Macroeconomia e mercado

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Dinheiro russo pinga no agronegócio

A passagem de uma comitiva do Ministério da Agricultura por Moscou, na semana passada, teve múltiplas funções.

A delegação chefiada pelo secretário-executivo da Pasta, Eumar Roberto Novacki, começou a costurar um intrincado acordo para que o governo Putin não saque da algibeira novas barreiras a produtos agrícolas brasileiros.

A Rússia é useira e vezeira em criar obstáculos, notadamente à entrada de carne bovina. Ao mesmo tempo, a comitiva discutiu com autoridades locais possibilidades para investimentos russos no agronegócio brasileiro.

As tratativas se iniciaram em setembro do ano passado, quando Blairo Maggi esteve na China para uma reunião entre os ministros da Agricultura dos Brics.

O cardápio vai da compra de terras à produção de grãos, passando pela área de carne bovina, tudo vinculado ao fornecimento para o mercado russo.

As negociações prevêem o aporte de grupos privados, como a Rusoagro e a Prodimex, com o apoio de agências de fomento locais. (Jornal Relatório Reservado 13-02-2017)

 

A síndrome da espiral

Na área do gás natural, o governo volta a uma prática que já se mostrou improdutiva.

Durante anos os formuladores de política para o setor de energia no Brasil foram acometidos da chamada síndrome da espiral. Essa síndrome acontece quando as pessoas têm certeza de que o caminho mais curto entre dois pontos não é uma reta, e sim uma espiral. Portadora dessa síndrome, na política pública faltaram objetividade e pragmatismo e sobraram intervencionismo, academicismo, houve pouca ou nenhuma racionalidade econômica e quase sempre o governo apostou contra o mercado. Isso provocou crises num país com uma enorme diversidade energética.

Uma explicação foi a presença de grandes empresas estatais que, por meio de um discurso ideológico, se transformaram em ícones e em campeãs nacionais, vendendo a falsa ideia de que pertenciam ao povo. Essas empresas nunca tiveram uma governança capaz de proteger os interesses de seus acionistas e suas políticas sempre tiveram um viés político/partidário. Com isso, nunca se desenvolveu o mercado de energia no interesse do consumidor, e sim em benefício dos políticos e dos amigos do rei. Exemplo: a falta de fiscalização de agentes vendedores de combustíveis.

Essa narrativa precisa mudar. O governo acerta ao dar autonomia para que estatais como Petrobrás e Eletrobrás se redimensionem adotando planos de desinvestimentos. Mas é preciso que o governo não perca o foco pró-mercado e não ceda a setores atrasados da economia que vendem a imagem de modernidade. Decisões que ajudariam na geração de empregos e na atração de investimentos já poderiam ter sido tomadas, e isso vem frustrando o mercado. No etanol, a demora em usar a Cide como imposto ambiental; no petróleo, o adiamento da decisão sobre a cessão onerosa, política de conteúdo local e extensão do Repetro; na energia elétrica, leilões regionais, gás natural na base do sistema elétrico e critérios econômicos para novos leilões e para qualificar investidores.

Tomemos o exemplo do gás natural. A política para o setor há anos tem sido a de criar grupos de trabalho e elaborar estudos e planos. Nada disso alcançou o objetivo de promover uma maior participação do gás natural na matriz energética brasileira. Por quê? A explicação principal foi o monopólio da Petrobrás. Na área do gás natural, a Petrobrás sempre foi um monopólio vertical e horizontal, e com isso ditava as regras e o próprio planejamento e crescimento do setor. Agora, com a nova Petrobrás vendendo ativos, inclusive na área do gás, é chegada a hora de mudar e atrair o capital privado.

Essa é a intenção do Ministério de Minas e Energia, ao criar o programa Gás para Crescer e aprovar diretrizes no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

O alerta é de que, mais uma vez, o governo parece estar caindo na armadilha da síndrome da espiral. Em vez de focar em pontos nos quais existe consenso no mercado, encurtando o caminho para o gás ter participação mais relevante na matriz energética, cria oito grupos de trabalho e manda os agentes do setor se entenderem. Isso é voltar a uma prática que já se mostrou improdutiva. Produtivo seria agentes e governo atacarem em conjunto quatro pontos:

1. Alterar a tributação do ICMS sobre importação do gás natural, transporte e sobre as operações de comercialização interestadual;

2. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis criar metodologias claras, com lógica econômica e de mercado para as tarifas de transporte e de acesso à infraestrutura;

3. Realizar leilões de gás natural, com as usinas gerando na base do sistema elétrico, criando âncoras de consumo que permitiriam desenvolver outros mercados de gás natural; e, em conjunto com os Estados, estabelecer uma regulação de distribuição mais harmoniosa.

O governo, de forma correta, vem promovendo as reformas fiscal, da Previdência e trabalhista. Está na hora da reforma energética. (O Estado de São Paulo 11/02/2017)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Sétima queda: Os contratos de cacau negociados na bolsa de Nova York caíram pelo sétimo pregão consecutivo na sexta-feira. Os lotes com entrega para maio fecharam a sessão cotados a US$ 1.962 a tonelada, desvalorização de US$ 34. O mercado da amêndoa vem sendo pressionado pelo superávit de oferta global em razão da recuperação da produção no oeste da África e de sinais de demanda fraca nos principais polos consumidores, Europa e América do Norte. Nesse contexto, os investidores ignoraram as previsões climáticas que indicam tempo seco na próxima semana no oeste da África, o que pode gerar algum estresse nas lavouras de cacau. No Brasil, o preço da cacau em Ilhéus (BA) ficou em R$ 103 por arroba, redução de R$ 3 ou de 2,8%, de acordo com a Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia.

Suco de laranja: Estoque americano As notícias de que as importações dos Estados Unidos têm elevado os estoques de suco de laranja no país pressionaram os preços da bebida na sexta-feira. Na bolsa de Nova York, os contratos futuros de suco de laranja congelado e concentrado (FCOJ, na sigla em inglês) com entrega para maio caíram 220 pontos, cotados a US$ 1,6655 por libra-peso. De acordo com o analista de soft commodities Judith Ganes, as importações de suco dos EUA estão 21% maiores do que em 2016. "Isso tem sido suficiente para evitar que os estoques caiam e reduzir as preocupações com a oferta nesta safra", afirmou o analista. Em São Paulo, maior parque citrícola do planeta, o preço da laranja para a indústria teve queda de 6,25% na sexta-feira, para R$ 25,25 a caixa de 40,8 quilos, aponta levantamento do Cepea.

Soja: Demanda externa: O fechamento de um novo contrato de exportação de soja dos Estados Unidos impulsionou as cotações da oleaginosa na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os lotes com entrega para maio fecharam o pregão a US$ 10,70 por bushel, alta de 8,50 centavos de dólar. Na sexta-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) foi notificado de uma venda de 140 mil toneladas de soja para destinos desconhecidos, com entrega prevista ainda na atual safra. A venda ocorre em um momento de entressafra nos EUA, enquanto a colheita no Brasil avança. A notícia reforçou as avaliações "altistas" das novas projeções de safra do USDA, que cortou a estimativa de produção da Argentina. No mercado brasileiro, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja no porto de Paranaguá (PR) ficou em R$ 74,88 a saca, alta de 1,9%.

Trigo: Ainda o USDA: A revisão feita pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) na estimativa para o estoque global de trigo voltou a influenciar os preços do grão nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes com vencimento em maio subiram 7,75 centavos de dólar, a US$ 4,63 por bushel. Na bolsa de Kansas, os lotes de igual vencimento fecharam a US$ 4,7325 por bushel, alta de 9,75 centavos de dólar. Na quinta-feira passada, o USDA reduziu sua projeção para os estoques finais de trigo no mundo na safra 2016/17 para 748,24 milhões de toneladas, em função de problemas na produção da Ásia Menor e da Índia. No Paraná, o preço médio do trigo ficou em R$ 599,02 por tonelada na sexta-feira, desvalorização de 0,97%, conforme levantamento do Cepea. No acumulado do mês, a queda é de 0,88%. (Valor Econômico 13/02/2017)