Macroeconomia e mercado

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Troca de guarda no Grupo Amaggi

Discretamente, o Grupo Amaggi está semeando a passagem da gestão para a terceira geração da família.

O eleito é Leonardo Maggi Ribeiro, sobrinho do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e atualmente no Conselho de Administração. (Jornal Relatório Reservado 16/02/2017)

 

Com preços mais altos, Petrobras perde mercado em combustíveis

Com preços mais altos do que o mercado internacional durante boa parte do ano, a Petrobras perdeu participação no suprimento de combustíveis ao mercado brasileiro no ano passado.

A perda ocorreu tanto nas importações de produtos quanto na venda no varejo, que é feita por meio da subsidiária BR Distribuidora.

A empresa, que foi responsável por 83,7% das importações de gasolina em 2015, teve a participação reduzida para 59,7%, segundo a ANP (agência reguladora do setor). No caso do diesel, a queda foi de 84,2% para 16,4%.

Essa queda ocorreu, na avaliação da ANP, porque a Petrobras manteve, na maior parte do ano passado, preços acima das cotações internacionais. Isso abriu "janelas de oportunidade" para que outras empresas atacassem o mercado da estatal.

No caso do diesel, a ANP calcula que o preço da empresa ficou, em média, 35% superior às cotações internacionais até novembro.

Em outubro, diante da perda de mercado, a empresa atualizou sua política de preços, passando a acompanhar mais de perto os valores cobrados no exterior, com avaliações mensais das condições de mercado.

As importações representaram, em 2016, 12% do mercado brasileiro de diesel e 8% do de gasolina.

De acordo com a ANP, 41 novas empresas pediram para importar combustíveis em 2016. Entre os importadores privados, estão distribuidoras como Ipiranga e Raízen (que opera com a marca Shell) e tradings especializadas em comércio de combustíveis.

No varejo, a estatal também registrou perda de participação de mercado nos três principais produtos. No caso do diesel, a fatia da BR caiu de 37,47% para 33,47%. No mercado de gasolina, a queda foi de 27,72% para 25,39%.

Nestes dois casos, a companhia segue líder de mercado, seguida pela Ipiranga no diesel (com 21,95% das vendas) e pela Raízen (20,52%). Com aumento das importações e queda no consumo, a Petrobras reduziu a produção interna de diesel em 8%.

No mercado de etanol hidratado, a fatia da BR caiu de 20,3% para 17,1%, ficando atrás da Raízen.

A Petrobras disse que "considera positiva a presença de outros agentes participando do suprimento da demanda brasileira" e que seu foco é maximizar os resultados e a geração de caixa.

Já a BR Distribuidora diz que seu plano de negócios prevê o aumento da fatia de mercado, com ações como crescimento da rede e campanhas de marketing.

As vendas de combustíveis no país caíram 4,5% em 2016. (Folha de São Paulo 17/02/2017)

 

Produtor quer tecnologia para reduzir dependência de grandes empresas

Os produtores estão buscando diminuir a dependência das grandes empresas. Os custos de produção sobem, e as margens ficam cada vez mais apertadas.

Após batalhas nos setores de logística, sustentabilidade e política agrícola, a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso) quer se voltar também para outra demanda do setor: a pesquisa.

Endrigo Dalcin, presidente da entidade, diz que essa é uma demanda dos próprios produtores e que o avanço de tecnologia feito pelas grandes empresas sempre tem um cunho comercial. Ocorrem mais nas áreas de inseticidas, herbicidas e novas variedades de cultivares.

O que o setor precisa, segundo ele, é ganhar produtividade também com outras formas, como manejo integrado da produção e redução da dependência dos agroquímicos.

Para isso, Dalcin diz que é preciso buscar soluções junto com empresas de pesquisa como Fundação MT e Embrapa.

A associação dos produtores se uniu à Fundação MT para pesquisas que vão desde o consórcio de técnicas de produção, ao teste de resultados de produtos comercializados por empresas.

Os resultados dessas pesquisas ficarão à disposição dos produtores, que poderão adotá-las dependendo das regiões que estão.

Dalcin afirma que é preciso mostrar aos produtores que existem tecnologias que podem auxiliar no combate a pragas e doenças, como lagartas e nematóides.

"Mas é preciso colocar essas tecnologias desenvolvidas para eles."

Essa busca passa pelas vias econômicas e ambientais.

"E o produtor está ciente de que isso exige trabalho e investimentos", afirma.

A Aprosoja e a Fundação MT apresentam hoje (17) a produtores de Mato Grosso resultados obtidos em um campo experimental de 88 hectares que as duas empresas desenvolvem em Campo Novo do Parecis, no oeste do Estado. (Folha de São Paulo 17/02/2017)

 

Venda de combustíveis deve reagir em 2017 após duas quedas anuais, prevê ANP

As vendas de combustíveis neste ano deverão ter uma recuperação, como resultado de uma esperada reativação da economia, após caírem em 2016 pelo segundo ano consecutivo, informou nesta quinta-feira o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone.

Em 2016, as vendas caíram 4,5 por cento ante o ano anterior, para 135,436 bilhões de litros, pressionadas por uma retração do consumo de diesel e de etanol hidratado, segundo explicou o diretor-geral.

"Esperamos que já em 2017 tenhamos uma retomada do mercado de combustíveis, um mercado crescente, e crescimento que virá em maior intensidade a partir do ano que vem", disse Oddone, a jornalistas, após participar de um seminário de avaliação do comportamento do mercado no ano passado.

A retração das vendas em 2016 e em 2015 ocorreu após um longo período de crescimento do mercado.

As vendas de diesel B, já misturado com biodiesel, principal combustível comercializado no país, caíram 5,1 por cento, para 54,279 bilhões de litros. A queda ocorreu como resultado da desaceleração da economia brasileira, segundo a superintendente de abastecimento da ANP, Maria Inês Souza.

Já as vendas de gasolina C, com adição de etanol, subiram 4,6 por cento, para 43,02 bilhões de litros, enquanto as vendas do etanol hidratado, seu concorrente nas bombas, recuaram 18,3 por cento para 14,586 bilhões de litros.

Influência das importações

Maria Inês explicou que o aumento do consumo de gasolina foi influenciado não só pela dificuldade do mercado de etanol, mas também por um crescimento da oferta do combustível fóssil, resultado de uma janela importante de importação.

"Os importadores verificaram que havia uma gasolina barata, importaram, aumentou a oferta e a gente teve um aumento (das vendas) da gasolina, e como a gente teve concomitantemente um encarecimento do etanol, óbvio o consumidor optou por utilizar a gasolina", afirmou a superintendente.

A janela de importação foi motivada por uma decisão empresarial da Petrobras de manter os preços internos da gasolina mais altos do que os externos durante grande parte do ano, segundo executivos da empresa disseram anteriormente.

Com isso, segundo Maria Inês, a Petrobras respondeu em 2016 por 59,7 por cento das importações, contra 83,7 por cento em 2015. A superintendente destacou, no entanto, que apenas 8 por cento do mercado interno de gasolina foi suprido por compras externas.

Já no caso do diesel, as importações também cresceram, apesar da retração no consumo, causando uma perda maior de participação de mercado da Petrobras.

Maria Inês explicou que no ano passado 83,6 por cento das importações de diesel foram de empresas concorrentes da Petrobras, enquanto em 2015 a Petrobras representou 84,2 por cento das importações.

O diesel importado foi responsável por 12 por cento do consumo nacional.

Política de preços

Maria Inês reconheceu, no entanto, que no fim no ano passado o cenário de preços foi alterado, a partir do anúncio da nova política de combustíveis da Petrobras, em outubro.

O anúncio da petroleira aconteceu em resposta à perda de participação do mercado e também atendendo a um antigo pedido de seus acionistas e analistas de bancos por aumento de transparência, mudando a lógica do mercado.

Anunciada em outubro, a nova política prevê pelo menos uma avaliação dos preços dos combustíveis vendidos pela Petrobras nas refinarias.

A superintendente revelou ainda que o governo, a ANP e Empresa de Pesquisa Energética (EPE) vão lançar na próxima segunda-feira uma iniciativa chamada Combustível Brasil, cujo objetivo principal será estudar como o país poderá reduzir riscos de suprimento a partir do reposicionamento da Petrobras.

Além da nova política de preços, a Petrobras tem realizado vendas de ativos, abrindo espaço para a entrada de outros agentes no mercado de combustíveis e gás natural, por exemplo.

O responsável por coordenar esse novo programa será o Ministério de Minas e Energia. Maria Inês não forneceu mais detalhes sobre a iniciativa. (Reuters 16/02/2017)

 

MB Agro: Compra de terra por estrangeiros vai elevar demanda

A liberação da compra de terras para estrangeiros vai aumentar a demanda no Brasil, mas não deve provocar uma forte alta nos preços das áreas agrícolas, afirmou, ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), o diretor da MB Agro José Carlos Hausknecht.

Na quarta-feira, 15, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse em entrevista à Globonews, que esta concessão pode acontecer nos próximos 30 dias, com o objetivo de dar impulso ao agronegócio. "É algo positivo essa discussão, que já está há muito tempo no meio e eu não vejo problema de se ter um investimento estrangeiro", disse Hausknecht. Para ele, a liberação deve trazer sustentação aos preços das terras brasileiras, mas de forma moderada já que os investidores estrangeiros devem barganhar pelas aquisições.

"Esses investidores, assim como os nacionais, não vão pagar absurdo pela terra, não é o que vai mudar", comentou. Segundo ele, o interesse estrangeiro deve se voltar principalmente para os setores de grãos e florestal, assim como o sucroalcooleiro no Centro-Sul do País, "seria bem-vindo a entrada de capital novo para revitalizar o setor".

Hausknecht comenta, ainda, que, além de os investidores estrangeiros estarem sujeitos à legislação brasileira, assim como os nacionais, o que seria uma segurança para o País, eles têm mais facilidade de acesso ao capital e são mais resilientes a períodos de crise. (Agência Estado 16/02/2017)