Macroeconomia e mercado

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Blairo Maggi passa a enxada na direção da Embrapa

O governo Michel Temer parece disposto a fi nalmente acabar com rincões da Era Dilma que ainda perduram nas estatais.

Após defenestrar o quase eterno Jorge Samek do comando de Itaipu, o alvo agora é a diretoria da Embrapa, a começar pelo presidente, Mauricio Lopes, no cargo desde 2012.

A tarefa está nas mãos do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que já negocia com líderes da bancada ruralista nomes para a estatal.

Consultado, o Ministério da Agricultura diz "não ter informações" sobre mudanças na Embrapa. No que dependesse de Blairo Maggi, a direção da Embrapa já teria sido arrancada pela raiz há tempos.

O ministro identifica a atual gestão como um foco de resistência à proposta de venda de 51% da Embrapatec, subsidiária que está sendo criada para concentrar a comercialização de biotecnologias desenvolvidas pela empresa. Maggi chamou a operação para si e quer concluí-la neste ano, ele negocia com a base aliada para que o Projeto de Lei nº 5.243/16, que institui a subsidiária, seja votado com celeridade.

A proposta andou a passos de quelônio nos últimos meses do governo Dilma Rousseff. Praticamente toda a diretoria da Embrapa remonta à Era Dilma.

Mauricio Lopes é bastante identificado com a ex-ministra da Agricultura, Katia Abreu.

Já a diretora de Administração e Finanças, Vania Castiglioni, é ligada à senadora Gleisi Hoffmann. Vania, inclusive, chegou a ser investigada pela Controladoria-Geral da União por supostas irregularidades na criação da Embrapa Internacional, nos Estados Unidos.

O projeto, que acabou não indo adiante, teria sido conduzido sem aprovação do Conselho de Administração da estatal. Por sua vez, o diretor de Tecnologia, Waldyr Stumpf Junior, saiu do PT do Rio Grande do Sul. (Jornal Relatório Reservado 26/01/2017)

 

Estrangeiros estão de olho nas terras agrícolas do Brasil

O mercado de terras só deve voltar a ter liquidez no Brasil, em curto prazo, quando a compra de terras agrícolas por estrangeiros for aprovada pelo Congresso Nacional. A avaliação é de José Vicente Ferraz, diretor técnico da Informa Economics FNP, que vem sendo consultada por investidores de fora do Brasil, ávidos  pela compra de campos no país.

Um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) vetou a venda de terras para estrangeiros em 2010, mas, com a mudança do governo, o assunto voltou a ganhar força em Brasília. Segundo Ferraz, esses investidores estão dispostos a negociar com dinheiro vivo. “São abutres esperando a oportunidade, que pode vir com a flexibilização da lei de compra de terras. Se isso ocorresse, automaticamente eliminaria o deságio que está tendo nos preços, provocaria uma nova valorização das áreas e  reativaria o mercado”, explica.

A Informa, que monitora a compra e venda de terras no Brasil, observa uma estagnação do mercado nos últimos anos. O único segmento que tem registrado alguns negócios é o chamado “mercado de vizinhança”, quando um vizinho negocia com o outro. Isso ocorre principalmente em regiões onde a estrutura fundiária está bem definida, como é o caso do Sul e Sudeste. (Globo Rural 26/01/2017)

 

Ação em favor do Brasil é obstáculo para nome de Trump para o comércio

Robert Lighthizer (Foto), nomeado pelo presidente Donald Trump como representante de comércio dos EUA, pode ter sua aprovação no Senado americano dificultada por um trabalho que fez para o Brasil há mais de 30 anos.

Advogado especializado em disputas comerciais, Lighthizer negociou em favor do Brasil num contencioso sobre etanol em 1985, de acordo com registros oficiais do Departamento de Justiça revelados por uma norma americana de liberdade de informação.

Segundo os documentos, além do Brasil Lighthizer também representou o Reino Unido, Bermudas, Jamaica e União Soviética entre 1985 e 1991.Pela Lei de Revelação de Lobby, aprovada em 1995, qualquer pessoa que representar governos estrangeiros em disputas contra os EUA fica vetada para chefiar as negociações comerciais do país, cargo para o qual Lighthizer foi nomeado (United States Trade Representative).

Para que a lei seja revogada em casos específicos, o que já ocorreu, é preciso que passe por votação nas duas casas do Congresso.Um dos argumentos que devem ser usados pelos defensores da nomeação é que a lei não se aplicaria por ter sido aprovada após a ação de Lighthizer em favor do Brasil.

Ele também tem a vantagem de ser considerado qualificado para o cargo tanto por republicanos como democratas.Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, disse que Trump tem "total confiança" em Lighthizer e chamou de absurda a possibilidade de o advogado ser barrado no Senado por sua ação em prol do Brasil.

"Trinta anos atrás ele prestou uma breve consultoria a um cliente brasileiro num processo de antidumping e tarifas de importação, uma tentativa de chegar a uma solução amigável com os produtores americanos", disse Spicer.

"Seria um absurdo que uma ação como essa o impedisse de servir como USTR."Conhecido por suas posições protecionistas, Lighthizer, 69, estará na linha de frente do governo Trump para cumprir as promessas do presidente de endurecer as negociações comerciais, caso seja aprovado no Senado.Vice-representante de Comércio dos EUA no governo de Ronald Reagan (1981-1989), Lighthizer se especializou em representar empresas americanas em disputas com governos e companhias estrangeiras, segundo sua biografia no site do escritório de advocacia Skadden, Arps, Meagher & Flom, do qual é sócio.

Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça mostram que, em 1985, Lighthizer representou o extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), "num esforço mais amplo de resolver disputas entre o Brasil e os Estados Unidos envolvendo o comércio de etanol".

O contrato assinado no dia 14 de novembro de 1985 pelo escritório de Lighthizer e pelo então presidente do IAA, José Roberto Toledo Filho, previa serviços legais e consultoria com o objetivo de "persuadir" o governo, o Congresso e os produtores de etanol dos EUA sobre as vantagens de resolver as "notáveis dificuldades relacionadas ao etanol em bases amigáveis e equitativas".

O escritório também se comprometeu a participar de esforços no Congresso para chegar a um acordo.Todo indicado para chefiar o USTR e seu número dois são submetidos à mesma pergunta nas sabatinas de aprovação no Comitê de Finanças do Senado sobre ações em favor de governos ou empresas estrangeiras em disputas comerciais.

Em caso positivo, devem fornecer os nomes dos favorecidos e uma descrição dos serviços prestados. A resposta dada por Lighthizer em sua sabatina não foi divulgada.Na disputa de 1985, quando o Brasil era o maior fornecedor de etanol para os EUA, as acusações de dumping foram negadas pela Comissão de Comércio Internacional americana.

No entanto, por pressão da indústria local, o governo acabou elevando de forma significativa as tarifas de importação sobre o etanol brasileiro, prejudicando fortemente as vendas para os EUA. (Folha de São Paulo 26/01/2017)

 

BB fecha acordo para incentivar produção de máquinas agrícolas

Objetivo é atender os 1.640 sócios da entidade, além de micro e pequenas empresas que fazem parte da cadeia produtiva de máquinas.

O Banco do Brasil e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) fecharam um acordo para aumentar o volume de investimentos e de financiamento ao comércio exterior. A idéia é dar acesso a melhores condições de crédito aos 1.640 sócios da entidade e a micro e pequenas empresas que fazem parte da cadeia produtiva.

Com essa medida, o banco deve se tornar mais assertivo e dar mais agilidade ao atendimento desses empresários, desde o processamento das operações até a contratação e liberação de recursos.

"Há um vasto mercado que passa a ter o reforço da parceria com o Banco do Brasil nas condições comerciais de linhas de crédito tradicionais para investimentos”, avaliou o vice-presidente do BB de agronegócios e de micro e pequenas empresas, Tarcísio Hübner. Ele pondera que o convênio vai potencializar a retomada da economia.

O presidente do Conselho de Administração da Abimaq, João Carlos Marchesan, classificou a ação como importante para as empresas que fabricam máquinas e equipamentos. “A assinatura do convênio tem significado especial neste momento em que a economia brasileira mostra os primeiros sinais de retomada do crescimento”, observou.

Segundo ele, o acesso ágil e sem complicações aos financiamentos é condição essencial para a reativação dos investimentos em máquinas e equipamentos. “É o primeiro passo para que a economia reencontre a vitalidade que perdeu com a crise”, afirmou.Apoio ao fabricante de máquinas e equipamentos.

Além de linhas de crédito tradicionais, como o Finame, que oferece financiamento para a aquisição de máquinas e equipamentos -, o BB, com esse acordo, também passou oferecer cotas de consórcio para as empresas associadas e seus compradores e fornecedores.

O Banco do Brasil também vai fazer o financiamento de estratégias de promoção comercial para exportação, por meio de ações de marketing digital como o portal B2Brazil, o maior portal brasileiro de compras corporativas destinado à exportação.

Outra solução apresentada para os as empresas associadas à Abimaq é a EsteiraAgro BB. Nesse modelo de negócios, as revendas de máquinas e equipamentos agrícolas originam operações de financiamento aos produtores rurais via internet, inclusive com o envio de documentos digitalizados. (Portal Brasil 24/01/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Por Câmbio no radar: Os contratos futuros de café arábica caíram ontem na bolsa de Nova York em meio às perspectivas de avanço do dólar ante o real. Os papéis mais negociados, com vencimento em maio, fecharam a US$ 1,5535 a libra-peso, recuo de 55 pontos. Apesar da recente desvalorização da moeda americana, que vinha dando sustentação às cotações juntamente com as previsões de uma menor produção no Brasil, analistas destacam que o dólar continua em tendência de alta ante o real. A moeda americana mais forte costuma estimular as exportações e impulsionar a oferta no mercado internacional. As perdas, contudo, têm sido limitadas pelas perspectivas de que a bienalidade negativa nas lavouras deva reduzir a produtividade do país. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq subiu 1,01%, a R$ 533,36 a saca de 60 quilos.

Cacau: Superávit à vista: Os contratos futuros de cacau caíram ontem na bolsa de Nova York influenciados pelas perspectivas de superávit na oferta mundial na safra 2016/17. Os papéis mais negociados, com vencimento em maio, fecharam a US$ 2.200 a tonelada, recuo de US$ 4. A queda acontece após duas sessões consecutivas de alta, reflexo da desvalorização do dólar e de especulações sobre os atrasos nas entregas da amêndoa nos portos do oeste da África. Apesar disso, traders e analistas acreditam que os atrasos não são um motivo real para a alta dos preços em Nova York, já que se devem a problemas internos dos países produtores, e não a uma queda na safra. No mercado interno, o preço médio ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou estável em R$ 115 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Dólar em alta: Os contratos futuros de algodão recuaram ontem na bolsa de Nova York em meio à recuperação do dólar ante as principais divisas. Os papéis de maior liquidez, com vencimento em maio, fecharam a 74,52 centavos de dólar a libra-peso, queda de 15 pontos. A moeda americana mais forte tende a reduzir a competitividade do produto do país, maior exportador mundial de algodão. A desvalorização reflete ainda a queda das importações chinesas em 2016. De acordo com a Zaner Group, os chineses importaram 898,315 mil toneladas de algodão em 2016, redução de 39,1% ante 2015. A China já foi o maior importador mundial da pluma, mas caiu para a terceira posição após o início dos leilões de seus estoques. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o algodão subiu 1,07%, para R$ 2,786 a libra-peso.

Soja: Demanda firme: Os contratos futuros de soja avançaram ontem em Chicago, impulsionados, ao fim do pregão, por sinais de demanda firme pelo produto americano. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores locais fecharam contratos para a venda de 75 mil toneladas de soja para o México e outros destinos, com entrega prevista nas safras 2016/17 e 2017/18. Na bolsa americana, os contratos de exportação se sobrepuseram aos sinais de melhora nas condições climáticas na Argentina, que chegaram a pressionar as cotações da oleaginosa. Ontem, os contratos de soja com vencimento em maio fecharam o pregão a US$ 10,64 por bushel, avanço de 3,50 centavos. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja recuou 0,29%, em Paranaguá, para R$ 76,40 a saca de 60 quilos. (Valor Econômico 26/01/2017)