Macroeconomia e mercado

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Governo oficializa mudança no cálculo do preço spot da energia a partir de maio

O governo oficializou nesta quinta-feira uma mudança na metodologia de cálculo do preço spot da energia elétrica que deverá entrar em vigor a partir de maio, de acordo com portaria do Ministério de Minas e Energia publicada no Diário Oficial da União com os detalhes técnicos da nova fórmula.

Os preços spot, ou Preços de Liquidação das Diferenças (PLD), são utilizados no mercado de curto prazo de eletricidade, mas também influenciam os preços para contratos de fornecimento de energia no mercado livre, em que grandes consumidores negociam contratos diretamente com geradores e comercializadoras.

De acordo com a portaria, os novos parâmetros de aversão a risco dos modelos computacionais que calculam o PLD terão efeito a partir da primeira semana operativa de maio.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverá tomar as providências para cumprir o cronograma.

A portaria também afirma que, para o planejamento da expansão do setor elétrico, os novos parâmetros de aversão a risco passam a ser adotados imediatamente. (Reuters 09/02/2017)

 

Norte-americana AGCO compra fatia de BB e Previ na Kepler Weber

Banco do Brasil e seu fundo de pensão Previ assinaram nesta quinta-feira acordo para venda da fatia conjunta de 35 por cento da fabricante de implementos agrícolas Kepler Weber para a norte-americana AGCO, afirmaram as companhias nesta quinta-feira.

A AGCO, dona da marca Massey Ferguson, afirmou que pretende lançar uma OPA pelas demais ações da Kepler Weber para cancelamento de registro de companhia aberta.

A oferta será feita ao preço de 22 reais por ação, o que avalia a Kepler Weber em cerca de 579 milhões de reais.

O preço representa prêmio de 25,7 por cento ao preço de fechamento da ação da empresa nesta quinta-feira, de 17,50 reais, após subir 1,74 por cento.

Segundo o BB, a operação não terá impacto relevante ao resultado do banco.

A Reuters publicou em junho passado que o BB avaliava vender participação em negócios considerados não prioritários, incluindo a fatia na Kepler Weber, como forma de obter recursos para fortalecer seu capital. (Reuters 09/02/2017)

 

Uma nova crise na agricultura dos EUA se aproxima

O cinturão agrícola americano se encaminha para um marco histórico: Em breve haverá menos de dois milhões de fazendas nos Estados Unidos, a primeira vez que isso acontece desde que os pioneiros se mudaram para o oeste depois da Compra da Louisiana, em 1803.

Em toda a região produtora do país, uma queda ao longo de anos nos preços do milho, trigo e outras commodities agrícolas provocada por um excesso de grãos em todo o mundo está levando muitos agricultores a se afundar em dívidas. Alguns estão desistindo do negócio, suscitando temores de que os próximos anos possam trazer a maior onda de falências agrícolas desde a década de 80.

A participação dos EUA no mercado global de grãos é hoje menos da metade do que era na década de 70. A renda dos agricultores americanos cairá 9% em 2017, estima o Departamento de Agricultura (USDA), prolongando o maior declínio registrado desde a Grande Depressão pelo quarto ano consecutivo.

Na atual safra, os agricultores dos EUA semearam a menor quantidade de hectares de trigo de inverno em mais de um século.

“Ninguém mais só cultiva cereais”, diz Deb Stout, cujos filhos, Mason e Spencer, cultivam os mais de 800 hectares da família em Sterling, no Estado do Kansas. Spencer também trabalha como mecânico e Mason, como carteiro. “Ter um trabalho paralelo parece o único jeito”, diz ela.

Deb e o marido já faliram antes. Os agricultores da região de Sterling perderam em média US$ 6.400 em 2015, ano com os dados mais recentes disponíveis, após terem tido um lucro médio de US$ 80.800 um ano antes, segundo a associação de gestores agrícolas do Kansas.

A agricultura sempre foi um empreendimento de altos e baixos. Hoje, as oscilações são mais nítidas e menos previsíveis, já que a economia agrícola se tornou mais internacional, com mais países cultivando alimentos para exportação e para suas próprias populações.

A participação dos agricultores americanos no comércio mundial de grãos caiu de 65% em meados da década de 70 para 30% hoje, o que lhes dá menos influência sobre os preços. A existência de mais produtores e mais compradores em todo o mundo também significa mais interrupções potenciais por causa do clima, fome ou crises políticas.

Os preços do milho costumavam variar entre um ano e outro em menos de US$ 1 por bushel. Desde 2006, eles dispararam e caíram mais de US$ 4 por bushel.

Uma década atrás, um boom de biocombustíveis nos EUA e a crescente classe média da China elevaram os preços de culturas como milho e soja. Muitos produtores americanos investiram os lucros inesperados comprando mais terra e equipamentos.

O boom também incentivou agricultores de outros países a acelerar a produção. Produtores de todo o mundo acrescentaram cerca de 73 milhões de hectares de cultivo nos últimos dez anos. Os custos de produção mais baixos, a proximidade com mercados de rápido crescimento e a melhoria da infraestrutura deram a produtores de alguns outros países uma vantagem.

A produção de milho e trigo nunca foi tão grande, e nunca tantos grãos foram armazenados antes.

Desde o início do século XIX até a Grande Depressão, o número de fazendas dos EUA cresceu de forma constante, à medida que os pioneiros conquistavam o oeste. As famílias produtoras geralmente criavam um pouco de gado e cultivavam algumas dezenas de hectares de terra, no máximo. Após a Segunda Guerra Mundial, os tratores e colheitadeiras de alta potência permitiram aos agricultores trabalhar com mais quantidade de terra. Há 20 anos, as sementes geneticamente modificadas passaram a ajudar os agricultores a produzir mais.

As fazendas cresceram e se especializaram. As operações em larga escala representam hoje metade da produção agrícola dos EUA. A maioria das fazendas, mesmo algumas das maiores, ainda é administrada por famílias.

Enquanto o tamanho das propriedades se multiplicou, seu número em unidades caiu, de seis milhões, em 1945, para pouco mais de dois milhões em 2015, aproximando-se de um limite visto pela última vez em meados do século XIX. O total de hectares cultivados nos EUA caiu 24%, para 370 milhões de hectares.

A Rússia, entretanto, passou ao longo dos últimos 25 anos do maior importador de trigo do mundo para o maior exportador, diz Dan Basse, presidente da empresa de pesquisa AgResource Co., com sede em Chicago. Os agricultores plantaram ainda mais trigo no ano passado para tirar vantagem do recente aumento do dólar em relação a muitas moedas. Isso incentiva os agricultores russos a exportar tanto trigo quanto for possível em dólar, que hoje rende cerca do dobro de rublos que rendia há três anos.

O dólar forte também permite que agricultores em alguns países reduzam seus preços.

“Como o dólar permanece forte, os agricultores americanos não têm nenhuma alavanca para puxar”, diz Basse. “É uma hemorragia lenta, não um corte na jugular.”

No ano passado, o governo de Barack Obama acusou a China de subsidiar injustamente a produção de trigo e limitar indevidamente as importações de grãos em detrimento dos agricultores dos EUA. Em outubro, o USDA informou que iria pagar mais de US$ 7 bilhões em assistência financeira no âmbito de programas existentes para ajudar os agricultores a sobreviver o momento atual de crise.

As exportações de trigo dos EUA na última safra foram as mais baixas em quase 50 anos, embora analistas do governo esperem que elas melhorem este ano. Basse diz acreditar que já não será economicamente viável para os EUA exportarem trigo dentro de cinco anos.

Os economistas não esperam que a queda atual seja tão severa quanto a crise que atingiu o cinturão agrícola do país na década de 80. Na época, os preços dos grãos despencaram após um boom na década anterior que estimulou os agricultores a expandir a produção, acumulando dívidas à medida que o superávit crescia. O valor das terras agrícolas despencou e as taxas de juros dispararam, provocando um colapso que forçou muitos agricultores e financiadores a sair do negócio.

A expectativa é que, desta vez, os valores das terras agrícolas se mantenham. Os rendimentos agrícolas atingiram recordes em 2013, deixando muitos produtores com reservas de dinheiro significativas. As taxas de juros, embora devam subir, ainda estão perto de mínimas históricas. Embora haja uma projeção que a proporção entre dívida e ativos dos agricultores dos EUA aumente em 2017 pelo quinto ano consecutivo, ela também permanece historicamente baixa.

O custo de insumos, como os fertilizantes, caíram, e os economistas preveem uma pressão crescente sobre os preços das sementes e arrendamento de terras. O aperto poderia aliviar se o clima restringisse as colheitas, aumentando a demanda pelo excesso de grãos dos EUA. Menos comunidades rurais dependem economicamente da agricultura hoje, o que poderia ajudar a isolá-los da crise.

Para alguns, a crise é uma oportunidade. Agricultores com dívidas baixas e escala suficiente para lucrar com as colheitas recordes do ano passado poderiam estar em condições de arrendar ou comprar terras de vizinhos em dificuldades.

Lee Scheufler, 65 anos, expandiu sua fazenda em Sterling em quase 10 vezes ao longo dos anos, começando com 240 hectares 40 anos atrás. Ele guardou dinheiro durante anos lucrativos e recentemente comprou e alugou terras de qualidade superior para substituir algumas de suas áreas mais fracas.

“Tentamos nos posicionar para quando a maré virar”, diz Scheufler, acrescentando que num futuro ele gostaria de passar suas terras para um produtor mais jovem que esteja começando a cultivar, como um vizinho fez por ele. (The Wall Street Journal 10/02/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Rolagem de contratos: A rolagem de contratos com vencimento em março deu sustentação às cotações do café arábica na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1,476 a libra-peso, avanço de 230 pontos. A alta foi impulsionada ainda pelas perspectivas de déficit na oferta mundial do grão na safra 2017/18 em meio à bienalidade negativa das lavouras no Brasil. Maior produtor mundial, o país deverá colher entre 43,65 milhões e 47,51 milhões de sacas de 60 quilos de café na próxima temporada, redução entre 15% e 7,5% na comparação com a safra anterior, segundo estimativa da Conab. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica em São Paulo ficou ontem em R$ 513,38 a saca de 60 quilos, alta de 0,59%.

Cacau: Seis quedas seguidas: O cacau ampliou, ontem, as perdas registradas desde o último dia 2 de fevereiro na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1.996 a tonelada, com queda de US$ 15. A commodity é pressionada pela perspectiva de superávit na oferta mundial nesta temporada enquanto a demanda dá sinais de enfraquecimento na Europa e na América do Norte, principais regiões processadoras da amêndoa. A última vez que o valor do cacau atingiu patamares tão baixos, na safra 2010/11, o mundo registrava um superávit na oferta de 328 mil toneladas, um recorde histórico. No mercado interno, o preço médio ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, foi de R$ 105,35 a arroba, alta de 0,17%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Oferta escassa: O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) voltou a reduzir ontem suas estimativas para a safra 2016/17 de laranjas no país, dando força às cotações do suco concentrado e congelado na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 1,6875 a libra-peso, alta de 560 pontos. Segundo o órgão americano, serão colhidas 5,35 milhões de toneladas de laranja na atual temporada nos EUA, 1% abaixo do apontado em janeiro e queda de 10% em relação ao registrado na safra 2015/16. No caso específico da Flórida, que responde por 60% da produção americana, essa queda deve ser de 14%. No mercado spot paulista, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja ficou em R$ 21,60, queda de 3,6%, segundo o Cepea.

Algodão: Estoques menores: O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) revisou, em relatório divulgado ontem, suas estimativas para estoques finais de algodão na safra 2016/17, dando fôlego às cotações da pluma em Nova York. Os papéis para maio fecharam a 76,65 centavos de dólar a librapeso. Segundo o órgão americano, os estoques globais finais da safra 2016/17 somarão 19,57 milhões toneladas, abaixo das 19,73 milhões de toneladas apontadas em janeiro. Também foi revisada a previsão para a demanda mundial pela pluma, com exportações avaliadas em 7,78 milhões de toneladas, contra 7,76 milhões de toneladas apontadas no último mês. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 91,80 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba. (Valor Econômico 10/02/2017)