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Grandes múltis de máquinas traçam cenário positivo para o país até 2018

A acelerada recuperação das vendas de máquinas agrícolas no país desde que o Plano Safra 2016/17 entrou em vigor, em julho do ano passado, devolveu o ânimo às principais companhias do segmento. Afinal, foram cerca de dois anos de mercado retraído, e agora as perspectivas indicam que esta nova fase de bonança poderá durar pelo menos até meados do ano que vem.

Depois que a reação do segundo semestre reduziu a queda das vendas de tratores e colheitadeiras em 2016 como um todo a 4,8%, para 42,8 mil unidades, no primeiro semestre a retração havia sido de 30,9% em relação ao mesmo período de 2015, para 17,1 mil unidades ­, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) passou a prever crescimento de 13% em 2017. É quase uma média do que estimam grandes multinacionais que atuam no ramo para os seus próprios negócios.

"Esperamos que a tendência de alta se mantenha. A conjuntura agrícola está muito positiva", afirmou ao Valor Christian Gonzalez, diretor de portfólio e produto da CNH Industrial no Brasil, que prevê um incremento de 10% a 15% das vendas no país este ano. Conforme dados divulgados pela Anfavea, em 2016, a companhia vendeu 11.222 unidades no país, entre tratores de rodas, colheitadeiras de grãos e colhedoras de cana. No ano anterior, foram 11.225 unidades. "O ano passado foi bem atípico. Começou muito mal e terminou bem. Essa curva gera uma expectativa muito boa para 2017".

Com a melhora do cenário, a fábrica de Curitiba da New Holland, uma das marcas da CNH Industrial, renovou o contrato de cerca de 250 funcionários temporários até setembro. Depois das muitas demissões no segmento nos últimos anos, no total foram fechados 1,4 mil postos de trabalho apenas em 2016, não deixa de ser uma boa notícia.

A recuperação está diretamente ligada ao aumento da confiança dos produtores rurais em relação ao setor e, em menor escala, também aos rumos da economia do país. E está sendo alimentada por recursos do Moderfrota, linha de crédito do governo com juros subsidiados que sustenta a maior parte das vendas de máquinas agrícolas no mercado interno.

Inicialmente, o Plano Safra 2016/17, que terminará em 30 de junho deste ano, reservou R$ 5 bilhões para o Moderfrota. Com a demanda em alta, R$ 2,5 bilhões adicionais já foram garantidos, e a indústria pediu mais R$ 1,5 bilhão. Se tudo der certo, portanto, os desembolsos poderão chegar a R$ 9 bilhões nesta temporada. E para o Plano 2017/18, que entrará em vigor no início do próximo mês de julho, o segmento demanda R$ 11 bilhões.

"Eu acho que R$ 11 bilhões é uma estimativa até conservadora. Se você for olhar o período que estamos vivendo, talvez o mercado reaja até mais positivamente com commodities em alta e dólar mais favorável para compra de insumos", afirmou Alfredo Miguel Neto, diretor de assuntos corporativos da americana John Deere para a América Latina.

Segundo o executivo, outro fator que pode impulsionar o setor agrícola como um todo e, consequentemente, a venda de máquinas, é uma eventual mudança no comportamento da China. "Talvez os chineses direcionem mais suas compras para a América do Sul. Os astros estão ajudando o Brasil em todos os sentidos".

No ano passado, a John Deere vendeu 11.655 máquinas agrícolas no Brasil, 16,2% mais que em 2015. Mesmo com essa melhora, a companhia ainda não repôs a quantidade de funcionários demitidos no país nos últimos dois anos em decorrência do agravamento da crise econômica. "Fizemos apenas contratações pontuais para suprir uma demanda externa", informou Miguel Neto.

Mas isso também pode mudar, sobretudo se o horizonte positivo para as vendas nos próximos dois anos se confirmar. "As oportunidades para o Brasil são enormes no contexto mundial. É um momento no qual as alianças entre os países estão sendo reativadas e a China está repensando suas parcerias. Isso nos dá a oportunidade de aumentar a produção agrícola via tecnologia". (Valor Econômico 02/03/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Mais uma alta: O açúcar ampliou, ontem, os ganhos registrados na última terça-feira na bolsa de Nova York, quando os contratos passaram por uma correção. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 19,34 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 28 pontos. As especulações em relação à Índia, maior consumidor mundial, sustentam as cotações. Estima-se um déficit de 4 milhões de toneladas na oferta interna do país, o que pode levá-lo a importar a commodity. No Brasil, um dos navios encostados no porto de Santos tem como destino o porto de Kandla, na Índia, e deve ser carregado com 60,061 mil toneladas de açúcar, segundo a agência marítima Williams Brazil. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 80,76 a saca de 50 quilos, queda de 0,71%.

Cacau: Oferta abundante: A grande oferta mundial de cacau na safra 2016/17 continua pressionando as cotações da amêndoa na bolsa de Nova York. Ontem, os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1.897 a tonelada, queda de US$ 12. No acumulado do ano, o cacau já se desvalorizou US$ 216 (10,22%). Conforme a Organização Internacional do Cacau (ICCO), a atual temporada deverá registrar um excedente de 264 mil toneladas de cacau, refletindo as boas condições climáticas no oeste da África. A região concentra dois terços da produção mundial e teve a estação seca mais fraca dos últimos seis anos. No mercado interno, o preço médio do cacau ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou em R$ 102,20 a arroba, alta de 0,59%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Compras de fundos: A ação dos fundos na bolsa de Nova York deu sustentação aos contratos futuros do algodão ontem, apesar das perspectivas de aumento da área plantada na safra 2017/18. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 77,86 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 152 pontos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos deverão ampliar em 14,2% a área plantada com algodão no país este ano, para 4,65 milhões de hectares. Trata­se da maior área em quatro anos. Mundialmente, o Comitê Consultivo Internacional do Algodão estima uma área de 30,6 milhões de hectares, avanço de 5% ante a atual temporada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma em São Paulo ficou em R$ 271,18 a arroba, queda de 0,06%.

Milho: De novo o etanol: Os rumores de que Donald Trump pode alterar a política de biocombustíveis nos EUA voltaram a impulsionar o valor dos contratos futuros do milho na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,82 o bushel, alta de 8,25 centavos. Atualmente, os EUA destinam 40% da sua produção de milho para a fabricação de etanol e, segundo alguns analistas, um aumento estimado em 5 pontos percentuais no mandato do país para o biocombustível poderia elevar a demanda interna pelo grão justamente num momento em que a área plantada deverá cair 4,3%, segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA). No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 35,96 a saca, queda de 0,39%. (Valor Econômico 02/03/2017)