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BNDES criará fundo de energia sustentável para investir em infraestrutura

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta quarta-feira a criação de um fundo que terá como objetivo investir em debêntures de infraestrutura emitidas por projetos de energia renovável.

Em nota, o banco de fomento disse que seu braço de investimentos em participações, o BNDESPar, terá fatia máxima de 50 por cento como cotista no fundo, que terá patrimônio de 500 milhões de reais e prazo de 15 anos.

O Fundo de Energia Sustentável deverá buscar outros investidores e atuar por meio da compra de debêntures relacionadas a projetos "verdes" em ofertas primárias e no mercado secundário.

"Além de criar um novo veículo de financiamento a projetos de infraestrutura, com possibilidade de ser replicado pelo mercado, o BNDES espera, com essa iniciativa, incentivar a criação de um mercado de títulos verdes no Brasil, aumentar a base de investidores em infraestrutura e incrementar a liquidez de títulos de infraestrutura", afirmou o banco.

Os títulos a serem adquiridos pelo fundo deverão ser de projetos de investimento em energia financiados prioritariamente pelo BNDES, tendo as garantias reais compartilhadas com o banco. Investidores pessoa física terão isenção de imposto de renda incidente sobre os rendimentos.

O banco disse que estima que 3,8 bilhões de reais em debêntures de infraestrutura deverão ser emitidas nos próximos 18 meses, dos quais 1,7 bilhão devem ser para projetos de energia eólica.

"O processo de seleção do gestor do Fundo de Energia Sustentável deverá ser concluído até o fim de março do ano que vem. Após a estruturação e captação dos investidores, o fundo deverá estar operacional até julho", previu o BNDES. (Reuters 01/12/2016)

 

Cosan Biomassa pede ao governo ação no Japão em favor da biomassa brasileira

Executivos da empresa Sumitomo, dona de 20% da Cosan Biomassa, pediram nesta quinta-feira, 1, ao ministro interino do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, que o governo brasileiro faça gestão junto ao governo japonês para facilitar a exportação de pellets produzidos a partir de resíduos da cana.

Segundo o ministério, em nota, o Japão, um dos maiores mercados para os pellets, incentiva a importação de biomassa, mas esse tipo de produto tem ingressado no país como resíduo. Para tornar o comércio mais favorável é preciso que seja mudada a classificação do produto no país, explicou o ministério.

Ainda conforme a pasta, a Cosan, sócia da Sumitomo, utiliza o bagaço e a palha da cana-de-açúcar como matéria-prima. A estimativa é de que o Japão deverá importar entre dez e vinte milhões de toneladas de biomassa peletizada até 2030.

A Cosan Biomassa possui uma planta de produção na região de Jaú (SP) e produz 175 mil toneladas de pellets por ano, mas tem como objetivo expandir a produção para 2 milhões de toneladas, até 2025, e para 8 milhões de toneladas no futuro. (Agência Estado 02/12/2016)

 

Morte de Fidel pode abrir espaço para produção de biocombustíveis em Cuba

A morte do líder revolucionário de Cuba Fidel Casto (Na foto colhendo cana-de-açúcar), um grande crítico de biocombustíveis como o etanol, aumentou as esperanças entre especialistas do setor de que parte das grandes áreas agrícolas sem cultivo no país possam em breve ser utilizadas para reduzir sua dependência de combustíveis importados.

Fidel classificava o uso de produtos agrícolas para produzir etanol como "uma ideia sinistra" que resultaria em um número ainda maior de seres humanos morrendo "de sede e de fome".

A palavras de Fidel estabeleceram um limite para a política energética de Cuba que nunca foi ultrapassado, apesar da modernização levada adiante por seu irmão Raul, que assumiu a presidência provisoriamente em função do estado de saúde de Fidel em 2006 e em definitivo em 2008.

Cuba atualmente produz 96 por cento de sua energia com combustíveis fósseis, sendo 60 por cento importados. Mas o plano de desenvolvimento do país determina que 24 por cento da energia do país seja produzida com fontes como sol, vento e biocombustíveis até 2030, em parceria com investidores estrangeiros.

"Eu espero que os cubanos vejam que este é um novo dia e uma oportunidade. Que eles continuem a prestar homenagem ao antigo líder, mas é hora de seguir em frente", disse o especialista em política energética e em Cuba Jonathan Benjamin-Alvara, da Universidade de Nebraska.

Ele já prestou consultoria a empresas de energia dos EUA interessadas em Cuba, após o processo de abertura iniciado pelo presidente Barack Obama, incluindo Give Global Energy, que opera projetos de energias alternativas ao redor do planeta.

"Alimentos versus energia é uma história antiga", que ainda precisa ser superada, disse o presidente da Give Global Energy, Frank Corsini. Segundo ele, todos os países terão um dia que dedicar uma parte de suas terras para algum tipo de produção de energia.

Um pacote de oportunidades de investimento do governo de Cuba diz que o país quer construir 19 unidades de bioeletricidade anexas a usinas de cana para gerar cerca de 750 megawatts.

As unidades deverão operar 200 dias por ano com biomassa da cana e biomassa florestal.

ETANOL CUBANO? "FAZ SENTIDO"

Cuba enfrenta outros obstáculos além da delicada questão de quanto esperar após a morte de Fidel antes de começar a produzir etanol.

O embargo comercial dos Estados Unidos ainda vigora e o presidente eleito Donald Trump tem ameaçado reverter a aproximação realizada por Obama. Além disso, o setor de etanol tem enfrentado tempos difíceis.

No Brasil, importante produtor de etanol e um dos principais parceiros comerciais de Cuba, empresas estão tentando se recuperar de baixos preços do açúcar e do biocombustível entre 2010 e 2015, usando a recente recuperação nas cotações para cortar dívidas e melhorar investimentos.

"A produção de etanol faria todo sentido para Cuba, já que o país é um importador líquido de energia", disse o presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, "Eles têm condições favoráveis para cultivar mais cana."

O diretor da Havana Energy, uma empresa britânica com apoio financeiro chinês que está construindo a primeiro usina de biomassa em uma usina de cana em Cuba, Andrew Macdonald, disse que é "lógico" que o governo irá eventualmente tornar-se mais flexível. (Reuters 01/12/2016)

 

Odebrecht faz acordo de leniência com Lava Jato e paga multa de R$6,7 bi

O grupo Odebrecht assinou nesta quinta-feira acordo de leniência com os procuradores da operação Lava Jato e aceitou pagar multa de 6,7 bilhões de reais, disse à Reuters uma fonte ligada ao Ministério Público.

Segundo a fonte, que falou sob condição de anonimato, o acordo abre caminho para a assinatura de acordos de delação premiada com 77 executivos e funcionários da Odebrecht, entre eles o ex-presidente do grupo Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba e já condenado a 19 anos e 4 meses de prisão em ação penal da Lava Jato.

O conglomerado divulgou comunicado nesta quinta-feira pedindo desculpas por erros cometidos, mas o texto não menciona o acordo de leniência ou cita a Lava Jato. No texto, a companhia afirma que "participou de práticas impróprias em sua atividade empresarial (...) definitivamente, não precisávamos ter cometido esses desvios".

De acordo com a fonte, o acordo prevê pena de 10 anos para Marcelo Odebrecht, sendo que ele deverá ficar no regime fechado até o final de 2017.

A fonte disse ainda que o valor da multa será pago pela empreiteira ao longo de 20 anos. O valor da multa será dividido entre Brasil, Estados Unidos e Suíça, segundo a fonte, acrescentando que a maior parte dos recursos ficará no Brasil.

Com o acordo de leniência, a Odebrecht garante que seguirá apta a contratar com o setor público.

A delação da Odebrecht, maior empreiteira da América Latina, tem sido apontada como uma das mais aguardadas da Lava Jato e a que tem maior potencial de provocar abalos ainda maiores no cenário político.

Nas investigações da operação Lava Jato, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal encontraram uma planilha que, afirmam, indica pagamentos feitos pela empreiteira a políticos de vários partidos. Não ficou claro à época se os dados da planilha se referiam a repasses de propina, a doações legais para campanhas eleitorais ou a doações não contabilizadas, o chamado caixa dois.

Como na delação da empreiteira e de seus executivos e funcionários devem ser citados políticos com mandato, os acordos terão de ser analisados pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da Lava Jato na corte.

Caberá a Teori decidir se valida esses acordos e permite que as delações sejam usadas no processo ou se os rejeita e os declara nulos. (Reuters 01/12/2016)

 

Desestímulo a biocombustíveis na UE

Uma polêmica proposta da União Europeia (UE), de cortar quase pela metade sua meta de uso de biocombustíveis convencionais para o período 2012­2030, traz riscos mas também oportunidades ao Brasil, avalia a representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em Bruxelas, Géraldine Kutas.

Pela proposta europeia, apresentada na última terça­feira, a participação do biocombustível de primeira geração declinará de 7%, em 2021, para 3,8% em 2030, dentro da meta do bloco de atingir 27% de energia renovável no consumo final de energia no mercado comunitário.

A UE argumenta ter proposto essa modificação para "minimizar a mudança indireta do uso da terra" com o biocombustível feito a partir de cana­de­açúcar e grãos, deixando essas commodities para o consumo humano.

Produtores de biocombustíveis europeus reagiram furiosamente, já que se consideram traídos pela UE. Alegam que investiram 17 bilhões de euros em capacidade de produção. Etanol e biodiesel da primeira geração são considerados uma alternativa de receita, especialmente importante atualmente, diante do excedente na oferta de cereais.

De acordo com Geraldine Kutas, o Brasil sofreria impacto negativo se o texto fosse aprovado na forma atual. Mas ela acredita que não será o caso. A produção brasileira é quase inteiramente de etanol de primeira geração. Há apenas duas usinas de etanol de segunda geração, com produção ainda muito pequena.

A expectativa brasileira é de que a participação mínima de 3,8% para o etanol de primeira geração seja alterada nas intensas discussões que vão ocorrer, antes de aprovação no Parlamento Europeu e pelos Estados-membros. Um texto final não estará definido antes de um a dois anos.

Além disso, a proposta europeia traz oportunidades para o Brasil, avalia Geraldine. Primeiramente, junto com a retração do biocombustível convencional, a UE prevê um mínimo de 3,8% de produtos de segunda geração, a partir de lixo, algas e outras fontes que não representem uma interferência na agricultura, entre 2012 e 2030. E, nesse período, a expectativa é de que a produção brasileira desse segmento seja mais significativa.

A União Europeia prevê ainda um contingente de 3,2% para uso de produtos alternativos, incluindo carro elétrico, óleo de fritura, gordura animal e também etanol de melaço (resíduo da produção de açúcar) para o setor de transportes.

No Brasil, 10% da produção é de etanol de melaço, e essa pode ser também uma boa saída para os produtores brasileiros, acredita a representante da Única.

Atualmente, o Brasil exporta pouco etanol para a UE. Mas faz uma vínculo entre a nova proposta europeia de energia limpa e a negociação entre o Mercosul e a UE, pelo qual espera garantir um bom acesso para a produção brasileira de etanol. "A gente vê as duas coisas casadas, e esperamos ter boas oportunidades de toda maneira", afirmou Kutas.

Para organizações agrícolas europeias, o biocombustível de primeira geração e o avançado são parte da solução para garantir a existência de um setor de transportes mais respeitoso em relação ao ambiente. (Valor Econômico 02/12/2016)

 

Petróleo Brent atinge máxima de 16 meses após acordo da Opep

Os preços do petróleo subiram 4 por cento nesta quinta-feira, com o Brent tocando uma máxima de 16 meses, ampliando ganhos após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia fecharem acordo para restringir a produção e reduzir a oferta global com maior rapidez.

Na quarta-feira, a Opep fechou seu primeiro acordo interno de limitação de bombeamento desde 2008, com seu membro mais importante, a Arábia Saudita, aceitando "um grande impacto" e abrindo mão de exigir que o rival Irã também corte produção.

O acordo também incluiu a primeira ação coordenada com a Rússia em 15 anos.

Ainda assim, dúvidas pairavam sobre o mercado a respeito do acordo.

"Ainda precisamos ver qual será adesão ao plano, mas se a Opep não tivesse chegado a um acordo, provavelmente os preços do petróleo teriam caído para 40 dólares por barril, talvez até menos", disse o analista-chefe da consultoria Wood Mackenzie, Simon Flowers.

O Brent fechou com alta de 4,1 por cento, ou 2,10 dólares, a 53,94 dólares. Mais cedo na sessão a cotação chegou a subir 5,2 por cento, para 54,53 dólares, maior valor desde 27 de julho de 2015.

O petróleo norte-americano fechou a sessão a 51,06 dólares, com alta de 1,62 dólar, ou 3,3 por cento. Na máxima do dia, a 51,80 dólares, estava apenas 0,13 dólar abaixo da máxima de 2016. (Reuters 01/12/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Novas liquidações: As liquidações de posições de fundos voltaram a pressionar as cotações do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York em meio à forte alta do dólar ante o real. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 18,89 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 38 pontos. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), o saldo líquido comprado dos gestores de recursos era de 176.851 contratos no último dia 22, 18,8% abaixo do observado no dia 15 e o menor patamar desde 3 de maio. Um novo relatório será divulgado hoje, referente ao dia 29, quando a commodity registrou desvalorização de 1,4%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 93,93 a saca de 50 quilos, baixa de 0,59%.

Café: Pressão cambial: A instabilidade política no Brasil e o fluxo cambial negativo em meio às remessas de lucros e dividendos levaram o dólar a registrar forte alta ontem em relação ao real, pressionando as cotações do café arábica na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,449 a libra-peso, recuo de 570 pontos. A commodity é pressionada ainda pela melhora das perspectivas para a safra 2016/17. Segundo a trading Marex Spectron, a safra global 2016/17 deve registrar um superávit de 300 mil sacas, refletindo um excedente de 5,8 milhões de sacas de arábica ante um déficit de 5,6 milhões de sacas de robusta. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 526,27 a saca de 60 quilos, baixa de 1,71%.

Soja: Demanda mais fraca: O arrefecimento na demanda mundial pela soja americana pressionou os contratos futuros da oleaginosa ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 10,39 o bushel, recuo de 2,25 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos fecharam contratos para a venda de 1,39 milhão de toneladas de soja da safra 2016/17 na semana encerrada no último dia 24. O volume é 26% inferior ao observado na semana anterior e 14% abaixo da média das últimas quatro semanas e contrasta com uma safra recorde estimada em 118,69 milhões de toneladas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 79,77 a saca de 60 quilos, baixa de 0,28%.

Milho: Vendas mais fracas: Os contratos futuros do milho reagiram ontem à menor demanda internacional pelo produto americano. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 3,425 o bushel, recuo de 7,25 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), foram fechados contratos para a venda de 761,6 mil toneladas do grão na safra 2016/17 durante a semana encerrada no último dia 24. O volume é 55% inferior ao observado na semana anterior e 50% menor que a média das últimas quatro semanas. As perdas contrastam com a perspectiva de aumento no consumo americano de etanol de milho após a alta no preço do barril de petróleo. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou ontem em R$ 36,54 a saca de 60 quilos, alta de 0,14%.m(Valor Econômico 02/12/2016)