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Relato de delator da Odebrecht sugere que ela não agia sozinha

Em 2013, quando a Odebrecht negociava a aprovação de uma medida provisória no Congresso e o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) atravessou o seu caminho, a primeira coisa que a empreiteira fez foi procurar alguém que pudesse convencê-lo a mudar de ideia.

Segundo uma troca de mensagens encontrada pela Operação Lava Jato nos computadores da Odebrecht, o principal lobista da empresa, Claudio Melo Filho, avisou aos superiores que pediria ajuda a uma colega da Raízen, companhia controlada pelo grupo brasileiro Cosan em sociedade com a Shell, que também tinha interesse na aprovação da medida.

Melo Filho é um dos 77 executivos da Odebrecht que decidiram colaborar com a Lava Jato no ano passado. Pelo que se sabe do seu relato, ele contou que a empreiteira pagou R$ 2,1 milhões a Eunício e R$ 5,6 milhões a outros quatro políticos que teriam ajudado a aprovar a medida provisória. Falta saber se a Odebrecht pagou a conta sozinha, ou se outras empresas que se movimentaram no lance também contribuíram.

Em outra transação, a Odebrecht diz ter pago propina para acabar com uma disputa tributária que opunha o governo a grandes exportadores. Em sua narrativa, Melo Filho apontou a Cosan e a Companhia Siderúrgica Nacional como integrantes de um grupo de empresas que também tinham interesse na questão e se articularam com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo para pressionar o governo e o Congresso.

Episódios como esses chamam a atenção por sugerir que a Odebrecht nem sempre agia sozinha. Muitas vezes, estavam ao seu lado outras grandes empresas, que até aqui não foram importunadas pela Lava Jato.

Será preciso aguardar a divulgação completa dos depoimentos dos delatores da Odebrecht para saber se essas empresas foram cúmplices dos seus crimes, ou se apenas olharam para o outro lado enquanto a empreiteira pagava propina aos políticos que defenderam seus interesses. (Folha de São Paulo 07/01/2017)

 

Preço médio do litro da gasolina sobe a R$ 3,762 na primeira semana do ano

O preço médio do litro da gasolina subiu a R$ 3,762 na primeira semana de janeiro, seguindo a tendência de alta iniciada após a Petrobras reajustar o valor do combustível na refinaria, no início de dezembro.

A média é superior à registrada em todas as semanas de 2016, de acordo com pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável pela divulgação do relatório.

Desde que a Petrobras anunciou uma elevação de 8,1% do preço da gasolina nas refinarias, em 5 de dezembro, o valor médio pago pelo consumidor nos postos subiu 1,92%.

Em relação à última semana de dezembro, o aumento foi de 0,18%.

A elevação dos preços nas bombas é próximo ao impacto de R$ 0,12 por litro estimado pela empresa à época do reajuste.

O valor médio do litro de etanol também subiu para R$ 2,863 na primeira semana de 2017, após fechar o ano passado em R$ 2,844 o litro –alta de 0,67% em uma semana. (Folha de São Paulo 0701/2017)

 

CEO da Cofco Agri deixa a empresa

A Cofco anunciou ontem a renúncia do CEO global de seu braço agrícola, o americano Matt Jansen, que estava há pouco menos de dois anos no cargo. Além dele, Kevin Brassington, chefe global de grãos e oleaginosas também deixou a empresa.

Há pouco, a companhia informou que Jingtao Chi (Johnny Chi) será o novo CEO da Cofco Agri e da Cofco International.

Em comunicado, Patrick Yu, chairman da Cofco International, afirmou que "Johnny está intimamente familiarizado com a Cofco", onde está há 14 anos. "Ele realizou com sucesso a fusão e consolidação de três empresas agrícolas em uma única plataforma, que resultou em uma guinada na performance [da empresa] e é bem versado no negócio agrícola. Estamos confiantes de que Johnny levará a Cofco ao próximo estágio de crescimento".

Conforme a estatal chinesa, Jansen continuará como conselheiro, por período determinado, para garantir uma transição tranquila.

A estatal chinesa quer criar uma gigante global de grãos que possa competir com grandes companhias do segmento, como Cargill, ADM, Bunge e Louis Dreyfus.

A Cofco tentou estabelecer seu próprio negócio de comercialização internacional de grãos nos últimos anos comprando a unidade de grãos da Noble Group e da holandesa Nidera. Mas recentemente enfrentou vários reveses. Um deles foi a descoberta de erros contábeis nas operações no Brasil da Nidera. Conforme noticiaram o jornal “Financial Times” e a “Dow Jones Newswires” em dezembro passado, as perdas em decorrência desses erros podem atingir US$ 150 milhões. (Valor Econômico 06/01/2017)

 

Lucro líquido da Monsanto soma US$ 29 milhões no 1º trimestre

A gigante de sementes e agroquímicos Monsanto teve um lucro líquido de US$ 29 milhões no primeiro trimestre, revertendo o prejuízo de US$ 253 milhões do período análogo de 2016. Por ação, o lucro foi de US$ 0,07 ante prejuízo de US$ 0,56 um ano antes.

As vendas totais da multinacional somaram US$ 2,65 bilhões e foram 19,3% superiores as do mesmo período de 2016.

Dentro da divisão de sementes e gênomas, a mais importante para a empresa, o milho continua como carro-chefe, com vendas de US$ 949 milhões, ante US$ 745 milhões um ano antes. O segmento semelhante de soja, US$ 600 milhões, na comparação com US$ 438 milhões um ano antes. A divisão de algodão teve vendas de US$ 116 milhões, com crescimento de 141% em um ano, e a área de sementes vegetais, US$ 131 milhões, recuou de 5% na comparação anual. Outros segmentos e tratos tiveram vendas de US$ 52 milhões ante US$ 30 milhões no primeiro trimestre de 2016.

Por fim, a divisão de produtividade agrícola registrou vendas de US$ 802 no trimestre, na comparação com US$ 820 milhões um ano antes.

Na divulgação do balanço financeiro, o comentário do presidente e diretor-executivo da empresa, Hugh Grant, foi destinado apenas à fusão com a Bayer. “Ficamos muito satisfeitos com o forte apoio dos acionistas e produtores”, disse. “Esperamos que a combinação com a Bayer nos permita ampliar nossa taxa de inovação mais rapidamente que qualquer outra empresa, o que será fundamental para atender o crescimento da produtividade das lavouras e a demanda projetada nas próximas décadas”. (Valor Econômico 06/01/2017)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Avanço marginal: O cenário macroeconômico instável, com o dólar em alta ante as principais divisas do mundo, refletiu-se em volatilidade nas cotações do algodão na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Ao fim do pregão, os papéis com vencimento em maio fecharam a 74,29 centavos de dólar a libra-peso, alta de 36 pontos. Apesar da queda de 47% nas vendas externas americanas da pluma na semana encerra no último dia 29 apontada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), alguns traders afirmaram que o volume negociado nesse período, de 40 mil toneladas, ficou acima do esperado diante dos preços elevados da commodity. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 89,06 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Forte queda: O recuo nas vendas externas semanais de soja dos EUA, em meio às previsões de safra recorde no país, pressionou os contratos futuros da oleaginosa na bolsa de Chicago na sexta-feira. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 9,9475 o bushel, queda de 17,75 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos fecharam contratos para venda de 87,5 mil toneladas de soja na semana móvel encerrada no último dia 29, queda de 91% em relação à semana precedente e 94% abaixo da média das quatro semanas anteriores. As expectativas do mercado eram de uma venda entre 500 mil e 1,5 milhão de toneladas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 74,30 a saca de 60 quilos, recuo de 0,7%.

Milho: Demanda menor: A demanda mais fraca pelo milho americano pressionou as cotações do cereal na bolsa de Chicago na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,6475 o bushel, recuo de 2,75 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos fecharam contratos para venda de 429,2 mil toneladas de milho na semana móvel encerrada no último dia 29, queda de 55% em relação ao observado na semana anterior e 67% abaixo da média das quatro semanas precedentes. As expectativas dos analistas giravam em entre 550 mil e 1,05 milhão de toneladas. Na última sexta-feira, no mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 36,30 a saca de 60 quilos, com queda de 1,63%.

Trigo: Consumo retraído: Os contratos futuros do trigo recuaram nas bolsas americanas na última sextafeira, refletindo a queda na demanda pelo cereal dos EUA. Em Chicago, os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 4,3475 o bushel, recuo de 1,75 centavo. Já em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,45 o bushel, retração de 1 centavo. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos acertaram a exportação de 183,7 mil toneladas de trigo até o último dia 29, queda de 68% em relação à semana anterior e 61% abaixo da média das quatro semanas precedentes. As perdas, no entanto, foram limitadas pelo clima frio e seco nas planícies do sul dos EUA. No mercado interno, o preço médio ao produtor no Paraná ficou em R$ 622,67 a tonelada, queda de 0,6%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 09/01/2017)