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Energia de biomassa tem capacidade para abastecer quase um terço do consumo total de eletricidade

A energia de biomassa, gerada a partir de resíduos vegetais ou animais, tem espaço para suprir quase um terço do consumo de energia brasileira, de acordo com Zilmar José de Souza, gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). “No caso da biomassa gerada pela cana, poderíamos ter exportado para a rede elétrica um excedente de 129 mil MWh (megawatt hora) com a biomassa existente já no ano passado, sem aumentar o plantio de canaviais e aproveitando ao máximo a biomassa. Isso representaria 28% do consumo de energia elétrica do Brasil do ano passado.”

É uma quantidade de energia suficiente para abastecer mais de 66 milhões de casas por ano, segundo Souza. Além da biomassa de cana, empresas estão aproveitando seus resíduos orgânicos para aumentar a eficiência energética e oferecer projetos de geração de energia limpa ao mercado.

A produção atual de excedente de energia de biomassa de cana está aquém do potencial da fonte. Em 2015, o montante foi de 20 mil MWh, ou 4,4% do consumo de eletricidade do Brasil. Apesar disso, o impacto ambiental foi significativo, atesta Souza. “Esse volume gerou uma economia de mais de oito milhões de toneladas de emissão de gases poluentes na atmosfera.”

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), há 370 usinas sucroenergéticas no Brasil e pouco mais da metade (175) exporta excedente de bioeletricidade para o sistema elétrico. “Todas as usinas produzem energia para autoconsumo. Mas há 195 usinas que podem passar por um processo de retrofit (reforma) e aproveitar ainda mais o bagaço e outros subprodutos, como a palha e o biogás da vinhaça, para alimentar a geração de bioeletricidade da rede.”

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revelam que a biomassa é a terceira maior fonte de energia elétrica nacional. Com 14,6 mil MW da potência instalada da matriz elétrica do Brasil, a participação da biomassa é pouco mais de 9% do total de 161 mil MW do sistema. Somente a biomassa de cana-de-açúcar contribui com 11 mil MW. As demais fontes são compostas por insumos florestais, principalmente a lenha de eucalipto, resíduos sólidos urbanos e restos vegetais.

A geração de biomassa é mais intensa durante a época de colheita da cana. Mas, apesar das características sazonais da produção, Souza afirma que há tecnologia disponível para gerar eletricidade o ano inteiro. “Existem turbinas de condensação que permitem operar até 365 dias ininterruptos e independente da safra. Para isso, é necessário estocar biomassa por períodos maiores e aumentar o uso da tecnologia em mais usinas.” Segundo Souza, quase 20% das turbinas instaladas no setor sucroenergético hoje já são de condensação.

De olho no aproveitamento de resíduos, a Raízen aumentou sua produção de etanol com base no reaproveitamento de resíduos. O etanol de segunda geração (ou etanol 2G) é um combustível igual ao produzido no modelo tradicional, porém feito a partir da celulose do subproduto.

O bagaço que antes era destinado para proteção do solo e cogeração de energia elétrica foi convertido em celulose, o que possibilitou um aumento de 40% da produção sem crescer a área plantada, de acordo com a companhia. O projeto deu à Raízen o Prêmio Eco de 2014, na modalidade Práticas de Sustentabilidade – Produtos ou Serviços.

No Rio Grande do Sul, a PepsiCo, dona da marca Quaker, queima casca da aveia para gerar o vapor que move a caldeira de produção. Ao usar a biomassa, a Quaker deixou de emitir cerca de 1 mil toneladas de gases poluentes originados da queima de gás natural. O projeto ganhou o Prêmio Eco 2013 na modalidade Práticas de Sustentabilidade.

Em Uberlândia, a startup Alsol Energia, do Grupo Algar, desenvolve um projeto combinado de geração de energia a partir do biogás produzido pelo dejeto de suínos e captação de energia fotovoltaica. “Aqui temos condições favoráveis para aproveitar os resíduos do rebanho suíno, um dos maiores do Brasil, e a alta incidência de luz solar”, detalha Gustavo Buiatti, diretor de operações e diretor técnico da Alsol Energia. O projeto foi inscrito no Prêmio Eco deste ano.

O projeto piloto está em andamento em uma propriedade rural de Patos de Minas, no interior de Minas Gerais. Durante o dia a energia é gerada por painéis fotovoltaicos, e um biodigestor que processa os dejetos dos cinco mil suínos da fazenda garante o fornecimento de eletricidade no final da tarde. A economia mensal com energia chega a 160 mil reais, segundo Buiatti.

O potencial de negócios que a venda ou locação de geradores de energia pode gerar na região é de 180 milhões de reais, estima o executivo. “Se considerarmos que Uberlândia tem um rebanho de 1,5 milhão de suínos e os equipamentos podem ser usados em propriedades de até 5 mil animais, estamos falando de pelo menos 300 unidades geradoras a serem usadas nos próximos quinze anos.”

Em Tarabaí, interior de São Paulo, a Amidos do Oeste Paulista (Amidoeste) encontrou no uso do biogás uma alternativa de redução de custos de produção. A matéria orgânica que sobrava da produção de amido de mandioca passou a ser aproveitada para gerar energia de biomassa.

“Usando biogás, deixamos de usar energia térmica e reduzimos os custos de energia de 10% para 5%”, afirma Sebastião Sílvio Panobianco, gerente industrial da Amidoeste. O aproveitamento do resíduo também diminuiu o impacto ambiental da produção, uma vez que os restos da produção não são mais descartados nos rios.

O uso de biomassa como fonte energética é uma tendência consolidada, afirma Souza. Mas para acelerar o seu desenvolvimento, o especialista defende a criação de políticas públicas favoráveis, como acesso ao crédito, benefícios fiscais e novos leilões de energia. “Mais do que tudo, precisamos de uma política setorial favorável que traga estabilidade e favoreça novos investimentos”. (O Estado de São Paulo 23/11/2016)

 

Unica diz que decisão dos EUA sobre etanol é sinal positivo

A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse que a Agência Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês), ao estabelecer um volume final de biocombustíveis avançados para 2017 maior do que o proposto no requerimento do último mês de maio, destacou a grande importância dos benefícios econômicos e ambientais gerados pela utilização dos biocombustíveis.

"Os produtores brasileiros de etanol de cana reconhecem a importância da EPA por sua liderança e apoio aos combustíveis renováveis avançados, categoria em que se enquadra o etanol de cana-de-açúcar brasileiro", disse em nota.

"Com as condições de mercado adequadas, o Brasil tem capacidade de prover aos EUA quantidades significativamente maiores de biocombustível avançado do que os mais de 750 milhões de litros determinados pela regra da EPA para 2017. Juntos, Brasil e EUA têm construído um mercado global de biocombustíveis", afirmou. (Agência Estado 24/11/2016)

 

EUA elevam cota de biocombustível; indústria brasileira elogia

 A Casa Branca propiciou uma vitória aos produtores de etanol de milho e causou choque às companhias de petróleo ao requerer que os carros e caminhões dos Estados Unidos consumam mais biocombustíveis no ano que vem.

A regra, finalizada nesta quarta-feira (23), vai requerer um aumento de 6% no uso de combustíveis renováveis, para 72,9 bilhões de litros em 2017.

A EPA também elevou o padrão para o "biocombustível avançado" –que pode incluir biodiesel, etanol de cana de açúcar importado e biocombustível de celulose– de 13,6 bilhões de litros para 16,2 bilhões de litros.

Dentro dessa categoria, ela ampliou a cota compulsória do biodiesel de 7,2 bilhões a 7,6 bilhões de litros, e a do biocombustível, de celulose, de 870 milhões a 1,2 bilhão de litros.

A presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Elizabeth Farina, elogiou a decisão da EPA e disse que ela pode aumentar a presença no etanol brasileiro nos EUA.

"Nos últimos quatro anos, aproximadamente 4,5 bilhões de litros de etanol de cana importados do Brasil abasteceram veículos americanos. Neste período, o país forneceu 10% de todo os biocombustíveis avançados usados nos EUA", disse a presidente da Unica, cujas empresas associadas representam 60% da produção de cana no Brasil.

Embora o total fique abaixo dos 90 bilhões de litros originalmente prescritos por lei, ainda assim causou elogios da parte dos proponentes do biocombustível, que estão lutando contra a distribuição nacional limitada de seu produto.

Mas as metas se tornaram inatingíveis porque os motores de automóveis ganharam eficiência e o consumo nacional de combustível ficou estagnado depois da crise financeira. A recusa do setor petroleiro de adicionar mais de 10% de etanol à gasolina restringiu a demanda.

O padrão dos Estados Unidos para combustíveis renováveis (RFS) definiu metas ambiciosas para o consumo de biocombustível, quando foi aprovado pelo Congresso, em 2007. O etanol e o biodiesel são misturados à gasolina comum e ao diesel para uso em veículos.

Além disso, o desenvolvimento de etanol de celulose, produzido com base em grama e plantas fibrosas semelhantes à biomassa, ficou aquém das esperanças iniciais. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos tentou elevar os volumes de consumo desses combustíveis sem deixar de reconhecer as realidades do mercado.

"A EPA está usando as ferramentas fornecidas pelo Congresso para ajustar os padrões abaixo das metas legais, mas o crescimento constante dos volumes na norma final continua a sustentar a intenção do Congresso quanto à expansão dos volumes", declarou a EPA.

A regra da agência para 2017 requer 56,7 bilhões de litros de etanol de milho, um volume igual ao determinado pela lei de 2007.

O total é 1,9 bilhão de litros mais alto que o volume requerido para 2016 e 760 milhões de litros mais alto que o proposto inicialmente pela EPA em maio.

TRUMP

A eleição de Donald Trump como próximo presidente dos Estados Unidos criou novas incertezas quanto ao futuro do padrão de uso de biocombustível. Ele já declarou apoio ao etanol, mas o site de sua equipe de transição menciona apenas de passagem as fontes renováveis de energia.

"Devemos todos ser gratos por a EPA ter elevado o total requerido de biocombustível aos 56,7 bilhões de litros requeridos pela lei", disse Bob Dinneen, presidente da Associação de Combustíveis Renováveis.

"A decisão enviará sinal positivo aos investidores e afetará positivamente toda a nossa economia e o ambiente."

O anúncio gerou alta de 6,3% nos mercados futuros para o óleo de soja, que é usado na produção do biodiesel. As ações de algumas refinarias de petróleo cru caíram, com 1,1% de baixa para a Tesoro e 2,4% de queda para a PBF Energy.

O Instituto Americano do Petróleo definiu a decisão como "irresponsável".

"Estamos decepcionados por a EPA ter andado para trás em sua norma final", disse Frank Macchiarola, o diretor de comunicações do grupo.

"A norma RFS é ruim para o consumidor norte-americano. O anúncio de hoje só serve para reforçar a necessidade de que o Congresso revogue ou reforme a RFS de forma significativa". (Folha de São Paulo 23/11/2016)

 

Futuro do etanol sob administração Trump ainda é incerto, diz banco

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, já expressou em algumas ocasiões apoio à regulamentação que estabelece o volume de etanol de milho e outros bicombustíveis que deve ser misturado à gasolina nos EUA. No entanto, ainda há incertezas sobre o futuro do setor de etanol durante o mandato do novo presidente, segundo o banco de investimento Cowen. "Antes de ficarmos muito animados, precisamos ver o modo e os métodos que a administração Trump vai escolher para lidar com o programa", conhecido como Padrão de Combustíveis Renováveis, disse o banco.

Nesta quarta-feira,23, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) publicou a regulamentação final com esses volumes. Ela estabelece que refinarias devem misturar 15 bilhões de galões (56,78 bilhões de litros) de etanol convencional e 4,28 bilhões de galões (16,2 bilhões de litros) de biocombustíveis avançados à gasolina em 2017. O volume total, de 19,28 bilhões de galões (72,98 bilhões de litros), representa um aumento de 1,17 bilhão de galões (4,43 bilhões de litros) em relação à exigência para este ano.

Em Iowa, maior produtor de milho dos EUA, Trump venceu as primárias e as eleições gerais em parte por causa de seu apoio ao Padrão de Combustíveis Renováveis. Nos EUA, o biocombustível é feito principalmente com milho, e o setor consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. Líderes republicanos do Estado estão entre os maiores defensores do padrão.

No entanto, caso quisesse revisar os volumes estabelecidos por alguma razão ou até postergar indefinidamente a entrada em vigor do padrão para 2017, a administração Trump teria várias opções legais para fazê-lo, de acordo com especialistas.

Grupos que representam companhias de biocombustíveis elogiaram os números da EPA, enquanto o setor de petróleo pediu que o Congresso rejeite a política.

"A medida vai enviar um sinal positivo aos investidores, com repercussões na nossa economia e no meio ambiente", disse o presidente e CEO da Associação de Combustíveis Renováveis, Bob Dinneen. "Ao sinalizar seu comprometimento com um mercado crescente de biocombustíveis, a EPA vai estimular novo interesse em etanol celulósico e outros biocombustíveis avançados."

Ações de companhias de etanol como Green Plains e Pacific Ethanol subiram após o anúncio da EPA.

A Associação Americana de Fabricantes de Combustíveis e Petroquímicos, que representa refinarias, criticou o anúncio e pediu que o Congresso rejeite ou revise a política. Segundo o presidente da associação, Chet Thompson, o volume de biocombustíveis estabelecido pela EPA vai além do desejado por consumidores ou do que a infraestrutura pode suportar. "As refinarias não devem ter a responsabilidade de forçar consumidores a usar produtos que eles não querem ou que são incompatíveis com seus carros, barcos ou equipamentos motorizados", disse. (Down Jones 24/11/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Mais perdas: Em meio a nova liquidações de posições do fundos, os contratos futuros do açúcar demerara estenderam as perdas na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 19,08 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 20 pontos. Os fundos correm para realizar lucros em meio a relatórios cada vez mais otimistas para a oferta mundial ao longo dos próximos anos e diante das intenções chinesas de liquidar parte de seus estoques nacionais. Segundo o Rabobank, o país possui reservas avaliadas em 7 milhões de toneladas, das quais 1,8 milhões deverão ser liquidados ao longo de 2017, pressionando as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 95,90 a saca de 50 quilos, queda de 0,43%.

Café: Melhor oferta: A melhora nas previsões para a oferta de café arábica na safra global 2016/17 levou os contratos futuros da commodity para o menor patamar desde outubro na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,577 a libra-peso, recuo de 415 pontos. Segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA), a produção brasileira em 2016/17 deve atingir 56,1 milhões de sacas de 60 quilos, aumento de 14% em relação à temporada anterior. Na Colômbia, segundo maior produtor mundial, as estimativas do USDA são de uma safra de 14 milhões de sacas no mesmo período, o maior volume em 23 anos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão em São Paulo ficou em R$ 550,79 a saca de 60 quilos, queda de 1,64%.

Cacau: Consolidação: As cotações do cacau na bolsa de Nova York passam por uma consolidação após a forte correção registrada na semana passada, refletindo as perspectivas crescentes de superávit na oferta da safra 2016/17. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2.439 a tonelada ontem, recuo marginal de US$ 1. Segundo relatório divulgado ontem pelo Rabobank, a oferta na safra 2016/17 deve superar a demanda em 218 mil toneladas. Já em 2017/18, o superávit estimado é de 167 mil toneladas. Em relação à demanda mundial, o banco estima um crescimento de 1% na moagem da amêndoa em 2016/17. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 133 a arroba na terça-feira, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Demanda chinesa: A demanda chinesa consistente levou os contratos futuros da soja para a sua quinta valorização consecutiva na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 10,43 o bushel, alta de 4,25 centavos. Segundo estimativa do banco holandês Rabobank, a China, maior consumidor mundial, deve elevar suas importações em 5,2% ao longo da atual temporada (2016/17), para 87 milhões de toneladas. Já em 2017/18, o consumo do país deve atingir 91 milhões de toneladas. As boas condições climáticas para o plantio da safra 2016/17 na América do Sul, no entanto, limitaram os ganhos ao final do pregão. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 78,99 a saca de 60 quilos, alta de 0,36%. (Valor Econômico 24/11/2016)