temporada 2016/17 já estão sendo ajustadas positivamente", afirmou o banco Commerzbank em nota. Os analistas estimam que a oferta superará a demanda em até 250 mil toneladas na atual safra. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou estável em R$ 139 a arroba na última segunda-feira, segundo a Central Nacional de Produtores.

Milho: Tempestade à vista: As previsões climáticas para o Meio-Oeste dos EUA impulsionaram os contratos futuros do milho ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 3,4925 o bushel, avanço de 4 centavos. Segundo os meteorologistas, uma intensa tempestade deve se formar nas planícies do Norte durante a quinta-feira e atravessar o Meio-Oeste na sexta-feira e no sábado. A tempestade causará chuva e neve, interrompendo a colheita e atrasando o transporte da atual safra. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos haviam colhido 93% da área plantada com o grão até o último dia 13. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 39,53 a saca de 60 quilos na última segunda-feira, avanço de 0,51%. (Valor Econômico 16/11/2016)