Macroeconomia e mercado

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Odebrecht Agroindustrial recebe prêmio global na sede da ONU

A Odebrecht Agroindustrial recebeu na última sexta-feira (2), na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o "Global Award for Good Practices in the Employment of Persons with Disabilities". O reconhecimento global foi concedido por indicação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), do Governo do Estado de São Paulo, pelo projeto "Acreditar na Diversidade", desenvolvido pelo Programa Energia Social da empresa.

Por meio desta iniciativa, a Odebrecht Agroindustrial formou durante o ano de 2016, em seu Polo São Paulo, com unidades em Teodoro Sampaio e Mirante do Paranapanema (SP), uma turma de 17 alunos no curso de Assistente Administrativo, em parceria com o SENAI.

O objetivo é aumentar as chances de inserção no mercado de trabalho, com cursos que ensinem a rotina das áreas administrativas das empresas, de acordo com as normas técnicas, ambientais, de qualidade, segurança e saúde. As aulas contemplam também planejamento financeiro e inclusão no mundo digital.

"Para nós, é motivo de muita satisfação ter este projeto reconhecido globalmente. Ao disponibilizarmos ferramentas para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas com deficiência (PCDs), contribuímos para o aumento da autonomia e autoconfiança dos PCDs", afirma Luiz de Mendonça, presidente da Odebrecht Agroindustrial, que representou a empresa na cerimônia. O projeto "Acreditar na Diversidade" será replicado em todos os demais Polos Agroindustriais da empresa, nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A entrega do prêmio ocorreu na ONU em comemoração ao 10º aniversário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. O evento contou com a presença do embaixador brasileiro na ONU, Mauro Vieira, da secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, Linamara Rizzo Battistella, e da secretária da Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, Akiko Ito, entre outras autoridades.

Sobre o Programa Energia Social

O Programa Energia Social para Sustentabilidade Local contempla um conjunto de ações e investimentos que estão sendo realizados junto às comunidades onde a Odebrecht Agroindustrial está inserida, visando o desenvolvimento sustentado e a melhoria da qualidade de vida nas localidades de atuação da Empresa. O Programa tem como prioridade atuar nas áreas de Educação, Cultura, Atividades Produtivas, Saúde, Segurança e Preservação Ambiental. O diferencial do Programa é o processo participativo na definição dos investimentos da empresa nos municípios, envolvendo sempre o governo e a comunidade local, por meio da criação de comissões temáticas e do conselho comunitário. Implantado em nove municípios, em quatro Estados, mais de 140 mil pessoas já foram beneficiadas pelas ações e projetos promovidos pelo Programa.

Sobre a Odebrecht Agroindustrial

A Odebrecht Agroindustrial atua de forma integrada na produção de etanol, açúcar e energia elétrica. Com investimento de mais de R$ 10 bilhões, a empresa tem capacidade de produzir 3 bilhões de litros de etanol, 700 mil toneladas de açúcar e 3,1 mil Gwh/ano de energia elétrica a partir da cana-de-açúcar. Consolida seis polos produtivos, localizados nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. (Brasil Agro  05/1220/16)

 

Nos próximos dez anos, ritmo de crescimento do agronegócio brasileiro será maior do que no resto do mundo

O desempenho do agronegócio brasileiro no período de 2016 a 2026 será melhor do que a média mundial para produtos como soja, milho, açúcar e carnes (bovina, suína e frango), aumentando a participação do País no mercado global. Apesar disso, não repetirá para os próximos dez anos a robusta taxa de crescimento apresentada na última década em relação à produção e às exportações das principais culturas.

A conclusão é do “Outlook Fiesp 2026 – Projeções para o Agronegócio Brasileiro”, levantamento elaborado pelo Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, que reúne diagnósticos e projeções do setor para a próxima década, em termos de produção, produtividade, consumo doméstico e exportações.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, ressalta que “há muitos e grandes desafios de curto prazo, especialmente da situação econômica do País, que afetam diretamente o desempenho do agronegócio, mas também há muitas oportunidades”. Skaf lembra que atualmente, 60% das exportações do setor passam por algum tipo de industrialização. “Precisamos abrir novos mercados, como o asiático, para aumentar essa proporção. Se o governo fizer o que precisa ser feito em termos de política comercial, alcançaremos números ainda mais significativos.”

De acordo com o Outlook Fiesp 2026, a participação de mercado do Brasil nas exportações mundiais de soja, por exemplo, chegará a 49% em 2026, com crescimento anual de 4,6%, acima dos 2,7%, em média, dos demais produtores.

A projeção para o milho brasileiro, que passou a ser disputado no mercado internacional pela sua qualidade, é de crescimento anual de 8,8%, com a participação nas exportações mundiais indo a 23% ao final do período projetado. Para a safra 2025/2026, estima-se aumento de 21% no consumo interno, puxado pelo setor de proteínas animais.

No caso do açúcar, o país, que já é o grande supridor mundial, em dez anos será responsável por metade do que é comercializado internacionalmente, segundo as projeções da Fiesp, com taxa de crescimento de 2,2% ao ano. Vale destacar que 2016 foi um ano importante de recuperação para o setor, impulsionado pela forte alta do preço do açúcar, em razão do desequilíbrio ocorrido no quadro de suprimento global.

Pela mesma razão, os preços da laranja deram um fôlego a produtores e indústrias, assim como o do café, mesmo com a valorização do real que, de forma atípica, acabou contribuindo para o desempenho dessas três culturas, ao melhorar os custos na lavoura e ao oferecer certo alívio para as indústrias com dívidas em dólar. Dessa forma, iniciarão o próximo ano em situação mais favorável.

Segundo o gerente do Deagro, Antonio Carlos Costa, 2017 também pode marcar o início da recuperação para as carnes, como a de frango e suína, que enfrentaram uma “tempestade perfeita” em 2016, com aumentos históricos dos custos de produção, somados ao consumo estagnado por conta da redução do poder de compra da população. Como resultado, os integradores registraram margens negativas nos primeiros seis meses do ano para aves e, no caso de suínos, o cenário continua negativo. Os prejuízos acumulados neste elo da cadeia produtiva devem chegar a R$ 4 bi até o final do ano, segundo cálculos da Fiesp. A carne bovina, cuja demanda doméstica foi fortemente afetada pela crise econômica, registra neste ano o pior consumo per capita em 15 anos.

Mesmo com uma recuperação da economia em ritmo menor do que o esperado, esses segmentos devem ser os um dos primeiros a se beneficiar com uma melhora da conjuntura macroeconômica. O milho também deve contribuir para que o próximo ano seja melhor, com os preços voltando à paridade de exportação a partir da recuperação esperada para a segunda safra.

O cenário projetado para a carne bovina aponta para um crescimento anual das exportações de 4,5%, com sua fatia do mercado internacional se elevando para 18% na próxima década, marcando uma melhora em relação ao desempenho registrado entre 2005-2015 (0,3% e 15% para crescimento e fatia do mercado mundial, respectivamente). No entanto, a abertura recíproca entre Brasil e EUA para o produto sinaliza, no médio prazo, a possibilidade de acesso a novos mercados, mais exigentes e que remuneram melhor o produto brasileiro, o que poderá resultar em números ainda mais positivos.

A projeção para os próximos dez anos para a carne suína também é favorável, com crescimento anual das exportações de 3,0%, contra retração de 1,2% ao ano na década anterior, e participação no mercado internacional de 10%. A carne de frango manterá sua expressiva fatia do mercado global, com 41% do total comercializado.

Riscos

O gerente do Deagro explica que o agronegócio já mostrou que não está blindado do que ocorre na economia brasileira, já que a queda na renda e na confiança do consumidor atingem o consumo de alimentos mais elaborados, e a situação fiscal do País lança um enorme desafio para a política agrícola brasileira, especialmente para o crédito e o seguro rural, instrumentos fundamentais para assegurar o desempenho futuro. O primeiro impacta diretamente os investimentos, com consequências para a produtividade das lavouras. Além disso, o ponto de equilíbrio do câmbio e o possível surgimento de uma onda protecionista jogam elementos adicionais de preocupação no curto prazo. “Para o país que detém o maior superávit comercial do agronegócio do mundo, movimentos protecionistas são ruins por princípio. No entanto, temos que estar atentos a oportunidades, mesmo com este horizonte, como uma maior aproximação com a Ásia, por exemplo”. (FIESP 05/12/2016)

 

Efeito Trump e ‘novo’ Canal do Panamá são oportunidades para o Brasil

Nesta segunda-feira (5), em Barreiras, no Oeste da Bahia, aconteceu o segundo seminário da Expedição Safra 2016/17. Com o tema ‘Safra cheia desafia mercado e retomada da produção no Brasil’, o evento reuniu produtores, analistas de mercado e técnicos. É a primeira vez, nos 11 anos de história do projeto, que a Expedição Safra faz um seminário na cidade.

Durante a apresentação, o coordenador do Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo, Giovani Ferreira, falou sobre os desafios do agronegócio para os próximos anos. Entre as oportunidades para o Brasil, Ferreira citou o efeito Trump e a ampliação do Canal do Panamá. “O discurso protecionista do novo presidente americano, Donald Trump, de derrubar acordos comerciais logo que assumir, pode abrir portas para o mercado sul-americano, principalmente para o Brasil, abrindo novos mercados e aumentando nossa competitividade”, afirma.

No entanto, apesar da oportunidade e da vocação exportadora do país, o coordenador do Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo fez um alerta sobre a necessidade de planejamento interno e estratégia para aproveitar a oportunidade. “Um exemplo é o milho. O país exportou 30 milhões de toneladas na temporada passada e faltou milho no mercado interno ao longo de 2016. Isso fez o preço da saca disparar. Números da Expedição Safra mostram que nós só vamos voltar a exportar essa quantidade em 2021, daqui a cinco anos”, explica. “Mas, dependendo das decisões dos Estados Unidos nos próximos anos, o Brasil pode rever e ampliar a participação no mercado internacional”. (Gazeta do Povo 05/12/2016)

 

Carro elétrico pode eliminar 10% demanda por gasolina até 2035

O boom dos veículos elétricos produzidos por empresas como Tesla Motors poderá eliminar até 10 por cento da demanda global por gasolina até 2035, segundo a consultoria do setor de petróleo Wood Mackenzie.

Embora representem hoje menos de 1 por cento do total de veículos vendidos, os carros e caminhões movidos a bateria deverão disparar após 2025 à medida que os governos tomarem medidas de combate à poluição e que os custos caírem, afirma a empresa com sede em Houston, EUA. Até 2035 os veículos elétricos poderão remover 1 milhão a 2 milhões de barris por dia de demanda por petróleo do mercado -- quantidade semelhante ao corte de produção fechado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados nesta semana para encerrar o excedente de petróleo que dura três anos.

"Tudo o que reduz a demanda em transporte gera impacto no mercado do petróleo", disse Alan Gelder, vice-presidente de mercados de refino, químicos e petróleos da Wood Mackenzie, em entrevista, em Londres. "A dúvida é qual será o tamanho do impacto e em que prazo ocorrerá".

A posição da Wood Mackenzie faz coro com a da Agência Internacional de Energia (AIE), que no mês passado projetou que a demanda global por gasolina havia chegado praticamente ao pico devido à maior eficiência dos carros e à propagação dos veículos elétricos. A agência estima que a demanda total por petróleo continuará crescendo por décadas, impulsionada pela navegação, pelo transporte rodoviário, pela aviação e pelas indústrias petroquímicas.

A projeção é mais conservadora que a da Bloomberg New Energy Finance, que prevê que os veículos elétricos levarão cerca de 8 milhões de barris por dia em demanda até 2035. O montante subirá para 13 milhões de barris por dia até 2040, o que representa cerca de 14 por cento da demanda de petróleo estimada em 2016, afirmou a empresa de pesquisa com sede em Londres. Os carros elétricos estão levando cerca de 50.000 barris por dia em demanda atualmente, afirma a Wood Mackenzie.

Na sexta-feira, Atenas, Madri, Cidade do México e Paris prometeram eliminar gradualmente o uso de veículos a diesel até 2025 para combater a poluição, decisão que poderia estimular mais a demanda por veículos elétricos, que oferecem emissão zero pelos escapamentos.

A regulação e os subsídios do governo, por si só, não serão suficientes para desencadear um boom dos veículos elétricos, disse Gelder. "Se há uma revolução tecnológica, a tecnologia da bateria fica mais barata e os veículos elétricos não precisam de subsídios. Ou seja, tudo se resume à preferência do consumidor. Quando gostam de algo, os consumidores fazem a troca muito mais rapidamente."

A Tesla sozinha não será capaz de produzir veículos elétricos suficientes se a demanda realmente decolar, disse Gelder. Grandes fabricantes de automóveis como Volkswagen e Ford Motor precisarão produzi-los em escala maior. "No momento elas não podem fazê-lo e mudar as linhas de produção é algo que leva tempo". (Bloomberg 05/12/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Novas perdas: A redução de posições compradas dos fundos segue pressionando as cotações do açúcar na bolsa de Nova York. Ontem, os papéis com vencimento em maio fecharam a 18,48 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 18 pontos e o menor patamar desde agosto. "A falta de notícias fundamentalistas positivas, somada à liquidação implacável dos fundos e à desvalorização do real frente ao dólar formam os ingredientes perfeitos para que o mercado possa continuar a cair", afirma a consultoria Archer Consulting, em nota. Desde o início do outubro, o açúcar já se desvalorizou mais de 20%, refletindo a atuação dos fundos em Nova York. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 93,69 a saca de 50 quilos, queda de 0,68%.

Café: Recuo em NY: O mercado de café também passa por uma redução nas posições líquidas compradas dos fundos diante de previsões mais otimistas para a safra 2016/17, da alta do dólar ante o real e da possível importação de robusta pelo Brasil. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,445 a libra-peso, com recuo de 130 pontos. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os fundos mantinham um saldo líquido comprado de 43.069 contratos no último dia 29, 15,1% abaixo do observado uma semana antes. Desde o último dia 8, a queda acumulada nas apostas de alta foi de 27,3%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica em São Paulo ficou em R$ 521,71 a saca de 60 quilos, queda de 1,22%.

Milho: Embarques semanais: Os embarques semanais de milho nos EUA avançaram na semana móvel encerrada no último dia 1º, o que deu sustentação ao valor dos contratos do grão na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 3,5925 o bushel, com avanço de 12 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores americanos enviaram 1,15 milhão de toneladas de milho ao exterior na semana móvel encerrada no último dia 1º, alta de 38,7% sobre as 828,927 mil toneladas da semana anterior. No acumulado do ano-safra, os embarques estão 88,8% superiores ao observado no mesmo período de 2015. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o cereal ficou em R$ 36,79 a saca de 60 quilos, com alta de 0,71%.

Trigo: Clima preocupa: As previsões climáticas para as Grandes Planícies, onde estão concentradas as lavouras de trigo de inverno dos EUA, e o aumento de 85% nos embarques americanos do cereal na semana encerrada no último dia 1º impulsionaram as cotações do grão nas bolsas americanas. Em Chicago, o cereal com entrega para março fechou a US$ 4,0825 o bushel, com alta de 4 centavos. Já em Kansas, o trigo duro de mesmo vencimento fechou a US$ 4,085, recuo de 0,25 centavo. As previsões mais recentes apontam temperaturas acima da média nas Grandes Planícies, o que pode esgotar a umidade do solo e elevar o estresse das lavouras ainda em desenvolvimento. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor no Paraná foi de R$ 622,49 a tonelada, recuo de 0,25%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 06/12/2016)