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Petrobras negocia áreas no pré-sal com grupo francês Total

A Petrobras negocia a venda de uma participação nas áreas mais cobiçadas do pré-sal –próximas aos megacampos de Lula e Sapinhoá, para o grupo francês Total.

A transação faz parte de um acordo de parceria estratégica anunciado pelas duas empresas em outubro e deve incluir também duas usinas térmicas e o aluguel de um terminal de gaseificação na Bahia.

O objetivo é concluir a operação ainda neste ano, colaborando para a Petrobras obter US$ 15,1 bilhões com a venda de ativos até dezembro. Esses recursos serão utilizados para reduzir o nível de endividamento da estatal.

Até agora, a Petrobras conseguiu US$ 10,7 bilhões ao se desfazer de empresas na Argentina e no Chile, ativos de distribuição e transporte de gás, a distribuidora Liquigás e o campo de Carcará.

Os campos em negociação com a Total ficam nos blocos BMS-9 e BMS-11 na Bacia de Santos, região considerada a jóia da coroa do pré-sal por incluir os dois maiores campos em produção no país.

Lula e Sapinhoá não vão entrar no negócio, mas a infraestrutura montada nesses campos para escoamento de gás natural pode ser compartilhada, reduzindo os custos de novos investimentos.

Além disso, a operação na área permite usar em conjunto recursos como logística de transporte de suprimentos e pessoal para as plataformas.

Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), Lula é o campo com maior produção do país, com 639,7 milhões de barris por dia, seguido por Sapinhoá, com 264 milhões de barris por dia.

Podem entrar no pacote dos franceses os campos de Iara, Berbigão, Sururu e Oeste de Atapu (situados no bloco BMS-11, onde está Lula) e também o campo Lapa (no BMS-9, vizinho a Sapinhoá).

A expectativa é que haja disputa entre a Total e a Shell pelos campos que estão no bloco BMS-11. A Shell e a portuguesa Galp já são sócias da Petrobras nesse bloco, com 25% e 10% de participação, respectivamente. Como sócias, tem direito de preferência e poderiam cobrir a proposta feita pela Total.

TÉRMICAS

O acordo com a Total também deverá incluir duas usinas térmicas e o aluguel do terminal de regaseificação na Bahia. É um negócio pequeno que a estatal vê como uma espécie de laboratório, para testar esse modelo de parceria e oferecê-lo a outras empresas no futuro.

A Petrobras vem tentando vender suas térmicas desde 2015, mas as negociações esbarram em entraves regulatórios. No início deste ano, a estatal decidiu negociar pacotes que incluem acesso aos terminais de gás natural líquido. Foram criados pacotes na Bahia, no Rio e no Ceará.

Procurada pela Folha, a Petrobras não se pronunciou.

Nesta semana, a Petrobras anunciou a venda da distribuidora de gás de cozinha Liquigás para o grupo Ultra, por R$ 2,8 bilhões. Também estão à venda a participação da Petrobras na petroquímica Braskem, onde é sócia da Odebrecht, em refinarias de petróleo e em unidades de produção de etanol, entre outros empreendimentos. (Folha de São Paulo 19/11/2016)

 

China e Índia relançam propostas na OMC para frear importações agrícolas

O Brasil e os outros países do Mercosul estarão entre os mais afetados se prosperarem na Organização Mundial do Comércio (OMC) propostas de um grupo liderado pela China e Índia para facilitar o aumento de tarifas para frear importações agrícolas.

O embate entre exportadores agrícolas e o G­33, o grupo protecionista presidido pela Indonésia, mas controlado por Pequim e Nova Delhi, intensificou-se na última semana com o ressurgimento de propostas de 2014 que já resultaram em forte impasse no passado. O G­33 relançou a idéia de criar um mecanismo de salvaguarda especial (SSM, na sigla em inglês) para que países em desenvolvimento possam elevar temporariamente tarifas a fim de frear aumentos súbitos de importações ou declínio de preços.

Embora o G­33 argumente que o objetivo é usar o mecanismo contra exportações subsidiadas, que viriam de países ricos e afetariam seus produtores, eles querem de fato que seja aplicada a todos os países.

Para o Brasil e outros exportadores, o impacto negativo sobre o comércio Sul-Sul seria significativo, ainda mais quando estão avançando nesses mercados onde a renda melhorou e a demanda tende a continuar crescendo.

No caso do Brasil, as exportações de açúcar seriam logo afetadas por sobretaxas. Basta ver a salvaguarda normal que a China já está usando para frear a entrada do produto importado em seu mercado. Também as exportações brasileiras de milho seriam prejudicadas pelo protecionismo do G-33. No caso de Argentina e Uruguai, os produtos mais prejudicados seriam trigo e arroz.

O G-33 insiste também agora que os programas de estoques públicos de alimentos, por razões de segurança alimentar, não tenham limite de gastos. O instrumento é aceito pelos países, em geral.

Mas os exportadores não escondem a inquietação com o endurecimento da postura da China, Índia e de outros membros do G­33. A preocupação é que, quando o governo insiste em comprar dos produtores a preços fixos ou com subsídios, esses programas podem ter consequências inesperadas para a segurança dos outros países.

A Austrália exemplificou que a China já é o maior produtor mundial de trigo e a Índia o maior exportador de arroz, e que os programas de garantia de preços nesses dois gigantes têm impacto no mercado global. Isso sobretudo quando os estoques são despejados no mercado internacional derrubando preços.

Países exportadores, como o Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Austrália, Tailândia, Estados Unidos, Canadá e também a União Européia, constatam que a reforma agrícola que um bom número de países em desenvolvimento quer é para manter, na verdade, proteção de seus mercados.

A proposta de salvaguarda especial deve causar mais impasse nas discussões sobre o que pode resultar em compromisso na conferência ministerial da OMC, no ano que vem, em Buenos Aires.

Quanto à solução permanente sobre estoques públicos de alimentos, há menos resistência dos exportadores, desde que atenuada. O Paquistão sugere que a questão de segurança alimentar seja tratada com transferência direta de dinheiro para os agricultores, em vez de o governo acumular estoques.

No entanto, a receptividade a compromisso por parte de Pequim e Nova Delhi parece estar próxima de zero, no momento. O aumento do protecionismo agrícola, agora em grandes mercados em desenvolvimento, deve resultar em novos contenciosos na OMC.

Os EUA planejam pedir a abertura de painel (comitê de investigação) contra a China ainda este ano, contra programas de subsídios internos para a produção de milho, trigo e arroz. O Brasil tem contenciosos contra a Indonésia por causa de barreiras a carnes bovina e de frango, e contra a Tailândia envolvendo o açúcar. (Valor Econômico 21/11/2016)

 

Executivos de empresas líderes no setor confirmam participação no UNICA Fórum

Rubens Ometto Silveira Mello e Luís Roberto Pogetti, presidentes dos Conselhos de Administração das companhias Cosan e Copersucar, respectivamente, além de Pedro Mizutani, vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen e presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, estão confirmados como palestrantes do UNICA Fórum 2016. O encontro, marcado para 28 de novembro, no Teatro Principal do World Trade Center (SP), vai reunir autoridades governamentais, especialistas e empresários para uma reflexão sobre o papel dos produtos e energias obtidas da cana para a “descarbonização” da matriz energética brasileira e mundial, principalmente em relação aos compromissos assumidos no Acordo de Paris visando combater as mudanças climáticas.

Para a presidente da UNICA, Elizabeth Farina, a presença dos três executivos no Fórum ajuda a ampliar ainda mais a representatividade do evento. “Copersucar e Raízen, esta última uma joint venture criada a partir da união entre Shell e Cosan, representam o que há de mais moderno em termos de produção, distribuição e comercialização de etanol e açúcar no mundo. São nomes essenciais em um debate dessa importância”, afirma.

Na primeira das quatro plenárias do evento, Rubens Ometto e Luís Roberto Pogetti vão analisar o papel das energias renováveis na economia brasileira e global após apresentações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles e do chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Samuel Pessôa. Na cerimônia de abertura, Pedro Mizutani dividirá o palco com o presidente da república Michel Temer e o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ele também estará presente na cerimônia de encerramento com Elizabeth Farina, presidente da UNICA, e Márcio Felix, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia. As plenárias serão ancoradas pelo jornalista William Waack, do Jornal da Globo e do programa Painel, da GloboNews.

Currículos

Formado em Engenharia de Produção Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Ometto acumula experiências em gestão empresarial. Na década de 1970 trabalhou como executivo corporativo na União de Bancos Brasileiros, diretor financeiro do Grupo Votorantim e primeiro presidente do Conselho da TAM Linhas Aéreas. Em 1986 entrou para os negócios da família e foi decisivo na consolidação da Cosan como a maior fabricante de produtos derivados da cana no Brasil nos anos 2000. A partir daí a empresa realizou novas aquisições e parcerias, ampliando sua rede de produtos e atuação. 

Em 2005, a Cosan abriu capital na Bolsa de Valores e, três anos mais tarde, na Bolsa de Nova York. Em 2008 completou a aquisição da rede de distribuição da Esso no Brasil e criou as companhias Rumo e Radar, especializadas em soluções de logística e imobiliário agrícola, respectivamente. Em 2011 foi estabelecida a parceria com a Shell na criação da Raízen, que no mesmo ano ficou entre as cinco maiores empresas brasileiras em termos de receita. Em 2012, a Cosan adquiriu a Comgás, a maior distribuidora de gás natural do País. 

Além de presidir o Conselho de Administração da Copersucar, Luiz Roberto Pogetti, bacharel em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Finanças e Mestrado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também comanda o Conselho de Administração da Alvean Sugar e da Eco-Energy Biofuels. Em janeiro de 2011, assumiu a cadeira máxima do Conselho de Administração do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), instituição de excelência tecnológica na indústria canavieira.

Além disso, Pogetti integra o Conselho de Administração da Logum Logística, empresa responsável pelo projeto do “etanolduto”. Em 2015, o executivo substituiu o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, como presidente do Conselho Deliberativo da UNICA, até ser substituído por Pedro Mizutani, eleito em abril deste ano.

Além de presidir o Conselho da UNICA, Pedro Mizutani, graduado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), também participa dos Conselhos Deliberativos do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de São Paulo (SIFAESP) e do Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado de São Paulo (SIAESP). Com 34 anos dedicados ao setor sucroenergético brasileiro, Mizutani iniciou sua carreira como trainee na usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Foi supervisor de planejamento, gerente financeiro, superintendente administrativo e diretor da mesma área.

Em 2000 assumiu a vice-presidência do Grupo Cosan e no ano seguinte foi nomeado diretor superintendente. Em 2009 foi alçado a presidente da Cosan Açúcar e Álcool, em paralelo ao cargo de vice-presidência do Grupo. Com a formação da Raízen, exerceu a vice-presidência do departamento de Etanol, Açúcar e Energia. Em novembro de 2015, assumiu a vice-presidência Executiva da diretoria de Relações Externas e Estratégia da empresa.

Nomes confirmados

Em seu ano de estreia, o UNICA Fórum será composto por quatro plenárias e cerimônias de abertura e encerramento. Além dos palestrantes Henrique Meirelles, Samuel Pessôa, Luiz Roberto Pogetti, Rubens Ometto e  Pedro Mizutani, o evento tem as seguintes confirmações: Pedro Parente, presidente da Petrobras; Fernando Bezerra Filho, ministro de Minas e Energia; José Goldemberg, presidente da Fapesp; Justine Leigh-Bell, especialista em créditos de carbono e diretora da Climate Bonds Initiative; Luiz Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Antonio Megale, presidente da Anfavea; Ricardo Abe, gerente de Engenharia de Produto da Nissan do Brasil; Paolo Corvo, diretor global de Desenvolvimento de Negócios para Bioenergias da multinacional alemã Clariant; e Marcelo Furtado, representante da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

Inscrições

O prazo de inscrições para o UNICA Fórum 2016 termina na próxima segunda-feira, dia 21 de novembro, ou seja, daqui a 3 dias. Portanto, os interessados em participar têm até esta data para efetuar as inscrições por meio da página oficial do Fórum (http://www.unica.com.br/forum/). O sistema de registros oferece duas opções de pagamento: boleto bancário e cartão de crédito.

Para pagamentos com boleto bancário, alertamos que este deve ser quitado também até 21/11. Caso utilize o serviço de internet banking, pedimos atenção especial ao horário limite para pagamentos on-line do seu banco.

Patrocínio e organização

O seminário, patrocinado pelas empresas FMC, Syngenta, Coca-Cola, Bayer, Clariant, Honda, Amyris e Energisa, será organizado pela multinacional suíça MCI Group, maior realizadora de congressos do mundo, e pela MediaLink, consultoria dirigida pelo ex-diretor de Comunicação da UNICA, Adhemar Altieri.

Apoio

Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Nissan, Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI), Associação Brasileira Marketing Rural (ABMR&A), Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br), Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil (Stab) e Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissões Veiculares da América do Sul (Afeevas).

Parceiros de Mídia

Canal Rural, Argus Media, Jornal Cana, OPIS, Gazeta Mercantil Experience, Portal Notícias Agrícolas e as seguintes Revistas: Carro, Horizonte Geográfico, Opiniões, RPA News, Carro Online, Brasil Energia e PIB. (Unica 19/11/2016)

 

Para Blairo Maggi, metas brasileiras para o clima são só ‘intenção’

Em meio à Conferência do Clima da ONU, que busca mostrar os caminhos para o combate às mudanças climáticas, e participando de um evento para discutir como a agricultura pode participar disso, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse nesta quinta-feira, 17, que o setor não vai cumprir suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa a não ser que alguém, que não o próprio setor, pague por isso.

Chamando os compromissos assumidos pelo País junto ao Acordo de Paris de “intenção”, Maggi causou furor entre ambientalistas que acompanham a conferência. O que no começo parecia uma presença bem-vinda, por sinalizar que a agricultura está no mesmo barco que o ambiente nos esforços brasileiros de lutar contra o aquecimento global, tem gerado constrangimento.

“Posso dizer isso com toda tranquilidade: nós não temos condições financeiras de levar adiante a intenção que o Brasil colocou. Eu gosto dessa palavra: intenção”, Blairo Maggi

Desde terça-feira, 15, Maggi disse que a agricultura brasileira é a mais sustentável do mundo, minimizou o impacto que o setor tem sobre as emissões de gases de efeito estufa e disse que mortes de ativistas ambientais no campo são “problema de relacionamento”.

Os comentários levaram o Observatório do Clima a elaborar uma carta rebatendo ponto por ponto. E no evento desta quinta, a ONG jovem Engaja Mundo deu de presente ao ministro um colar com o que eles chamaram de “pérolas mággicas”, em referência às falas de Maggi.

No debate, promovido pela Coalizão Clima, Florestas e Agricultura, estavam presentes representantes do Banco Mundial, da Convenção do Clima da ONU, e da Climate Policy Initiave (que financia ações de combate às mudanças climáticas), que foram elogiosos sobre os avanços que o Brasil teve nos últimos anos ao reduzir suas taxas de desmatamento e disseram que o mundo olha para o País buscando exemplo de atuação nas áreas de agricultura e floresta. Também estava na mesa, no começo do evento, o ministro Sarney Filho (Ambiente), que chefia a delegação brasileira.

Hotel vazio

Maggi aproveitou o reconhecimento para dizer que o custo disso para o setor é alto. Em outros eventos em Marrakesh ele já havia comparado a Reserva Legal, prevista na lei florestal do País, e que estabelece que uma porção das propriedades rurais brasileiras têm de ser preservadas, como um hotel que não pode ser todo ocupado. Segundo ele, é como um hotel que tem cem quartos, mas só pode comercializar 20, se referindo aos 80% de proteção prevista em fazendas na Amazônia.

Nesta terça, ele disse apoiar que o setor contribua com o combate às mudanças climáticas, mas se queixou dos custos de cumprir as metas brasileiras de recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e 12 milhões de hectares de florestas.

“A intenção que o Brasil assumiu perante o mundo não pode ser obrigação do produtor brasileiro, tem de ser a intenção do produtor brasileiro também”, Blairo Maggi

Nos seus cálculos, que não explicou exatamente como foram feitos, Maggi afirmou que o custo dessas ações seria de “40 a 50 bilhões de dólares”.

No ano passado, como contribuição ao Acordo de Paris, o Brasil apresentou uma meta total de redução de emissões, de 37% até 2025 e 43% até 2030, e entregou anexada uma lista de ações que poderiam ser tomadas para atingir esses valores. Entre elas, estão as duas citadas pelo ministro, mas também o fim do desmatamento ilegal e investimentos em energias renováveis.

“Tenho certeza de que não vamos nos furtar a ajudar a fazer, mas precisamos de financiamentos, de oportunidades, para que os produtores possam fazer”, Blairo Maggi

Ao ratificar o acordo, no entanto, a meta brasileira vira lei internamente. E o que eram metas pretendidas ou INDCs – contribuições nacionalmente determinadas pretendidas – viraram, simplesmente, NDCs (contribuições nacionalmente determinadas). A lista de ações que entrou como um anexo de fato não chega a ser obrigatória, mas é a linha que o País propôs seguir.

Questionado pelo Estado sobre isso, respondeu: “É intenção. Não é a agricultura e a pecuária que tem de pagar essa conta. Não queiram pendurar essa conta no setor agrícola sozinho”.

“São metas gerais que o Brasil colocou e deu uma indicação de por onde pode sair, mas se não cumprir através de reflorestamento ou de melhoramento de pastagem, vai ter de fazer em outro lugar. Não é obrigação da agricultura”, Blairo Maggi

Na carta do Observatório do Clima, que foi entregue ao ministro durante o evento, os ambientalistas questionam os números do ministro. “Num cálculo simples, US$ 40 bilhões até 2030 (prazo das ações contempladas na NDC) equivalem, utilizando-se uma taxa de câmbio de R$ 3,2, a pouco menos de R$ 10 bilhões por ano em 13 anos.

Apenas em 2016 o Plano Safra destinou R$ 202 bilhões ao financiamento do setor agropecuário, cuja inadimplência histórica média é de cerca de 5%. Somente o custo de equalização dos juros do Plano Safra, em julho de 2015, atingiu R$ 13,4 bilhões. Ou seja, mesmo admitindo que a estimativa do ministro Blairo Maggi esteja certa, haveria dinheiro para bancar a NDC. Bastaria, para isso, que os agricultores pagassem suas dívidas”.

No documento, os ambientalistas lembraram também a contribuição do setor com as emissões brasileiras. Com base no último levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, “a atividade agropecuária respondeu, em 2015, por 69% das emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil, quando contabilizadas as emissões diretas e indiretas, em especial o uso final das terras desmatadas”, escrevem.

Mortes no campo

Outro ponto que caiu mal na plateia foi uma declaração sobre mortes no campo que Maggi fez na quarta-feira após ouvir estatísticas de que o Brasil é o país onde mais se mata ambientalistas. “Nós temos conflitos, sim, no Brasil, não podemos negar. Mas eles não são dessa forma. Existem muitas brigas, muitas coisas que acontecem que são ditas, que são relacionadas a briga de terra, a briga por posse da terra, a briga por questões ambientais. Mas quando você vai no cerne da questão, você vai ver que tem problema de relacionamento de pessoas de determinados lugares e que não pode ser computado nesta questão”, disse ao se apresentar no Global Landscape Fórum, um dia dedicado à discussão sobre florestas.

Na carta, o Observatório do Clima lembrou dados da Global Witness, de que apenas em 2015 foram 50 mortes, um terço do total mundial – em sua maioria na Amazônia brasileira. Ao ler isso na carta, Maggi ironizou. “Fico feliz em saber que de ontem para hoje morreram menos 150 ambientalistas, porque ontem ouvi que eram 200 por ano e agora diz aqui que foram 50”. (Agência Estado 19/11/2016)

 

Ministério quer elevar financiamento de máquina agrícola para R$7,5 bi

O Ministério da Agricultura negocia com a equipe econômica uma ampliação da linha de financiamentos Moderfrota, destinada à aquisição de máquinas agrícolas, para 7,5 bilhões de reais, disse nesta quarta-feira o secretário de Política Agrícola, Neri Geller, em entrevista à Reuters.

Em seu lançamento, o Moderfrota da safra 2016/17 tinha mais de 5 bilhões de reais em linhas de crédito.

"O Moderfrota é o programa que mais tem demanda. Vamos remanejar os recursos dentro do próprio Plano Safra", disse Geller.

Segundo o secretário, tem havido uma boa demanda por aquisição de máquinas, como tratores e colheitadeiras, uma vez que o país caminha para a colheita de uma safra recorde nesta temporada.

Dados da Anfavea, associação que representa as montadoras, mostraram que as vendas de máquinas agrícolas cresceram 28,4 por cento em outubro ante o mesmo mês de 2015.

Geller não detalhou de quais programas do Plano Safra serão retirados recursos, mas sinalizou que há dinheiro disponível em linhas de apoio à cadeia do arroz e de custeio de lavouras no Matopiba (Maranhão, Piauí, Tocantins e oeste da Bahia).

Ele também não fez previsão sobre uma data para os novos recursos entrarem no mercado, mas disse que o efeito seria imediato, possibilitando a compra de maquinário já para a colheita de verão nos primeiros meses de 2017.

Para produtores rurais com faturamento anual de até 90 milhões de reais, os juros do Moderfrota são de 8,5 por cento ao ano.

Geller disse que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai monitorar os preços das máquinas agrícolas, para evitar que a injeção de recursos no setor provoque uma escala de preços.

"Nós vamos ficar muito atentos para financiar o produtor e para não aumentar preços das máquinas", disse o secretário. (Reuters 16/11/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Melhora na oferta: A melhora nas expectativas para a oferta de açúcar na safra 2016/17 pressionou a commodity na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 19,62 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 9 pontos. Segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA), a safra 2016/17 deverá registrar uma produção de 168,7 milhões de toneladas e consumo de 174,9 milhões de toneladas, com um déficit na oferta estimado em 6,2 milhões de toneladas. O déficit previsto é levemente inferior ao apontado anteriormente pelo órgão. Ainda segundo a OIA, a menor oferta da commodity deverá ser revertida já na safra 2017/18. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 97,87 a saca de 50 quilos, queda de 0,46%.

Café: Mais oscilações: Após mais um pregão instável, os contratos futuros do café registraram queda na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,621 a libra-peso, recuo de 85 pontos. A commodity tem sido pressionada pela recente desvalorização do real, o que tende a elevar a oferta do Brasil no mercado internacional. Segundo a consultoria BMI Research, os preços do arábica continuarão em baixa no curto prazo após um novo enfraquecimento do real e com a melhoria na oferta global de café nos próximos meses. No Brasil, as recentes chuvas na principais áreas produtoras contribuíram para o pegamento das floradas da safra 2017/18. O indicador Cepea/Esalq para o grão em São Paulo ficou em R$ 567,32 a saca de 60 quilos, alta de 0,48%.

Cacau: Novas perdas: Os contratos futuros do cacau voltaram a registrar queda na última sexta-feira na bolsa de Nova York em meio às perspectivas de superávit na oferta mundial durante a safra 2016/17. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2.425 a tonelada, com recuo de US$ 6. Segundo a consultoria Zaner Group, a forte oscilação das cotações, com pouca recuperação desde que atingiram a mínima em três anos, é "um forte sinal técnico de que temos um momento de baixa". No acumulado de novembro, a commodity já se desvalorizou 8,25% na bolsa. No ano, a queda nos contratos de segunda posição chega a 24,38%. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago aos produtores foi de R$ 136 a arroba, alta de 1,49%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Chuva nos EUA: As previsões climáticas para o Meio-Oeste dos EUA deram fôlego à alta do milho na bolsa de Chicago na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 3,535 o bushel, com alta de 3,75 centavos. De acordo com as previsões mais recentes, uma tempestade de inverno breve, mas intensa, deve causar atrasos na reta final da colheita da safra 2016/17 ao longo de cinco dias. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos haviam colhido 93% da área plantada com o grão até o último dia 13, abaixo do observado no ano passado, quando 95% da área havia sido colhida. Um novo balanço será divulgado pelo órgão hoje. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 39,03 a saca de 60 quilos na sexta-feira, queda de 1,74%. (Valor Econômico 21/11/2016)