Macroeconomia e mercado

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Cade aprova compra de fatia da Guarani, da Petrobras, pela Tereos

A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a compra, por parte do Grupo Tereos, da totalidade das ações de emissão da empresa Guarani, detidas pela Petrobras Biocombustível (PBio). As ações correspondem a 45,9% do capital votante e total da Guarani.

Despacho aprovando a operação foi publicado nesta quarta-feira, 18, no Diário Oficial da União.

Com a conclusão da operação, o Grupo Tereos passará a ser o único detentor da Guarani.

O Grupo Tereos atua no setor e agribusiness com seu principal ramo de atividade ligado à transformação de beterraba e cana-de-açúcar em açúcar, etanol e energia, e também por meio da transformação de cereais, batata e mandioca em amido e derivados de amido, álcool e co-produtos. O grupo opera 45 unidades industriais ao redor do mundo. No Brasil o Grupo Tereos detém as empresas Tereos Amido e Adoçantes Brasil, além da Guarani.

A Petrobras Biocombustível é uma subsidiária integral da Petrobras, criada em 2008. A PBio atua, diretamente ou por meio de subsidiárias, na produção, logística, comercialização e pesquisa de biocombustíveis, incluindo etanol e biodiesel, bem como de quaisquer outros produtos, subprodutos e atividades correlatas ou afins à logística e à comercialização de matéria-prima e geração de energia elétrica associada às suas operações de produção de biocombustíveis. (Valor Econômico 18/01/2017 às 11h: 33m)

 

SP concentra metade das startups do agronegócio do Brasil

O Estado de São Paulo, responsável por mais de 55% da produção nacional de cana-de-açúcar (48,22 % de etanol e 63,74% de açúcar) na safra 2015/2016, abriga 37 das 74 empresas de tecnologia recém-criadas no País com atividades voltadas exclusivamente para o agronegócio.

Segundo um levantamento divulgado recentemente pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), 15 destas companhias estão instaladas no AgTech Valley, ou Vale do Piracicaba, um conglomerado de startups para a agricultura inspirado no Vale do Silício, na Universidade de Stanford (EUA), onde atuam companhias como Facebook, Apple e Google.

O consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, destaca o pioneirismo da iniciativa lançada em maio de 2016 com o objetivo de integrar o trabalho de diversas empresas e intuições de pesquisas localizadas no município paulista. “O projeto cria uma rede importante de relacionamento, dá mais visibilidade aos diversos agentes que compõem a Agtech Valley. Isso poderá resultar em novas oportunidades de investimentos em soluções que no futuro poderão garantir a posição de destaque do Brasil no atual mapa do agronegócio mundial” afirma o especialista.

O presidente do Conselho Deliberativo da Incubadora ESALQTec, Mateus Mondin, destaca que o Vale do Piracicaba cria um ecossistema com 80 empreendimentos já instalados na região. “Ele organiza o sistema de inovação tecnológica que é, sem dúvida nenhuma, o Vale do Silício da agricultura. Seguindo o modelo americano, temos a ESALQ como um centro de gravidade (a exemplo da Universidade de Stanford), onde surgem as inovações amparadas por outras instituições de ensino superior. Existem startups para todas as áreas do agronegócio”, explica Mondin.

Outros resultados

De acordo com outros dados revelados pelo censo da ESALQ, as 15 startups focadas em biotecnologias, agricultura de precisão e softwares para gestão que atuam em Piracicaba representam 18,6% do total de iniciativas dessa natureza no País. A região soma mais empresas do que o restante dos estados brasileiros. O ranking é formado por SP (37), Minas Gerais (13), Paraná (7), Santa Catarina (6), Rio Grande do Sul (5), seguidos do Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Amazonas e mais o Distrito Federal, todos com uma companhia cada.

Em relação à idade média da equipe de fundadores, a investigação feita pela ESALQ revela que 44% possuem entre 31 e 40 anos, 25% têm de 26 a 30 anos, 16% estão com mais de 40 anos, 12% situam-se na faixa 21-25 anos e 3% ainda não chegraram aos 20 anos. Dos integrantes com expertise técnica, 53% completaram o ensino superior.

Para os novos empresários do ramo tecnológico do universo agro, a ideia de montar startups surgiu predominantemente durante a vida acadêmica (21%) ou em empregos anteriores (21%). Para o restante dos entrevistados, a inspiração surgiu na observação de outros mercados (20%), demanda não atendida como consumidor (15%), outros (11%), hobby (6%) e vivência com negócios familiares (6%). Dentre as principais dificuldades enfrentadas pelas novas empresas, estão: capital inicial para investir na ideia (66%), conquista dos primeiros clientes (49%) e a não dedicação full-time ao negócio (48%). (UNICA 18/01/2017)

 

Europa questiona se fusão entre Dow e DuPont irá afetar inovação agrícola

Novas tecnologias agrícolas para impulsionar a produtividade estão no centro de uma investigação das autoridades antitruste da União Europeia sobre a fusão da Dow Chemical Co. com a DuPont Co.

Os reguladores estão se concentrando na corrida por inovação como uma preocupação que as empresas precisam abordar antes de obter aprovação para a planejada fusão, segundo pessoas a par do assunto.

A Comissão Europeia (CE), a agência antitruste do bloco, enviou à Dow e DuPont, em dezembro, um documento de cerca de 800 páginas com objeções à fusão. Os reguladores temem o impacto da perda de um participante forte do setor agrícola, com capacidade significativa de pesquisa, disseram as pessoas.

As empresas estão fazendo progressos na busca de soluções para amenizar as preocupações da UE, segundo representantes tanto da UE quanto das empresas.

“Acreditamos que a fusão favorece a concorrência e entregará mais inovação e opções para os clientes”, disse uma porta-voz da Dow, adicionando que as empresas “continuam trabalhando construtivamente” com a UE e outros reguladores.

As empresas defenderam sua fusão diante de autoridades da CE em uma audiência a portas fechadas em 9 de janeiro. Também presente estavam outros participantes do setor, incluindo o grupo químico alemão rival, BASF SE, que tem expressado interesse em comprar alguns dos ativos da empresa resultante da fusão que terão que ser vendidos.

Mas o tempo está se esgotando para resolver as preocupações da UE esboçadas no documento, que se transformou em um dos mais longos já rascunhados pelos reguladores antitruste do bloco.

A UE tem até o fim de fevereiro para julgar a fusão, que é uma de várias do setor que estão sendo avaliadas, entre elas a da China National Chemical Corp. com a Syngenta AG, e a da Bayer AG com a Monsanto Co.

A Dow e a DuPont foram as primeiras do grupo a anunciar o acordo, em dezembro de 2015. A fusão propõe unir duas gigantes, com um valor de mercado combinado de cerca de US$ 122 bilhões, para depois separá-las em três empresas distintas.

A comissão indicou que estava preocupada com uma redução da inovação na proteção de lavouras quando decidiu aprofundar sua investigação sobre a fusão entre a Dow e a DuPont em agosto. Em especial, ela apontou para os mercados de herbicidas para lavouras como cereais, beterrabas e oleaginosas, assim como inseticidas.

“A transação pode levar à eliminação de uma das poucas empresas capazes de desenvolver e lançar novos ingredientes ativos”, informou a CE na época.

Juntos, a Dow, DuPont e outros concorrentes investem bilhões de dólares anualmente para desenvolver plantações que podem sobreviver à pulverização de herbicidas e produzir proteínas que repelem insetos, além de produtos mais poderosos para combater pragas agrícolas e software de análise de dados para melhorar a gestão das fazendas.

Executivos da Dow e da DuPont dizem que esperam reduzir os gastos com pesquisa e desenvolvimento em cerca de US$ 300 milhões, como parte do plano de cortar US$ 3 bilhões em custos com a fusão. Contudo, a fusão deveria ajudar a trazer novos produtos ao mercado mais rapidamente ao combinar as capacidades biotecnológicas da Dow com a extensa biblioteca genética de milho e soja da DuPont, dizem eles.

As disputas com reguladores sobre inovação podem às vezes ser mais difíceis de resolver para as empresas que estão se unindo do que a sobreposição comercial, quando elas podem vender unidades de negócios que competem diretamente, dizem advogados especializados em questões antitruste.

“Isso se resume na questão da motivação de uma empresa para fazer algo”, diz Lisl Dunlop, uma das líderes de práticas antitruste da firma de advocacia Manatt, Phelps & Phillips LLP.

Quando analisam questões de inovação, os reguladores antitruste examinam os incentivos das empresas para licenciar novas tecnologias, como métodos de edição genética, e como eles poderiam mudar se a concorrência for reduzida. Em análises anteriores de fusão, a UE exigiu que as empresas vendessem os direitos europeus de produtos que estivessem sendo desenvolvidos.

A Dow e a DuPont têm investido em produtos baseados em micróbios que podem ajudar as plantações a absorver melhor nutrientes e eliminar pragas, assim como técnicas para editar os genes das plantas, o que poderia elevar a produtividade das safras e trazer outros benefícios para os agricultores.

A concorrência pela inovação é um fator cada vez mais importante em avaliações antitruste, dizem advogados. Ela também foi um problema na análise da UE da planejada fusão de US$ 35 bilhões entre a Halliburton Co. e a Baker Hugues Inc., que as duas empresas cancelaram em maio de 2016, em grande parte devido à incapacidade das empresas de solucionar os desafios regulatórios. (Wall Street Journal 18/01/2017)

 

CPFL indica chineses para vagas em conselhos da CPFL Renováveis

A holding de energia elétrica CPFL indicou os nomes de cinco profissionais chineses para assumirem cargos nos conselhos de administração e fiscal de sua subsidiária CPFL Renováveis, dedicada a energia limpa, segundo documento divulgado pela elétrica nesta quarta-feira.

As nomeações, que serão submetidas a uma assembleia geral ordinária de acionistas, agendada para 16 de fevereiro, vêm em um momento em que a chinesa State Gridassume o comando da CPFL Energia, após ter aprovada no final do ano passado sua proposta de aquisição do bloco de controle da companhia por cerca de 12 bilhões de reais.

O engenheiro Futao Hang, que começou carreira na State Grid e atualmente é diretor de um escritório australiano da Shenzhen, foi indicado a uma vaga efetiva no Conselho de Administração da CPFL Renováveis.

Foram apontados ainda os nomes de Yuehui Pan, Ran Zhang e Changgang Liu para cargos no conselho fiscal, além de JiaJia como membro suplente do conselho fiscal, todos são profissionais atualmente com cargos na State Grid ou subsidiárias da companhia. (Reuters 18/01/2017)

 

Trump escolhe ex-governador da Geórgia Perdue como secretário da Agricultura

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, irá nomear nesta quinta-feira o ex-governador da Geórgia Sonny Perdue como secretário da Agricultura, disse na quarta-feira uma autoridade da equipe de transição.

Perdue, de 70 anos, fez parte do comitê de assessoria de Trump para o setor de agricultura durante campanha presidencial. A nomeação, que precisa ser confirmada pelo Senado, irá completar o gabinete proposto por Trump pouco antes de o republicano tomar posse, na sexta-feira.

Ao nomear um ex-governador de um Estado do Sul, Trump se afastou de candidatos de Estados do Cinturão Agrícola do Meio-Oeste dos EUA, responsável pela maior parte das colheitas do país, como milho, soja e trigo. A Geórgia é grande produtora de cultivos como algodão e amendoins.

Durante seu período como governador da Geórgia, Perdue teve que lidar com uma forte seca em 2007, durante a qual ele tomou medidas para corte de gastos de água e em um momento liderou uma cerimônia religiosa para rezar por chuva. (Reuters 19/01/2017)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Novas quedas: Os contratos futuros do suco de laranja concentrado e congelado ampliaram ontem, as perdas registradas na última terça-feira na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1,6765 a libra-peso, queda de 365 pontos. As boas condições climáticas no Brasil têm gerado otimismo entre os produtores e os investidores, que reduzem suas apostas na alta da commodity na bolsa de Nova York. De acordo com a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, os fundos mantinham um saldo líquido comprado de 3.007 contratos no último dia 10, 19,45% abaixo do observado uma semana antes. No mercado interno, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria ficou em R$ 25,65, alta de 0,94%, segundo o Cepea.

Algodão: Pregão instável: As cotações do algodão apresentaram volatilidade na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam com alta de 13 pontos, a 72,75 centavos de dólar a libra-peso. Apesar de o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimar que o país contará com o maior volume em estoque ao fim da safra atual desde 2008/09, os fundos seguem apostando na alta da pluma, baseados nas projeções de outros órgãos. Segundo o Comitê Consultivo Internacional do Algodão, o mercado internacional deverá registrar seu segundo déficit consecutivo na oferta em 2016/17, levando a uma queda de 7% nos estoques globais. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 89,27 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Máxima em 6 meses: As chuvas acima da média na Argentina levaram as cotações da soja ao maior valor em seis meses ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 10,8375 o bushel, avanço de 5,75 centavos. Apesar do cenário confortável para a oferta mundial, alguns analistas já reduzem suas estimativas para a atual safra na Argentina em até 4 milhões de toneladas, segundo a Zaner Group, enquanto outros ainda consideram cedo para realizar previsões. Devido às chuvas, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu recentemente suas estimativas para a área plantada no país em 300 mil hectares, para 19,3 milhões de hectares. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 79,29 a saca de 60 quilos, avanço de 0,87%.

Milho: Dólar e petróleo: O cenário macroeconômico pressionou as cotações do milho na bolsa de Chicago ontem, mas o clima na Argentina limitou as perdas. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,7275 o bushel, com recuo de 0,5 centavo. A queda das cotações reflete a alta do dólar ante outras moedas e o recuo nos preços do barril do petróleo em meio ao avanço da produção americana. Enquanto a matéria-prima mais barata tende a reduzir a demanda por etanol, que nos Estados Unidos é produzido a partir do milho, a moeda americana mais forte torna o produto do país menos competitivo no mercado internacional. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 35,11 a saca de 60 quilos, com valorização de 1,71%. (Valor Econômico 19/01/2017)