Macroeconomia e mercado

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Locomotiva chinesa

A China Railway Construction Company e a conterrânea Cofco, uma das maiores tradings agrícolas do mundo, ensaiam uma dobradinha quase imbatível para a licitação da Ferrogrão, uma das concessões incluídas no PPI.

O projeto está orçado em aproximadamente R$ 13 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 12/12/2016)

 

Piracicaba tem 38% das startups de agronegócio do estado de São Paulo

'Censo' foi realizado pela Agtech Valley, incubadora da USP na cidade.

Município tem mais empresas do 'universo agro' que Minas Gerais e Paraná.

Um "censo" realizado pela Agtech Valley, incubadora de empreendimentos e novas tecnologias sediada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), indica que Piracicaba (SP) concentra 38% das startups do estado de São Paulo voltadas para o agronegócio.

As empresas de tecnologia em etapa inicial ligadas ao setor na cidade correspondem a 18,6% do total de iniciativas dessa natureza no Brasil.

De acordo com o levantamento do Agtech Valley, também apelidado de "Vale do Silício" do agronegócio, o país tem 75 startups que desenvolvem tecnologias voltadas para o campo. Desse total, 37 ficam no estado de SP e 14 delas em Piracicaba.

A cidade tem mais startups relacionadas ao "universo agro" que Minas Gerais, que tem 13, e Paraná, com sete. O restante das empresas tecnologicas estão distribuídas por outros estados do Brasil.

Usina de Inovação

A área de uma antiga usina de açúcar no bairro histórico Monte Alegre, em Piracicaba, também deverá se tornar um espaço empresarial voltado ao agronegócio a partir de fevereiro de 2017. Com investimento de R$ 75 milhões da iniciativa privada, o projeto da "Usina de Inovação" prevê a criação de local para realização de pesquisas e desenvolvimento de tecnologias no setor.

A iniciativa reúne investidores com a estratégia de transformar o empreendimento, com área de 427 mil metros quadrados, em um local multiuso, integrado e de alto impacto para evolução do agronegócio, segundo a assessoria do empresário Wilson Guidotti Júnior, o Balu, que encabeça o projeto.

A Usina de Inovação contará com coworking (uma área de trabalho compartilhada) e receberá eventos, feiras, shows, lançamentos de produtos e um hotel com centro de convenções. O complexo histórico será restaurado. (G1 10/12/2016)

 

Lula e Dilma foram os autores da maior tragédia setorial do País

Os biocombustíveis foram uma das maiores vitrines do primeiro mandato do presidente Lula. A cada viagem internacional ele não se cansava de falar bem do etanol e do biodiesel e das vantagens sociais, econômicas e ambientais que eles representavam. A mudança se iniciou a partir da saída de Roberto Rodrigues do Ministério da Agricultura e ao surgimento das primeiras notícias do pré sal. 

Absurdos como os da utilização da mamona para a produção de biodiesel defendidas com unhas e dentes por Dilma Rousseff e um grupo de ‘ideólogos’ alinhados com um bando de ‘companheiros’ que tomaram de assalto a Petrobras e o sistema de energia do País, acabaram criando um desastre nunca antes visto num setor produtivo da economia brasileira.

Quando Dilma chegou à Presidência da República, enquanto a ‘companheirada’ se fartava e se lambuzava com os recursos desviados da Petrobras e do Sistema Eletrobras, criaram-se todas as condições para o que poderia ser denominada ‘tempestade perfeita’ para arrasar empresas, desativar postos de trabalho no campo e na indústria e, pior, desacelerar o crescimento e desenvolvimento de centenas de polos regionais espalhados ao lado de cada um das usinas canavieiras.

Dilma falava e repetia que não confiava em usineiros, ao mesmo tempo em que chegou a ser chamada de ‘patriota’ por um conhecido empresário do setor. O até então todo poderoso ‘comandante-en-jefe’ do setor de energia do país, afilhado e protegido de Dilma, Mauricio Tolmasquim, na condição de presidente da EPE – Empresa de Pesquisa Energética chegou a afirmar em evento oficial da Única que ‘a bioeletricidade não avança em nossa matriz energética porque os usineiros não cumprem o que vendem e prometem’.

A súbita riqueza dos petistas e representantes dos partidos aliados dos governos Lula & Dilma contrastava com a pobreza e desemprego imposto a centenas de milhares de trabalhadores que viram, de uma ora para outra, seus sonhos se esvaírem e impondo miséria e violência nos polos produtores de cana-de-açúcar.

O resultado desta política autofágica desnudou pretensos ideólogos, que aliados com os ‘representantes’ do povo, não passavam mesmo de farsantes covardes que se alinharam ao que tínhamos de mais espúrio e nojento. Contribuíram para esta situação o papel noscivo e criminoso patrocinado e desempenhado por ‘empresários’ que participaram ativamente do tsunami que tomou conta de empresas públicas e privadas.

A Lava Jato, a ‘República de Curitiba’, as manifestações de rua, o vergonhoso papel que vem sendo cumprido pelos nossos congressistas (Vide Renan Calheiros e Eduardo Cunha, dentre outros) e também governadores (Vide Rio de Janeiro) e centenas de prefeituras (Vide Ribeirão Preto) são resultado deste desvario que impactará as nossas próximas gerações. ( Redação Brasil Agro 12/12/2016)

 

Divergências ainda impedem mudança na lei das cultivares

Desde que decidiu mudar a lei que protege as cultivares desenvolvidas para a agricultura no Brasil, com o intuito de obrigar os agricultores a pagarem royalties sobre as sementes plantadas para uso próprio, as sementes salvas, o Congresso Nacional alimenta uma disputa que parece não ter fim.

No agronegócio, até há consenso de que a lei, em vigor desde 1997, precisa ser revista para remunerar melhor as empresas de genética (obtentores) e estimular pesquisas em culturas carentes de inovação há anos. Mas o teor dessa revisão esbarra nas crescentes resistências vindas das mais diferentes frentes.

Quase dois anos já se passaram desde que o projeto de lei 827/2015 começou a tramitar na Câmara, com o objetivo de conciliar os interesses dos obtentores, sementeiros (multiplicadores) e produtores. Mas até hoje nenhuma das partes chegou a um consenso sobre a melhor forma de remunerar quem desenvolve pesquisas com germoplasma de sementes protegidas. O projeto versa sobre sementes convencionais, já que as transgênicas obedecem a outra lei.

De um lado estão produtores de culturas como soja, algodão, e trigo. Eles aceitam pagar às obtentoras de tecnologia, desde que participem da definição dos royalties e da forma de recolhimento e aplicação dos recursos arrecadados.

A Aprosoja Brasil, que representa produtores de grãos, admite que os agricultores paguem pela semente salva o mesmo valor cobrado pela semente adquirida (R$ 15 o saco de 40 quilos). Mas defende que parte do valor arrecado seja destinado a pesquisas, por exemplo. A Abrapa, entidade de cotonicultores, vai na mesma linha e sustenta que, assim, pesquisas com algodão não-transgênico, cujas variedades são mais produtivas, poderiam ganhar força.

Do outro lado da corda está quase todo o resto da cadeia produtiva. Desde obtentores, que não abrem mão de receber 100% dos royalties e defendem sanções penais mais duras contra sementes piratas, até grandes confederações de classe, que não querem a cobrança sobre as sementes salvas por temem o encarecimento geral do insumo.

A lei de proteção de cultivares funciona no país como uma espécie de lei de patentes exclusiva para vegetais. Define que, no período de proteção de uma semente ou muda, hoje de 15 anos, apenas a empresa que lançou uma cultivar pode comercializá­la, desde que a registre no Ministério da Agricultura, nos 19 anos em que a lei está em vigor, 3.081 variedades foram protegidas.

Mas, nas sementes salvas muitas vezes por várias safras, exceto no caso da cana-de-açúcar, não incidem os royalties pela tecnologia empregada na variedade em questão. Diante das divergências, o relator da proposta na comissão especial Congresso, deputado Nilson Leitão (PSDB­MT), tentou levar seu parecer à votação pelo menos duas vezes desde junho, sem sucesso, e na semana que vem fará outra tentativa.

Na última ofensiva para tentar encaminhar o tema, Leitão se reuniu recentemente com todas as partes envolvidas e passou a cogitar acatar pleitos específicos de cada uma delas. Mas o impasse permanece.

O epicentro da discórdia no relatório de Leitão é a parte que trata de uma proposta dele próprio: a criação de "Grupos Gestores de Cultivares", que teriam a missão de fazer a gestão dos royalties sobre as sementes salvas. Esses grupos seriam nacionais, divididos por cultura e compostos por uma entidade dos obtentores, uma dos produtores e outra dos sementeiros.

Pela proposta, cada grupo se encontraria uma vez por ano e teria autonomia para estipular qual o valor dos royalties a ser cobrado sobre cada cultura, a forma de destinação e se os royalties seriam cobrados no plantio ou na colheita.

A Braspov, que representa 26 obtentoras de tecnologia vegetal, entre elas a multinacional americana Monsanto e a estatal brasileira Embrapa, defende royalties sobre sementes salvas somente para propriedades maiores, acima de 4 mil módulos fiscais, enquanto o relatório de Leitão só exclui da lista fazendas com menos de 150 hectares.

Ivo Carrara, presidente da Braspov, reclama que o projeto começou a tramitar "na calada da noite" e que as obtentoras foram pouco ouvidas. Ele argumenta que a lei atual é muito permissiva com a semente salva, e que muitos produtores se aproveitam disso para viver na ilegalidade.

Já Francisco Soares, diretor-presidente da TMG, obtentora de capital nacional que disputa mercado com as multinacionais, defende a cobrança de royalties sobre semente salva sob o risco de empresas de pesquisa menores como a dele serem "engolidas" pelas grandes múltis no futuro. "Se nada mudar, a tendência é que a TMG seja vendida para uma grande", diz.

Reginaldo Minaré, consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), critica o "excesso de poder" nos grupos de cultivares. E diz que até hoje também não se sabe se o produtor que salva sementes precisará comunicar diretamente o fato ao obtentor ou se recolherá royalties quando entregar seu produto a uma trading.

Por sua vez, a OCB, confederação que representa as cooperativas, é totalmente contra o projeto e teme que haja ônus tributário sobre o recolhimento de royalties.

"Se as pesquisas na agricultura caíram no país e 35% dos produtores brasileiros não pagam royalties sobre semente salva, porque não cobrar? Não estou a serviço de nenhuma multinacional e farei questão de manter o projeto", afirmou Leitão ao Valor. Segundo ele, o que vem travando o projeto, no entanto, são "conflitos de entidades" que reivindicam poder nos grupos.

Um exemplo que ganha força na área de proteção de cultivares é o da cana. Para William Lee Bumquist, diretor de Melhoramento Genético do Centro de Tecnologia da Cana (CTC), sem a exceção para a cultura dada na atual lei não haveria tanta pesquisa em desenvolvimento de cultivares, por órgãos e instituições públicas e privadas.

Bumquist defende que a regra se mantenha para a cana, mas que o período de proteção para a cultura seja ampliado de 15 para 25 anos, como acatado pelo relator do PL não só para a cana, mas também para frutas, setor florestal, plantas ornamentais. Para as demais culturas, Leitão ampliou o prazo de proteção dos atuais 15 para 20 anos. (Valor Econômico 12/12/2016)

 

Procuradoria investigará vazamento de delação premiada da Odebrecht

A PGR (Procuradoria-Geral da República) decidiu abrir investigação para apurar o vazamento do conteúdo de delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht.

Por meio de sua assessoria, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, considerou que o "além de ilegal, [o vazamento] não auxilia os trabalhos sérios que são desenvolvidos".

Para a PGR, o episódio preocupa o Ministério Público Federal que, para usar todo documento [de delação] como prova, produzindo "efeitos jurídicos" para o colaborador, precisa ter a homologação do STF (Supremo Tribunal Federal). Com o vazamento, há risco de que a homologação não aconteça.

DELAÇÕES

A Odebrecht fechou um acordo de leniência com a PGR e o Ministério Público Federal na sexta-feira (1) e 77 ex-executivos assinaram acordos de delação premiada.

Um deles, Cláudio Melo Filho, afirmou ter entregue, a pedido do presidente Michel Temer, R$ 10 milhões para pagar principalmente campanhas eleitorais do PMDB. Deste total, R$ 6 milhões financiaram a campanha ao governo de São Paulo de Paulo Skaf.

O ex-executivo da Odebrecht também afirmou que a empresa pagou a compra de medidas provisórias e emendas em projetos do Congresso. Somente a Medida Provisória 613/2013 "custou" R$ 7 milhões.

A MP virou um projeto de lei que permitiu a concessão de incentivos tributários aos produtores de etanol e à indústria química, setor em que a Odebrecht também atua.

Nesse caso, o dinheiro foi ao senador (PMDB-RR), ao presidente do Senado, (PMDB-AL), ao senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), favorito para suceder Renan na presidência da Casa em 2017, ao presidente da Câmara, (DEM-RJ), e ao deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

Jucá foi apontado pelo delator como um dos principais personagens do esquema no Senado e teria recebido R$ 22 milhões.

Neste sábado (10), a revista "Veja" informou que o superintendente da Odebrecht no Rio, Leandro Azevedo, apontou repasses ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), ao prefeito Eduardo Paes (PMDB), ao senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e ao ex-governador Anthony Garotinho (PR). (Folha de São Paulo 10/12/2016)

 

Odebrecht pagou R$ 7 mi a políticos para aprovar medida, diz delator

O ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho afirmou em seu acordo de delação premiada que a construtora pagou R$ 7 milhões a parlamentares de destaque no Senado e na Câmara para garantir a aprovação de uma medida provisória de interesse da companhia no Congresso.

Os recursos, segundo o executivo, foram destinados aos senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), favorito para suceder Renan na presidência da Casa em 2017, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, e Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

De acordo com delator, Jucá, Renan e Eunício formam o que ele classifica de "grupo dominante do PMDB no Senado". "Esse fato dá a esse núcleo grande poder de barganha, pois possui a capacidade de praticamente ditar os rumos que algumas matérias serão conduzidas dentro do Senado", afirmou Melo Filho.

Diversos pagamentos feitos a Jucá, segundo Melo, tinham relação com assuntos de interesse da companhia no Congresso. Ele definiu Jucá como "Resolvedor da República no Congresso", a quem recorria constantemente para conseguir emendas e aprovações de leis e projetos.

Um dos episódios diz respeito à Medida Provisória 613/2013, que culminou no projeto de lei de conversão 20/2013 e permitiu a concessão de incentivos tributários aos produtores de etanol e à indústria química por meio de crédito presumido e da redução das alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins. O principal resultado da medida provisória foi fazer com que a Odebrecht conseguisse economizar mais em impostos.

Em abril daquele ano, Melo, que vivia em Brasília, disse ter sido procurado por uma pessoa da Odebrecht para que atuasse com "objetivo de garantir a aprovação do texto vindo do Executivo".

Nesse momento, disse o delator, "solicitou apoio financeiro atrelado à aprovação do texto que interessava à companhia". "No meu entendimento, através de, também estava sendo remunerado para atender aos interesses da companhia", afirmou.

Foi fechado um acordo de R$ 7 milhões em torno da MP. Nesse acerto, sempre segundo o delator, R$ 2,1 milhões foram para Eunício e R$ 4 milhões para Jucá e Renan.

A parte destinada a Eunício, apelidado de "índio" pela empreiteira, foi recebida por um homem identificado como "Ricardo Augusto", um "preposto do senador", segundo o delator. O senador tem um sobrinho com este nome e que administrava empresas de terceirização da qual o peemedebista foi sócio no passado.

Ricardo, diz o relato do ex-diretor, foi ao escritório da Odebrecht para entregar "a senha e o local onde os pagamentos seriam realizados". O valor foi pago em duas parcelas, uma em Brasília e outra em São Paulo, nos dias 24 de outubro de 2013 e 27 de janeiro de 2014.

Para receber sua parte, Jucá indicou Milton Lira, um empresário que já é investigado pela PGR e pela Polícia Federal em outros inquéritos, em desdobramentos da Operação Lava Jato.

Segundo o delator, Jucá, hoje líder do governo de Michel Temer no Congresso, pode ser considerado o "homem de frente" nas tratativas diretas com agentes particulares.

O ex-diretor da Odebrecht diz que, nos últimos anos, repassou mais de R$ 22 milhões para Jucá redistribuir dentro do PMDB.

Melo disse que diretamente Renan não recebeu valores, mas ressaltou que "sempre viu" em Jucá "a presença intrínseca da figura do senador Renan". "Isso significa que eu sabia que os pleitos que eu levava ao senador Jucá também seriam transmitidos ao senador Renan e por ele defendidos", disse Melo.

Quando da tramitação de outra MP, a de número 677/15, o delator disse que ouviu pessoalmente de Renan um pedido de financiamento para a campanha eleitoral de seu filho ao governo de Alagoas. O delator entendeu que a ajuda eleitoral estava vinculada ao sucesso da MP.

"Em todas essas ocasiões que envolveram a atuação de em defesa de pleitos da empresa, o senador também atuou no mesmo sentido", disse Melo.

No caso da MP 613, além dos três senadores do PMDB, disse o delator, dois deputados "solicitaram pagamentos decorrentes do mesmo contexto". O deputado Lúcio Vieira Lima, irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que atuava na Comissão Mista que analisou a matéria em agosto de 2013.

Lúcio Lima recebeu "entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão", segundo o delator. O segundo deputado beneficiado foi o atual presidente da Câmara, (DEM-RJ), com R$ 100 mil.

"Durante a fase final da aprovação da MP 613, o deputado, a quem eu pedi apoio para acompanhar a tramitação, aproveitou a oportunidade e alegou que ainda havia pendências da campanha de prefeito do Rio em 2012". O valor "foi pago no início de outubro de 2013", disse.

O delator disse que mais pagamentos foram vinculados à tramitação de outras MPs, como a de número 627/2013, que tratava de mudanças no regime de tributação do lucro auferido no exterior. Entre abril e junho de 2014, Melo disse ter recebido "pedido do senador Jucá de pagamento em contrapartida à conversão em lei da MP 627".

"Sei que o pagamento foi no valor R$ 5 milhões, na forma determinada pelo setor de operações estruturadas [da Odebrecht]", disse Melo, em referência a um setor da Odebrecht definido pelos investigadores da Lava Jato como um departamento específico para pagamento de propinas.

OUTRO LADO

A assessoria do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que o senador jamais credenciou, autorizou ou consentiu que "terceiros falassem em seu nome".

"Reitera ainda que a chance de se encontrar irregularidades em suas contas pessoais ou eleitorais é zero."

Em nota, a assessoria do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirma que todas as doações eleitorais recebidas foram legais e devidamente declaradas ao TSE. "O deputado nega com veemência a acusação de ter participado de qualquer tipo de negociação com a Odebrecht para aprovação de medida provisória ou de outra proposta legislativa. Ele afirma que as declarações veiculadas pela imprensa são absurdas e que nunca recebeu nenhuma vantagem indevida para votar qualquer matéria."

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse desconhecer a delação e nega ter recebido recursos para o PMDB. Jucá também diz que todos os recursos da empresa ao partido foram legais e que ele, na condição de líder do governo, sempre tratou com várias empresas, mas em relação à articulação de projetos que tramitavam na Casa.

Em nota, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) disse que "nunca autorizou o uso de seu nome por terceiros e jamais recebeu recursos para a aprovação de projetos ou apresentação de emendas legislativas". "A contribuição da Odebrecht, como as demais, fora recebidas e contabilizadas de acordo com a lei. E as contas aprovadas". (Folha de São Paulo 10/12/2016)

 

Moderfrota impulsiona contratações do crédito rural na atual safra

Com o aquecimento da demanda por máquinas e implementos agrícolas, o programa Moderfrota foi o destaque no financiamento agropecuário, com contratações de R$ 3,5 bilhões, nos primeiros cinco meses do ano-safra 2016/2017. “Este valor é um indicativo da confiança dos agricultores em relação às atividades que desenvolvem no campo e às perspectivas de colher uma supersafra de grãos, estimada em 213,1 milhões de toneladas pela Conab”, diz o diretor de Crédito e Estudos Econômicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz de Araújo.

Por causa do aumento da procura, o Ministério da Agricultura conseguiu com o Ministério da Fazenda aporte adicional de R$ 2,5 bilhões para o programa, a ser autorizado nos próximos dias. Com isso, o valor total para o Moderfrota passará de R$ 5 bilhões para R$ 7,55 bilhões neste ano-safra.

Outros programas de investimento que tiveram aumento das contratações nesses primeiros cinco meses de execução do Plano Agrícola e Pecuária 2016/2017 foram o Pronamp e o Procap-Agro. As contratações do Pronamp passaram de R$ 461 milhões para R$ 993 milhões na comparação com igual período do ano passado. Já os contratos do Procap-Agro aumentaram 50%, alcançando R$ 1,1 bilhão.

No conjunto, os programas de investimento tiveram aumento de 12% em relação ao mesmo período da safra anterior, chegando a R$ 9,9 bilhões.

As contratações de crédito rural com recursos provenientes da emissão da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) totalizaram R$ 7,7 bilhões, de junho a novembro deste ano, contra R$ 3,6 bilhões de igual período da safra anterior. (Mapa 09/12/2016)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Maior oferta nos EUA: A revisão nas estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a produção de algodão no país pressionou os contratos futuros da commodity na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 71,11 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 58 pontos. De acordo com o USDA, os americanos devem colher 3,59 milhões de toneladas na safra 2016/17, volume acima das 3,54 milhões de toneladas esperadas pelo mercado e 2,22% superior ao projetado em novembro. Se confirmada a estimativa do USDA, a safra atual ficará 28,16% acima do observado na temporada passada. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 87,09 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Suco de laranja: Produtividade em xeque: As estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para produtividade e colheita da safra 2016/17 de laranja na Flórida pressionaram as cotações do suco na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2,0985 a libra-peso, recuo de 25 pontos. De acordo com o USDA, cada caixa de laranja na Flórida deverá render 1,41 galão de suco de laranja na temporada. Trata-se de uma queda de 2% em relação à estimativa divulgada no mês passado, mas a média é 2% maior que a de 2015/16. Já a produção deve atingir 72 milhões de caixas, 12% menos que na temporada passada. No mercado spot paulista, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias ficou em R$ 25,82, recuo de 0,42%, segundo o Cepea.

Soja: Demanda elevada: A revisão nas estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a demanda mundial por soja deu fôlego às cotações da oleaginosa na bolsa de Chicago na última sexta­feira mesmo com as perspectivas de safra recorde nos EUA e no Brasil. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 10,485 o bushel, avanço de 10,75 centavos. O USDA estima um consumo de 330,09 milhões de toneladas de soja na safra 2016/17, 4,54% acima do apontado para o ciclo anterior. Soma-se a esse cenário o anúncio, pelo próprio USDA, da venda de 132 mil toneladas de soja americana para destinos desconhecidos no ano-safra 2016/17. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja no porto de Paranaguá ficou em R$ 79,60 a saca de 60 quilos, alta de 0,3%.

Trigo: Fator Índia: A decisão do governo indiano de zerar o imposto sobre a importação de trigo no país segue dando sustentação aos contratos futuros da commodity nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 4,1625 o bushel na última sexta-feira, avanço de 8 centavos. Em Kansas, o cereal de mesmo vencimento fechou a US$ 4,135 o bushel, alta de 8,75 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), as importações mundiais nesta temporada devem somar 171,54 milhões de toneladas, 1,6 milhões de toneladas acima do observado na safra anterior, sendo 3 milhões a serem adquiridas pela Índia. No mercado interno, o preço médio praticado no Paraná ficou em R$ 628,51 a tonelada, queda de 0,11%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 12/12/2016)