Macroeconomia e mercado

Notícias

BR, Raízen e Ipiranga deixam Fazenda paulista de tanque seco

Com as devidas ressalvas, as grandes distribuidoras de combustíveis talvez sejam o que existe de mais próximo do setor de construção pesada no Brasil.

Operam em oligopó lio, massacram concorrentes menores, passam por cima dos órgãos antitruste e atropelam até mesmo o Fisco.

É o caso da BR Distribuidora, Raízen e Ipiranga, ases do volante na arte de desviar da Secretaria de Fazenda de São Paulo.

O trio acumula cerca de R$ 570 milhões em autuações pelo não recolhimento de impostos estaduais, segundo dados disponibilizados no site (http://www.dividaativa.pge.sp.gov.br/ da-ic-web/inicio.do).

Dever ao Fisco, como bem se sabe, não é crime.

Muito menos contestar a cobrança de tributos, seja na esfera administrativa ou judicial. No entanto, aos olhos da Fazenda de São Paulo, BR, Raízen e Ipiranga têm se utilizado de uma série de chicanas não só para não recolher os impostos, mas também para não serem inscritas no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados (CADIN), quem está na lista não pode fazer negócios com governos, por exemplo.

Consultada, a Secretaria de Fazenda preferiu não se pronunciar, alegando que “informações relativas a autuações são protegidas por sigilo fiscal”.

BR, Raízen e Ipiranga não quiseram comentar o assunto.

O RR também entrou em contato com o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrifi cantes), que representa as distribuidoras.

A entidade declarou que “só responde sobre temas comuns a todas as associadas”.

Curiosamente, em novembro do ano passado o próprio Sindicom lançou, nas mídias impressa e digital e nas redes sociais, uma alentada campanha publicitária contra fraudes e sonegação de impostos.

Casa de ferreiro, espeto de pau.

Alguns dias depois, a ANP multou postos da BR Distribuidora, Raízen e Ipiranga no Rio de Janeiro ao encontrar combustível adulterado. (Jornal Relatório Reservado 15/02/2017)

 

Ministério Público do Rio pede suspensão de distribuidoras

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pediu o cancelamento do registro estadual das três maiores distribuidoras de combustíveis do país por venda de etanol adulterado.

O caso foi descoberto em novembro de 2016, quando fiscalização da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) detectou irregularidades no etanol coletado em postos da BR, Shell (da empresa Raízen) e Ipiranga.

Em visita às bases de abastecimento das empresas, a fiscalização encontrou 16 milhões de litros de etanol com a presença de metanol, produto tóxico e proibido pela legislação.

As bases foram interditadas e o produto, reprocessado para retornar ao mercado. As empresas culparam uma usina de cana-de-açúcar de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, que também foi interditada.

Para o MP, a venda de produto adulterado "não feriu apenas a legislação da ANP ou a legislação tributária, mas colocou também em risco a saúde pública de todo o Estado do Rio de Janeiro".

"Isso porque a legislação da ANP busca a manutenção da qualidade dos combustíveis e a adição de metanol possibilitou que fossem sonegados alguns milhões de reais nesta operação", diz o pedido de ação civil pública contra as empresas.

No pedido, os procuradores solicitam, além do cancelamento da inscrição estadual, que impediria as empresas de atuarem no estado, a suspensão de incentivos e benefícios fiscais concedidos às empresas pelo Rio.

Ipiranga e Raízen dizem desconhecer o teor da decisão e preferiram não comentar. A BR ainda não se manifestou. (Folha de São Paulo 14/02/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Oferta chinesa: Após três sessões consecutivas de queda, os contratos futuros do açúcar voltaram a operar no positivo na bolsa de Nova York ontem, refletindo o cenário de oferta no mercado asiático. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 20,37 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 38 pontos. Segundo a trading Olam Europa, apesar das movimentações chinesas para liquidar seus estoques, a medida não tem sido prioridade para Pequim. A empresa avalia um limite de 10,5 milhões de toneladas na capacidade produtiva do país asiático, o que deve levar a um déficit "praticamente perpétuo" de 6,5 milhões de toneladas na oferta local. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 83,22 a saca de 50 quilos, recuo de 0,17%.

Suco de laranja: Estoques em queda: A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos do Brasil (CitrusBR) revisou para baixo suas estimativas para os estoques privados de suco de laranja esta semana, dando fôlego aos preços do suco de laranja na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento maio fecharam a US$ 1,6585 a libra-peso, com alta de 105 pontos. Devido à quebra da safra 2016/17, a CitrusBR projeta que os estoques somarão 70,3 mil toneladas no fim da atual temporada ­ queda de 80% em relação ao registrado no fim do ciclo 2015/16. Em 31 de dezembro, esse volume já estava em 497,4 mil, 31,8% abaixo do observado no fim de 2015. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja ficou estável ontem em R$ 19,43, segundo o Cepea.

Milho: De olho no Brasil: O mercado está atento às condições das lavouras na América do Sul, sobretudo no Brasil, o que pressionou os contratos do milho na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,8175 o bushel, recuo de 1 centavo. O Brasil é o maior produtor da região e as chuvas no oeste da Bahia no último fim de semana melhoraram as perspectivas para a produção no Estado, que vinha sofrendo com chuvas abaixo da média nesta temporada. Segundo as previsões da Conab, o Brasil deve colher 87,409 milhões de toneladas do grão. Já alguns analistas apontam uma safra de até 90 milhões de toneladas nesta safra no país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 36,36 a saca de 60 quilos ontem, com recuo de 0,49%.

Trigo: Pressão nos EUA: As previsões de oferta mundial abundante de trigo continuam pressionando o cereal nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 4,635 o bushel, queda de 3,5 centavos. Em Kansas, os contratos com entrega para o mesmo mês fecharam a US$ 4,78 o bushel, recuo de 1,5 centavo. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), serão colhidas 748,24 milhões de toneladas do cereal em todo o planeta, o que levará os estoques globais a 248,61 milhões de toneladas ao final da safra 2016/17, avanço de 3,25% em relação ao observado no fim do ciclo anterior. No mercado interno, o preço médio ao produtor praticado no Paraná ficou em R$ 598,87 a tonelada, com recuo de 0,19%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 15/02/2017)