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Inflação em queda amplia pressão por aumento de imposto na gasolina

Setor sucroenergético insiste em aumento do PIS/Cofins sobre o combustível após retomada da cobrança sobre o etanol.

O processo mais rápido de queda da inflação aumentou a pressão do setor sucroenergético para o governo elevar o PIS e a Cofins da gasolina. A alta do tributo tem potencial de criar um diferencial maior de competitividade para o combustível de cana e, ao mesmo tempo, garantir mais recursos em caixa para o governo cumprir a meta fiscal desse ano. "Estamos conversando todas as semanas. Chegamos a perder as esperanças, mas continuamos a insistir", relatou uma fonte do setor ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. "Persistência", emendou.

Combustível de cana ficaria mais competitivo com aumento de imposto sobre a gasolina

O PIS/Cofins incidente da gasolina é hoje de R$ 0,38 por litro e o do etanol é R$ 0,12. O tributo do etanol foi zerado entre abril de 2013 e dezembro de 2016 e a primeira pressão do setor produtivo de etanol e açúcar junto ao governo ocorreu no final do ano passado. À época, houve a tentativa de que a retomada da cobrança do PIS/Cofins sobre etanol recaísse, ao menos em parte sobre a gasolina. A demanda não foi atendida e, em busca de uma receita estimada em R$ 1,5 bilhão em 2017, o governo retomou a cobrança do tributo sobre o etanol em 1º de janeiro deste ano.

A pressão do setor foi retomada depois que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declarou que não descarta a possibilidade de aumento de tributos para garantir o cumprimento da meta fiscal deste ano. Além disso, o setor tem uma bancada atuante, voto no Congresso e pode apoiar as propostas importantes, como a Reforma da Previdência.

Embora a possibilidade de alta não tenha chegado à área técnica do Ministério da Fazenda para cálculos do impacto da medida, a demanda já chegou ao governo, segundo apurou o Broadcast. Meirelles tem insistido que não há decisão sobre aumento de imposto e muito menos sobre qual tributo poderia ser elevado em caso de necessidade. Na semana passada, por exemplo, ele negou que o governo esteja estudando aumento do IOF sobre câmbio.

No ano passado, o governo lançou o Renovabio, um programa para incentivar o setor de biocombustíveis, entre eles o etanol. O programa prevê três etapas básicas no caso do etanol: a primeira etapa, que depende apenas de uma canetada do presidente Michel Temer, seria justamente a proposta de aumentar o PIS/Cofins da gasolina, para criar um "diferencial de competitividade" para o combustível de cana-de-açúcar.

A segunda seria um estudo para criar uma taxa de carbono para a gasolina, que demoraria porque seriam necessárias audiências públicas e um escopo legal para sustentá-la, e, a terceira, a criação de um mandato de uso do etanol crescente ano a ano, prevista apenas para 2018. "É possível que Ministério das Minas e Energia (MME) já esteja conversando com o Ministério da Fazenda sobre esse aumento do PIS/Cofins, diante do cenário benigno da inflação, para matarem dois coelhos de uma só vez", disse outra fonte, se referindo ao aumento do imposto sem impactar a inflação e ainda a ajudar a arrecadação. (O Estado de São Paulo 14/03/2017)

 

El Niño no 2° semestre pode levar chuva acima da média ao Sul; tempo seco ao Nordeste

O segundo semestre do ano poderá ter a ocorrência do fenômeno climático El Niño em intensidade fraca ou moderada, o que poderia levar a chuvas acima da média na região Sul do Brasil, disse nesta segunda-feira o meteorologista Georg Muller, da Thomson Reuters Point Carbon.

Em análise publicada na página Power Brasil do Eikon, o especialista ressaltou, no entanto, que um El Niño teria como potencial também chuvas potencialmente abaixo do normal no Norte e no leste do país.

Se esse cenário se confirmar, pode acentuar problemas hídricos do Nordeste, que enfrenta chuvas abaixo da média há alguns anos, afetando os reservatórios de hidrelétricas e a agricultura.

No início do mês, o órgão de previsão climática do governo dos Estados Unidos afirmou que as condições do fenômeno La Niña desapareceram e projetou a possibilidade de um El Niño se desenvolvendo durante o outono do Hemisfério Norte.

Em março e na maior parte de abril, um cenário de alta pressão deverá ocasionar chuvas abaixo do normal no Nordeste do país, segundo Muller.

Mais adiante, para o início de maio, a influência da alta pressão deve ser menos frequente, o que poderá ajudar em precipitações mais uniformemente distribuídas pelo país. (Reuters 14/03/2017)

 

Entregas de fertilizantes caem 9% em fevereiro

A entrega de fertilizantes ao consumidor final no Brasil caiu 9 por cento em fevereiro, ante o mesmo mês de 2016, para 2,04 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) publicados nesta terça-feira.

Segundo a associação, a queda ocorreu como reflexo das antecipações de entregas constatadas nos meses anteriores.

No primeiro bimestre, a entrega de fertilizantes ainda registra alta de 6,4 por cento, ante o mesmo período do ano passado, para 4,65 milhões de tonelada, indicou a Anda. (Reuters 15/03/2017)

 

Com oferta restrita e preço recorde, volume exportado de suco recua 16%

A exportação brasileira total de suco de laranja somou 605.498 toneladas nos oito primeiros meses da safra 2016/2017, entre julho do no passado e fevereiro deste ano, queda de 16% sobre o total de 720.834 toneladas de igual período da safra 2015/2016. Puxada pelos preços recordes, graças à oferta restrita da bebida, a receita com as exportações totais de suco caiu menos - ou 7% entre os mesmos períodos - de US$ 1,17 bilhão para US$ 1,09 bilhão.

O levantamento, divulgado pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) a partir dos dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), considera a soma dos volumes de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) e do o suco fresco, ou não concentrado e congelado (NFC). O volume de NFC, que é seis vezes maior, é transformado no equivalente em FCOJ e somado ao do concentrado no total divulgado.

"Desde o início da safra, que se apresentou como uma das mais enxutas dos últimos 30 anos, sabíamos que seria um ano bastante desafiador para as nossas empresas, que estão trabalhando para atender às necessidades do mercado. Mas ainda temos quatro meses pela frente até a finalização dessa temporada e precisamos esperar para ter uma visão mais consolidada", disse o diretor executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.

O volume vendido nos oito primeiros meses da safra 2016/2017 para a União Europeia, principal mercado do suco de laranja brasileiro, recuou 24% ante igual período de 2015/2016, de 502.925 toneladas para 380.199 toneladas de FCOJ equivalente. Já a receita entre os períodos caiu de US$ 822,2 milhões para US$ 686,6 milhões, baixa de 16%. Segundo fontes do mercado, as empresas do setor teriam reduzido os embarques da bebida justamente por causa da oferta de suco no Brasil, que enfrenta um cenário cuja safra de laranja será a menor desde a 1988/1989 e os estoques previstos ao fim do período serão os mais baixos da história.

Ao contrário da safra 2015/2016, quando o mercado norte-americano freou as exportações brasileiras, as vendas da bebida para os Estados Unidos se recuperaram até agora em 2016/2017 e cresceram 5% em volume, para 133.856 toneladas de FCOJ equivalente, e 23% em receita, para US$ 244,11 milhões, ambos sobre igual período da safra passada. A bebida enviada aos Estados Unidos é utilizada basicamente para a mistura ao suco de laranja produzido lá antes de ser comercializado no mercado local.

Com a produção norte-americana em queda por causa da ação do greening na Flórida, principal praga dos pomares, e o fechamento de fábricas naquele Estado norte-americano, a demanda pela bebida brasileira tem aumentado. Ainda segundo o levantamento da CitrusBR, nos mercados asiáticos, menores que os da União Europeia e dos Estados Unidos, as exportações ao Japão recuaram 32% em volume, para 20.154 toneladas de FOCJ equivalente e 29% em receita, para US$ 32,9 milhões entre os mesmos períodos.

As vendas de suco de laranja para a China subiram 17%, para 21,3 milhões, com alta de 22% na receita, em US$ 38,7 milhões nos oito meses de safra. A queda no mercado japonês é atribuída pela CitrusBR à concorrência do suco de laranja com bebidas à base de vegetais. Na China, o crescimento ainda é de difícil avaliação, já que, apesar de aquele mercado ser muito sensível a preços, o volume e a receita cresceram na atual safra. "Precisamos esperar para ver se essa tendência se mantém", frisou Netto. (Agência Estado 14/03/2017)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Terceira alta: Pelo terceiro pregão consecutivo, os contratos futuros do cacau registraram alta ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 2.058 a tonelada, avanço de US$ 41. Além da movimentação técnica dos fundos, com a cobertura de posições vendidas após um início de semana positivo, a commodity é sustentada ainda pelo interesse comercial em Nova York. Segundo alguns analistas, os compradores aproveitam a recente queda de preços para adquirir a amêndoa. Há ainda receios de que a desvalorização do cacau reduza o cultivo no oeste da África. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou estável, em R$ 101,40 a arroba ontem, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Menor produção: A menor demanda americana por suco de laranja não tem conseguido conter a alta nos preços da commodity na bolsa de Nova York em meio à queda na produção da fruta nos EUA. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a US$ 1,697 a libra-peso, avanço de 170 pontos. Segundo avaliação de Jack Scoville, da Price Futures Group, embora os fundamentos sejam de alta, a queda no consumo nos EUA limita ganhos mais expressivos no mercado futuro, gerando volatilidade nas cotações. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produção da Flórida em 2016/17 deve apresentar uma queda de 13%. Em São Paulo, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria em São Paulo ficou estável em R$ 20,58, de acordo com o Cepea.

Soja: Avanço no Brasil: O avanço da safra 2016/17 no Brasil, com estimativas de uma produção recorde, pressionou as cotações da soja na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 9,9925 o bushel, recuo de 6,75 centavos. Segundo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), EUA e Brasil devem colher, juntos, 215,21 milhões de toneladas da oleaginosa, o que representa 63% da produção mundial estimada pelo órgão. No Brasil, a colheita da soja atingiu 56% da área estimada para a cultura na última semana, segundo a AgRural. O número está acima dos 52% do mesmo período do ano passado e da média histórica, de 47%. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 70,82 a saca de 60 quilos, queda de 0,37%.

Milho: Interesse comprador: Após ter sido cotado abaixo da média móvel no período de cem dias, o milho tem despertado o interesse comprador de países asiáticos, o que deu sustentação aos contratos ontem. Os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 3,6225 o bushel, com alta de 1,25 centavo. O milho vinha sendo pressionado pela melhora nas estimativas para a produção mundial na safra 2016/17, projetada em 1,049 bilhão de toneladas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Para o Brasil, o órgão estima uma produção de 91,5 milhões de toneladas, levando a um aumento nos estoques do país de 19,8% ante 2015/16, para 7,84 milhões de toneladas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 35,33 a saca de 60 quilos ontem, com alta de 1,38%. (Valor Econômico 15/03/2017)