Macroeconomia e mercado

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A Petrobras pretende anunciar um novo PDV até abril. O último, encerrado em novembro, teve a adesão de 11,7 mil funcionários.

Procurada, a estatal garantiu não ter “a intenção de fazer um plano geral” de demissões no Sistema Petrobras.

Mas deixou escapar que pode realizar um PDV em subsidiárias “em processo de desinvestimento”. Como se a ordem dos fatores alterasse o produto final. (Jornal Relatório Reservado 17/01/2017)

 

Corrupção sem fronteiras

Um dos símbolos mais conhecidos do poder é o Rolls-Royce preto que transporta os presidentes da República. Comprado em 1953, o conversível sai da garagem nos dias de posse e nos desfiles de Sete de Setembro. Em outros tempos, já deu carona à rainha Elizabeth e ao general De Gaulle.

Nesta segunda (16), a marca britânica voltou ao noticiário político por uma razão menos nobre: divulgou um acordo para encerrar investigações por corrupção no Brasil. A Rolls-Royce pagará multa de US$ 25,6 milhões por ter sido flagrada no petrolão. (Desde os anos 70, a RR se divide em duas firmas com acionistas diferentes: uma produz automóveis e a outra, investigada na Lava Jato, fabrica turbinas e aviões militares).

A Rolls-Royce entrou na mira do Ministério Público Federal quando Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, admitiu ter recebido suborno na compra de equipamentos para plataformas. Seu depoimento dá uma boa amostra da banalização da roubalheira. Ele diz que "não se recorda exatamente quem foi beneficiado na divisão das propinas, mas lembra que foi beneficiado com pelo menos US$ 200 mil".

Enquadrada pelo órgão antifraude do seu país, a Rolls-Royce também pagará multas milionárias às autoridades britânicas e americanas. O valor total das punições supera a cifra de R$ 2,7 bilhões.

O acordo fechado pela empresa parece um roteiro para a Odebrecht. A empreiteira baiana é suspeita de distribuir propinas em ao menos 12 países. As investigações indicam que a prática era sempre a mesma, só mudava o idioma do acerto.

Na economia globalizada, a gatunagem também ultrapassa fronteiras. Não importa a cor do passaporte, e sim a relação custo-benefício de tentar embolsar dinheiro fora da lei. O caso da Rolls-Royce deveria servir de lembrete para quem pensa que basta trocar empresas brasileiras por multinacionais para acabar com a corrupção. (Folha de São Paulo 16/01/2017)

 

Em busca de lucro, agricultores americanos inovam para se livrar dos mercados globais

Em vez de vender toda a safra recorde de milho colhida no segundo semestre para fábricas de etanol ou para pecuaristas estrangeiros, Jim e Jamie Walters estão destinando parte dela para um produto mais lucrativo: uísque.

A família Walters de Illinois está entre um pequeno grupo que busca formas exclusivas para ganhar dinheiro com a safra, em um momento em que o excesso da commodity derruba os preços dos grãos para níveis baixos que não são registrados há muito tempo. Eles esperam que satisfazer uma mudança no comportamento dos consumidores para produtos de alta qualidade feitos localmente traga lucros mais estáveis do que os turbulentos mercados globais de grãos.

“É óbvio para nós que isso não é um momento de negócio de longo prazo”, disse Jamie Walter em relação à dependência da fazenda dos preços das commodities que oscilaram de forma expressiva nos últimos 10 anos. Agora, a família de cinco gerações de agricultores proprietária da Walter Farms está ramificando seus negócios com a Whiskey Acres Distilling Co., que há três anos está transformando milho e trigo em destilados que são vendidos a quase 100 km em Chicago.

“Ao criar um produto de valor agregado, nós criamos uma oportunidade de êxito”, disse ele, notando que construir a destilaria de US$ 1 milhão com o sócio Nick Nageles foi uma alternativa a pedir empréstimos para expandir a fazenda de cerca de 800 hectares. “Queremos estabelecer nosso próprio poder de formar preço.”

Os preços dos contratos de milho e trigo negociados na bolsa Chicago Board of Trade despencaram quase 60% desde picos recentes registrados em 2012. A soja caiu 44% durante o mesmo período. Como consequência, a renda agrícola caiu pela metade em relação aos recordes de 2013. Muitos agricultores terão prejuízo este ano, dizem economista. (The Wall Street Journal 16/01/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Brasil surpreende: A produção de açúcar acima do esperado no Brasil pressionou as cotações futuras do produto refinado na bolsa de Londres ontem, dia sem pregão em Nova York em decorrência do feriado de Martin Luther King. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 536,50 a tonelada em Londres, recuo de US$ 2,00. Na última sexta-feira, a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) apontou que a produção no Centro-Sul do Brasil no acumulado da safra 2016/17 até o fim da primeira quinzena de dezembro foi de 35,077 milhões de toneladas. O volume é 6% superior ao da temporada passada e ficou acima das estimativas iniciais. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 88,53 a saca de 50 quilos, queda de 0,26%.

Café: Oferta em queda: Os problemas climáticos enfrentados pelo Brasil e pelo Vietnã, principais produtores mundiais de café conilon e robusta, deram sustentação aos contratos futuros da commodity na bolsa de Londres ontem, dia sem pregão em Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2.233 a tonelada, avanço de US$ 31. A Organização Internacional do Café (OIC) estimou, na semana passada, que oferta mundial de café robusta na safra 2016/17 será de 58,17 milhões de sacas, com recuo de 6% sobre o ciclo anterior. No Brasil, a Conab estima uma produção de 7,99 milhões sacas de café conilon nesse período, 28,6% abaixo do ciclo anterior. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café conilon no Espírito Santo ficou em R$ 506,21 a saca de 60 quilos, alta de 0,33%.

Cacau: Demanda incerta: Os sinais de uma demanda mais fraca por cacau pressionaram as cotações na bolsa de Londres ontem em meio à pausa nas negociações em Nova York em decorrência do feriado de Martin Luther King. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 1.810 libras a tonelada, queda de 3 libras. Segundo a Associação Européia de Cacau, o continente moeu 339,38 mil toneladas da amêndoa entre outubro e dezembro de 2016, queda de 0,9% ante igual período de 2015. No acumulado do ano, houve aumento de 1,5% em relação a 2015, para 1,34 milhão de toneladas. A queda na cotação da libra, contudo, limitou as perdas em Londres. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio ao produtor ficou em R$ 117 a arroba, alta de 1,74%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Menor procura: A oferta elevada e a demanda menos aquecida no Brasil têm pressionado os preços do milho no mercado físico doméstico. Segundo o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão, os preços em Campinas (SP), base para o cálculo, caiu 5,8% entre 6 e 13 de janeiro, para a R$ 34,17 a saca de 60 quilos. "Além de os compradores locais estarem abastecidos, houve maior disposição de produtores paulistas, que vinham segurando seus estoques à espera de preços superiores, em negociar", destacou o Cepea, em nota. Ainda segundo o centro de pesquisas, as exportações mais fracas do cereal e o avanço da colheita da safra de verão também pressionam as cotações domésticas. Ontem, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de milho ficou em R$ 34,23, alta de 0,18%. (Valor Econômico 17/01/2017)