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Em reunião extraordinária realizada ontem, os acionistas da americana Monsanto aprovaram a venda da empresa para a alemã Bayer.

Segundo os termos do acordo, eles vão receber US$ 128 por ação, em dinheiro, quando a transação for concluída.

Em comunicado, o CEO da Monsanto, Hugh Grant (foto), agradece o apoio e destaca a complementaridade das operações das duas companhias nos mercados de sementes e agroquímicos.

"Juntas, Bayer e Monsanto serão capazes de oferecer o novo, soluções inovadoras que nossos clientes precisam", afirma Werner Baumann, CEO da Bayer, no mesmo comunicado.

Esse é apenas uma das transações da nova onda de fusões e aquisições que tem chacoalhado o segmento desde o ano passado.

As americanas Dow e DuPont também estão unindo suas forças, ao passo que a suíça Syngenta está passando ao controle chinês. (Valor Econômico 19/12/2016)

 

Em viagens a Angola investigadas pela Lava Jato, Lula tinha avião à disposição

Alvos de uma das ações penais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as viagens do petista a Angola a convite da empreiteira Odebrecht tiveram prerrogativas como um avião colocado à disposição do governo local, visitas a obras de interesses da construtora e uma discussão sobre financiamento do BNDES a projetos locais.

Mesmo anos após deixar a Presidência, o "tratamento protocolar" oferecido a ele era de "chefe de Estado".

Os relatos constam em documentos sigilosos do Itamaraty, obtidos pela Folha, feitos por diplomatas que acompanharam as duas visitas.

Lula esteve no país em 2011 e 2014, a convite da empreiteira, em ambas com Emílio Odebrecht, patriarca do grupo e prestes a se tornar delator da Operação Lava Jato.

Na ação penal, que corre no Distrito Federal, o Ministério Público Federal acusa Lula de servir como "garoto-propaganda" da empreiteira nas viagens, pelas quais recebeu o equivalente a R$ 800 mil.

Para a acusação, os pagamentos por palestras na África eram "cortina de fumaça" para encobrir a intenção da Odebrecht de usar Lula como "fiador" de empréstimos a serem liberados pelo BNDES para obras no país.

Os relatórios do Itamaraty mostram que as palestras de fato aconteceram e foram "calorosamente" aplaudidas por uma platéia de autoridades e empresários locais. Os eventos tiveram "ampla cobertura da mídia local".

Na primeira delas, foi precedida de uma "extensa programação" preparada pelo governo do presidente angolano José Eduardo dos Santos, com quem Lula se reuniu na ocasião por 40 minutos.

O roteiro incluiu uma ida a um mega-conjunto habitacional erguido por investidores chineses, também com o apoio da Odebrecht, perto da capital, Luanda.

Na ocasião, segundo uma pessoa que participou da viagem disse à Folha, Lula até deu palpites sobre o perfil de construção dos banheiros das casas. Sua assessora Clara Ant, arquiteta de formação, notou que os chuveiros haviam sido instalados do lado de fora das residências. Lula pediu explicações ao engenheiro da Odebrecht responsável pela obra, que disse que essa configuração era uma tradição local.

O ex-presidente não se convenceu e pediu à empreiteira para que reformasse as casas colocando chuveiros no interior de cada imóvel.

A viagem de 2011 teve ainda uma romaria de representantes de empreiteiras a um encontro promovido na Embaixada do Brasil, segundo o documento do Itamaraty.

Além da Odebrecht, compareceram funcionários da Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e OAS, todas envolvidas na Lava Jato.

AERONAVE À DISPOSIÇÃO

Na segunda visita de Lula, em maio de 2014, o governo local, conforme destacou o relatório da embaixada, colocou à disposição um avião para que a comitiva fosse visitar no interior do país uma usina produtora de açúcar e etanol. A unidade era uma parceria da Odebrecht e a estatal petrolífera Sonangol.

Na visita ao país, Lula novamente se reuniu com o presidente angolano e discutiu a linha do BNDES para a construção da hidrelétrica de Laúca, pela Odebrecht, segundo os despachos. O Ministério Público Federal ressaltou em denúncia que o financiamento, de R$ 2 bilhões, só saiu graças a Lula.

O próprio relatório da embaixada destacava o interesse das empreiteiras brasileiras pelas obras no país africano. "As empresas, que obviamente competem entre si, mas têm presente que podem beneficiar-se da possibilidade de linha de financiamento do BNDES", diz o documento.

Um dos investimentos potenciais eram programas no estilo do Luz para Todos, uma das bandeiras de governo.

Em depoimento ao Ministério Público no DF, o petista negou ter tratado do financiamento com o presidente.

Na palestra, Lula abordou programas sociais. "O colóquio atraiu audiência superior a 1.200 pessoas e já foi qualificado como o maior evento internacional sobre o combate à fome já realizado", diz o relatório da diplomacia.

A diplomata finaliza o documento dizendo que a viagem de Lula foi "muito importante" para evitar que o Brasil perdesse espaço para outros países em suas relações com Angola.

O ex-presidente vem negando todas as acusações feitas pelos procuradores. (Folha de São Paulo 18/12/2016)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Estoques crescentes: A revisão das previsões de estoques e produção mundiais voltaram a pressionar as cotações do algodão na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em maio fecharam a 70,03 centavos de dólar a libra-peso ontem, recuo de 129 pontos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o mundo deve colher 22,69 milhões de toneladas em 2016/17, com estoques finais de 19,41 milhões de toneladas ­ inferior ao registrado na safra 2015/16, mas 0,95% acima do apontado em novembro. A revisão é reflexo do menor consumo na China, país que perdeu o posto de maior importador mundial em meio à redução de seus estoques. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 88,27 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Demanda e clima: Os sinais de enfraquecimento da demanda pela soja americana pressionaram os contratos futuros da oleaginosa ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 10,32 o bushel, recuo de 14,75 centavos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou ontem que os embarques americanos semanais de soja recuaram 6% no período encerrado no último dia 15, quando foram exportadas 1,73 milhão de toneladas. O anúncio somou-se às previsões de chuva na Argentina, que já vinham pressionando as cotações desde a semana passada após o clima quente e seco ameaçar causar dano às lavouras. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 79,01 a saca de 60 quilos, baixa de 0,73%.

Milho: Recuo nos embarques: O recuo nas exportações americanas de milho também atingiu as cotações do cereal na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,60 o bushel, recuo de 3 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos exportaram 769 mil toneladas do grão ao longo da semana móvel encerrada no último dia 15. O volume é quase 12% inferior ao registrado na semana anterior. Ainda segundo o USDA, o mundo deve colher 1,039 bilhão de toneladas do grão na safra 2016/17, um aumento de 8,18% sobre o produzido na temporada 2015/16, levando a um aumento de 6,36% nos estoques globais. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou ontem em R$ 39,36 a saca de 60 quilos, alta de 1,26%.

Trigo: Oferta abundante: O trigo acompanhou os demais grãos nas bolsas americanas ontem, pressionado pela perspectiva de oferta mundial abundante na safra 2016/17. Em Chicago, os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 4,175 o bushel, recuo de 4,25 centavos. Em Kansas, os contratos de mesmo vencimento encerraram a US$ 4,2575 o bushel, queda de 0,75 centavo. Além de uma oferta mundial estimada em 751,26 milhões de toneladas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a commodity é pressionada pela melhora das previsões climáticas para as Grandes Planícies americanas, onde o tempo frio ameaçava o desenvolvimento das lavouras. No Paraná, o preço médio ficou em R$ 620,31 a tonelada, alta de 1,26%, segundo o Cepea/Esalq. (Valor Econômico 2/12/2016)