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Lucro da Adecoagro no 3º trimestre recua 58%, para US$ 6,8 milhões

Dona de três usinas sucroalcooleiras e de lavouras de grãos no Brasil, a argentina Adecoagro, com capital aberto na bolsa de Nova York, registrou lucro líquido de US$ 6,8 milhões no terceiro trimestre, o que representou uma redução de 57,7% em relação ao resultado líquido do mesmo período do ano passado. O resultado foi divulgado na segunda-feira à noite e os resultados serão comentados em teleconferência na tarde de hoje.

Embora a companhia tenha registrado uma melhora no lado operacional, o resultado líquido foi afetado por uma perda de US$ 26,1 milhões relacionados a sua dívida em dólar e por causa de um aumento de US$ 8,6 milhões com depreciação e amortização.

Porém, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 32%, para US$ 89,8 milhões, enquanto a receita bruta teve um aumento de 44,5%, para US$ 246,4 milhões.

O segmento de açúcar, etanol e energia apresentou um forte desempenho tanto operacional como financeiro, com um Ebitda ajustado de US$ 80,2 milhões, alta de 22,7%. Segundo a Adecoagro, esse negócio foi favorecido pela melhora da produtividade e da eficiência na parte industrial e logística, além de um tempo favorável, que colaboraram para um aumento de 20,2% no volume de cana processado no período.

A companhia também buscou maximizar sua produção de açúcar, direcionando 54% do caldo para a produção da commodity, elevando o volume de vendas do produto, e ainda se beneficiou da valorização tanto do açúcar como do etanol.

O resultado do segmento sucroalcooleiro só não foi maior porque a companhia deixou de ganhar US$ 10,3 milhões por sua posição de hedge em açúcar, comparado com um ganho de US$ 3,1 milhões no terceiro trimestre do ano passado. Além disso, também houve aumento do custo de produção por causa da valorização do real.

No segmento agrícola, a companhia registrou um Ebitda ajustado de US$ 16,1 milhões, alta de 76%, favorecida pelo aumento das margens em arroz e leite e pelo ganho de US$ 8,1 milhões no negócio de gado resultado de uma disputa com pecuaristas a respeito de contratos de longo prazo. Os ganhos desse segmento foram limitados, porém, pela depreciação da soja e do milho no período.

A Adecoagro começou a realizar, durante o trimestre, um programa de recompra de ações que terminará em 23 de setembro de 2017 para “fortalecer os retornos aos acionistas”, afirmou Mariano Bosch, CEO da companhia, em nota. (Valor Econômico 16/11/2016)

 

Produção de etanol nos EUA sobe 1,5% na semana, diz EIA

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 1,017 milhão de barris por dia na semana passada, volume 1,5% maior do que o registrado na semana anterior, de 1,002 milhão de barris por dia. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 16, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível diminuíram 3,1% na semana encerrada no dia 11 de novembro, para 18,6 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 16/11/2016)

 

Parceria com Nasa abre novo nicho ao plástico da Braskem

Maior fabricante de resinas termoplásticas das Américas, a Braskem conquistou recentemente um novo e inusitado nicho de mercado: o de peças e ferramentas produzidas no espaço. Por meio de uma parceria com a Made In Space, startup americana que desenvolve impressoras 3D para operação em gravidade zero e fornecedora da Nasa (National Aeronautics and Space Administration), a petroquímica brasileira está fornecendo o poliletileno "verde" usado na confecção desses itens na Estação Espacial Internacional (ISS, do inglês International Space Station).

A resina produzida a partir de etanol de cana-de-açúcar no polo petroquímico de Triunfo (RS), conta o diretor de Inovação e Tecnologia da Braskem, Patrick Teyssonneyre, está abastecendo a primeira impressora comercial 3D alocada no espaço, a Additive Manufacturing Facility (AMF), operada por astronautas. "A Made In Space é a primeira empresa a trabalhar com manufatura no espaço e dá muito orgulho ver o país participar de uma iniciativa dessas", afirma o executivo.

Um foguete levando suprimentos e o polietileno verde brasileiro partiu em 22 de março rumo à ISS. Em setembro, foi impressa a primeira peça, um conector de mangueiras de irrigação. Outros dois modelos de peças já foram produzidos, entre os quais um coletor de amostras. Os termos do contrato firmado pela Braskem com a Made In Space estão sujeitos a um acordo de confidencialidade, mas Teyssonneyre adianta que outros polímeros, inclusive de fonte petroquímica, podem ser contemplados.

A aproximação entre as empresas teve início após um pesquisador da Braskem identificar a contratação da startup pela Nasa. A Made In Space estava em busca de um fornecedor de matéria-prima plástica em condições bastante específicas de flexibilidade, resistência física e que pudesse ser reciclada e a Braskem trabalhava desde 2007 com uma tecnologia de produção de eteno e polietileno verdes, hoje, a empresa está apta a fazer até 200 mil toneladas ao ano do biopolímero e é a maior fabricante do mundo nesse segmento.

Além disso, explica o executivo, praticamente tudo o que se pesquisa e se desenvolve, quando o assunto é o espaço, é de longo prazo. Nesse sentido, a Nasa busca materiais que possam em algum momento ser encontrados ou produzidos em outros planetas. "O plástico depende do petróleo. Mas o plástico verde deriva da agricultura e esse é um importante foco da Nasa, que já está trabalhando nisso", acrescenta.

Ao longo dos dois últimos anos, Braskem e Made In Space trabalharam juntas em busca do polímero verde e da impressora 3D que atendessem às necessidades do projeto. Boa parte do desenvolvimento se deu no centro de pesquisas de Triunfo. A petroquímica já tinha um polietileno verde com características próximas ao desejado, mas foi necessário ajustar seu filamento à impressora, acrescenta.

O valor do investimento no projeto não é divulgado. Atualmente, o polietileno verde da Braskem é usado em uma série de produtos, com destaque para embalagens. A demanda pelo biopolímero, diz Teyssonneyre, cresce globalmente, impulsionada principalmente pela estratégia de sustentabilidade das empresas, especialmente as grandes marcas de bens de consumo. (Valor Econômico 17/11/2016)

 

Preços realistas

A nova redução do preço dos combustíveis nas refinarias anunciada pela Petrobrás é uma boa notícia não apenas porque ajuda a reduzir as pressões sobre a inflação, mas também porque reafirma o compromisso da direção da empresa de manter os preços internos alinhados aos do mercado internacional.

A nova redução do preço dos combustíveis nas refinarias anunciada pela Petrobrás, na segunda baixa em menos de um mês, é uma boa notícia não apenas porque ajuda a reduzir as pressões sobre a inflação, mas também porque reafirma o compromisso da direção da empresa de manter os preços internos alinhados aos do mercado internacional. Depois de anos submetida a rígido controle político pela administração lulopetista, que, além disso, a utilizou para montar o bilionário esquema de corrupção cuja extensão ainda está sendo investigada pela Lava Jato – e ainda enfrentando as danosas consequências financeiras e operacionais dessa gestão ruinosa, a Petrobrás, sob nova administração, começa a se recuperar e a praticar políticas claras indispensáveis para o restabelecimento de sua credibilidade.

A decisão da diretoria presidida por Pedro Parente de alinhar os preços internos aos internacionais foi anunciada em 14 de outubro, quando a empresa reduziu em 3,2% o preço da gasolina nas refinarias e em 2,7% o do diesel. Novas quedas poderiam ser anunciadas, pois na ocasião a Petrobrás criou o Grupo Executivo de Mercado e Preço, formado pelo presidente e pelos diretores de Refino e Gás Natural e de Finanças e Relação com os Investidores, que passaria a rever os preços dos combustíveis pelo menos uma vez por mês. Desta vez as reduções foram, respectivamente, de 3,1% e 10,4%.

Se as cotações internacionais do petróleo continuarem em queda, a Petrobrás poderá voltar a reduzir seus preços, disse o diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino. “Temos, estamos praticando e teremos preços alinhados” (ao mercado externo), garantiu Celestino. Além dos preços internacionais, a política da empresa leva em conta também sua participação no mercado interno. Segundo Celestino, a Petrobrás constatou a perda de 18% do mercado de diesel e de 6% a 7% no da gasolina em outubro. Essa fatia foi conquistada por concorrentes que importaram combustíveis a preços melhores que os praticados pela estatal.

Trata-se de uma mudança radical em relação à política imposta à empresa pelo governo de Dilma Rousseff, que comprimiu os preços internos dos combustíveis quando a cotação do petróleo registrava fortes altas. Sem capacidade de refino suficiente para suprir a demanda interna, a empresa se viu forçada, durante muito tempo, a importar gasolina pela qual pagava o preço internacional, para vendê-la por um preço inferior, fixado pelo governo. Essa política impôs prejuízos bilionários à área de abastecimento da Petrobrás.

O controle de preços que marcou a gestão intervencionista da era lulopetista foi substituído por uma visão de mercado. O objetivo, como informou em nota a empresa, é “fazer com que a Petrobrás possa implementar uma política de preços competitivos, que reflita os movimentos do mercado internacional de petróleo em períodos mais curtos”.

Tem causado certa estranheza o fato de a queda dos preços dos combustíveis nas refinarias da Petrobrás não chegar ao preço final pago pelo consumidor nas bombas. A empresa calcula que, se a redução agora anunciada fosse inteiramente repassada aos preços cobrados nos postos de combustíveis, o diesel ficaria 6,6% mais barato, com redução de cerca de R$ 0,20 por litro, e a gasolina custaria 1,3% menos, ou cerca de R$ 0,05 por litro.

De acordo com cálculos da Petrobrás, com base na média dos preços das principais capitais, o valor pago nas refinarias representa, em média, apenas 30% do preço final da gasolina. Daí o repasse da redução do preço na refinaria, mesmo que integral, resultar em queda bem menos acentuada no valor pago pelo consumidor. Os tributos (ICMS, Cide, PIS-Pasep e Cofins) representam 39% do preço médio da gasolina na bomba. O custo do etanol anidro adicionado representa 16%. A remuneração das distribuidoras e dos postos responde pelos restantes 15%. Mudança ainda que pequena nesta última fatia pode fazer desaparecer o efeito, para o consumidor, da queda do preço na refinaria. (O Estado de São Paulo 17/11/2016)

 

Efeito Trump acelera preço dos metais, mas não afeta agrícolas, aponta banco

Os metais, que já estavam em alta, voltaram a subir com a eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos. Há uma melhor expectativa de demanda, tanto na China como nos Estados Unidos. A alta nas commodities metálicas foi de 19% desde o final de setembro.

Já os preços das demais commodities tiveram pouca reação. É o que mostra o ICI (Índice de Commodities Itaú).

Apesar da safra mundial recorde de grãos e da elevação global dos estoques, os produtos agrícolas se mantêm estáveis nas últimas semanas, graças à forte demanda.

Enquanto o milho tem preços estáveis desde o final de setembro, a soja subiu 3% e o trigo caiu 2%.

Os analistas do Itaú advertem, no entanto, para o risco de redução de oferta de grãos, devido ao efeito da La Niña na região Sul no final do ano.

Já a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) deverá ser beneficiada pelas chuvas, compensando eventual quebra no Sul.

Dois produtos, no entanto, deverão continuar com preços firmes durante 2017: açúcar e café.

Em ambos os casos há uma redução na oferta de produto. No caso do açúcar, os analistas do ICI estimam deficit de 3,6 milhões de toneladas na safra 2016/17.

Essa oferta menor do que o consumo ocorre depois de um deficit de 10 milhões de toneladas em 2015/16.

No final de 2017, o café deverá atingir US$ 1,70 por libra-peso, enquanto o açúcar estará em 20 centavos de dólar por libra-peso.

Para o minério de ferro, a estimativa é de US$ 55 por tonelada, enquanto o petróleo sobe para US$ 54 no final do próximo ano.

Proteínas nos EUA

A produção de carne bovina deverá atingir 11,9 milhões de toneladas no próximo ano nos Estados Unidos, segundo estimativa desta quarta-feira (16) do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).

Líder

Se confirmada a previsão, o aumento seria de 10% ante o volume de 2015. Esse percentual supera os 5% do aumento da carne suína e os 4% da de frango.

Aves

A produção de carne de frango deverá somar 18,9 milhões de toneladas em 2017, enquanto a suína sobe para 11,7 milhões, aponta o Usda.

Forte queda

A inflação dos produtos agropecuários caiu 1% no atacado nos últimos 30 dias até 10 de novembro, segundo o IGP-10 da FGV. Com isso, o acumulado em 12 meses está em 16,7%.

Safra antecipada

Pelo menos 55 usinas já haviam encerrado a safra de cana de açúcar 2016/17 até o final de outubro, conforme dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Mais etanol

A moagem de cana atingiu 537 milhões de toneladas até o final do mês passado. Desse volume, 46,7% foram para a produção de açúcar –41,9% no ano passado.

Os números

A produção total de açúcar subiu para 32 milhões de toneladas, 17% mais do que em 2015. Já a de etanol caiu para 22,6 bilhões de litros, 4% menos. (Folha de São Paulo 17/11/2016)

 

Parente projeta desinvestimento global na indústria de petróleo em US$35 bi

A Petrobras permanecerá fiel à meta de desinvestir 15,1 bilhões de dólares até 2016, disse o presidente da estatal, Pedro Parente na terça-feira, acrescentando que os investimentos globais em exploração e produção de petróleo (E&P) devem cair no próximo ano.

Ele ainda afirmou a repórteres durante evento em Nova York na terça-feira patrocinado pelo Bradesco que a venda de ativos se tornou uma tendência entre os participantes da indústria global de petróleo, cuja meta de desinvestimentos no ano é de 35 bilhões de dólares.

De acordo com Parente, o alto nível de alavancagem continua sendo um grande problema para Petrobras. A estatal vem se esforçando para vender ativos e firmar parcerias, a fim de reduzir o endividamento que atinge cerca de 130 bilhões de dólares - o maior entre os participantes do setor no mundo.

O presidente da Petrobras revelou também que a empresa tomará decisões mais duras em algumas áreas de negócios se os preços internacionais do petróleo caírem abaixo de 30 dólares o barril. Segundo Parente, investimentos em bens de capital e custos devem ser avaliados se as cotações da commodity recuarem abruptamente.

Sobre as ações coletivas contra estatal em trâmite nos Estados Unidos, Parente disse acreditar que a lei está do lado da empresa. (Reuters 16/11/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Vendas especulativas: Os fundos continuam reduzindo o seu saldo líquido comprado no mercado futuro de açúcar demerara, o que pressiona as cotações na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 19,87 centavos de dólar a libra-peso ontem, recuo de 72 pontos. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, os fundos detinham 26,2% do mercado em 8 de novembro contra 26% na semana anterior. Embora o número represente uma leve alta, está bem abaixo do pico de 32,3% do início de outubro. O mercado também segue atento às boas condições climáticas para a maturação e a colheita na Índia, segundo maior produtor mundial. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 98,95 a saca de 50 quilos, queda de 0,28%.

Café: Sessão instável: Após um pregão marcado pela instabilidade, os contratos futuros do café arábica registraram queda ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,644 a libra-peso, recuo de 90 pontos. "O mercado esta sem direção e perdeu um pouco de força", avalia Thiago Cazarini, trader em Minas Gerais. As cotações reagem à recente valorização do dólar em relação ao real e às boas condições, até o momento, de desenvolvimento da safra 2017/18 no Brasil. Apesar de apresentar bienalidade negativa, o que deve reduzir a produção, o tempo chuvoso tem afastado as preocupações em relação ao pegamento das floradas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica ficou em R$ 564,72 a saca de 60 quilos, alta de 0,26%.

Soja: Dólar em alta: A forte valorização do dólar ante as principais moedas do mundo desde a eleição de Donald Trump voltou a pressionar as cotações da soja ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 9,945 o bushel, recuo de 3,5 centavos. A queda reflete ainda a perspectiva de safra recorde no Brasil e nos EUA, dois maiores produtores mundiais. Enquanto os americanos devem colher 118,69 milhões de toneladas na atual temporada, segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), no Brasil a produção deve ultrapassar as 100 milhões de toneladas, segundo a Conab. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 77,94 a saca de 60 quilos, com queda de 1,23%.

Milho: Aversão a risco: A forte aversão a risco que toma conta do mercado financeiro também impactou as cotações do milho ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 3,465 o bushel, recuo de 2,75 centavos. Com os investidores receosos, o dólar tem registrado alta ante as principais moedas do mundo, o que tende a reduzir o potencial das exportações americanas. Isso porque o produto dos EUA perde competitividade em relação ao de outros países, onde há perspectivas de produção recorde, como o Brasil. O país deve colher mais de 80 milhões de toneladas, o que representaria um avanço de até 27,1% em relação à safra passada, segundo a Conab. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 40,15 a saca de 60 quilos, alta de 1,57%. (Valor Econômico 17/11/2016)