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FGV: Queda no preço da gasolina terá impacto “desprezível” na inflação

A queda dos preços da gasolina e do diesel nas refinarias, anunciada ontem (26) pela Petrobras, não deve causar um recuo perceptível da inflação, diz André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV). “O impacto vai ser desprezível”, afirma.

No caso da gasolina, ele diz que a alta de 6,69% do álcool anidro no acumulado de 12 meses encerrado em janeiro deve compensar o recuo de 1,4% no preço do combustível na refinaria. A gasolina vendida nos postos tem em sua composição 27% de álcool anidro, produto cujo preço vem subindo em função da maior demanda internacional por açúcar. Isso diminui espaço para a produção de etanol em favor da produção de açúcar, elevando a cotação do biocombustível.

A Petrobras também anunciou o recuo de 5,1% nos preços do diesel nas refinarias. Braz ressalta a importância dos preços desse tipo de combustível, já que boa parte do escoamento e transporte de produtos no Brasil é feito por caminhões, que rodam à base de diesel.

“O preço do frete ‘contamina’ tudo o que a gente compra: o tomate na feira, o celular no shopping”, diz. Mas só será possível ter uma idéia mais clara desses impactos na inflação em um prazo mais longo. A Petrobras decidiu fazer pelo menos uma revisão mensal dos preços em outubro do ano passado. A mudança anunciada ontem foi a segunda só em janeiro, já que no início do mês o diesel sofreu alta de 6,1%.

“É preciso ver o que vai sobrar desse ciclo de altas e quedas, e isso a gente só vai conseguir medir ao longo do tempo”, afirma.

A valorização recente do real foi o principal motivo apresentado pela Petrobras nessa quinta-feira para baixar os preços na refinaria. Braz afirma que a valorização da moeda nacional pode ajudar a trazer novas quedas nos combustíveis no primeiro trimestre, mas que a tendência é que isso seja revertido a partir de abril. “As projeções para o fim do ano mostram o dólar mais próximo de R$ 3,40 do que de R$ 3,15”, diz. (Valor Econômico 27/01/2017)

 

Mais austeros, Brasil, Argentina e México eliminam subsídios à gasolina

As maiores economias da América Latina estão eliminando os caros subsídios aos combustíveis em uma mudança rumo à austeridade fiscal, que ocorre no rescaldo da queda das commodities.

Brasil, Argentina e México recentemente se uniram à Colômbia e colocaram os preços nas bombas nos níveis internacionais, ou próximo disso, em decisão que, segundo a Moody’s Investors Service, gera impacto indireto positivo sobre a percepção de risco porque melhora a situação fiscal dos países. Até o momento as políticas estão sobrevivendo às manifestações de rua no México e aos baixos índices de aprovação no Brasil.

As produtoras estatais Petrobras e YPF registraram aumentos nos valores de suas ações cortando os subsídios que os governos anteriores usavam para conter a inflação e estimular a economia. As decisões fazem parte de uma tendência mais ampla, na qual vários líderes latino-americanos estão revertendo anos de políticas econômicas populistas para frear déficits fiscais e restaurar a confiança em suas economias.

“Esses países estão sob uma enorme pressão fiscal e estão reagindo a isso”, disse Samar Maziad, analista de títulos soberanos da Moody’s.

O presidente Mauricio Macri tornou a economia da Argentina mais competitiva desde que assumiu em 2015. O aumento de 8 por cento nos preços da gasolina neste mês contribuiu para a alta recente das ações da YPF, que tem sede em Buenos Aires, e os papéis atingiram o maior patamar em mais de um ano. A Argentina caminha para a completa liberalização dos preços até 2018. A YPF preferiu não comentar sobre o preço de suas ações.

O México elevou os preços em cerca de 20 por cento neste mês após abrir o monopólio da estatal Petróleos Mexicanos à concorrência estrangeira. O governo prometeu eliminar completamente os subsídios ao combustível no decorrer do ano. O chamado “gasolinaço” gerou protestos por todo o país, o que complicou a distribuição de combustível e deixou o índice de aprovação do presidente Enrique Peña Nieto em uma mínima histórica de 12 por cento. O México planeja outro aumento do preço dos combustíveis em 4 de fevereiro.

No Brasil, onde os subsídios drenaram um total estimado em US$ 40 bilhões da Petrobras entre 2011 e 2014, o presidente da empresa, Pedro Parente, tem mostrado maior independência em relação ao governo para fixar os preços dos combustíveis. Com Parente, a companhia estabeleceu uma nova metodologia de preço em outubro e implementou cinco ajustes desde então.

A Petrobras reduziu os preços da gasolina e do diesel em 1,4 por cento e 5,1 por cento, respectivamente, a partir da sexta-feira, em resposta à valorização do real em relação ao dólar. Em resposta enviada por e-mail, a empresa informou que os preços domésticos continuarão acima dos níveis internacionais.

“A Petrobras precisa travar sua política de preços para os combustíveis domésticos para reduzir a ansiedade do mercado em relação às mudanças de preços”, disse Filipe Gouveia, analista de petróleo do Bradesco BBI, em relatório de 17 de janeiro. (Bloomberg 27/01/2017)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Novo recuo: Os sinais de uma demanda mundial mais fraca por cacau em meio ao avanço da produção no oeste da África levaram as cotações da commodity ao menor nível desde março de 2013 na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 2.101 a tonelada, recuo de US$ 39. Segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO), os estoques na Europa somavam 898.748 toneladas em 30 de setembro passado, quando se encerrou a safra 2015/16, alta de 139.437 toneladas em relação ao registrado um ano antes. Nas últimas semanas, dados de moagem na Europa e América do Norte indicaram enfraquecimento da demanda. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio ao produtor caiu 4,09%, para R$ 110 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Produção menor: Novos dados para a produção de laranja nos EUA deram fôlego às cotações do suco de laranja concentrado e congelado na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1,699 a libra-peso, avanço de 830 pontos. Na última semana, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduziu as previsões para a produção de laranjas no país devido ao avanço do greening na Flórida, Estado que responde por 60% da produção americana. Segundo o órgão, o país deve colher 4,9 milhões de toneladas na safra 2016/17, queda de 470 mil toneladas em relação ao ciclo anterior. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria ao produtor pela caixa de 40,8 quilos de laranja caiu 0,74%, para R$ 25,58, segundo o Cepea.

Algodão: Vendas firmes: As vendas externas firmes de algodão da safra 2016/17 pelos EUA deram impulso às cotações da commodity na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 75,39 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 69 pontos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores do país fecharam contratos para a venda de 99,5 mil toneladas de algodão da safra 2016/17 na semana encerrada no último dia 19. No acumulado desta temporada, o volume vendido já atingiu 81,5% das previsões do USDA ante uma média dos últimos cinco anos de 79,8% para o mesmo período. No mercado interno, o preço médio ao produtor na Bahia foi de R$ 91,80 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Milho: Mercado em xeque: O mercado está apreensivo com o futuro da relação entre os EUA e o México, principal importador do milho americano. A possibilidade de que a política protecionista de Donald Trump atrapalhe as exportações de milho dos EUA, que devem ter produção recorde na safra 2016/17 ­ pressionou as cotações na Bolsa de Chicago na sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam o pregão a US$ 3,6975 o bushel, com queda de 1,25 centavo. No cenário interno, o republicano adiou para março a entrada em vigor dos novos volumes obrigatórios de uso de combustíveis renováveis para este ano no país. Isso gera incertezas sobre demanda pelo grão, já que nos EUA o etanol é produzido a partir do milho. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão subiu 0,14%, para R$ 36,66 a saca de 60 quilos. (Valor Econômico 30/01/2017)