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Agronegócio brasileiro atrai investimentos neozelandeses

Grande produtor de laticínios, ovinos, lãs e frutas como o kiwi e a maçã, a Nova Zelândia, país localizado na Oceania, deve investir mais no Brasil em 2017 e o agronegócio é o setor que deve puxar grande parte destes investimentos.

De acordo com Ralph Hays, cônsul da Nova Zelândia em São Paulo e comissário da New Zealand Trade & Enterprise (NZTE), agência que promove as relações entre os dois países, são as empresas de tecnologia agrícola que devem aportar com mais força no país neste ano. “Temos observado uma crescente demanda por novas tecnologias capazes de ampliar a capacidade produtiva”, diz Hays. “É um cenário de grandes oportunidades, especialmente no segmento de agronegócios”.

Ele também destaca que a crescente pressão para que empresas adotem padrões internacionais de qualidade e segurança alimentar podem gerar negócios no Brasil, já que a Nova Zelândia é reconhecida por desenvolver tecnologias seguras e sustentáveis na agricultura e pecuária. “Com o aumento da demanda global por alimentos e a escassez dos recursos naturais, é fundamental encontrar soluções que contribuam para o aumento da produtividade com menor impacto possível para o meio ambiente”. (Globo Rural 09/01/2017)

 

Dólar cai abaixo de R$ 3,20 com expectativa de fluxo

O dólar fechou ontem em queda frente ao real, com o movimento sendo intensificado pela entrada de recursos no mercado local diante da retomada das operações de emissões de dívida no exterior.

A moeda americana caiu 0,78% encerrando a R$ 3,1965. Lá fora, o dólar operou sem tendência definida em relação às moedas emergentes, com os investidores esperando a divulgação das medidas econômicas do novo presidente americano, Donald Trump, que toma posse em 20 de janeiro.

No mercado local, a retomada das operações de emissões de bônus no exterior tem ajudado a intensificar a queda do dólar. Além da Petrobras, Raízen e Fibria preparam emissão no exterior. A Braskem também confirmou que estuda fazer uma captação externa.

Com o dólar recuando abaixo de R$ 3,20, os investidores já começam a debater a possibilidade do Banco Central voltar a fazer leilões de swap cambial reverso, que equivalem a uma compra de dólares no mercado futuro, aproveitando o momento para reduzir o estoque de swaps cambiais tradicionais, que soma US$ 26,559 bilhões. O BC não oferta swaps cambiais reversos desde 9 de novembro, um dia após a eleição de Donald Trump para presidente nos EUA. "Se o real se aproximar de R$ 3,15 e continuar se apreciando, o BC pode voltar a intervir no câmbio", afirma Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho no Brasil.

Ele ressalta, contudo, que o câmbio continua muito volátil, o que deve favorecer uma postura menos agressiva do BC neste momento. "Assim como saiu de R$ 3,40 para abaixo de R$ 3,20 em um mês, o dólar pode rapidamente voltar a ficar acima R$ 3,30 dependendo de como vai ser a reação dos mercados após a divulgação das medidas do Trump", diz Rostagno. (Valor Econômico 10/01/2017)

 

Sondagem RR: O futuro de Lula está entre a prisão e o Palácio do Planalto

Sergio Moro será o grande árbitro das próximas eleições. É o que mostra uma sondagem realizada pelo Relatório Reservado nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador entre os dias 18 e 29 de dezembro. Para 71% dos 418 consultados, Lula será preso neste ano ou, no mais tardar, em 2018.

Mas e se ele não for para a cadeia?

Bem, neste caso, em vez de Curitiba, seu destino será Brasília: a maior parte acredita que Lula voltará à Presidência da República. Entre os entrevistados, 58%

afirmaram que o ex-presidente vencerá qualquer um dos seus potenciais adversários se puder disputar as eleições. Quem mais tem chance de derrotá-lo é Marina Silva, na opinião de 17%. Para 7%, Lula perderá o duelo para Aécio Neves, o mais bem colocado entre os pré-candidatos do PSDB. Geraldo Alckmin teve 5%, José Serra, 2%, e FHC foi o lanterninha entre os tucanos, com apenas 1% - resultado que tanto pode ser atribuído a uma baixa popularidade ou a uma convicção coletiva de que ele passará longe das urnas em 2018.

Acima de Alckmin, Serra e FHC, surge Jair Bolsonaro, que, na avaliação de 6% dos consultados, superaria Lula em uma hipotética corrida eleitoral. Para 3%, uma vez candidato, o ex-presidente será suplantado por Ciro Gomes. Por fim, apenas 1% crê que o atual presidente Michel Temer venceria o petista em uma eventual disputa eleitoral.

Ainda assim, a percepção da maioria é de que o nome de Lula dificilmente aparecerá na urna eletrônica. De acordo com 42% dos entrevistados, sua prisão se dará neste ano. Outros 29% acreditam que Sergio Moro deixará a decisão para 2018. Para 5%, o pedido de detenção fi cará para o ano seguinte, portanto após as eleições.

No entanto, um contingente bastante expressivo (24%) respondeu que Lula não irá para a cadeia, um grupo que certamente mistura fiéis eleitores do ex-presidente com incrédulos oposicionistas. A pergunta que não quer calar: “Lula é culpado pelos crimes que lhe são atribuídos?”. Para 51% das pessoas ouvidas pelo RR, não há dúvidas: “Sim, as provas disponíveis são definitivas”.

Outros 12% comungam da tese do domínio do fato: dizem que “Sim, uma vez que o ex-presidente era responsável por tudo que se passava no governo”. Há ainda 5% dos entrevistados que consideram Lula culpado, mas aproveitam para dar um cascudo na mídia: para eles, a maior parte das acusações é amplificada pela imprensa.

No lado oposto, 21% dos consultados afirmam que o ex-presidente é inocente e vítima de um complô para evitar seu retorno ao Planalto. Outros 7% acreditam que Lula não é culpado porque, até o momento, não há provas de que ele tenha recebido propina. Por

fim, 4% dos entrevistados dizem crer na inocência do petista por não haver comprovação de que ele seja o dono dos imóveis citados na Lava Jato.

O Relatório Reservado perguntou ainda como Lula será visto pela população no caso de uma prisão antes de 2018. De acordo com 43%, a detenção reforçará a imagem de “grande corrupto”. No entanto, 29% dos entrevistados acreditam que o cárcere provocará um efeito contrário e o ex-presidente passará a ser visto predominantemente como um herói.

Na avaliação de 6%, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar: o ex-operário que chegou ao Planalto perderá importância no cenário político e será esquecido aos poucos. Trata-se do mesmo percentual de pessoas para as quais Lula será considerado um preso político.

Para um grupo ligeiramente menor (5%), o papel que caberá a Lula após uma eventual detenção é o de “vilão do PT e dos demais partidos de esquerda”. Outros 11%, no entanto, afirmam que, mesmo preso, o petista será um importante cabo eleitoral em 2018. (Jornal Relatório Reservado 09/01/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Na esteira do petróleo: O cenário macroeconômico pressionou, ontem, as cotações do açúcar na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 20,23 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 18 pontos. A queda reflete a desvalorização do petróleo em meio às dúvidas sobre a capacidade dos países exportadores da matéria-prima de reequilibrar a oferta mundial após as perfurações de poços nos EUA avançarem na última semana. A resistência da Índia em reduzir o imposto sobre a importação de açúcar diante do déficit na oferta em seu mercado interno também pressionou as cotações. O país disse que seus estoques são suficientes para atender a demanda. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 89,26 a saca de 50 quilos, ligeira alta de 0,08%.

Cacau: Queda especulativa: Um movimento especulativo dos fundos devolveu, ontem, parte dos ganhos registrados no mercado de cacau desde o início de 2017. Os papéis com vencimento em maio fecharam com queda de US$ 76 a US$ 2.168 a tonelada. Na sexta-feira, os dados de importação dos EUA, divulgados pelo Departamento de Comércio local, apontaram recuo no consumo americano da amêndoa. De acordo com o órgão, os EUA adquiriram 28,16 mil toneladas de cacau no mercado internacional em novembro, recuo de 10,9% em relação ao registrado em outubro. O país é o maior consumidor da commodity na América. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 117 a arroba, queda de 0,84%, segundo Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Chuva na Argentina: As condições climáticas adversas na Argentina voltaram a dar sustentação aos contratos futuros da soja na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 10,0525 o bushel, alta de 10,5 centavos. Segundo jornais locais, as chuvas acima da média já causam problemas nas principais regiões produtoras do país, com sérias complicações no sul de Santa Fé, no município de General Villegas e na província de Buenos Aires. Com isso, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu suas estimativas para a área plantada no país em 300 mil hectares na semana passada, para 19,3 milhões de hectares. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 74,06 a saca de 60 quilos, queda de 0,32%.

Milho: Demanda maior: O avanço nos embarques semanais de milho nos EUA impulsionou as cotações do grão na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,67 o bushel, com alta de 2,25 centavos, mesmo com o recuo do petróleo. O comportamento desse mercado influencia o do milho, já que nos EUA o cereal é a matéria­prima do etanol. Conforme o Departamento de Agricultura do país (USDA), foram embarcadas 876,56 mil toneladas do grão na semana móvel encerrada no dia 5, alta de 37,4% na comparação com a semana anterior. O órgão informou ainda o fechamento de contrato para venda de 112,5 mil toneladas da safra 2016/17 para destinos desconhecidos. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 35,75 a saca de 60 quilos, com queda de 1,52%. (Valor Econômico 10/01/2017)