Macroeconomia e mercado

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Novos plantios para atender demanda

Com uma demanda por cafés especiais no exterior maior do que consegue atender, a O'Coffee está reforçando o plano de ampliar sua produção própria. Além disso, deve voltar a elevar a compra de cafés de terceiros este ano para atender essa procura.

Na safra 2016/17, a O'Coffee produziu 35 mil sacas de café, sendo 60% desse volume grãos especiais que foram destinados à exportação. Mas a demanda internacional superou o que a empresa tinha para ofertar em cafés especiais. Assim, foi necessário adquirir mais 14 mil sacas de café de 15 produtores com os quais a O'Coffee tem parceria na região da Alta Mogiana, que inclui cidades nos Estados de São Paulo e Minas Gerais.

Este ano, o volume comprado de terceiros deve crescer, segundo Úbion Terra, diretor-executivo da O'Coffee. Isso porque a demanda para exportação segue em alta, a estimativa é que alcance 40 mil sacas de café verde, mas a produção da própria O'Coffee deve recuar para 28 mil sacas.

Como a empresa espera exportar 65% do que produzir, terá de adquirir 22 mil sacas de café dos parceiros para atender à demanda para exportação. "Temos uma demanda no exterior muito maior do que conseguimos atender", afirma o executivo. Os cafés adquiridos de terceiros também têm de ter nota superior a 80 pontos e são rastreados.

Para ampliar a produção própria de café, hoje espalhada numa área de 1.200 hectares em seis fazendas contíguas, a O'Coffee planeja plantar mais 900 hectares até 2021. Para isso, incluirá áreas de mais duas fazendas do grupo, onde hoje estão plantadas cana e soja sob arrendamento. Em 2017, serão semeados 100 hectares e mais 200 hectares por ano entre 2018 e 2021.

Com essa ampliação, a produção da O'Coffee pode mais que dobrar até 2021, projeta Terra. A razão é que os novos plantios serão mais adensados, saindo dos atuais 3,6 mil pés de café por hectare para 6,06 mil pés por hectare. "A produção pode mais do que dobrar, alcançando 80 mil sacas por causa do adensamento maior e porque as árvores mais novas são mais produtivas", diz.

A O'Coffee não divulga o valor a ser investido na ampliação, mas o executivo estima que a implantação de cada novo hectare tem custo de R$ 15 mil no caso das áreas sem irrigação e de R$ 30 mil nas com irrigação. Hoje, 60% da área de café da O'Coffee é irrigada, mas ainda não está definido se esse percentual será mantido no processo de ampliação.

Além dos aportes para implantação dos novos cafeeiros, o incremento na produção também prevê investimentos em infraestrutura nas fazendas, como equipamentos para pós-colheita, máquinas secadoras, beneficiadoras e de embalagens.

O modelo de negócio da O'Coffee é verticalizado. Além de cultivar café, a empresa também tem torrefação na propriedade. De sua produção total de cafés especiais, uma fatia de 3% a 5% é torrada e destinada às cafeterias Octavio e aos produtos com a marca comercializados no varejo. Os volumes de café verde não exportados são vendidos a torrefações no mercado interno.

Controlado pela família Quércia, o grupo SolPanamby, dono da O'Coffee, também atua no segmento imobiliário e de comunicações no Brasil. (Valor Econômico 06/03/2017)

 

Decisão sobre nova mudança no preço spot da energia em 2018 sai até julho, diz CCEE

A decisão sobre uma possível nova mudança em 2018 na metodologia de cálculo do preço spot da eletricidade, ou Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), deve ocorrer até julho deste ano, disse à Reuters o presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, Rui Altieri.

A alteração, se aprovada, entraria em vigor a partir de janeiro do próximo ano e seria a segunda revisão no PLD, após uma atualização da metodologia de cálculo ser aprovada para maio deste ano, com o governo defendendo a medida como uma forma de tornar os preços da energia "mais realistas".

O PLD, que é calculado por modelos computacionais, serve de referência para contratos de energia de curto prazo e influencia cotações no mercado livre de eletricidade.

A definição do PLD leva em conta simulações sobre a oferta e demanda por energia e os cenários de chuvas. A metodologia em preparação para maio, chamada de CVaR, torna mais pessimistas os cenários utilizados nessas simulações, enquanto a mudança que poderia ser adotada em 2018 tem sido chamada tecnicamente de SAR.

"Estamos estudando (a SAR) e até julho vamos concluir as avaliações e estudos, entender se é realmente uma metodologia que agrega valor", disse Altieri à Reuters.

A CCEE participa do grupo técnico que conduz esses trabalhos no Ministério de Minas e Energia.

Segundo Altieri, pode ser que a conclusão de estudos em julho aponte a necessidade de prolongar as avaliações, o que adiaria a mudança.

Mas a chance de a nova metodologia ser descartada é vista por ele como "muito remota".

Ele também afirmou que, com o início da aplicação da metodologia CVar no PLD, os preços médios tendem a subir, o que já tem sido apontado em projeções divulgadas pela CCEE nos últimos meses.

"Estamos contribuindo para alinhar o PLD com a realidade... e as alterações estão sendo feitas de maneira previsível", destacou.

Especialistas afirmam que, sem essas mudanças, os preços spot não refletem os custos reais de operação do sistema, e as medidas já anunciadas pelo governo para alterar o PLD têm sido bem vistas pelo mercado.

Na quinta-feira, a CCEE elevou as projeções para o preço spot da eletricidade para Sudeste e Sul em 2017, mas reduziu as expectativas para Norte e Nordeste.

A CCEE apresentou previsões de um PLD médio em 2017 de 199,75 reais por megawatt-hora no Sudeste e Sul, ante 193 reais na projeção realizada no mês anterior.

Para o Nordeste, o PLD médio esperado para este ano é de 220,62 reais por megawatt-hora, ante 241 reais anteriormente. (Reuters 03/03/2017)

 

Safra cheia

O desempenho do agronegócio segue sendo excelente; quadro favorável continua sendo afetado pela mediocridade da nossa infraestrutura.

A safra que começou a ser colhida vai ser muito boa. Como consequência, a renda agrícola será grande. Além disso, os efeitos benéficos no custo da alimentação continuarão muito importantes e as exportações crescerão bastante, como já mostrou a boa balança comercial de fevereiro.

O desempenho do agronegócio segue sendo excelente. A crise brasileira o afetou muito pouco, tanto que a área cultivada aumentou e o nível de tecnologia se mantém muito bom. Como neste ano o clima está bem decente, a produção vai “bombar”. (Falamos do clima de um ponto de vista geral, mas, como o País é enorme, sempre existem problemas localizados de excesso ou de escassez de chuvas).

A crise atual vem afetando o setor sobretudo pela retração da demanda urbana e atinge, especialmente, o setor de carnes. Entretanto, a recuperação da produção de milho e a queda no seu preço estão aliviando significativamente o resultado na criação de suínos e de aves. Além das carnes, o etanol está sendo afetado, uma vez que o consumo de gasolina vem se reduzindo em termos absolutos, o que é um evento raríssimo.

Uma das boas consequências da safra 2016/2017 é que estamos vendo a consolidação de uma importante elevação de produtividade da soja. Nossa média tem sido da ordem de 50 sacas por hectare. Entretanto, os melhores produtores conseguem com muita frequência uma produtividade superior a 60 e até 70 sacas por hectare.

Esse quadro favorável continua sendo afetado pela mediocridade da nossa infraestrutura. O caso atual é o colapso temporário do tráfego na BR-163, principal via de escoamento de parte da produção do Mato Grosso para os portos do Norte do País. Os transtornos dessa situação são relevantes e significam prejuízos para produtores, transportadores e exportadores.

Infelizmente, o Ministério dos Transportes (há muitos anos propriedade de determinado partido político) tem uma longa história de problemas e escândalos e uma ineficiência assustadora. O colapso da BR-163 ilustra bem esse cenário, razão pela qual não espero nenhuma melhora significativa na área de logística neste ano.

A cadeia do agronegócio continua avançando sistematicamente. Como já mencionamos várias vezes, isso decorre de duas características: abertura ao exterior e ausência de protecionismo e um modelo de negócios que tem no ganho de produtividade, decorrente de tecnologia mais avançada, sua característica mais importante. É isso que o caso da soja ilustra bem.

O setor não está isento de maus momentos

É isso que está ocorrendo na área do café, mais precisamente na quebra da produção de conilon no Espírito Santo, decorrente de uma enorme seca ocorrida recentemente. O Estado, que chegou a produzir 10 milhões de sacas, colheu apenas metade disso no ano passado, o que deve se repetir neste ano.

Como consequência, os preços do conilon explodiram, chegando até a igualar, em alguns momentos, aos preços do arábica, coisa jamais ocorrida.

Como resultado da escassez, a indústria de torrado e moído começou a reduzir o uso do conilon na mistura, o que é um risco, porque nunca se sabe qual será a reação do consumidor. Na indústria do solúvel, as possibilidades técnicas de substituição são muito mais limitadas, o que leva a um forte aumento de custos ou a uma redução da produção, caso o repasse não possa ser feito. A solução lógica seria importar robusta, por certo tempo e ressalvados os cuidados sanitários, para reequilibrar o mercado. Esse tem sido o entendimento correto do Ministério da Agricultura.

Entretanto, os produtores, apoiados pela bancada ruralista, têm reagido fortemente à ideia de importação, que até agora não ocorreu.

O comportamento dos produtores de café é um erro. A reação madura seria defender o mercado para o conilon, não prejudicando os compradores, dentro de uma visão de desenvolvimento de longo prazo.

O comportamento anti-importação vai prejudicar principalmente o Espírito Santo. Quando a produção se normalizar, a partir de 2018, os produtores vão encontrar uma indústria de solúvel mais enfraquecida e misturas de café torrado e moído que se utilizem cada vez menos de conilon.

Estamos vendo mais um caso de tiro no pé. (O Estado de São Paulo 05/02/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Pressão cambial: O cenário macroeconômico ajudou a pressionar os contratos futuros do café arábica na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1,433 a libra-peso, recuo de 105 pontos. A moeda americana registrou na semana passada a maior alta ante o real dos últimos três meses, impulsionada pela expectativa renovada de um aperto monetário dos Estados Unidos. O dólar mais forte tende a incentivar as exportações do Brasil, maior produtor mundial, elevando a oferta internacional da commodity. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, as exportações do país caíram 13,5% em fevereiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq ficou em R$ 492,31 a saca de 60 quilos, alta de 0,04%.

Cacau: Barganha em NY: A forte desvalorização do cacau na bolsa de Nova York tem estimulado o movimento de compras, o que deu sustentação aos preços na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1.955 a tonelada, avanço de US$ 27. Na semana, contudo, a commodity acumulou perdas de 1,9%. A amêndoa atingiu o menor valor desde outubro de 2008 na semana passada, refletindo as previsões de superávit na oferta mundial. Segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO) haverá um excedente de 264 mil toneladas na oferta mundial na safra 2016/17, o que deverá elevar os estoques globais em mais de 18%. No mercado brasileiro, o preço médio ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou estável, cotado a R$ 97,70 por arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Demanda firme: Novos sinais de demanda firme por algodão deram força às cotações da pluma na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 77,99 centavos de dólar por libra-peso, alta de 121 pontos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), foram negociados contratos para a venda de 118 mil toneladas de algodão na semana móvel encerrada no último dia 23, o maior volume em dois anos. Desse montante, 104,8 mil são da temporada atual, avanço de 31% ante o período anterior e 72% acima da média das últimas quatro semanas. Segundo o Comitê Consultivo Internacional do Algodão, o consumo crescerá 1% em 2017/18. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para a pluma ficou em R$ 273,20 por arroba, queda de 0,31%.

Trigo: Clima seco: As condições climáticas nos principais Estados produtores de grãos dos EUA deram impulso ao valor do trigo nas bolsas do país. Em Chicago, os papéis com vencimento em maio fecharam a sexta-feira a US$ 4,535 o bushel, avanço de 0,75 centavo. Em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,7175 o bushel, alta de 1,5 centavo. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), no último dia 27, 46% do subsolo e 51% do solo das lavouras de Missouri estavam com umidade abaixo ou muito inferior à média. Em Illinois, esses percentuais eram de 27% e 28%, respectivamente, enquanto em Kansas 55% das lavouras apresentavam as mesmas condições. No mercado brasileiro, o preço médio para o trigo no Paraná ficou em R$ 595,14 por tonelada, avanço de 0,2%. (Valor Econômico 06/03/2017)