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Transnordestina

Caminho livre Benjamin Steinbruch já negocia com o governo um novo financiamento para a Transnordestina, em dezembro, recebeu R$ 430 milhões.

Benjamin não sabe o que lhe trouxe mais sorte: se a chegada de Michel Temer ao Planalto ou a saída de Ciro Gomes da companhia? (Jornal Relatório Reservado 20/01/2017)

 

XP na guerrilha

A XP Investimentos vai torrar R$ 50 milhões em publicidade. Na conta estão inclusos os gastos com a desconstrução da imagem da concorrência. (Jornal Relatório Reservado 20/01/2017)

 

Odebrecht teme que morte de ministro atrase homologação da delação

A morte do ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), causou grande preocupação entre executivos e advogados da Odebrecht.

Além do atraso na homologação dos acordos de delação premiada e leniência (delação da pessoa jurídica), que seria feita por Zavascki, relator da Java Jato, a empresa está apreensiva, por exemplo, com a possibilidade de um ministro nomeado pelo presidente Michel Temer ser o novo relator.

Assim que souberam do acidente que vitimou Teori, dirigentes da empreiteira passaram a pesquisar a jurisprudência em torno da sucessão de uma relatoria como essa.

Como aliados do governo Temer, incluindo o próprio presidente, são citados na delação, a Odebrecht teme que um relator nomeado pelo peemedebista possa intervir a favor do governo, chegando até a vetar a homologação.

Caso a homologação não aconteça, o acordo passa a não ter validade.

Em dezembro, a Odebrecht assinou acordos com a Procuradoria-Geral da República e a força-tarefa da Lava Jato Curitiba em que apresentou cerca de 900 fatos criminosos envolvendo nomes como o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o secretário de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco (PMDB-RJ), os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, tucanos como Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves, e parlamentares, entre eles Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR).

A morte de Zavascki já afetou o andamento das negociações da Odebrecht, iniciadas em março de 2016.

Após a confirmação do acidente de avião, a PGR entrou em contato com a empreiteira e suspendeu as audiências de homologação com os 77 delatores que começariam na sexta-feira (20) e se estenderiam por uma semana.

Nessas audiências, os executivos confirmariam a um juiz auxiliar de Zavascki que fizeram colaborações por livre e espontânea vontade.

Essas reuniões seriam o último passo antes da homologação, que estava prevista para fevereiro. Havia a expectativa de que, neste período, Zavascki tornaria público o conteúdo delatado pela empreiteira.

Outra consequência da morte do ministro é o atraso do início do cumprimento de penas dos executivos da Odebrecht acertadas nos acordos de delação, que passam a vigorar depois da homologação feita pelo STF.

Herdeiro e ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, vai cumprir dez anos, sendo dois e meio em regime fechado, como está preso desde 2015, ele deve sair da cadeia dezembro.

A frente investigativa também perderá celeridade, pois é somente após a validação do acordo pelo juiz relator do caso que os investigadores poderão usar os depoimentos da Odebrecht para pedir a abertura de um inquérito contra os citados.

Só na delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, o nome de Temer aparece 43 vezes.

O mesmo delator disse que o advogado José Yunes, amigo de Temer e, na época assessor presidencial, recebeu em seu escritório parte dos R$ 10 milhões de caixa dois repassados pela Odebrecht ao PMDB para a campanha de 2014.

Após a revelação, Yunes deixou o cargo de assessor presidencial, em dezembro.

DELATOR

A esperança dos delatores é que a ministra Carmem Lúcia, presidente do STF, opte por usar o artigo 68 do regimento da Casa, que permite a redistribuição do processo em caráter excepcional.

Se optar por esse caminho, um ministro da mesma segunda turma de Teori assumiria a relatoria da Operação Lava Jato.

Uma fonte da Odebrecht disse que espera que a ministra opte por essa saída rápida, afinal há réu preso no caso, referindo à situação de Marcelo Odebrecht, que está em Curitiba.

Um dos principais delatores da empreiteira é mais confiante. Ele diz não acreditar que os acordos corram risco. Diz que ninguém vai ter coragem de parar a homologação "porque a opinião pública não vai deixar".

Para ele, o acordo importante "foi feito com o Ministério Público" e a homologação "não tem como" ser evitada agora. (Folha de São Paulo 20/01/2017)

 

Especialistas em agro analisam perspectivas para o setor na próxima década

O desempenho do agronegócio brasileiro, na próxima década, deve ser melhor que a média no restante do mundo, para commodities agrícolas importantes: soja, milho, açúcar e carnes (bovina, suína e frango). Apesar do otimismo, a taxa de crescimento apresentada pelo setor, nos últimos dez anos, no que diz respeito à produção e às exportações das principais culturas, não deve se repetir no período indicado.

A conclusão é do “Outlook Fiesp 2026, Projeções para o Agronegócio Brasileiro”, levantamento elaborado pelo Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que engloba diagnósticos e projeções do setor, em termos de produção, produtividade, consumo doméstico e exportações.

Presidente da Fiesp, Paulo Skaf disse, em nota à imprensa, que “há muitos e grandes desafios de curto prazo, especialmente da situação econômica do país, que afetam diretamente o desempenho do agronegócio, mas também há muitas oportunidades”.

Ele ainda lembra que,  hoje, 60% das exportações do agro enfrentam por algum tipo de industrialização: “Precisamos abrir novos mercados, como o asiático, para aumentar essa proporção. Se o governo fizer o que precisa ser feito em termos de política comercial, alcançaremos números ainda mais significativos”. (SNA 20/01/2017)

 

Mercosul e UE vão acelerar negociações comerciais

A União Européia (UE) sinaliza agora que quer concluir "o mais rápido possível" a negociação do acordo de livre comércio com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), em meio ao risco de mais protecionismo no comércio mundial com políticas que podem vir de Donald Trump na Casa Branca a partir de hoje.

"Sim, o contexto internacional torna mais desejável do que nunca ter um acordo de comércio com o Mercosul", declarou ao Valor a comissária européia de comércio, Cecilia Malmström, depois de se reunir em Davos com o ministro brasileiro da Indústria, Marcos Pereira, a chanceler da Argentina, Susana Malcorra, e o ministro da Produção argentino, Francisco Cabrera.

"Estamos acelerando [as negociações] o máximo que podemos. Estamos totalmente engajados para fazê-lo [o acordo] o quanto antes", acrescentou a comissária europeia, que confirmou uma nova rodada de negociações para março, em Buenos Aires.

Indagada se as negociações, após anos de suspensão e de marcha lenta, poderiam neste novo contexto ser concluídas até o fim do ano, ela respondeu que não gostaria de fixar prazos, mas adiantou: "Vamos tentar, é possível". Sobretudo, será preciso combinar com a França, que terá eleições este ano, e outros protecionistas agrícolas, como a Irlanda.

O certo é que o tom da comissária mudou em relação ao que dizia no ano passado, quando afirmava que a negociação deveria ser feita tranquilamente, na prática rejeitando a pressa anunciada pelo chanceler José Serra.

Com um acordo com o Mercosul, um enorme mercado com potencial consumidor importante, empresas européias terão preferências significativas comparado a companhias dos Estados Unidos, por exemplo.

"Há uma disposição totalmente nova e maior, do lado europeu, do que havia um ano atrás", disse o ministro Pereira. A idéia esboçada ontem, na reunião, é que os dois blocos possam anunciar em dezembro um entendimento "político" em torno do acordo de livre comércio. Isso não significa que todos os pontos técnicos sejam fechados, mas um alinhamento sobre as questões mais importantes. O objetivo, segundo explicou Pereira, é aproveitar a conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) no fim de 2017, que desta vez ocorrerá em Buenos Aires.

Os dois blocos combinaram de melhorar suas ofertas de liberalização comercial em março. As propostas iniciais foram trocadas em maio do ano passado, mas decepcionaram ambas as partes. O Mercosul se dispôs a eliminar tarifas para 87% do comércio em um prazo de 15 anos, algo considerado insuficiente pela UE. Diante dos indícios de que a oferta seria baixa, os europeus assumiram o compromisso de zerar alíquotas para 89% das exportações sul-americanos, o que também resultou em frustração ­ principalmente porque não incluía etanol nem carne bovina.

Do lado do Mercosul, segundo funcionários do governo brasileiro, será preciso igualmente desagradar setores da indústria para aumentar a cobertura da proposta de liberalização à UE.

A eleição de Trump praticamente sepulta as possibilidades de conclusão da Parceria Transatlântica (TTIP), um tratado de livre comércio que vinha sendo discutido entre Estados Unidos e UE. O acordo já enfrentava dificuldades, sobretudo na França.

Em debate no Fórum Econômico Mundial intitulado "Protecionismo: de volta para o futuro", numa alusão às ameaças de Trump, a comissária europeia deixou claro que a Europa vai prosseguir firme na negociação de 16 acordos comerciais e que prepara a abertura de discussões com mais seis parceiros. O debate sobre protecionismo mostrou grande expectativa e um certo pessimismo, diante da retórica de Trump. Min Zhu, ex­diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e agora de volta a Pequim, declarou que a China está evidentemente preocupada, mas alertou: "Guerra comercial não tem ganhador e pode causar queda no PIB dos EUA". Ao mesmo tempo, a China quer expandir acordos comerciais na Ásia e em outras regiões.

O diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, alertou que uma guerra comercial pode ter consequências inimagináveis, mas foi cauteloso, observando que ainda não viu nada concreto de Washington. (Valor Econômico 20/01/2017)

 

Grandes empresas se aliam para promover hidrogênio como energia limpa

Treze grandes grupos europeus e asiáticos (BMW, Daimler, Honda, Hyundai, Kawasaki, Shell, Air Liquide, Alstom, Engie, AngloAmerican, Linde, Total e Toyota) unirão esforços para promover o hidrogênio como fonte de energia limpa com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. As informações são da Rádio França Internacional.

Este "Conselho do Hidrogênio" (´Hydrogen Council´), formado por grupos relacionados ao setor automobilístico e energético, fez a defesa da nova tecnologia nessa terça-feira (17) durante a sua primeira reunião em Davos (Suíça), onde é realizado o Fórum Econômico Mundial.

Concretamente, as 13 companhias compartilharão dados e pesquisas para fomentar o uso do hidrogênio em nível global, uma energia que não emite CO2 quando é consumida. "Atores-chave da energia, do transporte e do setor industrial unem suas forças para expressar uma visão comum do papel central que o hidrogênio terá na transição energética", disse o presidente do novo conselho, Benoît Potier, líderl do grupo de gases industriais Air Liquide.

"Até o momento, sem um grande apoio dos poderes públicos, a transição para uma energia sem CO2 é impossível", disse Takeshi Uchiyamada, presidente da montadora japonesa Toyota. Daí terem escolhido Davos para sua primeira reunião, visando chamar a atenção das lideranças mundiais da política e da economia.

O novo conselho afirma que, além de alimentar as células de combustível em veículos automotivos, o hidrogênio também serve para aproveitar a parte de energias renováveis (solar ou eólica) que é produzida, mas se perde porque não pode ser armazenada.

Uso maciço

Patrick Pouyanné, presidente da Total (grupo empresarial do setor petroquímico e energético presente em mais de 130 países), afirmou que "dominamos as tecnologias, mas agora o desafio é desenvolver seu uso de maneira maciça.

"Se conseguirmos fazer os custos do conjunto da cadeia de produção baixarem, amanhã o hidrogênio será uma grande solução para a energia", disse Didier Holleaux, do Engie (segundo maior grupo do mundo no ramo de energia, que atua na geração e distribuição de eletricidade, gás natural e energia renovável).

Bertrand Piccard, o piloto suíço que em julho deu a volta ao mundo com um avião impulsionado por energia solar, o Solar Impulse 2, também é um grande defensor do hidrogênio."Há 20 anos falamos do hidrogênio um pouco como os adolescentes falam do sexo. Todos falam dele, mas ninguém o faz. Hoje podemos fazê-lo", afirmou. (Agência Brasil 19/01/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Ajuste técnico: Um ajuste técnico derrubou ontem as cotações do açúcar na bolsa de Nova York após a commodity operar a maior parte da sessão em alta. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 20,22 centavos de dólar a libra-peso, queda de 58 pontos. Com isso, a diferença entre os contratos de primeira e segunda posição voltou a ser negativa, o que indica a percepção de uma oferta mais confortável no curto prazo, disse Ricardo Nogueira, analista da FCStone. "Alguma trading está apostando que a oferta está muito mais folgada do que se imaginava no curto prazo, e o mercado já comenta que a fila de navios nos portos brasileiros está mais fraca em relação à media histórica", afirmou. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 87,81 a saca de 50 quilos, recuo de 0,44%.

Cacau: Receios com a demanda: Os preços do cacau registraram queda ontem na bolsa de Nova York ante receio com a fraqueza da demanda industrial ao redor do planeta. Os papéis para maio caíram US$ 62, a US$ 2.162 a tonelada. O mercado não se animou com o dado de processamento de cacau na Ásia, onde as indústrias moeram 188,49 mil toneladas no quarto trimestre de 2016, um avanço de 16,9% na comparação anual. Após o fechamento do pregão, as indústrias da América do Norte reportaram uma queda de 1,1% no volume de cacau processado no período, totalizando 117,588 mil toneladas. O dado se soma ao da Europa, onde a moagem caiu 0,9% no trimestre, para 339,4 mil toneladas. No Brasil, o preço médio caiu R$ 1, para R$ 114 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: No vermelho: Os contratos futuro do suco de laranja concentrado e congelado cederam ontem na bolsa de Nova York. Os papéis para maio fecharam a US$ 1,663 a libra-peso, recuo de 135 pontos. Trata-se da quarta desvalorização consecutiva nas cotações da commodity. Ao longo da semana, os preços foram pressionados pelo cenário climático favorável para o desenvolvimento da safra 2016/17 no Brasil. Em dezembro, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimou que o Brasil colheria 446 milhões de caixas de 40,8 quilos de laranja na safra 2016/17, avanço de 37% em relação à temporada anterior. Já o consumo global tem se mantido no menor nível desde 2002, segundo a consultoria Nielsen. No Brasil, o indicador Cepea/ Esalq para a laranja à indústria subiu 0,39%, a R$ 25,75 a caixa de 40,8 quilos.

Milho: Alta em Chicago: Novos sinais de demanda firme pela safra 2016/17 nos EUA deram sustentação os contratos futuros do milho na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,7325 o bushel, avanço de 1 centavo. De acordo com o Departamento americano de Agricultura (USDA), os exportadores do país fecharam contrato para a venda de 110,4 mil toneladas de milho para destinos desconhecidos com entrega no atual ano-safra, 2016/17. Ainda segundo o órgão, foram embarcadas 888 mil toneladas do grão durante a semana móvel encerrada no dia 12 contra 879,33 mil toneladas no período anterior. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 34,05 a saca de 60 quilos, recuo de 0,17%. (Valor Econômico 20/01/2017)