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Justiça libera Petrobras para seguir com transação de US$5,19 bi

A Petrobras informou que foi suspensa nesta quinta-feira, pelo Tribunal Regional Federal da 5ª região, a liminar que determinava a paralisação da alienação de 90 por cento da participação acionária detida pela companhia na Nova Transportadora do Sudeste (NTS).

Com a decisão favorável da Justiça, a companhia poderá prosseguir com a operação de venda da fatia na transportadora de gás para um consórcio liderado pela Brookfield BAMa.TO, em negócio de 5,19 bilhões de dólares.

A transação, a maior do programa 2015-2016 de desinvestimentos da Petrobras, já havia sido aprovada em assembleia de acionistas em dezembro.

Ao todo, a estatal fechou negócios de 13,6 bilhões de dólares no biênio, com vistas a reduzir seu elevado endividamento.

Em meados do mês passado, a Petrobras também havia conseguido reverter uma decisão judicial que impedia a venda de outros ativos.

O mesmo TRF retirou a suspensão da venda da Petroquímica Suape e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), anunciada em dezembro pela empresa.

Com a nova decisão judicial, a estatal conseguiu reverter mais uma ação movida pelo Sindicato dos Petroleiros Alagoas Sergipe (Sindipetro AL/SE), entidade que tem se posicionado fortemente contra o programa de ativos da estatal. (Reuters 09/03/2017)

 

Shell indica Roberto Setubal, presidente do Itaú, para conselho

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, aceitou convite da Shell para assumir vaga no conselho de administração da petroleira, que é hoje a maior parceira da Petrobras no pré-sal.

Sua indicação ao conselho será votada pelos acionistas da Shell em assembleia marcada para o dia 25 de maio. Se aprovada, Setubal assume o cargo no dia 1º de outubro.

Ele já havia anunciado sua saída do comando do banco, que será assumido por Cândido Bracher após assembléia de acionistas no próximo mês.

O presidente do conselho da Shell, Chad Holyday, se disse honrado com o "sim" de Setubal e de Catherine Hughes, executiva com mais de 30 anos de experiência no setor de petróleo, que também foi convidada para compor o conselho.

"Eu acredito que Catherine e Roberto vão trazer grande experiência ao nosso conselho e espero que vocês apóiem suas nomeações", escreveu Holyday, em carta direcionada aos acionistas, que consta de relatório divulgado pela companhia nesta quinta (9).

De acordo com o Itaú, Setubal permanece com assento no conselho de administração do banco, agora como copresidente. Em nota, a instituição disse que uma atividade "não interferirá" na outra.

Após comprar a britânica BG, em 2015, a Shell se tornou a companhia de petróleo estrangeira com maior participação no país.

Em janeiro, extraiu de seus campos brasileiros uma média de 366 mil barris de óleo equivalente (somado ao gás), por dia.

Em seu balanço de 2016, comemora a entrada em operação da terceira fase do projeto parque das Conchas, na Bacia de Campos, e de três novas plataformas no pré-sal da Bacia de Santos, em parceria com a Petrobras.

Além disso, é sócia da Cosan na Raízen, empresa que atua na produção de açúcar e etanol e na distribuição de combustíveis. (Folha de São Paulo 09/03/2017)

 

Ano de 2016 é ‘para ser esquecido’, diz representante do agronegócio

Para Luiz Carvalho, da Abag, apesar de queda do PIB agropecuário em 2016, este ano será positivo.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, afirmou, em entrevista ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do agronegócio da Agência Estado, que o resultado do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) no ano passado, com quedas de 3,6% no geral e de 6,6% na agropecuária, mostra que 2016 "é um ano para ser esquecido".

No entanto, segundo ele, o cenário para 2017 é de um resultado positivo, já demonstrado no crescimento de 1% no PIB do setor no último trimestre do ano passado. Carvalho atribuiu à seca durante o ano passado o fator principal para a queda do PIB agropecuário, mas salientou que a estimativa de uma safra recorde este ano deve contribuir para o desempenho positivo do setor em 2017. No entanto, na avaliação do presidente da Abag, a logística para o escoamento da safra ainda continua como "calcanhar de Aquiles" da agropecuária brasileira e pode frear o crescimento no PIB este ano.

Como você avalia o resultado do PIB Brasileiro de 2016, e, especialmente, da agropecuária, que recuou 6,6% no ano?

O resultado foi muito ruim do ponto de vista do PIB da agropecuária e tem muito a ver com problemas de seca, com quebra da produção muito grande, seja na safra de verão, seja na safrinha (de inverno). Além disso, tivemos exportações que foram positivas na balança comercial, como do milho, mas que oneraram as carnes no mercado interno e evitaram uma expansão do mercado interno. Em resumo, 2016 é um ano para ser esquecido.

A alta de 1% no último trimestre do PIB da agropecuária mostra expectativa para 2017 é de recuperação?

Sim. As commodities ainda têm preços sustentados e a expectativa é que será ano bom, com recorde de produção de grãos. Alguns setores que enfrentavam dificuldades melhoraram e seguirão bem, como laranja, café, e madeira (celulose) e cana. Sinto que 2017 será um ano positivo.

Na semana passada, o noticiário foi recheado com os problemas na BR-163, o que prejudica o escoamento de grãos da atual safra. A logística continua como o maior problema do agronegócio brasileiro e ainda pode provocar impacto negativo no resultado do PIB deste ano?

A logística é um calcanhar de Aquiles. O que aconteceu mostra claramente que os gargalos logísticos continuam. A logística de 1980 e a logística agora na mesma estrada são as mesmas. Não aconteceu nada. A logística é a prioridade número um e toda perda vai, obviamente, roubar um pedaço de PIB deste ano.

Com os recursos públicos limitados, há uma linha de pensamento, na qual estão inclusos o ministro Blairo Maggi e o ex-ministro Roberto Rodrigues, de que o crédito agrícola subsidiado e barato seja repensado e reduzido. Qual a sua opinião a respeito?

O momento é delicado, o endividamento de empresas é um freio à expansão e à melhoria da produtividade. Há um encaminhamento de uma participação maior do setor privado no fomento ao crédito, via relacionamento comercial das empresas compradoras. Isso melhora muito a disponibilidade de crédito, mas acho que não é o sintoma mais importante do buraco do Brasil. O problema é a falta de um seguro rural de renda. No mundo, toda agricultura é suportada e, aqui, a ausência desse seguro é suprida pelo crédito (subsidiado). Tirar esse crédito é ainda algo ainda ser pensado sem que haja um seguro de renda. Portanto, não é possível tirá-lo de uma vez. (Agência Estado 07/03/2017)

 

Decreto sobre leilão de descontratação de energia deve sair nos próximos dias

A regulamentação do leilão de descontratação de energia está no forno e a publicação de um decreto sobre o assunto deve ocorrer nos próximos dias. O certame terá como objetivo permitir que empreendedores com graves problemas para tocar a construção de suas usinas possam abrir mão de seus contratos de fornecimento, pagando um prêmio de saída.

O foco seriam usinas solares e eólicas contratadas em leilões de energia de reserva, que visam dar mais segurança ao sistema. Além de dar mais visibilidade ao real crescimento da oferta de energia nos próximos anos, a medida resultaria em uma menor pressão de alta nas contas de luz.

Sobras estimadas

A estimativa governamental é de que o País possui uma sobra estrutural de 8,4 mil megawatts médios (MW) para 2018, e agentes do setor sinalizam que cerca de 2 mil MW médios seriam de energia de reserva. Fontes do mercado questionam, porém, o interesse dos empreendedores em participar do leilão. Mesmo enfrentando problemas, os empreendimentos têm atraído a atenção de potenciais novos investidores e a descontratação significaria abrir mão de uma possível negociação e assumir o prejuízo. (Agência Estado 09/03/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Quinta queda: Os contratos futuros do açúcar apresentaram sua quinta queda consecutiva ontem na bolsa de Nova York. Os papéis mais negociados, com vencimento em julho, fecharam a 18,02 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 30 pontos e o menor valor desde 23 de dezembro de 2016. No acumulado da semana, a desvalorização do açúcar já atingiu 131 pontos (6,78%). A redução nas estimativas de consumo da Índia pela associação de usinas local arrefeceu as especulações sobre uma possível abertura do mercado local para uma importação avaliada em 500 mil toneladas pela Organização Internacional do Açúcar (OIA). No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 78,76 a saca de 50 quilos, queda de 3,17%.

Cacau: Excedente de oferta: As boas condições de desenvolvimento da safra 2016/17 de cacau no oeste da África continuam pressionando os preços da amêndoa em Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 1.898 a tonelada, queda de US$ 14. De acordo com a Organização Internacional do Cacau (ICCO), a safra 2016/17 deve registrar um superávit de 264 mil toneladas de cacau após o oeste da África apresentar um clima bem mais ameno do que no ciclo anterior, quando houve um déficit de 150 mil toneladas no volume ofertado. A região responde por dois terços de toda a produção mundial. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor de Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou em R$ 100 a arroba, alta de 5,6%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Apesar do USDA: Mesmo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduzindo suas estimativas para a safra 2016/17 de laranja nos EUA ontem, os preços do suco na bolsa de Nova York registraram forte queda. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 1,7135 o bushel, recuo de 345 pontos. Segundo o órgão americano, os EUA colherão 5,16 milhões de toneladas de laranja na atual temporada, redução de 13% em relação à safra anterior e 3,5% abaixo do estimado em fevereiro. A queda na produção estimada reflete as más condições climáticas na Flórida, Estado que responde por 60% da oferta nacional e onde a oferta será 18% menor na atual temporada. Em São Paulo, o preço médio da caixa de laranja destinada à indústria ficou em R$ 20,58, retração de 6,16%, segundo o Cepea.

Algodão: Produção nos EUA: As estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a safra 2016/17 de algodão pressionaram os preços da pluma na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a 77,82 centavos de dólar a libra­peso, recuo de 27 pontos. Ontem, o USDA revisou para cima suas estimativas para a produção americana em 2016/17, de 3,69 milhões de toneladas para 3,75 milhões, bem acima das expectativas de mercado, que indicavam uma estabilidade nas previsões. Já a projeção para os estoques do país ficou em linha com as expectativas, em 979,75 mil toneladas contra as 1,04 milhão apontadas em fevereiro. No mercado interno, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 90,29 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba. (Valor Econômico 09/03/2017)