Macroeconomia e mercado

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Ipiranga e Ale questionam área técnica do Cade

A Ipiranga e a Alesat apresentaram defesa contra a decisão da Superintendência Geral (SG) do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de impugnar a operação envolvendo as duas distribuidoras de combustíveis. Em petição à autoridade antitruste, pedem a aprovação do negócio e apontam como "absurda" a conclusão da área técnica do órgão de que não há soluções concorrenciais que possibilitariam a aprovação do ato de concentração.

"A operação é incapaz de alterar a atual dinâmica competitiva do segmento de distribuição e revenda de combustíveis. Ademais, dela resultam importantes economias de densidade, escala e escopo, sendo o resultado líquido da operação, portanto, positivo", defende o documento assinado pelos escritórios Barbosa, Mussnich, Aragão Advogados pela Ipiranga e Pedro Dutra Advogados pela Alesat.

A argumentação das empresas busca desmontar a tese apresentada pela SG de que o mercado no qual as duas companhias competem é nacional, e não regional, e que a Ale teria um papel disruptivo no mercado, conhecido no jargão antitruste como "maverick".

"A SG fundiu e confundiu cenários claramente distintos, engendrando um mercado de distribuidoras nacionais que supostamente não competiria com 'players' regionais", diz o texto das empresas. O documento conclui que "não há mercado 'nacional' de distribuição".

Em parecer publicado no início de janeiro, no qual indicava a impugnação da operação, a SG apontou que a compra da Ale pela Ipiranga era "particularmente grave" para o setor, "eliminando a quarta marca do mercado, a única dentre as grandes com perfil de embandeiramento diferenciado e menos propício a cartelização". "A operação é preocupante. Se ela for aprovada, a Ipiranga, a Raízen e a BR Distribuidora [três principais do setor] estarão em zona confortável para induzir ou impor a coordenação sobre centenas de mercados relevantes de revenda espalhados por todo o país, em grandes e pequenas cidades", acrescentou.

Ipiranga e Ale, todavia, discordaram. De acordo com elas, "o papel da Alesat foi superdimensionado pela SG, que ignorou a presença de várias distribuidoras 'regionais' com atuação até mais relevante que a Alesat em suas regiões".

"Apenas no último ano, a Ipiranga perdeu 9% do seu volume, enquanto a Alesat perdeu 1,8% de volume. As distribuidoras 'regionais', por outro lado, ganharam 10% em volume. Em diversos Estados, sobretudo no Norte e Nordeste, são as 'regionais' que lideram o mercado (inclusive em número de postos)", afirmam.

Para elas, "a operação é incapaz de alterar a atual dinâmica competitiva na distribuição e revenda de combustíveis. Ademais, dela resultam importantes economias de densidade, escala e escopo". E apontam que o negócio "não altera qualquer incentivo à coordenação seja no mercado de distribuição seja no mercado de revenda de combustíveis líquidos".

Desde que foi anunciada, a operação causou preocupação a outros atores desse mercado. A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), por exemplo, pede que o Cade aprove a operação apenas se aplicar recursos à operação.

Parecer do escritório que representa a entidade, Neves e Villamil Advogados Associados, aponta que a "retirada do mercado polarizará em absoluto a concorrência entre dois grupos: o das três distribuidoras que terão praticamente 80% de [fatia de mercado] e o grupo formado por mais de uma centena de pequenas distribuidoras regionais que não apresentam efetiva capacidade de rivalizar comercialmente com o oligopólio".

O negócio foi registrada no Cade em 19 de setembro. Segundo a lei, o órgão tem 240 dias para a análise. Assim, o caso pode ser levado ao plenário até 17 de maio. (Valor Econômico 08/03/2017)

 

PIB 2016: em 2 anos, voltamos 6!

O que você fazia em setembro de 2010? Os mineiros chilenos eram a notícia da época, após 69 dias presos em uma mina. Dilma ainda não era presidente. Estávamos sendo governados pelo Lula. Mas por que eu estou citando esses fatos e por que especificamente setembro de 2010? Porque, em 2016, a economia voltou 6 anos no tempo. Todo e qualquer crescimento que tivemos entre setembro de 2010 e dezembro de 2014 se perdeu nos anos de 2015 e 2016, infelizmente.

Em outras palavras, a economia brasileira voltou a setembro de 2010. É isso mesmo! Voltamos ao tamanho que tínhamos há 2.284 dias.

Curiosidade: as famílias brasileiras diminuíram o seu consumo em R$ 181 bilhões no ano passado.

Vamos então falar de dados e tentar descobrir por que isso ocorreu. São várias as contas divulgadas pelo governo, mas eu quero destacar apenas algumas: Agropecuário, Indústria de Transformação, Comércio, Construção Civil, Consumo das Famílias, Exportação e Formação Bruta de Capital Fixo.

Introdução

Vamos começar com algumas definições.

PIB: Produto Interno Bruto. Mede a produção de bens e serviços em um país.

Quem calcula: no Brasil, o cálculo do PIB é feito pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Quanto produzimos no ano passado: R$ 6,3 trilhões.

Como cheguei nos 2.284 dias?

Existe um índice divulgado pelo IBGE desde 1995, com base 100,00. O instituto vai acumulando trimestralmente esse índice. Em setembro de 2010, estava em 160,5 e, em dezembro do ano passado, estava em 160,7.

O auge de valorização da economia foi em março de 2014, quando bateu em 176,7.

Vamos então ver os principais dados do PIB de 2016, para então debater por que fomos tão mal.

Do lado da oferta:

– Agropecuário: queda de 6,6%.

Foi um resultado, surpreendentemente ruim!

Em 2015, o setor tinha ido muito bem, com alta de 3,6%, ajudando demais o nosso PIB a não ter sido ainda pior que os -3,8% registrados. Mas o que aconteceu com o setor em 2016? Tivemos algumas áreas com queda grande na produção e na produtividade, como milho (-25,7%), cana de açúcar (-2,7%) e soja (-1,8%). Entre os motivos para esse desempenho ruim, destacam-se os problemas climáticos, como seca e geadas no campo. Boa parte da segunda safra do milho, por exemplo, se perdeu por geada.

No último trimestre de 2016 (os dados mais recentes de que dispomos sobre o PIB), tivemos alta de 1,0%. Essa notícia é boa. No mesmo período de 2015, a alta havia sido menor: 0,7%. E, no fim de 2017, esse número pode vir excelente, já que estamos com possibilidade de safra recorde (apesar de todos os problemas de escoamento, como destacou o Ministro da Agricultura). O que me preocupa é esse dólar a R$ 3,15. Se essa valorização grande que o real teve no ano passado continuar em 2017, pode acabar atrapalhando o aumento de receita do setor agropecuário. Muitos vão me criticar agora, mas o fato é que o dólar a R$ 3,15 não é bom para o setor, que é grande exportador. E nem venham falar de inflação, porque essa já está sob controle.

Sobre as condições meteorológicas para 2017, relatórios divulgados pelo governo indicam que o efeito “El Nina” não vai ser tão perverso assim.

Mais um detalhe: hoje o setor Agro tem participação de 5,5% no PIB brasileiro.

– Transformação: queda de 5,2%.

Antes de falarmos deste setor, deixa eu explicar quais os grupos que estão nessa amostra: indústrias em geral, como metalúrgica, mecânica, têxtil, calçados e produtos alimentícios, em um total de 12 segmentos pesquisados pelo IBGE. A indústria de transformação como um todo é responsável por 11,7% do PIB brasileiro. Se não tenho para quem vender, vou produzir o que? Quantas fábricas fecharam as portas no ano passado?  Somente em 2016, mais de 322 mil postos de trabalho formais foram fechados.

– Comércio: queda de 6,3%.

Aqui está explicada a perda de 204.373 postos de trabalho em 2016. O principal motivo foi a perda do poder de compra do brasileiro nos últimos anos, que leva à seguinte cadeia de fatos: consumidor diminui as compras do dia a dia => comércio vende menos => empresas, infelizmente, têm que demitir, para poder fechar o mês. Esse contexto explica por que temos visto tantas placas de “aluga-se”, quando andamos pelas ruas do País.

E não vejo sinal de melhora para 2017. Somente no último mês de janeiro, foram demitidas mais de 60 mil pessoas. Um destaque ajudou a puxar a estatística para baixo foi o Rio de Janeiro com 11.361 demissões.

– Construção: queda de 5,2%.

Aqui o contexto é: se a economia não cresce, as famílias ficam sem condições de comprar suas casas e as empresas, de montar os seus escritórios.

Olha o círculo vicioso: as famílias sem condições de pagar estão devolvendo os imóveis => as construtoras, com imóveis na mão, não conseguem novos compradores => com excesso de estoque, as empresas param de construir. Raciocínio idêntico vale para as empresas, com seus escritórios ou galpões.

Além disso, temos que lembrar que projetos como Minha Casa Minha Vida perderam verba no ano passado, que afetou diretamente o setor da construção. O desempenho foi tão ruim, que o setor, fechou 358.679 postos de trabalho em 2016

Do lado da demanda:

– Consumo das famílias: queda de 4,2%.

Foi o pior resultado desde 1996, quando teve início a série histórica. E vale destacar que, de 1996 para cá, o consumo das famílias registrou desempenho negativo em apenas 4 oportunidades. Aqui temos o mesmo problema já citado no item Comércio: perda do poder de compra do trabalhador. Tudo isso acompanhado de juros altos, que inibiram a tomada de crédito. Olha que dado curioso: o consumo das famílias responde por 64% do PIB brasileiro. Se há uma queda de 4,2%, fica impossível o País andar para frente. Aqui tem que estar o foco do governo para melhorar o PIB de 2017!

E vale destacar: se somarmos a queda de R$ 181 bilhões do consumo das famílias em 2016 com recuo de R$ 150 bilhões em 2015, vamos ter um resultado negativo em R $ 331 bilhões, em dois anos. Essa perda é maior que o PIB da Ucrânia. Retração forte demais para a economia brasileira.

– Formação Bruta de Capital Fixo: queda, tombo (ou o substantivo que queira) de 10,2%.

Mas olha o detalhe mais importante: este já é o terceiro ano consecutivo de queda. Em 2014, o recuo havia sido de 4,2% e em 2015, de nada menos que 13,9%.

O que é esse setor? Representa os investimentos na construção civil, em máquinas e equipamentos. Aliás, quero destacar com carinho o setor de máquinas e equipamentos, que registrou queda de 16,0% (-26,5% em 2015 e -7,0% em 2014).

Peço que prestem atenção em um problema que poderemos ter em 2017. O setor industrial não conseguiu renovar o seu parque, devido à falta de incentivo para investir. Se a perspectiva é de não conseguir vender o produto final, fica complicado apostar na renovação do parque industrial. Conclusão: perdemos mais um ano de evolução, nossas máquinas podem estar ficando obsoletas e, portanto, o nosso preço final da mercadoria não deve se tornar tão competitivo, já que a produtividade (via máquina) não vai aumentar. Olha que perigo: não estamos preparando as nossas indústrias para aumentar a produção! Assim, existe uma chance dos nossos produtos não se tornarem atraentes para o mundo. Se o real valorizar muito rápido, isso pode ser um grande problema para o setor exportador em 2017.

– Exportação: alta de 1,9%.

Em 2015, a alta havia sido de 6,09%. Um setor que cresceu, mas poderia ter crescido muito mais, se o real não tivesse valorizado de forma tão rápida. O dólar começou 2016 valendo R$ 4,04 e fechou o ano a R$ 3,25. Podemos concluir que, no ano passado, o dólar ajudou nossas vendas, mas não o suficiente para promover um crescimento mais vigoroso. Temos que destacar que, com o agro não tendo desempenho tão bom (como explicado anteriormente), as nossas exportações também sentem, pois temos uma dependência muito grande desse setor na pauta de vendas ao exterior.

Uma coisa que precisamos ter em mente, como já citado em outros parágrafos, é que o nosso setor industrial está se tornando pouco competitivo em relação aos concorrentes de outros países. Aqui quero destacar um problema grave, que está atrapalhando demais as nossas exportações: a logística dos transportes terrestre, aéreo e marítimo. É só andar pelo Brasil, para ver esses problemas estampados. Então, quem poderia ajudar demais ajudou sim, mas pouco. Segundo o IBGE, os setores que mais se destacaram foram: petróleo e gás natural, açúcar, automóveis, embarcações e outros equipamentos de transporte.

Causa de todos esses números ruins

– Condução equivocada da política econômica nos últimos 6 anos:

a. Usar os preços administrados como política de combate à inflação, aumentando ou diminuindo os preços ao bel-prazer e não de acordo com a necessidade das empresas (lembrar do setor elétrico, cujas tarifas o governo derrubou na canetada!). E quem vai pagar? Nós. Uma dívida de mais de R$ 60 bilhões!!!!;

b. Gastar muito mais do que arrecada. Tente fazer isso na sua vida, para ver se vai dar certo;

c. Não fazer reforma da Previdência, que gera um enorme prejuízo para os cofres públicos;

d. Briga eterna com o Congresso, não conseguindo aprovar medidas importantes para a Economia. Temer, particularmente, não está enfrentando esse problema, como Lula também não enfrentou;

e. Todo o processo de impeachment do primeiro semestre. Surreal isso: o Congresso ficou parado por 6 meses!;

f. Temer dando aumento para o funcionalismo público. O que isso tem a ver? Existe uma coisa na vida chamada confiança. Se um governo que acabou de tomar posse concede aumento de salário para agradar uma minoria, como vou confiar nas medidas seguintes? Muitos analistas falam que o aumento foi um “cala boca”, para evitar qualquer possibilidade de greve. Mas é aquela velha história: comer uma feijoada antes de operar o estômago, com certeza vai prejudicar a operação. Esse aumento foi uma das medidas mais surreais de 2016;

– Lava Jato impactando demais o setor de extração mineral;

– E, no ambiente externo, podemos destacar a queda no preço das commodities no mundo e o menor ritmo de crescimento chinês.

Sobre 2017

Para fazer alguma previsão sobre o PIB de 2017, só chutando muito bem ou tendo uma excelente bola de cristal. Como podemos pensar em PIB com a delação da Odebrecht na rua? Até onde vai? Isso nenhum economista consegue responder. Se eu tivesse que dar alguma opinião, seria algo entre leve queda e zero, tipo -0,1% e 0,0%. Além do fato político, o desemprego está me assustando demais!

Aí vocês me perguntam: você não vai falar nada de bom? Sim, Agronegócio. O campo pode salvar o ano! Um ou outro setor industrial também.

Detalhes: podemos ter um abril com baixo desemprego ou até contratação, de acordo com os  dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Isso, devido a algumas boas colheitas e o Dia das Mães. Mas pode ser apenas um soluço e voltar a piorar em maio e junho. Com as reformas passando, podemos ter um último trimestre muito bom, mas não o suficiente para transformar o ano em uma boa notícia. Agora é esperar o movimento político.

Conclusão

Perdemos o bonde da história! De 210 países do mundo (FMI), o Brasil deve ficar na posição 204 no ranking de crescimento em 2016.

Temos que trabalhar, trabalhar e trabalhar. E isso inclui principalmente o governo, que precisa propor medidas que ajudem a melhorar a Economia. Precisa se acertar com os parlamentares, apesar de eu achar que o Temer tem o “controle” do Congresso.

Só um último dado:

As 4 piores quedas de PIB da história do Brasil, desde 1500, foram, da maior para a menor: 4,35% em 1990 (Plano Collor); 4,25% em 1981 (petróleo); 3,85% em 2015 (dentro dos parênteses, o leitor escolhe o que colocar); e 3,60% em 2016. (O Estado de São Paulo 07/03/2017)

 

Retração da produção de milho derruba PIB agropecuário em 2016

O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária foi bem no último trimestre do ano passado, com evolução de 1% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

No acumulado do ano, no entanto, a agropecuária esteve entre os setores com maiores quedas no ano. A retração do PIB agropecuário foi de 6,6%.

A queda da agropecuária ocorreu devido ao mau desempenho de vários produtos do setor da lavoura, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Queda no volume produzido e na produtividade foram responsáveis por essa contração.

O milho esteve entre as principais quedas, aponta o IBGE. O cereal teve redução de 26% no ano passado.

Outros produtos como a cana-de-açúcar e até a soja também apresentaram produção e produtividade menores.

Já trigo e café, com evoluções de 22% e 16%, respectivamente, tiveram variações positivas no PIB de 2016.

O PIB médio teve queda de 3,6% no período, conforme os dados do IBGE.

Já o desempenho do PIB agropecuário no quarto trimestre de 2016, em relação a igual período de 2015, mostrou desaceleração de 5%.

A queda na produção de fumo, laranja e cana-de-açúcar no último trimestre do ano passado foi fundamental para esse recuo em relação a 2015.

A agropecuária adicionou R$ 295 bilhões ao PIB total no ano passado, cujo valor foi de R$ 6,3 trilhões. Com isso, a participação da agropecuária foi de 5,5%, a maior em 12 anos.

Os produtos que ajudaram a derrubar o PIB da agropecuária no ano passado deverão ser fatores de recuperação neste ano.

A produção de soja já está sendo estimada em até 110 milhões de toneladas neste ano, bem acima dos 95,4 milhões de 2016. A de milho deverá ficar próxima de 98 milhões, ante apenas 66,5 milhões no ano passado.

Se essas estimativas otimistas de algumas consultorias forem confirmadas, esses produtos serão de grande impacto no PIB de 2017.

Novas estimativas

A consultoria FCStone prevê que a safra de soja de 2016/17 atinja 109 milhões de toneladas. O bom desempenho da safra ocorre devido ao aumento da produtividade para 3,25 toneladas por hectare. Em fevereiro, a previsão era de 104 milhões de toneladas.

Milho

A FCStone também aponta bom desempenho para a safra de milho. A produção de 2016/17 poderá atingir 93,3 milhões de toneladas, com destaque para a safrinha: 61,3 milhões.

Atacado

A inflação dos produtos agropecuários acumula alta de apenas 2,2% em 12 meses, segundo o IGP-DI da FGV. No mês passado, houve deflação de 0,12%. A taxa foi negativa devido às quedas de preços de soja, milho e carne bovina. Ovos, leite e laranja subiram.

Defensivos - A Unidade de Referência em Tecnologia e Segurança na Aplicação de Agrotóxicos fará o primeiro curso voltado a profissionais e empresas do setor agrícola.

Perdas

O mau uso de agrotóxicos gera perdas de R$ 2 bilhões por ano para os agricultores e empresas do setor, segundo Hamilton Ramos, do IAC. A perda vem da baixa qualificação da mão de obra, afirma ele.

Controle de pragas

 programação do curso contempla tecnologias no controle de pragas, doenças e plantas daninhas. O curso ocorre a partir de 27 deste mês no Centro de Engenharia e Automação do IAC, em Jundiaí (SP). (Folha de São Paulo 08/03/2017)

 

Vendas de máquinas agrícolas no Brasil saltam em fevereiro

As vendas de máquinas agrícolas no país em fevereiro subiram 16,2 por cento sobre janeiro e aumentaram 33,5 ante fevereiro do ano passado, com agricultores retomando investimentos, informou nesta terça-feira a Anfavea, associação que reúne as montadoras de veículos do país.

No bimestre, as vendas de máquinas no Brasil acumularam alta de 49,9 por cento.

"O campo ainda tem muito espaço para mecanização e estamos voltando para um patamar adequado para o país", afirmou a vice-presidente da Anfavea, Ana Helena de Andrade.

Ela lembrou que a retomada nos investimentos tem acontecido de "forma consistente" desde julho do ano passado.

Segundo a Anfavea, foram vendidas 3.235 unidades em fevereiro e 6.018 no bimestre.

A produção de máquinas agrícolas em fevereiro subiu 53,8 por cento sobre janeiro e 52,5 por cento na comparação com fevereiro do ano passado, acumulando no bimestre alta de 62,9 por cento.

A indústria produziu 4.631 máquinas em fevereiro, acumulando no bimestre 7.642 unidades.

O setor exportou 740 máquinas em fevereiro, alta de 55,1 por cento sobre janeiro e de 18,8 por cento sobre fevereiro do ano passado. No bimestre, houve alta de 27 por cento na exportação, para 1.217 unidades.

Segundo Ana Helena, o crescimento do bimestre tomado isoladamente é positivo, mas a indústria ainda está "muito longe" de atingir seu potencial exportador. (Reuters 07/03/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Dúvidas com a Índia: As incertezas sobre o mercado indiano derrubaram os preços do açúcar na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a 18,41 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 63 pontos e o menor valor desde 27 de dezembro do ano passado. A desvalorização reflete a revisão nas estimativas da Associação Indiana de Usinas de Açúcar para o consumo no país, avaliado em 23,8 milhões de toneladas, 1 milhão abaixo da previsão anterior. A redução diminui as expectativas de uma importação avaliada em 500 mil toneladas pela Organização Internacional do Açúcar recentemente, apesar da quebra de safra no país. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 79,82 a saca de 50 quilos, queda de 0,77%.

Algodão: Realização de lucros: Após atingirem o maior patamar desde junho de 2014 na segunda-feira, os contratos futuros do algodão foram pressionados por uma realização de lucros ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam 78,03 centavos de dólar a librapeso, queda de 108 pontos. A commodity é pressionada, ainda, pela perspectiva de aumento na produção mundial em 2017/18. Segundo o Comitê Consultivo Internacional do Algodão, a área plantada global deverá atingir 30,6 milhões de hectares no próximo anosafra, avanço de 5% ante a atual temporada, levando a uma produção de 23,4 milhões de toneladas, aumento de 2%. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 90,29 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Brasil em foco: As boas condições de desenvolvimento da safra 2016/17 no Brasil pressionam as cotações da soja na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 10,2525 o bushel, queda de 12 centavos ontem, quando a consultoria FCStone elevou em 5 milhões de toneladas suas previsões para a produção do país, avaliada agora em quase 110 milhões de toneladas. O Brasil tem apresentado boas condições climáticas com a colheita num ritmo acima do registrado no ciclo anterior. De acordo com a Safras & Mercado, 47,2% da área total semeada no país havia sido colhida até o último dia 3, bem acima da média dos últimos cinco anos, de 34,1%. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 72,08 a saca de 60 quilos, queda de 0,77%.

Trigo: À espera do USDA: As expectativas com o próximo relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) pressionaram o trigo nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 4,565 o bushel, queda de 2 centavos. Em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,725 o bushel, recuo de 1,5 centavo. Segundo a média das previsões de mercado levantadas pelo Wall Street Journal, o USDA deve estimar estoques mundiais de 248,8 milhões de toneladas de trigo ao fim da safra 2016/17, quase 200 mil toneladas acima das 248,6 milhões de toneladas apontadas em fevereiro. No mercado interno, o preço médio praticado no Paraná ficou em R$ 598,66 a tonelada, recuo de 0,2%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 08/03/2017)