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Biotecnologia conquista novos nichos de mercado

Empresas de biotecnologia vão encerrar o ano com conquistas em novos nichos de mercado. Com menos de um ano de operação, a Tismoo, que pesquisa transtornos neurológicos de origem genética como o autismo, teve um estudo publicado na "Nature", a revista científica mais respeitada do mundo, e está abrindo uma filial nos Estados Unidos. A Bug, de controle biológico, desenvolveu um método que usa vespas para combater pragas nas lavouras e deve duplicar a produção em 2017. Já a R3, que produz um composto que elimina as larvas do mosquito Aedes aegypti, foi uma das vencedoras do concurso Acelera Startup, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na Tismoo, a ideia é recriar em laboratório as etapas do desenvolvimento neural a partir das células dos pacientes. "Investigamos como uma mutação causa um quadro clínico e buscamos formas para reverter esse processo", explica o diretor de estratégia Gian Franco Rocchiccioli. Para ele, a grande vantagem da iniciativa é abrir possibilidades para o teste de drogas, sem a necessidade de usar pessoas como cobaias. Somente com as células é possível analisar tipos de medicamentos para definir um tratamento mais adequado, diz.

A empresa surgiu por iniciativa de um grupo de cientistas e médicos brasileiros. Fazem parte da equipe um biólogo molecular, um neurologista pediátrico e um cientista da computação com especialização em genética. Além da medicina de precisão genômica, o objetivo do grupo é usar tecnologias baseadas em big data. O recurso vai fornecer subsídios para que os especialistas tomem as melhores decisões para os pacientes.

Até agora, o negócio recebeu cerca de R$ 3 milhões de investimentos dos fundadores e laçou clientes no Brasil, Paraguai e Portugal. Para ajudar a divulgar ainda mais seus serviços fora do país, pesquisa sobre o vírus da zika ganhou espaço na revista "Nature". Segundo a publicação, a startup brasileira ajudou a demonstrar a relação do vírus com a má formação do córtex em bebês infectados.

Para 2016, a previsão de faturamento é de R$ 1 milhão. No próximo ano, deve aplicar R$ 2 milhões em pessoal e pesquisa, além de uma filial americana. "Queremos viabilizar um estudo sobre as características da genética brasileira do autismo, com uma amostragem de mil genomas.

Na Bug, sediada em Piracicaba (SP), o interesse é ganhar mais clientes no setor de agricultura. A companhia desenvolveu um método para multiplicar um tipo de vespa, que mede menos de um milímetro e ataca pragas agrícolas. O sócio Alexandre de Sene Pinto afirma que a produção atual é capaz de cobrir cinco mil hectares ao dia. "A idéia é dobrar essa capacidade para a safra 2017-2018", diz o engenheiro agrônomo, especializado em entomologia (ramo da zoologia que estuda os insetos).

A partir de 2005, a Bug ganhou a atenção do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A ação apóia a execução de pesquisas científicas e tecnológicas. Hoje, a companhia atende mais de 110 usinas de cana-de-açúcar e cresce 30% ao ano. Em 2016, investiu R$ 3,5 milhões em infraestrutura e no aumento do portfólio, com a chegada de uma vespa que controla ovos de percevejos. No próximo ano, pretende trabalhar com insetos que acabam com pragas em plantações de soja e milho. "O nosso maior desafio é quebrar a cultura do uso de inseticidas pelo agricultor brasileiro."

Rodrigo Perez, diretor da BR3, afirma que estar em uma incubadora e realizar atividades de qualificação foram determinantes para colocar a companhia numa trajetória ascendente. A empresa, associada à incubadora paulista Cietec, produz um inseticida biológico, em forma de comprimido, para ser colocado na água.

Desenvolvido a partir de pesquisas de cientistas ligados à Fiocruz, mata as larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Custa R$ 2 por ponto tratado ao mês e é eficaz por 60 dias. A produção mensal é de 500 mil unidades. "Em dois anos, vamos multiplicar em dez vezes o volume produzido, com uma nova planta em Taubaté (SP)." A meta é fechar 2016 com R$ 5 milhões de faturamento. (Valor Econômico 30/11/2016)

 

Produtor trava luta constante pela produtividade

"Eu nunca estou contente com a produtividade que tenho. Quero sempre mais."

Foi a constante inquietação que levou o produtor Elci Dalgalo, há 39 anos na atividade, a buscar novos caminhos.

Produtor do oeste do Paraná, Dalgalo conseguiu até 464 sacas de milho safrinha por alqueire (193 por hectare) em algumas partes da propriedade.

O feito se deve a uma soma de esforços que vão da conservação do solo há pelo menos duas década à busca de parceiras que trouxessem novas oportunidades de manejo.

A utilização de calcário e de gesso já é uma constante pelo produtor, quando se trata de correção de solo.

Para elevar ainda mais a produtividade, adapta o plantio ao melhor momento, antecipando o de soja para dar uma "janela" melhor paro o de milho. Além disso, faz um controle preventivo de pragas.

Isso ajuda. Mas o produtor busca ainda, por meio de novas parcerias, mais assistência técnica e conhecimento.

Essas parcerias vêm de cooperativas da região e de empresas voltadas para o fornecimento de insumos.

O objetivo de Dalgalo casou com uma iniciativa de Syngenta de busca de maior produtividade em milho, soja e trigo no país.

João Paulo Zampieri, diretor da unidade de negócios Sul da empresa, diz que é necessária uma elevação de produtividade no país, que ainda é baixa em relação a outros concorrentes.

A elevação da produtividade passa, no entanto, por um programa de convencimento do produtor. Conforme essas parcerias vão apontando o aumento de produtividade, mais produtores aderem.

No momento em que produtores como Dalgalo vão melhorando a produtividade, e esses números ficam evidentes, outros veem que é possível a elevação da produção, segundo ele.

A empresa acredita que esse é um trabalho estratégico, que coloca todas as pontas da cadeia em sintonia.

"As tecnologias têm de conversar", afirma Robison Cezar Serafim, diretor de marketing.

A empresa tem a tecnologia –de sementes a insumos agroquímicos–, além de serviços e conhecimentos do setor.

Essa gama de produtos e serviços da empresa, somados aos das cooperativas e de outras empresas do setor, vai dar nova formas e meios de gestão da produção. O resultado é uma elevação da produtividade.

É um jogo de ganha e ganha. A Syngenta vende mais; os produtores elevam a produção e as receitas, enquanto as cooperativas vendem mais produtos e recebem mais grãos em seus armazéns.

Dalgalo planta 400 alqueires de milho na safrinha, e 140 destes estão dentro dessa parceria.

A adoção de um programa desse de aumento de produtividade eleva custos, admite Zampieri, mas também traz lucros.

As despesas sobem, em média, 5 sacas por hectare. A produtividade cresce, no entanto, 22 sacas nessa mesma área.

A produtividade média do produtor do oeste do Paraná nos 140 alqueires que atua em parcerias foi de 158 sacas por hectare. Já a média da área total foi de 135 sacas.

Zampieri diz que a média de produção no Paraná é de 90 sacas por hectare. Na área das cooperativas, a média sobe para 110, enquanto os líderes de produção nessa parceria conseguiram 150 sacas.

Ritmo menor

A colheita de cana-de-açúcar perde força. Pelo menos 165 usinas já interromperam a atividade até o final deste mês.

Cana

A moagem atingiu 561 milhões de toneladas de abril até o início da segunda quinzena deste mês. E, nesse ritmo, poderá ficar abaixo dos 605 milhões previstos para a safra toda.

Mais açúcar

Os dados acumulados desta safra somam 33,6 milhões de toneladas de açúcar, 17% mais do que em igual período anterior.

Etanol

As usinas colocaram 23,6 bilhões de litros no mercado desde abril, início da safra. Esse volume é 5% inferior ao de igual período de 2015.

Perda maior

A redução maior de produção fica para o etanol hidratado, que teve queda de 11% nesta safra. Já o volume de anidro superou em 6% o do ano passado. (Folha de São Paulo 30/11/2016)

 

Toyota investirá mais R$ 600 milhões para nacionalizar motores

O presidente da Toyota para América Latina, Steve St. Angelo, anunciou, durante reunião com o presidente Michel Temer, um investimento adicional de R$ 600 milhões para nacionalização de motores para o modelo Corolla vendido no país e exportado para a América Latina.

O investimento será aplicado na unidade de Porto Feliz, em São Paulo, gerando 200 oportunidades de empregos diretos. O investimento estará concluído no segundo semestre de 2019.

“Hoje foi o anúncio de uma grande cooperação, que envolve sindicatos, fábricas e concessionários”, disse Steve St. Angelo.

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, também acompanhou o encontro, em que também foi debatida a tecnologia envolvendo os chamados veículos híbridos, uma aposta da montadora para o Brasil em função da possibilidade de uso do etanol. (Valor Econômico 29/11/2016 às 13h: 43m)

 

Montadoras financiarão postos de carregamento para apoiar carros elétricos

Quatro das maiores montadoras do mundo concordaram em investir em milhares de locais de carregamento rápido de baterias de carros elétricos na Europa para impulsionar a aceitação dos veículos, informaram as empresas nesta terça-feira.

Estimuladas pelo sucesso da Tesla, que recebeu grandes pré-encomendas para o seu carro Model 3, as rivais alemãs Volkswagen, Mercedes, da Daimler, BMW e a divisão europeia da Ford formaram uma joint venture para desenvolver 400 estações de carregamento.

Superar a ansiedade de alcance e o medo de ficar sem energia antes de chegar a uma estação de carregamento é a chave para a aceitação generalizada do consumidor a veículos elétricos, que até agora têm preenchido apenas um nicho de mercado.

Não foram divulgados dados sobre o investimento total.

Um memorando de entendimento para a joint venture foi acertado na semana passada.

Reguladores do governo também têm avançado em projetos de infraestrutura de veículos elétricos.

Nos Estados Unidos, resta ver como a administração de Donald Trump vai abraçar tais projetos. Uma semana antes da eleição presidencial, a Casa Branca anunciou esforços para estimular a infraestrutura de carregamento de veículos elétricos.

Após o governo alemão aceitar ajudar a indústria automotiva com subsídios a carro elétrico, a pressão tem aumentado para que montadoras da Alemanha acelerem o desenvolvimento e implantação de infraestrutura de carro elétrico.

O ministro alemão de Economia, Sigmar Gabriel, potencial concorrente de Angela Merkel em 2017, pediu que a Alemanha se torne líder em tecnologia de veículos elétricos.

Pontos de carga escassos, bem como preços mais altos para carros elétricos, têm sufocado a demanda do mercado de massa apesar de incentivos de vendas que muitas vezes incluem assistência do governo. (Reuters 29/11/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Aversão a risco: Uma forte aversão a risco tomou conta do mercado ontem diante da desvalorização do petróleo. Esse quadro levou a mais um movimento de alta do dólar ante as principais divisas do mundo, entre elas o real, o que pressionou os contratos futuros do café. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,5305 a libra­peso, recuo de 360 pontos. O dólar mais forte tende a incentivar as exportações brasileiras, elevando a oferta no mercado internacional. Soma­se a esse cenário a perspectiva de clima mais favorável às lavouras brasileiras da safra 2017/18, o que tem diminuído a preocupação de alguns agentes de mercado. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 539,71 a saca de 60 quilos, com recuo de 1,72%.

Cacau: Dúvidas com safra: As estimativas para a safra 2016/17 de cacau no oeste da África foram postas em dúvidas após as entregas da amêndoa em portos da Costa do Marfim terem ficado em atraso em relação à safra passada. Com isso, ontem os contratos de cacau com vencimento em março fecharam a US$ 2.415 a tonelada, avanço de US$ 13. Até outubro, as entregas do país estavam 17% abaixo do observado na safra 2015/16. "O mercado tem falado mais sobre esse atraso nas entregas, com volumes abaixo do esperado. Há relatos de que a produção poderia estar superestimada", destacou Jack Scoville, da Price Futures Group. No mercado interno, preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou estável em R$ 132 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Demanda instável: A fraca demanda chinesa por algodão este ano ­ somada à aversão a risco que tomou conta do mercado ontem ­ pressionou os contratos futuros do algodão na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a 71,3 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 72 pontos. A China é o maior importador mundial da pluma e, de acordo com o serviço alfandegário local, adquiriu 41,3 mil toneladas da pluma no mercado internacional em outubro, 1,6% abaixo do registrado em igual período do ano passado. No acumulado de 2016, a queda é de 42%, com 698,18 mil toneladas importadas. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 83,55 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Consumo chinês: O menor consumo chinês em outubro também foi fator de pressão para as cotações da soja ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 10,51 o bushel, recuo de 13,5 centavos. De acordo com o serviço alfandegário da China, o país importou 5,2 milhões de toneladas de soja em outubro, volume 5,74% abaixo do registrado há um ano. A demanda internacional tem sido chave para as cotações em Chicago devido à perspectiva de safra recorde na atual temporada. Segundo o Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês), o mundo deve colher 336 milhões de toneladas do grão em 2016/17. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 79,94 a saca de 60 quilos, recuo de 0,22%.