Macroeconomia e mercado

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Cade considera aquisição da Alesat complexa e pede estudo sobre operação

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou como complexo o ato de concentração relativo à aquisição da Alesat Combustíveis pela Ipiranga, segundo publicação no Diário Oficial da União desta segunda-feira.

Segundo a Ultrapar, o Cade pediu elaboração de estudo quantitativo sobre os impactos concorrenciais da operação e, se julgar necessário, poderá prorrogar em até 90 dias o prazo para análise do processo, de 240 para 330 dias.

Em junho, a Ipiranga, subsidiária da Ultrapar, acertou a aquisição da distribuidora de combustíveis Ale por 2,17 bilhões de reais, a fim de complementar sua rede no Nordeste, onde sua participação é menor. (Reuters 12/12/2016)

 

Preços do petróleo têm máxima de 18 meses após acordo de Opep e rivais

Os contratos futuros do petróleo chegaram a subir até 6,5% nesta segunda-feira (12), atingindo uma máxima de 18 meses, após a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e alguns de seus rivais chegarem ao seu primeiro acordo desde 2001 para reduzir conjuntamente a produção, tentando combater o excesso de oferta global e aumentar os preços.

Os investidores que duvidavam do corte de produção da Opep deixaram o mercado depois que o grupo chegou a um acordo.

Os gestores de recursos realizaram a maior redução em cinco anos das apostas em preços mais baixos do petróleo West Texas Intermediate após o acordo de 30 do novembro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para reduzir a oferta.

O acordo enviou os futuros à maior alta em 16 meses, o que alguns produtores de xisto dos EUA usaram como oportunidade para fazer hedge de sua produção. Os preços deverão subir mais nesta semana porque a Arábia Saudita sinalizou no sábado que realizaria cortes mais profundos do que os esperados depois que a Rússia e outros países de fora da Opep prometeram reduzir suas produções no ano que vem.

A Opep fechou acordo para reduzir a produção de petróleo em 1,2 milhão de barris por dia durante seis meses a partir de janeiro com o objetivo de reduzir o excesso de oferta global. A Opep se reuniu em Viena, no sábado, com produtores de fora da organização, que concordaram em colaborar com 558.000 barris adicionais por dia em cortes.

"Isso é uma reação à decisão da Opep de reduzir a produção e também uma antecipação de que os preços têm mais espaço para subir", disse Tim Evans, analista de energia da Citi Futures Perspective em Nova York, por telefone. "Esses dados mostram que já estamos creditando a eles um certo grau de capacidade de reequilibrar o mercado."

Os especuladores reduziram as apostas na queda dos preços no período de uma semana que terminou em 6 de dezembro e adicionaram apostas na alta, mostram dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês). A CME Group reportou que o volume de futuros e opções de compra (call) do WTI atingiram altas históricas em 30 de novembro. O WTI subiu 13 por cento, para US$ 50,93 o barril, na semana citada. Na segunda-feira, o petróleo de referência dos EUA chegou a subir 5,8 por cento, para US$ 54,51, e era negociado a US$ 54,15 às 9h22 pelo horário de Londres.

Equilíbrio do mercado

A Arábia Saudita fechou acordo com a Opep em 30 de novembro para reduzir sua produção a 10,06 milhões de barris por dia, contra uma alta recorde de quase 10,7 milhões de barris em julho.

"Eu posso dizer a vocês com absoluta certeza que a partir de 1o de janeiro vamos reduzir, e reduzir substancialmente, para estarmos abaixo do nível com o qual nos comprometemos em 30 de novembro", disse o ministro do Petróleo saudita, Khalid al-Falih, após a reunião de sábado.

As posições vendidas dos gestores de recursos no WTI, ou seja, as apostas em preços mais baixos, caíram 45 por cento, para 80.285 futuros e opções, maior declínio percentual desde março de 2011. As posições compradas subiram 4,6 por cento enquanto a duração líquida aumentou 43 por cento. (Bloomberg 12/12/2016)

 

Maior desafio para novo CEO da Coca-Cola é reduzir calorias

O próximo CEO da Coca-Cola terá a difícil tarefa de levar a empresa de 130 anos para uma era dominada pela geração Y.

James Quincey, que assumirá o cargo de CEO no ano que vem, está sendo pressionado a reduzir drasticamente a quantidade de calorias nos produtos da Coca-Cola, uma medida necessária por causa das mudanças de preferência dos consumidores e das iniciativas para combater a obesidade. E ele não poderá depender tanto da safra atual de adoçantes artificiais para fazer isso, porque muitos consumidores deram as costas ao aspartame e a outros aditivos.

O executivo de 51 anos, que atualmente é diretor de operações da Coca-Cola, também prometeu modernizar o marketing e a distribuição da companhia em um momento em que mais compradores pesquisam e compram produtos pela internet. E as ações da empresa com sede em Atlanta ficaram atrás das ações da PepsiCo e do mercado mais amplo neste ano.

“Ele vai buscar uma abordagem voltada para a saúde”, disse Jack Russo, analista da Edward Jones. Ele provavelmente “fará com que a companhia principal faça o que ela precisa fazer, ou seja, novos produtos, inovação, talvez um marketing melhor.”

Consumidores dos EUA e de outros mercados desenvolvidos estão fugindo do açúcar e de outros ingredientes artificiais, obrigando a Coca-Cola a diversificar sua oferta de produtos. A companhia está dependendo menos dos refrigerantes e recorre a segmentos mais saudáveis, como café pronto para consumir, bebidas proteicas à base de plantas, sucos prensados a frio e produtos lácteos. Como diretor de operações, Quincey também fomentou a adoção de embalagens menores para os refrigerantes, uma iniciativa que reduziu a quantidade de calorias por compra e melhorou as margens de lucro.

A companhia já está trabalhando em 200 reformulações com o objetivo de reduzir o conteúdo de açúcar de seus produtos existentes. Fanta e Sprite com 30 por cento menos açúcar já estão nas prateleiras no Reino Unido, e uma nova versão da Coca-Cola Zero foi lançada em diversos mercados. À medida que se estabelecer no cargo de CEO, Quincey pretende intensificar as iniciativas de desenvolvimento de novos produtos.

“Embalagens menores, menos açúcar, mais variantes, marketing melhor”, disse ele em uma entrevista coletiva na sexta-feira. “Vamos nos adaptar às mudanças no panorama de consumo.”

Olhar realista

Embora o CEO atual, Muhtar Kent, seja visto como um condutor diligente da marca, Quincey tem um “olhar mais realista” em relação aos problemas da Coca-Cola, disse Vivien Azer, analista da Cowen & Co.

Ele é “muito mais transparente em relação aos obstáculos que a Coca-Cola enfrenta, em termos de preocupações relativas aos produtos, em particular com o açúcar e o aspartame”, disse ela.

As calorias se tornaram um problema maior para os consumidores hoje em dia, mas a indústria tem sido lenta para tornar as bebidas mais magras. A quantidade de calorias ingerida através de bebidas caiu apenas 0,2 por cento em 2015, de acordo com um relatório publicado no mês passado pela empresa de consultoria Keybridge. (Bloomberg 12/12/2016)

 

Odebrecht demite mais de 100 mil em 3 anos

Em meio à Lava Jato, grupo tem hoje menos de 80 mil funcionários em sua folha.

Enquanto pipocam vazamentos do conteúdo de delações de 77 executivos da Odebrecht sobre esquemas de corrupção que atingem a elite da classe política brasileira, os empregados da empresa convivem com outra dura realidade: o desemprego. Na semana passada, diversos executivos foram informados que o número de funcionários da companhia já está abaixo dos 80 mil. Isso significa que mais de 100 mil foram demitidos ou pediram demissão nos últimos três anos, quando o quadro de funcionários chegou ao seu auge. Se levado em conta o período da Lava Jato, no fim de 2014, a companhia foi reduzida à metade em número de funcionários.

Somente neste ano foram cerca de 50 mil demissões, sendo que boa parte feita pela construtora Norberto Odebrecht. A explicação é que muitas obras acabaram e não há novos contratos para realocar pessoal. A culpa não é somente da Lava Jato, que fez o grupo mergulhar em uma crise financeira. Pesaram ainda a recessão econômica no Brasil, que reduziu os investimentos de forma generalizada, e a queda nos preços mundiais do petróleo, que atingiu a economia de vários países onde a Odebrecht atua, como Venezuela e países da África.

No Brasil, na metade do ano, o grupo ainda mantinha um efetivo grande para terminar as obras ligadas à Olimpíada do Rio, mas a maior parte foi demitida ao fim do processo. No setor de rodovias, onde além de construtora a empresa é investidora, as obras de algumas estradas, como a da BR-358, foram paralisadas por falta de financiamento.

Os bancos em geral se fecharam ao crédito novo e de longo prazo para as empresas envolvidas nos escândalos de corrupção da Lava Jato. Mas o maior baque foi o congelamento de novos empréstimos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A decisão do banco de desenvolvimento não só inviabilizou alguns projetos no Brasil, como também atingiu as obras do grupo no exterior, já que cerca de R$ 5 bilhões em financiamentos para países que haviam contratado empresas brasileiras para as obras foram afetados. Alguns governos decidiram desacelerar as obras em razão da falta de financiamento. Na Venezuela, obras como a da hidrelétrica de Tocoma e a da ponte sobre o rio Orinoco estão em ritmo lento.

O caso mais emblemático no País foi o da Sete Brasil, criada para gerenciar a contratação de sondas para o pré-sal. O BNDES vetou o financiamento de longo prazo da Sete depois que a empresa foi envolvida nas investigações de corrupção sob acusação de pagamento de propina pelos estaleiros para a obtenção de contratos.

A consequência se deu para os próprios estaleiros, já que a Sete, sem dinheiro, suspendeu os pagamentos. Entre os estaleiros estava o Paraguaçu, do grupo Odebrecht em parceria com as empreiteiras OAS e UTC e o sócio japonês Kawasaki. No ano passado, quase 10 mil pessoas que trabalhavam nas obras do estaleiro foram dispensadas e a companhia está afundada em dívidas.

Para o próximo ano, se as obras continuarem se esvaindo ou mesmo que fiquem apenas estabilizadas, a expectativa é que o número de funcionários continue em queda. Somente a Odebrecht Ambiental, já vendida ao fundo Brookfield, tem 6 mil funcionários que sairão da folha de pagamentos do grupo assim que os órgãos reguladores aprovarem a operação. A empresa não quis fazer comentários.

Faturamento

A queda do número de funcionários, que fechou 2015 em 128 mil e agora está inferior a 80 mil, deve se refletir também no recuo do faturamento da empresa, segundo alguns banqueiros que acompanham o desempenho da companhia. A última vez que a Odebrecht teve 80 mil funcionários foi em 2008 e, naquela época, o grupo faturava R$ 41 bilhões por ano. Agora a receita está em R$ 126 bilhões, mas a expectativa é que caia em função da diminuição do volume de contratos de obras e na medida em que empresas do grupo forem sendo vendidas.

A construtora faturou em 2015 cerca de R$ 33 bilhões, não considerando o efeito do câmbio naquele ano. Com a variação cambial, esse número superou R$ 50 bilhões. A carteira de projetos da construtora continua sendo bastante significativa, girando em torno de US$ 30 bilhões, mas está em queda comparada a de anos anteriores, quando atingiu US$ 35 bilhões.
A expectativa é que a assinatura do acordo de leniência, feita há duas semanas, possa ajudar a estabilizar a empresa financeiramente. Além disso, o acordo impede que companhia seja considerada inidônea, o que permite a participação da empresa para licitações no Brasil. (O Estado de São Paulo 12/12/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Efeito cambial: A desvalorização do dólar ante o real em meio ao cenário internacional mais positivo e à maior confiança no avanço do ajuste fiscal no Brasil deu fôlego às cotações do café arábica na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,42 a libra-peso, alta de 265 pontos. A moeda americana mais fraca tende a desestimular as exportações do país, já reduzidas devido à escassez de café conilon no mercado interno. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os brasileiros enviaram 3,07 milhões de sacas de café para o exterior em novembro, queda de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão em São Paulo ficou em R$ 497,76 a saca de 60 quilos, queda de 0,6%.

Cacau: Impulso comprador: Uma onda compradora após o cacau atingir o menor valor desde julho de 2013 deu sustentação aos preços da amêndoa na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2.240 a tonelada, alta de US$ 70. Apesar disso, os fundamentos ainda apontam queda nas cotações no médio prazo. Na Costa do Marfim e Gana, a entrada da safra 2016/17 no mercado poderia pressionar ainda mais as cotações em meio às estimativas de um superávit de até 250 mil toneladas nesta temporada. Soma-se a esse cenário a redução no saldo líquido dos fundos, o que confere pressão adicional ao mercado. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou estável em R$ 126 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Alta do petróleo: A decisão de mais um grupo de países de reduzir em 558 mil barris diários a produção de petróleo nos próximos meses deu fôlego adicional aos preços futuros do algodão na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 71,90 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 79 pontos. Na semana passada, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) já havia anunciado o corte de 1,2 milhão de barris na sua produção ao longo dos próximos seis meses, levando a uma alta no valor do barril do petróleo. Isso tende a tornar a pluma mais competitiva em relação às fibras sintéticas, sustentando as cotações em Nova York. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia foi de R$ 87,09 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Produção na China: O aumento da área plantada de soja na China em meio à perspectiva de elevação nos estoques mundiais pressionou os contratos futuros do grão ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 10,425 o bushel, recuo de 6 centavos. Maior importador mundial da commodity, a China elevou em 10,7% sua área plantada em 2016, para 1 milhão de hectares, de acordo com o departamento de estatísticas do país. Ao longo de novembro, no entanto, os chineses adquiriram 7,84 milhões de toneladas de soja no mercado internacional, 6,1% acima do registrado no mesmo período do ano passado. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 79,41 a saca de 60 quilos, recuo de 0,24%. (Valor Econômico 13/12/2016)