Macroeconomia e mercado

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Brasil quer elevar exportações ao México

Governo acredita que turbulência na relação entre México e EUA pode facilitar.

O governo brasileiro se movimenta para aproveitar possíveis oportunidades no comércio internacional de commodities, após a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Um dos alvos é o México, que compra anualmente cerca de US$ 30 bilhões em alimentos dos EUA. Segundo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, o Brasil está se preparando para exportar carne processada, soja e milho ao país.

Com receio de que o fornecimento de alimentos pelos EUA seja prejudicado pela discórdia, entre os países em torno do tema da imigração, o México se aproximou do Brasil nos últimos meses. “Na viagem que fiz em janeiro à Europa, havia lá 80 ministros de Estado da Agricultura. Falei com 17 deles. Muitos têm preocupações relacionadas aos EUA”, afirmou Blairo, em entrevista ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Blairo disse que já tinha se encontrado antes com o ministro José Eduardo Calzada, em dezembro, em Cancún, quando o mexicano sinalizou interesse em ampliar o diálogo. Eles se encontrarão de novo nos dias 20 e 21, em São Paulo, para debater sobre o agronegócio.

De acordo com Blairo, já há representantes do país verificando os frigoríficos brasileiros para a compra de carne processada. Uma das vantagens do Brasil, segundo o ministro, é que as negociações com o México não partirão do zero. “Já temos há alguns anos um protocolo comercial, que nunca evoluiu porque o México não queria. Agora, eles querem e precisam. E no comércio, quando dois países querem, as coisas andam bem”, afirmou o ministro.

Além da carne processada, os mexicanos estão interessados na soja e no milho produzidos no Brasil. Este ano, a safra projetada é de 215,3 milhões de toneladas de grãos – um recorde histórico, conforme os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No caso da soja, serão 103,8 milhões de toneladas, outro recorde.

“Não sei mais quem os EUA estão incomodando com tanta força. Mas a União Europeia, que é um grande parceiro, também está intranquila. O bloco tem um comércio muito grande com os EUA. O importante é estar atento”, disseBlairo.

Açúcar e café

De olho no mercado europeu, o Brasil também fez uma proposta formal à Argentina para incluir o açúcar na pauta de produtos do Mercosul. Assim, será possível negociar a venda à União Europeia em condições mais vantajosas. O problema é que a Argentina, que também é produtora, teme que o açúcar brasileiro, mais competitivo, invada suas fronteiras.

Segundo Blairo, foi proposto à Argentina uma blindagem contra o açúcar brasileiro, que inclui o estabelecimento de limites para exportação ao país vizinho e taxação de 35% – a alíquota máxima permitida no Mercosul. “O que o Brasil quer é o apoio da Argentina, e não o mercado do país”, afirmou. O ministro disse ainda que o tema foi colocado na reunião com o presidente argentino, Maurício Macri, que esteve no Brasil esta semana.

Além disso, Maggi confirmou que a importação do café do tipo conilon, usado na indústria brasileira, deve ser anunciada amanhã. Será importada 1 milhão de sacas de café.

“Já temos protocolo, que nunca evoluiu porque o México não queria. Agora, eles querem e precisam. E quando dois querem, as coisas andem bem”. (O Estado de São Paulo 09/02/2017)

 

IGP-M sobe em janeiro, mas perspectivas para 2017 são boas

Economistas acreditam que a desaceleração dos preços notada nos últimos meses de 2016 vai prosseguir em 2017.

A alta da inflação medida pelo Índice Geral de Preços, Mercado (IGP–M), de 0,54%, em dezembro, para 0,64%, em janeiro, foi inferior às projeções dos analistas (0,72%, em média) e explica-se pela sazonalidade, com elevação de preços do grupo habitação, de ônibus e educação, e pela reação do mercado global de commodities, influenciando os preços do minério de ferro, do óleo diesel, da gasolina automotiva e da cana-de-açúcar. Comportamento semelhante da inflação oficial (IPCA) também está previsto para este ano, segundo a pesquisa Focus, do Banco Central.

O declínio esperado do IGP-M ajuda as famílias, pois é o índice mais usado para corrigir aluguéis. Além disso, desemprego e perda de renda real levam proprietários e inquilinos a negociar ajustes mais brandos.

Constituído por preços no atacado, ao consumidor e pelo Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), o IGP-M oscila mais do que o IPCA.

Os preços ao produtor, por exemplo, que pesam 60% na composição do IGP-M, subiram 0,70% em janeiro, influenciados por matérias-primas brutas (+0,91%) e bens intermediários (+1,05%).

Os economistas Salomão Quadros e André Braz, da FGV, acreditam que a desaceleração dos preços notada nos últimos meses de 2016 vai prosseguir em 2017. Escreveram no boletim Macro Ibre de janeiro, por exemplo, que “o IPCA-15 variou 0,31%, o menor porcentual da série para um mês de janeiro”. O grupo alimentação e bebidas avançou 0,28%, uma fração do aumento de 1,67% de janeiro de 2016. “Também os serviços devem registrar taxas mais baixas que as do início de 2016, mesmo levando em conta a escassa flexibilidade dos reajustes das anuidades escolares.” Para a inflação menor contribuiu a correção do salário mínimo em quase cinco pontos porcentuais a menos que em 2016.

Afinal, as projeções de safra ajudaram a derrubar os preços (e o IGP-M), o que já se observou em janeiro, com queda de 4,20% na soja, 4,30% no milho, 5,93% no farelo de soja, 13,98% no feijão e 3,73% nas aves. Preços menores de alimentos são decisivos para fortalecer o poder de compra dos consumidores e ajudar a reativação da economia. (O Estado de São Paulo 09/02/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Indefinição no Brasil: A indefinição sobre a importação de café robusta pelo Brasil tem levado volatilidade às cotações do arábica na bolsa de Nova York nos últimos dias. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 1,453 a libra-peso, alta de 25 pontos. O ministro brasileiro da agricultura, Blairo Maggi, disse estar convencido da necessidade de o país importar café e deu o prazo até sexta-feira para que os produtores do Espírito Santo comprovem a existência de estoques privados de cerca de 4 milhões de sacas de conilon no Estado. Na avaliação de alguns analistas, contudo, os cafeicultores capixabas teriam força política para barrar a medida. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 510,37 a saca de 60 quilos, alta de 1,31%.

Cacau: Piso desde 2008: As perspectivas de superávit na oferta mundial de cacau em meio aos sinais de um demanda enfraquecida levaram os contratos futuros da commodity ao menor valor desde novembro de 2008 na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 2.011 a tonelada, com recuo de US$ 6. A média das previsões dos analistas para a atual safra, a 2017/18, indica um excedente de 250 mil toneladas na oferta mundial. Na Costa do Marfim, maior produtor mundial, a média das previsões de mercado aponta uma produção de 1,9 milhão de toneladas de cacau. Se confirmado, o volume será um recorde para o país. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio ao produtor ficou em R$ 105,17 a arroba, queda de 1,9%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Correções à vista: As especulações no mercado de algodão continuam a dar sustentação aos contratos da pluma na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a 76,43 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 29 pontos. No ano, a commodity acumula valorização de 541 pontos, o que abre espaço para correções, segundo analistas. A alta refletiu ainda as expectativas para o relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O documento deve trazer hoje uma redução de 20,8% nas estimativas para os estoques finais da safra 2016/17 nos EUA, segundo a médias das previsões de mercado. No cenário interno, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 91,80 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: De volta à China: Com o fim do feriado de Ano Novo na China, aumentaram as expectativas do mercado para a demanda internacional por soja. Na bolsa de Chicago, os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 10,6925 o bushel, alta de 16 centavos. "A demanda internacional pela soja dos EUA ainda é alta e receberá impulso adicional agora que o festival de Ano Novo chegou ao fim na China, maior consumidor mundial", afirma o Commerzbank, em nota. No acumulado do ano até o último dia 2, os EUA embarcaram 72,5% da soja estimada pelo Departamento de Agricultura do país para ser exportada na safra 2016/17 ante uma média histórica de 71,1%. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 74,89 a saca de 60 quilos, alta de 0,89%. (Valor Econômico 09/02/2017)