Macroeconomia e mercado

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Propina redefiniu a petroquímica

O pagamento de propina de US$ 4,3 milhões permitiu à Braskem ser escolhida sócia da Petrobras em uma fábrica de polipropileno, uma das três principais resinas termoplásticas, e tirou da disputa a antiga Polibrasil, uma sociedade da Suzano Petroquímica e da Basell, que era a maior produtora da matéria-prima na América Latina. A confissão da Braskem a respeito do crime consta do acordo de leniência firmado com as autoridades do Brasil, Estados Unidos e Suíça na esteira da Operação Lava-Jato.

Inaugurada em abril de 2008, em Paulínia (SP), a unidade marcou a chegada da Braskem à Região Sudeste, maior mercado consumidor do país. Para a Suzano, que dois anos depois de perder a disputa foi comprada pela Petrobras e mais tarde viu os ativos serem incorporados à Braskem, esse episódio representou um revés em seu plano de expansão no setor.

Em junho de 2005, a Suzano Petroquímica anunciou a compra dos 50% da Basell (associação entre Basf e Shell) na Polibrasil por US$ 240 milhões. Em agosto de 2007, o braço petroquímico do grupo Suzano foi comprado pela Petrobras por R$ 2,7 bilhões. Considerando­se valor de venda mais dívidas, a operação foi fechada a um múltiplo de 12 vezes o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), transação questionada por analistas à época pelo valor muito elevado. (Valor Econômico 03/03/2017)

 

Setor de citricultura aposta em retomada

O setor de citricultura tem esperanças que o rendimento da laranja seja melhor neste ano do que nos dois anteriores. Na safra 2015/16, a indústrias precisavam de 302 caixas de 40,8 quilos de laranja para a produção de uma tonelada de suco FCOJ equivalente a 66º Brix.

Na safra passada, a relação melhorou, mas ainda foi um rendimento abaixo da média: 289 caixas. Na safra 2017/18, a qualidade da laranja aponta para uma utilização de 270 a 275 caixas.

Quanto menor a quantidade de caixas de laranjas para a produção da tonelada de suco, melhor o rendimento da fruta. E isso pode ajudar na recomposição de estoques de suco, que são os menores historicamente. (Folha de São Paulo 03/03/2017)

 

Volume e preços fazem exportação de commodities subir 42% no bimestre

As receitas com as exportações dos produtos básicos somaram US$ 14,2 bilhões no primeiro bimestre deste ano, 42% mais do que em igual período do ano passado.

Essa expansão das receitas se deve tanto a um aumento do volume como dos preços das principais commodities exportadas pelo Brasil.

A soja, com o ritmo mais forte da colheita nas primeiras semanas do ano, puxa o volume de exportação de grãos no mês passado. Foram 3,4 milhões de toneladas, com aumento de 82% em relação a fevereiro de 2016.

O açúcar, outro produto que vem aumentando participação na balança comercial, perde no volume exportado, mas ganha no preço, quando comparados os números de fevereiro deste ano com os de igual período do ano passado.

As carnes também foram definitivas para o aumento das exportações dos básicos. O país continua aumentando o volume e obtendo preços melhores. O destaque fica para a carne suína, cujas exportações aumentaram 32% na comparação dos meses de fevereiro.

Com o aumento das exportações de soja, o milho praticamente deixou de ir para os portos. Saíram do país apenas 487 mil toneladas no mês passado, 90% menos do que em 2016.

A celulose também perdeu ritmo nas exportações deste ano. O volume do mês passado ficou 25% inferior ao de fevereiro de 2016, enquanto os preços caíram 8% no período, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Mas não são apenas os produtos agrícolas que estão com desempenho melhor neste ano. As exportações de petróleo, por ora o líder da balança comercial, somaram US$ 3,8 bilhões nos dois primeiros meses do ano, 183% mais do que no primeiro bimestre do ano passado.

No mesmo período, as receitas com minério de ferro, produto que está com elevação de preços no mercado externo, aumentaram 125%. (Folha de São Paulo 03/03/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Incertezas na Índia: A potencial abertura do mercado indiano para a importação de açúcar este ano tem colaborado para a volatilidade das cotações da commodity na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a 19,46 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 12 pontos. Com um déficit estimado em 4 milhões de toneladas na oferta interna, os analistas acreditam que as autoridades indianas só deliberarão sobre o assunto após as eleições parlamentares, marcadas para este mês. Produtores e usinas, no entanto, já se manifestam contra a medida. Segundo a Associação Indiana de Usinas de Açúcar, há 7 milhões de toneladas de açúcar em estoque no país. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 80,86 a saca de 50 quilos, alta de 0,12%.

Cacau: Correção em NY: Após atingir o menor valor desde 2008 na última quarta-feira, os contratos futuros do cacau passaram por uma correção ontem em Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1.928 a tonelada, com alta de US$ 31. A commodity tem sido pressionada pelas estimativas da Organização Internacional do Cacau (ICCO) para a oferta mundial na safra 2016/17. Segundo o órgão, haverá um excedente de 264 mil toneladas que deverá elevar os estoques mundiais em 18,8%. O avanço na produção reflete a melhora das condições climáticas no oeste da África após a quebra da safra 2015/16. No mercado interno, o preço médio ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou em R$ 97,70 a arroba, queda de 4,4%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Milho: Demanda menor: O recuo nas vendas externas de milho dos EUA pressionou os contratos futuros do grão na bolsa de Chicago ontem, um dia após a commodity registrar forte alta, impulsionada pelas especulações sobre o futuro do mercado americano de etanol. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,795 o bushel, queda de 2,5 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), foram fechados contratos para a venda de 713 mil toneladas do grão ao longo da semana móvel encerrada no último dia 23, sendo 692,4 mil toneladas para a safra 2016/17, queda de 7% na comparação com a semana móvel anterior. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou ontem em R$ 36,11 a saca de 60 quilos, alta de 0,42%.

Trigo: Recuo nos embarques: As vendas externas semanais de trigo dos EUA também registraram queda, o que pressionou os contratos futuros do cereal nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 4,5275 o bushel, recuo de 4,25 centavos. Já em Kansas, o trigo de mesmo vencimento fechou a US$ 4,7025 o bushel, queda de 7 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), foram fechados contratos para a venda de 452 mil toneladas do grão ao longo da semana móvel encerrada no último dia 23, sendo 353,2 mil toneladas para a safra 2016/17, queda de 22% na comparação com a semana anterior. No mercado interno, o preço médio do trigo ao produtor no Paraná ficou em R$ 593,98 a tonelada, recuo de 0,11%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 03/03/2017)