Macroeconomia e mercado

Notícias

Bayer promete a investir US$ 8 bi nos EUA após compra da Monsanto

A equipe de transição do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, afirmou hoje que a multinacional alemã Bayer se comprometeu a investir US$ 8 bilhões no país em Pesquisa de Desenvolvimento (P&D) após a aquisição da Monsanto.

Segundo Sean Spicer, porta-voz de Trump, a companhia não especificou em que período de tempo os investimentos seriam feitos, mas garantiu que manteria os empregos existentes nos EUA e elevaria os investimento após o fechamento do negócio.

A promessa ocorreu após o encontro na semana passada entre os CEOs da Bayer, Werner Baumann, e da Monsanto, Hugh Grant, com Trump em Nova York, como parte dos contatos que o presidente eleito vem realizando antes de chegar à Casa Branca, nesta sexta-feira.

A aquisição da Monsanto, por US$ 66 bilhões, ainda é avaliada por autoridades antitruste da Europa e dos EUA. Outros negócios entre gigantes do agronegócio também estão em curso, como a união de DuPont e Dow Chemical e ChemChina e Syngenta, (Valor Econômico 17/01/2017 às 16h: 46m)

 

Tecnologia: Lavoura que parece fábrica moderna e de última geração

Tecnologias como digitalização e automação devem tornar o trabalho no campo mais previsível e rentável. A boa notícia: as fazendas brasileiras já estão preparadas para colher esses frutos.

Para os 800 funcionários da Rasip, empresa que cultiva frutas sediada em Vacaria, na Serra Gaúcha, uma maçã já não é mais uma simples maçã. Agora, ela é também um conjunto de informações digitais. Cada uma das 416 milhões de frutas colhidas anualmente pela empresa é fotografada 200 vezes por um scanner que coleta dados como cor, peso, tamanho e eventuais defeitos.

As informações munem um software que separa as frutas em 46 categorias – há o grupo das mais gordinhas, das mais verdinhas, e aí por diante. O intuito da seleção é enviar a fruta certa ao mercado consumidor correto, seja no Brasil, seja no exterior.

Antes da digitalização do processo, em 2014, a mesma separação era feita manualmente por 100 pessoas. Para adotar o processo tecnológico, a empresa fez um investimento de 15 milhões de reais. E as inovações da Rasip, parte do grupo Randon, são apenas algumas das novidades recentemente adotadas nas empresas agrícolas do empresário Raul Randon.

O objetivo? Aumentar a produtividade e a qualidade da produção agrícola. Nas fazendas, as vacas leiteiras usam tornozeleiras eletrônicas que monitoram os sinais vitais e a movimentação dos animais. Na produção de queijos, robôs giram lentamente as peças de 40 quilos de parmesão em processo de maturação nas câmaras frias – dando mais eficiência a uma técnica desenvolvida há séculos na Itália.

‘No agronegócio, há processos que são e serão manuais, mas há etapas que podem ser automatizadas’, diz Sérgio Barbosa, diretor da Rasip. O que a empresa de maçãs e queijos já faz está prestes a virar o padrão na cadeia do agronegócio no mundo todo.

O fenômeno da internet das coisas, conceito para a conexão digital de máquinas a fim de extrair delas dados que possam levar a processos produtivos mais eficientes, está chegando à lavoura. E deverá ter um crescimento exponencial nos próximos anos.

Segundo dados da americana Tractica, consultoria em tecnologia no agronegócio, o volume de vendas de máquinas agrícolas contectadas à internet, como tratores-robôs e drones, deve chegar a 74 bilhões de dólares em todo o mundo até 2024. Neste ano, não deve passar dos 5 bilhões de dólares.

O volume de sensores espalhados no campo para coleta de informações, hoje na casa das dezenas de milhares no mundo, deverá ultrapassar 2 bilhões em 2050, segundo estimativa da PLC, fabricante americana de sistemas para internet das coisas.

Parte desses componentes estará circulando em tratores autônomos – tecnologia que vem sendo perseguida por montadoras como a americana John Deere, a italiana CNH e a brasileira Jacto. ‘Os tratores sem motorista devem ser uma realidade nas fazendas no prazo de dez anos’, diz Maurício de Menezes, especialista em agricultura de precisão da John Deere no Brasil.

O motivo para que tantas novas tecnologias avancem no campo é um só: o planeta não dispõe de terras aráveis em quantidade suficiente para alimentar uma população que deverá chegar a 10 bilhões de pessoas em três décadas. A saída para não faltar alimentos é melhorar o jeito como eles são produzidos.

A tecnologia, nesse caso, vai ajudar a reduzir a imprevisibilidade que sempre marcou a vida de quem está na lavoura. Na prática, isso significa aproveitar ao máximo o potencial da terra utilizando a menor quantidade de matérias-primas e minimizar o risco de perder o investimento devido a uma seca, enxurrada ou praga.

Nas contas da consultoria Bain&Company, com base em modelos de fazendas já digitalizadas no Brasil e nos Estados Unidos, a aplicação conjunta de tecnologias de internet das coisas, big data e inteligência artificial garante aumentos de pelo menos 10% nas receitas dos fazendeiros. Se todas as fazendas brasileiras já estivessem nesse estágio de desenvolvimento tecnológico, o setor teria faturado 50 bilhões de reais a mais em 2016. ‘Nos próximos anos, a maioria dos ganhos da lavoura virá da digitalização’, diz o sócio da Bain, Luís Oliveira.

A boa notícia é que o agronegócio brasileiro já fez a lição de casa para entrar na corrida global pela digitalização da lavoura. A começar pela quantidade de fazendas que já dispõem de conexão à internet, condição básica para que a tal revolução da contectividade possa, de fato, chegar ao campo.

Segundo um levantamento da Strider, empresa mineira de tecnologia para lavouras, com 3 mil fazendeiros de todas as regiões do país, mais da metade já está contectada – entre as propriedades acima de 10 mil hectares, o índice é de 98%. A grande maioria dos acessos é por antenas que usam sinais de satélite ou rádio e são mantidas pelo próprio produtor rural – as conexões via 3G chegam a apenas dois em cada dez trabalhadores rurais do país.

Entre as grandes fazendas, a maior parte já informatizou os sistemas de gestão financeira, outro indicador importante para medir a predisposição do agricultor em colocar tecnologia em seu dia a dia. O apetite por inovação no agronegócio brasileiro vem de longe.

Nas últimas décadas, a Embrapa, empresa pública de pesquisas para o campo, desenvolveu grãos adequados ao solo árido do cerrado brasileiro, o que permitiu transformar o Brasil num dos maiores produtores de soja do mundo. A renovação de máquinas tem sido intensa nos últimos anos: 30% dos tratores e das colheitadeiras em campo têm menos de cinco anos de uso.

Leva de investimentos

A novidade agora é que multinacionais, tanto do agronegócio como da área de tecnologia, estão aportando recursos para a digitalização da lavoura brasileira. E, ao que alguns anúncios recentes levam a crer, 2017 será marcado como o ano em que a internet das coisas vai entrar, definitivamente, para a agenda de prioridades do setor.

Em dezembro do ano passado, a multinacional americana Monsanto anunciou a seleção de 100 produtores de soja e milho de Mato Grosso, Goiás e Bahia para testar uma plataforma que lê sensores espalhados na fazenda e em máquinas agrícolas e gera previsões sobre o aumento adequado de fazer a manutenção do trator ou iniciar um plantio, e que atualmente só está em uso nos Estados Unidos.

Os dados começarão a ser analisados agora no primeiro semestre. Num estágio similar está a parceria da fabricante alemã de softwares SAP com a fabricante gaúcha de implementos agrícolas Stara num protótipo de trator equipado com sensores e interligado ao software de gestão de fazendas da SAP.

O objetivo?

Monitorar indicadores, como o volume de fertilizantes despejado a cada semeadura, para encontrar o melhor custo-benefício do plantio. As recomendações aos donos das máquinas inteligentes deverão começar no primeiro trimestre deste ano. Em algumas das iniciativas da internet das coisas que devem despontar nas lavouras brasileiras em 2017, o setor privado uniu esforços com a pioneira Embrapa.

Ainda no começo do ano deverão entrar em operação, em lavouras de soja do Paraná e de frutas em Pernambuco, os drones de baixo custo desenvolvidos pela fabricante americana Qualcomm em parceria com a Embrapa de São Carlos, num investimento de 2 milhões de reais.

A empresa pública deve inaugurar em abril uma fazenda de 90 hectares em Jaguariúna, no interior paulista, um laboratório de testes de sensores para a agricultura que já despertou o interesse de grandes empresas de tecnologia, como a Samsung.

O verdadeiro corre-corre pela digitalização do campo já abriu espaço até para novos cursos na área: a partir de março, os jovens de Pompéia, no interior de São Paulo, poderão aprender gratuitamente técnicas de internet das coisas para o agronegócio num curso patrocinado pela multinacional americana Intel em parceria com a fabricante de máquinas agrícolas Jacto, sediada lá.

É a primeira iniciativa desse tipo da Intel no agronegócio no mundo. ‘O Brasil já tem os recursos naturais e a tecnologia está chegando’, diz Fábio Tagnin, diretor da Intel para internet das coisas na América Latina. ‘Vai faltar gente para operar tudo isso’. Muitas dessas tecnologias não focam apenas o aumento da produtividade das fazendas brasileiras. Elas estão sendo criadas para lidar com novos problemas impostos no agronegócio nacional.

Desde 2015, a consultoria finlandesa em engenharia Poeyry, que atende principalmente o setor de papel e celulose no Brasil, está desenvolvendo uma tecnologia de digitalização de florestas de eucalipto e de pínus para acelerar a captura de dados com o objetivo de prever o impacto das mudanças climáticas nessas áreas.

Para acompanhar o ritmo de crescimento das florestas, a Poeyry, em parceria com a Klabin, tem colocado drones nas plantações da empresa para coletar imagens das árvores que são depois utilizadas na construção de modelos tridimensionais – como se fossem maquetes das plantações de eucalipto e pínus.

As informações captadas pelos drones são combinadas com dados como os de microclima, permitindo, assim, prever a evolução da floresta árvore por árvore. Esse tipo de coleta de dados pode ser feita diversas vezes ao ano – diferentemente do inventário florestal tradicional. Hoje, uma equipe de três pessoas consegue medir uma área de 400 metros quadrados num período de 1 hora e meia.

Com a tecnologia de digitalização será possível extrair as informações de uma área semelhante em minutos. ‘A expectativa é que, no prazo de um ano, essa tecnologia comece a ser adotada em larga escala no setor de papel e celulose’, afirma Jefferson Mendes, diretor de negócios florestais da Poeyry.

Apenas um entrave poderá comprometer a boa safra de projetos para digitalização do agronegócio no país: a falta de preparo do Estado brasileiro para lidar com novas tecnologias. Um exemplo disso são as regras para uso de drones, uma discussão que se arrasta há dois anos na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Por enquanto, a legislação existente, de 1999, autoriza apenas o voo para atividades recreativas ao redor de aeródromos. O uso para fins agrícolas precisa ser analisado caso a caso pela agência, criando uma burocracia sem fim para quem costuma gerar riqueza nos rincões do país, e bem longe do aparato estatal.

Existem também desafios tributários como o Fistel, fundo criado há duas décadas para arrecadar recursos para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas que atualmente serve para reforçar o caixa da União (anualmente, o governo federal levanta 5 bilhões de reais via Fistel).

Uma tarifa de 5 reais é cobrada das operadoras de telefonia para cada dispositivo eletrônico conectado à internet, além de uma taxa de manutenção anual que beira 2 reais ao ano. Ou seja, o país impõe uma cobrança de 7 reais para sensores que são vendidos por 50 centavos de dólar. ‘O Brasil é o único lugar no mundo com uma cobrança dessas’, diz Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco.

Para o agronegócio tirar proveito de fato da internet das coisas, será necessário espalhar uma quantidade imensa de sensores em fazendas Brasil afora – o que torna a conta bem salgada. Apenas para conectar à internet os dispositivos de identificação bovina, os chamados brincos, em todo o rebanho do país custaria 1,2 bilhão de reais. Além disso, mais 400 milhões de reais seriam gastos por ano a título de manutenção da boiada conectada. A saída para o problema, porém, pode estar próxima.

Em fevereiro, começam os trabvalhos de uma comissão financiada por governo federal e BNDES para discutir uma política nacional para a internet das coisas, especialmente linhas de crédito e leis que facilitem sua implementação.

O debate vem em ótima hora. O agronegócio brasileiro – que em se provando um dos setores mais lucrativos e inovadores do país, não pode parar por barreiras digitais (Revista Exame edição nº 1129 17/01/2017)

 

Análise da fusão entre Dow e DuPont se concentra em inovação

O desenvolvimento de novas tecnologias para alavancar a agricultura global está no centro do debate das autoridades antitruste da União Europeia (UE) que analisam a proposta de fusão entre Dow Chemical e DuPont. As duas empresas precisam provar aos reguladores que a competição no mercado - fundamental para a inovação - não deve ser prejudicada com a união das duas gigantes.

Segundo fontes, a Comissão Europeia, órgão antitruste do bloco, enviou às empresas em dezembro uma declaração com 800 páginas que focava exatamente o risco para a indústria de perder um player com importante capacidade de pesquisa. Segundo as empresas e a UE, a negociação está progredindo. "Nós acreditamos que a fusão favorece a competição e vai entregar inovação tecnológica e alternativas para os consumidores", disse uma porta-voz da Dow Chemical.

As empresas defenderam a fusão perante a UE em reunião a portas fechadas no último dia 9 de janeiro. Na ocasião, também participaram algumas rivais, como a BASF, que tem demonstrado interesse em comprar alguns dos ativos das empresas. A UE tem até o fim de fevereiro para decidir sobre o futuro da fusão. A Comissão Europeia também analisa outros acordos, como o da ChemChina com a Syngenta e o da Bayer com a Monsanto. Dow e DuPont foram as primeiras a anunciarem a intenção de fusão, em dezembro de 2015.

Após a conclusão do negócio, a companhia teria capital combinado de US$ 122 bilhões, antes de se dividir em três empresas separadas. A UE expressou sua preocupação com o futuro da inovação no setor em agosto, destacando o potencial impacto no mercado de herbicidas para culturas como a de grãos e oleaginosas.

Executivos da Dow e da DuPont disseram que esperam reduzir os custos com pesquisa e desenvolvimento em cerca de US$ 300 milhões, como parte de um plano para cortar US$ 3 bilhões em gastos após a fusão. Segundo eles, entretanto, a parceria ajudaria a disponibilizar novos produtos de forma mais rápida, ao combinar a capacidade da Dow em biotecnologia com o portfólio de milho e soja transgênicos da DuPont. (Dow Jones Newswires 17/01/2017)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Consumo fraco: A melhora das perspectivas de produção no Brasil e a menor demanda por suco concentrado de laranja nos EUA pressionaram as cotações da commodity na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 1,713 a libra-peso, recuo de 905 pontos. Apesar de o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimar a produção da Flórida em 71 milhões de caixas, o menor volume desde 1964, as exportações brasileiras aos EUA têm ajudado a manter a oferta estável no país. Por outro lado, os americanos consumiram o menor volume de suco desde 2002 em 2016, segundo a Nielsen. Foram 464 milhões de galões. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria ficou em R$ 25,41 a caixa de 40,8 quilos, queda de 0,2%, segundo o Cepea.

Soja: Chove sem parar: As chuvas persistentes e acima da média na Argentina continuam dando sustentação aos contratos futuros da oleaginosa em Chicago. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 10,78 o bushel, com alta de 22,4 centavos. Com as novas precipitações do último fim de semana, alguns analistas prevêem quebra de até 10% na atual temporada enquanto outros, mais cautelosos, acreditam ser muito cedo para estimar alguma redução. Isso porque o excesso de chuvas teria de continuar durante o período de crescimento das lavouras para causar grandes problemas. O dólar em queda também ajudou a dar fôlego às cotações. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá subiu 2,77%, para R$ 78,61 a saca de 60 quilos.

Milho: Demanda firme: O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reportou ontem que os americanos fecharam contratos para a venda de 102,944 mil toneladas de milho para destinos desconhecidos. A informação reforçou os sinais de demanda firme pelo grão americano e deu fôlego às cotações em Chicago. Os papéis com entrega para maio fecharam a US$ 3,7275 o bushel, avanço de 7,25 centavos. Na última quinta-feira, o órgão reduziu em quase 2 milhões de toneladas as estimativas para os estoques mundiais de passagem do grão, avaliados em 220,98 milhões de toneladas. Apesar da redução, o volume é superior às 210,01 milhões de toneladas dos estoques em 2015/16. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 34,52 a saca de 60 quilos, alta de 0,85%.

Trigo: Embarques avançam: O avanço nos embarques semanais de trigo nos EUA e a queda do dólar deram sustentação às cotações do cereal nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 4,4825 o bushel, alta de 8,5 centavos. Em Kansas, o mesmo contrato fechou a US$ 4,6375 o bushel, avanço de 2,75 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos enviaram 344,43 mil toneladas do cereal para o exterior na semana móvel encerrada no dia 12 de dezembro, avanço de 30,8% em relação ao observado na semana anterior. No acumulado de 2016/17, esse volume ficou 25,21% acima do observado no mesmo período de 2015/16. No Paraná, o preço médio do trigo ficou em R$ 621,77 a tonelada, recuo de 0,02%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 18/01/2017)