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CCEE eleva projeção de preço spot da energia elétrica em 2017

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) projetou que o preço spot da eletricidade, ou Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), deverá fechar 2017 em uma média de 193,08 reais por megawatt-hora nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, em revisão para cima ante a previsão de janeiro, que apontava para média de 188,95 reais.

Os preços esperados para o Nordeste também subiram, para uma média estimada em 241,08 reais por megawatt-hora neste ano, ante 206,95 reais na projeção de janeiro, apontou a CCEE em documento divulgado nesta segunda-feira. (Reuters 30/01/2017)

 

Suape (PE) poderá ter plataforma de biocombustíveis para produzir isobutanol

Setor de aviação vem utilizando o combustível para reduzir emissão de gases.

O Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), em parceria com a Copergás e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, está estudando a implantação de uma plataforma de biocombustíveis no Complexo de Suape. Um dos objetivos é a produção do isobutanol, um álcool de quatro carbonos que pode substituir o uso da gasolina em veículos e ser usado como combustível de aviação. A tecnologia já está em uso nos Estados Unidos e o Brasil tem interesse em replicar.

“Com a plataforma em Suape, Pernambuco poderá sair na frente nos estudos e na produção de um combustível mais avançado e com melhor eficiência energética. Nos Estados Unidos a empresa Gevo desenvolveu uma tecnologia de produção direta do isobutanol, por fermentação direta, e produz simultaneamente ao etanol convencional (dois carbonos), em sua planta de Luverne, em Minnesota”, destaca o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha.

Os estudos fazem parte da tendência mundial de tentativa de redução das emissões de gases. Atualmente, só os aviões são responsáveis por 2% das emissões mundiais. Se nada for feito, o crescimento da aviação internacional poderá fazer esse percentual explodir nos próximos anos. Na avaliação de Cunha, a produção do isobutanol abre uma boa oportunidade de mercado para o etanol de cana e de milho, além contribuir para a reduzir as emissões de gases do efeito estufa na aviação. Hoje o setor consome cerca de 300 bilhões de litros de combustível por ano.

“Esta deveria ser uma área que os ministérios de Minas e Energia (MME) e Ciência e Tecnologia poderiam ajudar o setor sucroenergético, incentivando e formando parcerias com instituições e empresas, brasileiras e americanas, que pudessem desenvolver tecnologias objetivando a gradual destinação do etanol, ou seus derivados, para substituição e/ou adição aos combustíveis de aviação. É um mercado de mais de 300 bilhões de litros por ano e, uma participação de apenas 10% na mistura, já iria consumir cerca de 30 bilhões de litros de etanol ou derivados. Os americanos do milho também devem ter um interesse grande neste assunto, já que nós e eles somos os únicos produtores relevantes de etanol no mundo”, reforça Cunha.

COP-21

Na semana passada, a diretoria do Sindaçúcar-PE participou de reunião com o ministro Fernando Coelho Filho em Brasília para discutir a participação do setor nas discussões sobre o andamento do Renova Bio para atender as metas da COP-21 para 2030. A iniciativa é um plano nacional de desenvolvimento do setor de biocombustíveis, que será realizado em parceria com o setor sucroenergético nacional. “Foi importante o ministro abrir uma interlocução com os empresários do setor”, diz Cunha.

Dentre as metas da COP-21 está aumentar dos atuais 16% para 18% a participação da bioenergia na matriz brasileira até 2030, com expansão do etanol, biodiesel, da bioeletricidade e de novos biocombustíveis. (JC Online 30/01/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Déficit maior: Embora os dados parciais da produção brasileira de açúcar na safra 2016/17 estejam superando as expectativas, as más condições para a produção da commodity na Índia seguem dando sustentação aos contratos futuros na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a 20,37 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 1 ponto. Segundo a consultoria Datagro, a demanda mundial deverá superar a oferta em 5,3 milhões de toneladas, aumento de quase um milhão ante o projetado anteriormente pela empresa. A revisão, segundo a Datagro, é reflexo de uma quebra estimada em mais de 10% na safra indiana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 85,95 a saca de 50 quilos, alta de 0,24%.

Algodão: Forte queda: A menor possibilidade de um novo déficit na oferta mundial de algodão na safra 2016/17, conforme têm apontado analistas, pressionou os contratos futuros da pluma na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 74,82 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 57 pontos. Em nota, o Commerzbank destacou que há cada vez mais pesquisas indicando que os agricultores dos Estados Unidos estão planejando ampliar de forma expressiva a área plantada com algodão na safra 2017/18. Isso significaria menos motivos para possíveis aumentos de preços. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 91,80 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Efeito Trump: O mercado tem reagido às medidas protecionistas anunciadas por Donald Trump desde a sua posse, o que pressiona as cotações da soja na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 10,3275 o bushel, recuo de 26 centavos. O republicano tem colocado em xeque as relações comerciais com o México e promete adotar o mesmo tom nas relações com a China, país que responde por mais de 60% das importações mundiais de soja. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os EUA devem colher 117,21 milhões de toneladas de soja na safra 2016/17 ­ mais de 50% deve ser exportado. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá caiu 3,06% ontem, para R$ 73,75 a saca.

Milho: Futuro incerto: As incertezas com o futuro da economia americana sob o comando de Donald Trump também pressionaram as cotações do milho na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 3,65 o bushel, recuo de 4,75 centavos. Trump adiou, na semana passada, para março a entrada em vigor dos novos volumes obrigatórios de uso de combustíveis renováveis para este ano no país. O biocombustível é produzido a partir do milho nos EUA, o que reduz a perspectiva de aumento na demanda interna do país pelo grão em meio às previsões de safra recorde no país. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima uma colheita de 384,78 milhões de toneladas do grão. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa teve queda de 0,3%, para R$ 36,55 a saca. (Valor Econômico 31/01/2017)