Macroeconomia e mercado

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Bayer e Monsanto

Enquanto a fusão entre Bayer e Monsanto não é aprovada pelos órgãos antitruste internacionais, as duas companhias protagonizam o último capítulo de uma renhida concorrência no agronegócio brasileiro.

Os alemães apostam suas fichas no lançamento da soja transgênica Liberty Link.

A meta da Bayer é alcançar um quinto do mercado na próxima safra, tirando participação, sobretudo, da semente Roundup, comercializada pela Monsanto.

No fim das contas, ficará tudo na mesma casa.

Procurada, a Bayer confirmou a meta de venda da Liberty Link e reforçou que, até o fechamento do negócio, seguirá operando de forma independente da Monsanto. (Jornal Relatório Reservado 24/11/2016)

 

 

Importações de açúcar da China caem quase 70% em outubro por altos preços globais

As importações de açúcar pela China em outubro caíram cerca de 70 por cento ante o ano anterior, para seu menor nível desde janeiro, a 110 mil toneladas, uma vez que os altos preços globais limitaram as compras.

Isso também ficou acentuadamente abaixo das importações de 500 mil toneladas no mês anterior, mostraram dados aduaneiros nesta quinta-feira.

A China é a maior compradora de açúcar do mundo, mas as importações deste ano caíram dos níveis do ano anterior após a apertada oferta global levar os preços de referência a mais que dobrarem desde o terceiro trimestre do ano passado, alcançando quase 24 centavos por libra-peso no início de outubro.

"Nos últimos dois meses, o preço estava muito, muito alto", disse um operador localizado na China, explicando a queda nas importações de outubro. Ele não quis ser identificado, uma vez que não é autorizado a falar com a imprensa.

As importações devem permanecer baixas no próximo mês, com operadores buscando açúcar chinês.

Pequim recentemente vendeu mais de 300 mil toneladas do adoçante de suas reservas nos primeiros leilões do tipo em cinco anos, impulsionando a oferta nos mercados domésticos. (Reuters 24/11/2016)

 

Avião que usa biocombustível de cana e tecnologias sustentáveis é testado

Aeronave de 35 toneladas fez voos teste pela primeira vez no país. Embraer e Boeing apresentaram o modelo E170 em Gavião Peixoto (SP).

A Embraer e a Boeing testaram pela primeira vez no país o 'avião do futuro', em Gavião Peixoto (SP). A aeronave é abastecida com biocombustível feito a partir da cana-de-açúcar e tem ainda outras tecnologias de ponta que melhoram o desempenho do voo e ajudam a diminuir o impacto no meio ambiente.

O modelo E170, batizado de ecodemonstrador, tem 35 toneladas e parece um avião comum, mas é nos detalhes que se encontram as diferenças. As duas fabricantes testaram as novas tecnologias em 15 voos nas últimas semanas.

Biocombustível de cana

Uma das tecnologias que pode diminuir impactos ambientais é o biocombustível, feito a partir da cana-de-açúcar, que ajuda a reduzir em 80% a emissão de gases causadores do efeito estufa em relação ao combustível fóssil.

“O grande desafio é o ganho de escala. Hoje o combustível é tecnicamente viável, mas o custo ainda não é compatível com o custo do combustível fóssil, mas a esperança é que isso aconteça nos próximos dois anos”, disse o coordenador de pesquisa da Boeing, Onofre Andrade.

Pintura especial

Parte do modelo, com capacidade para 70 passageiros, foi pintada com uma tinta especial, que não deixa insetos ficarem no bico.

“Isso economiza no uso de água durante a lavagem da aeronave. Outro aspecto importante é que em climas frios, onde há formação de gelo, a gente pode minimizar o uso de produtos especiais, que não são tão amigáveis com o meio ambiente, na remoção de gelo da aeronave antes de cada voo”, explicou o gerente de desenvolvimento da Embraer, Luiz Nerosky.

Redução de ruídos

A asa, por exemplo, ganhou uma peça de vidro com isopor para diminuir o barulho nos pousos e decolagens. “O barulho será atenuado para a população que vive próxima aos aeroportos, diminuindo a poluição sonora e ajudando a preservar a vida das pessoas que vivem nessas localidades”, explicou Nerosky.

Sistema para medir velocidade e altitude

Uma janela amarela tem um novo sistema para medir a velocidade e a altitude do avião. A tecnologia conta com a ajuda de um laser, que passa por cabos de fibra ótica e atravessa a atmosfera.

Em todos os testes feitos, o avião apresentou bons resultados. “O que você quer de mais moderno, inovador, que as duas empresas vão colocar nos próximos aviões exatamente. É o avião do futuro”, afirmou Andrade. (G1 24/11/2016)

 

Soros volta a comprar ações da Petrobrás

Com fortuna de US$ 25 bi, megainvestidor comprou 1,5 milhão de papéis da estatal, após ter se desfeito de todas as ações que tinha da empresa em 2015.

O megainvestidor George Soros, com fortuna estimada em US$ 25 bilhões, voltou a apostar na Petrobrás e comprou mais de 1,5 milhão de ações da empresa brasileira nos Estados Unidos, mostram documentos oficiais enviados pela gestora do bilionário para a Securities and Exchange Commission (SEC, a reguladora do mercado de capitais dos EUA).

Soros já havia investido em outros momentos na Petrobrás, mas os dados da SEC mostram que, em junho de 2015, ele tinha 636 mil ações e, no trimestre seguinte, se desfez dos papéis, zerando sua posição. Os investidores em Wall Street precisam reportar para a SEC a cada fim de trimestre as posições de cada papel em suas carteiras. O mais recente documento com as movimentações de Soros, divulgado com dados do terceiro trimestre de 2016, mostra que o investidor resolveu esperar um ano para voltar a apostar em Petrobrás.

Além de Soros, outros megainvestidores em Wall Street resolveram aplicar na estatal brasileira por meio de American Depositary Receipts (ADRs), recibos de ações da empresa listados na Bolsa de Nova York. Entre eles, Robert Citrone, com US$ 12 bilhões em ativos, dono da Discovery Capital Management, que reportou ter mais de 27 milhões de papéis da petroleira. Já a DE Shaw, com US$ 40 bilhões sob gestão, tem 3 milhões de ADRs. Jim Simons, que administra mais de US$ 36 bilhões, tem 411,5 mil papéis da estatal.

Mudanças

Analistas afirmam que as mudanças que vêm sendo feitas na empresa, com foco na produção de petróleo, venda de ativos não estratégicos e reforço na governança e controles internos vêm tendo reflexos positivos para a percepção da companhia. Entre as casas dos EUA que melhoraram a avaliação para a Petrobrás nos últimos meses estão o Raymond James e o Citigroup.

O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, fez uma palestra na semana passada em Nova York para mais de 400 pessoas e ressaltou o esforço para tornar a petroleira mais produtiva e rentável, além de dificultar que práticas de corrupção voltem a ocorrer.

O evento atraiu várias gestoras de Wall Street, entre elas, a BlackRock. O diretor do Bradesco, André Prado, disse que a Petrobrás se transformou em um exemplo do que o Brasil precisa fazer para arrumar a economia.

Exceção

A Petrobrás é a única empresa brasileira que Soros tem em sua carteira. O megainvestidor aplica de forma indireta em outras companhias que atuam no País, como a multinacional de bebidas AB InBev. Na América Latina, Soros tem papéis da Pampa Energia e do grupo financeiro Galicia, ambas argentinas. Entre as companhias dos EUA, o bilionário tem vários papéis de empresas de tecnologia e internet, como o Google, Amazon e a Netflix e bancos, como o Bank of America.

Os documentos enviados pelos grandes gestores de Wall Street são monitorados de perto pelos operadores e analistas, em busca de quais papéis os grandes gurus do mercado estão apostando. (O Estado de São Paulo 23/11/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Estabilidade: Os preços futuros do açúcar refinado ficaram praticamente estáveis ontem na bolsa de Londres, num dia de poucos negócios em decorrência do feriado de Ação de Graças nos EUA. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 516,60 a tonelada, recuo de US$ 0,10. De um lado, a commodity tem sido pressionada pela melhora da perspectiva de produção na safra 2017/18, quando o déficit na oferta deverá ser zerado, segundo estimativa do Rabobank. De outro, o açúcar é sustentado pela previsão de aumento no consumo de etanol nos EUA depois de a agência ambiental americana elevar o mandato do biocombustível no país para 3,668 bilhões de litros em 2017. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 95,32 a saca de 50 quilos, com queda de 0,6%.

Café: Entregas robustas: As entregas de café robusta no Vietnã aumentaram após o período de clima úmido no país, o que, somado à recente valorização do dólar, tem pressionado os papéis da commodity na bolsa de Londres. Os contratos com vencimento em janeiro fecharam ontem a US$ 1.995 a tonelada, queda de US$ 12, na bolsa londrina, num dia de poucas negociações devido à pausa nos pregões de Nova York em decorrência do feriado do Dia de Ação de Graças nos EUA. Segundo o banco holandês Rabobank, o Vietnã deve ter uma quebra de 4% na produção da safra 2016/17, bem abaixo das projeções oficiais realizadas no início dessa temporada, que variavam entre 15% e 20%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o conilon ficou em R$ 504,38 a saca, recuo de 3,04%, apesar da menor oferta.

Cacau: Mercado morno: O mercado morno de ontem, somado à melhora das previsões para a safra 2016/17 no oeste da África, pressionou as cotações do cacau na bolsa de Londres. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1.995 a tonelada, recuo de US$ 12. Segundo estimativa do Rabobank, a oferta na safra 2016/17 deve registrar um superávit de 218 mil toneladas. Já em 2017/18, o volume ofertado deve ficar 167 mil toneladas acima da demanda. O oeste da africano concentra dois terços da produção mundial e tem recebido chuvas regulares na atual temporada após uma seca severa levar a oferta mundial para um déficit de 212 mil toneladas. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou estável em R$ 133 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Trigo: Colheita avança no PR: O avanço da colheita da safra 2015/16 de trigo no Paraná pressiona os preços do cereal no mercado interno brasileiro. Segundo o Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Estado (Deral), 97% da área plantada no Estado havia sido colhida no último dia 21, com 99% das lavouras avaliadas como em bom estado. Segundo o órgão, os relatos são de uma produtividade média de 3,1 toneladas por hectare, chegando a até 4 toneladas por hectare em algumas regiões. Com isso, a estimativa é de uma produção de 3,4 milhões de toneladas no Estado. Desde o fim de agosto, quando estavam em R$ 44 a saca de 60 quilos, os preços já recuaram 20%, segundo o Deral. Conforme o Deral, o preço médio pago ao produtor paranaense ontem foi de R$ 624,51 a tonelada, recuo de 0,34%. (Valor Econômico 25/11/2016)