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Ministério Público pede bloqueio de R$3,8 bi de Joesley Batista

O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta segunda-feira o bloqueio de até 3,8 bilhões de reais do empresário Joesley Batista e do presidente da Eldorado Celulose, José Carlos Grubisich Filho, por entender que ambos descumpriram termo de compromisso fechado em setembro passado, no âmbito das investigações da operação Greenfield.

A operação foi deflagrada em setembro de 2016 pela Polícia Federal por suspeita de fraude em fundos de pensão de estatais.

Na ocasião, a J&F, holding que controla a JBS e a Eldorado, apresentou garantia financeira de 1,5 bilhão de reais para liberar os irmãos Joesley e Wesley Batista, que tinham sido proibidos de exercer função de comando ou administrativa de empresas, no âmbito da operação Greenfield. As medidas também previam bloqueio de bens e ativos.

"Com o reconhecimento de que os envolvidos violaram o princípio da boa fé, os investigadores pedem que sejam restabelecidas as medidas restritivas da forma como foi detalhado na petição", afirmou o MPF em nota em seu site.

O pedido de bloqueio é, segundo os promotores, uma forma de garantir o ressarcimento de prejuízos causados aos fundos de pensão, ao FGTS e à Caixa Econômica Federal.

Por outro lado, o MPF deu parecer favorável a um pedido da defesa de Wesley Batista para que sejam revogadas as medidas impostas ao empresário. Wesley alegou que, à época dos fatos investigados, residia nos Estados Unidos e atuava em outros seguimentos do grupo empresarial J&F, do qual é sócio.

Segundo o MPF, documentos revelam que, após a deflagração da Operação Sépsis (que tramita em conjunto com a Greenfield e a Cui Bono), a própria Eldorado contratou apuração independente pela Ernest & Young e a Veirano Advogados. Mas, segundo o MPF, em vez de apurar as irregularidades, tais firmas agiram na tentativa de legitimar as práticas ilegais encontradas.

Os fundos de pensão Petros e Funcef possuem cotas de participação acionária indireta na Eldorado.

"Pelas evidências, o MPF pede, além do bloqueio financeiro, que a Justiça proíba os dois envolvidos (Joesley e José Carlos) de manterem qualquer tipo de comunicação entre si e com outros investigados nas três operações, de ocupar cargos ou funções de direção em empresa ou grupo da holding J&F", disse o MPF.

Em comunicado, a J&F disse que "foi surpreendida com o pedido de medidas judiciais contra os dois executivos. De acordo com a empresa, o pedido do MPF teve como base "denúncias estapafúrdias, infundadas e com caráter de interesses pessoais" de um conselheiro indicado pela Funcef.

"A J&F refuta todas a alegações irresponsáveis e pedirá ao MPF e ao juiz competente a oportunidade de provar a licitude, lealdade e boa fé de todas decisões tomadas no âmbito da empresa e do seu conselho de administração". (Reuters 06/02/2017)

 

Campeão de multas na CVM aposta em startups agrícolas

O empresário Reno Ferrari Filho está procurando startups na área de tecnologia agrícola para participar como "investidor discreto", segundo informou ao RR um jovem empreendedor do setor.

Até aí, nada demais.

Que invista e seja feliz.

O problema é que Ferrari corre em uma faixa extremamente acidentada: é o vencedor na corrida de Fórmula 1 das multas da CVM nos últimos cinco anos.

Deve uma bagatela de nove algarismos, mais precisamente uma quantia de R$ 157.817.125,00.

Ferrari fez um rolo danado, que combina não envio de documentos à CVM, um mútuo entre a Clarion Agroindustrial e a Manacá, empresas que ele controlava direta ou indiretamente, com juros prejudiciais à primeira, compra e venda casada e fraudulenta de ativos, um aumento de capital com o valor das ações sem critério de precificação pormenorizado e uma recuperação judicial enfeixando tudo.

O RR fez várias tentativas de contato com Reno Ferrari por telefone e e-mail, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

O empresário não é um neófito em questões judiciais: tem 77 processos contra ele.

Ele seria um dos sócios da Gutmen Inv Corp, localizada nas Ilhas Virgens, que também faz parte do capital da Clarion Agroindustrial. No momento, Ferrari está recorrendo ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, o chamado "Conselhinho".

A estratégia do empresário, conforme a fonte do RR, é sentar em cima do processo e buscar, por decurso de prazo, uma prescrição intercorrente.

Quanto à recuperação judicial, é tocar by the book. A Clarion possui três unidades no Paraná, Cuiabá e Mato Grosso, nas quais realiza esmagamento de soja e faz beneficiamentos sofisticados da commodity.

Produz também álcool e açúcar cristalizado.

Um dado curioso: o Google revela outra Clarion Agroindustrial, só que no setor de transportes: uma empresa de ônibus de Osasco (SP).

Enquanto a estiagem não chega, Ferreira, ao que tudo indica, vai procurando projetos alternativos. Um investidor desse naipe nunca para. (Jornal Relatório Reservado 07/02/2017)

 

Fundação busca melhor técnica de plantio para cada tipo de solo

A área de soja avança. E vai avançar mais. Mato Grosso utilizava 5,6 milhões de hectares em 2008. Neste ano, são 9,4 milhões e, em 2025, serão 14,8 milhões, segundo o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).

A necessidade de mais áreas não significa abertura de novas fronteiras. Elas poderão vir do aproveitamento de terras já utilizadas.

Na abertura de novas áreas devem ser levadas em conta as aptidões da terra, o que nem sempre foi feito.

Em sua maioria, as áreas já abertas foram úteis para a agricultura ou para a pecuária. Parte delas, porém, "não serve nem para uma nem para outra coisa. Terão de ser devolvidas à natureza", diz Leandro Zancanaro, pesquisador da Fundação MT.

Cada ambiente tem uma aptidão específica e é preciso agir de maneira diferenciada em cada um deles.

À procura de um acerto maior na exploração das áreas agrícolas e de maior produtividade, a Fundação MT busca um mapeamento das áreas e uma definição estratégica de manejo.

Um dos objetivos desse mapeamento é dar conhecimento ao produtor para que não abra áreas em terra imprópria para a agropecuária.

"Não devemos desmerecer o passado, mas entender o que foi feito", diz Zancanaro. Em boa parte das terras de 30 anos os produtores encontraram um solo ácido e pobre.

SEM RECEITA

"Mas não há uma receita de solo. É preciso que cada produtor busque a melhor solução para a sua propriedade. Há coisas ocultas que precisam ser procuradas", diz Francisco Soares Neto, diretor-presidente da fundação.

Aí entra um dos objetivos da fundação: desenvolver conhecimentos e difundi-los. E os estudos da fundação mostram dados interessantes.

Se o produtor de Mato Grosso tivesse continuado adotando as mesmas práticas de quando iniciou o cultivo de soja no Estado, a produtividade ainda estaria em 29 sacas por hectare. A média atual é de 54 sacas, com áreas atingindo 70 ou mais.

"O sistema de produção define o jogo", diz Zancanaro. Antes as pesquisas eram isoladas. Hoje se chegou à conclusão de que é necessária uma integração de todas as áreas envolvidas na produção. O manejo do solo, por exemplo, interfere na ampliação ou na redução de pragas e insetos.

Os dados da fundação mostram isso. Há nove anos os pesquisadores da entidade vão a campo e fazem experimentos para descobrir o que é melhor para o solo.

Plantar soja todos os anos e, na sequência, deixar a terra nua, por exemplo, é uma das piores escolhas. O solo se desgasta, perde vida e a produtividade é baixíssima.

O plantio do milheto após a soja dá palhada para o solo e eleva a produção. A inclusão do milho, além da palha, traz uma segunda renda.

A braquiária, como outras gramíneas, dá palhada ao solo e, devido às raízes profundas, melhora a umidade. O desafio é achar meios de recuperar a capacidade produtora do solo. O futuro depende de boas práticas.

Para Zancanaro, "o que o produtor fez lá atrás interfere no hoje e o que está fazendo hoje interfere no futuro".

Ou seja, os resultados de um boa prática agrícola não aparecem de um ano para o outro. A diversificação de culturas e até o cancelamento de plantio de soja em alguns anos serão inevitáveis.

As pesquisas da fundação mostram, portanto, que uma das condições básicas para a melhora do solo, e a consequente alta da produtividade, é o aumento de palhada.

Esta pode desde reduzir nematóides (vermes que atacam as raízes das plantas) até garantir mais água no solo (Folha de São Paulo 07/02/2017)

 

UBS vê novos riscos para setor agrícola

O comportamento imprevisível de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, demonstrado em sua primeira quinzena no poder, criou novos riscos políticos com potencial de serem duradouros também para o comércio agrícola, avalia o banco suíço UBS. Em nota a clientes, analistas do banco observam que possíveis transtornos no comércio internacional, por causa da retórica protecionista de Trump, elevam as incertezas e podem afetar principalmente os mercados de milho e soja.

Os EUA são um grande exportador de commodities agrícolas, como produtos do complexo soja, milho, carnes de frango e de suíno. Políticas comerciais restritivas, como a renegociação do Nafta (o acordo comercial entre EUA, México e Canadá) e restrições na importação de bens da China, podem ter grandes implicações negativas para o acesso de produtos agrícolas americanos a mercados externos.

Para o UBS, produtores de milho e de proteínas animais poderão ser os mais afetados devido à maior tensão entre os EUA e o México. Nos últimos anos, o país representou 24% dos embarques de milho americano, 7% dos de soja, 17% do complexo soja, 11% do trigo e 29% dos de carne suína.

Além disso, a soja é muito sensível às relações EUA­China, que também esfriaram. Os americanos exportaram US$ 18 bilhões de produtos agrícolas ao país asiático em 2015/16, dos quais US$ 10,5 bilhões foram apenas de soja. Os chineses, por sua vez, importam 87% de suas necessidades desse produto, sendo 40% comprado nos EUA e o restante no Brasil e na Argentina.

Para o UBS, no pior caso, se a China endurecer sua posição em relação aos EUA, em reação a Trump, e o Brasil e a Argentina redirecionarem todas suas exportações de soja ao mercado chinês, Pequim ainda terá escassez de 20% de tudo o que precisa.

Agricultores dos EUA serão impactados, mas em menor grau, na medida em que podem buscar outros mercados para exportar com o eventual vazio criado por Brasil e Argentina. Certo mesmo, diz o banco suíço, é que a fricção comercial entre os EUA e a China poderá causar turbulências no mercado global. E deixará a indústria de carnes e consumidores chineses vulneráveis a problemas de oferta de soja.

Outra área na berlinda é a política para biocombustível nos EUA sob Trump. Cerca de 35% da produção de milho do país vai para a produção de etanol, e o óleo de soja é o principal insumo para o biodiesel. A gestão Trump não comunicou ainda sua visão sobre o "Energy Independence and Secutiry Act". Se as metas de mistura com a gasolina diminuírem, os preços de milho e soja poderão sofrer. Numa análise mais ampla, a avaliação do banco é de que Trump não conseguirá aprovar certos projetos como quer, como a reforma dos impostos sobre as corporações. Além disso, o UBS prevê duas altas de juros pelo Fed este ano. Mas a inflação em alta compensará a subida dos juros. Na prática, o juro real continuará historicamente baixo, e nesse cenário deve­se esperar um dólar mais fraco que forte. (Valor Econômico 07/02/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Oferta incerta: Em meio a incertezas sobre a oferta de açúcar no Brasil e na Índia, países que lideram a produção mundial, os preços futuros do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio tiveram alta de 6 pontos, a 20,97 centavos de dólar por libra-peso. No Brasil, as previsões de mercado para a safra 2016/17 vão de 567 milhões a 616 milhões de toneladas de cana, o gera dúvidas sobre o volume que será destinado à produção de açúcar. Na Índia, as autoridades locais insistem que, apesar de um déficit de 4 milhões de toneladas de açúcar na atual safra, os estoques do país serão suficientes para atender a demanda local, mas analistas dão como certa a abertura do mercado para importação. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 84,67 por saca, leve alta de 0,3%.

Café: Chuva no Espírito Santo: As condições climáticas no Brasil pressionaram as cotações do café arábica na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1,4655 o bushel, queda de 215 pontos. Após duas temporadas de seca, as chuvas retornaram ao Espírito Santo durante a semana passada e deverão continuar fortes nas próximas semanas, conforme as previsões climáticas mais recentes. O Estado abriga a principal região produtora de café conilon do país. Chuvas no Espírito Santo pressionam as cotações em Londres, levando a correções em Nova York, onde são negociados os contratos de arábica. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica negociado em São Paulo ficou em R$ 507,09 a saca de 60 quilos, recuo de 1,28%.

Cacau: Superávit global: O superávit global de cacau na safra 2016/17, que está em andamento, tem se mostrado cada vez mais concreto, pressionando os contratos da amêndoa na bolsa de Nova York. Ontem, os papéis com vencimento em maio fecharam o pregão a US$ 2.056 por tonelada, queda de US$ 27. Com uma das estações secas mais fracas dos últimos anos, o oeste da África deve apresentar boas condições para desenvolvimento da safra que têm início em abril. Isso já levou a revisões nas estimativas de produção de cacau por parte dos principais analistas e reforçou a perspectiva de um superávit acima de 200 mil toneladas na oferta mundial. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio ao produtor ficou estável, em R$ 107,30 por arroba, segundo levantamento feito pela Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Oferta abundante: O otimismo com a safra 2016/17 de milho na América do Sul pressionou as cotações na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,7125 o bushel, recuo de 1,5 centavo. Na próxima quinta-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) deve revisar suas estimativas para a safra brasileira. Segundo a média das previsões de mercado, o órgão apontará uma produção de 86,9 milhões de toneladas no país contra 86,5 milhões estimadas em janeiro. A previsão mais otimista, da FCStone, aponta uma correção para 91,5 milhões de toneladas. Mundialmente, o USDA estima oferta de 1,038 bilhão de toneladas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 36,34 a saca. (Valor Econômico 07/02/2017)