Macroeconomia e mercado

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Raízen faz emissão de CRA no valor de R$ 750 milhões com a RB Capital

A Raízen anuncia nesta quarta-feira, 15, a emissão de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) no valor de R$ 750 milhões, das sexta e sétima séries da primeira emissão da securitizadora RB Capital. A quantidade pode ser acrescida de lotes adicional, de até 20%, e suplementar, de até 15%. São duas séries, CRA DI e CRA IPCA.

A data de emissão é 27 de abril e o vencimento em 19 de abril de 2023 para os títulos com remuneração de até 99% sobre a taxa DI, e 17 de abril de 2024 para a série que pagará no máximo sobretaxa de 0,10% sobre o Tesouro IPCA 2024, ambos a serem definidos após procedimento de coleta de intenções (bookbuilding), que vai de 22 de março a 6 de abril.

O período de reserva é de 22 de março a 5 de abril. A data de início das negociações dos CRA está prevista para 28 de abril. Os bancos coordenadores são BB Investimentos (líder), com Bradesco BBI, Itaú BBA, Safra e XP Investimentos.

 

Inflação em queda amplia pressão por aumento de imposto na gasolina

Setor sucroenergético insiste em aumento do PIS/Cofins sobre o combustível após retomada da cobrança sobre o etanol.

O processo mais rápido de queda da inflação aumentou a pressão do setor sucroenergético para o governo elevar o PIS e a Cofins da gasolina. A alta do tributo tem potencial de criar um diferencial maior de competitividade para o combustível de cana e, ao mesmo tempo, garantir mais recursos em caixa para o governo cumprir a meta fiscal desse ano. "Estamos conversando todas as semanas. Chegamos a perder as esperanças, mas continuamos a insistir", relatou uma fonte do setor ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. "Persistência", emendou.

O PIS/Cofins incidente da gasolina é hoje de R$ 0,38 por litro e o do etanol é R$ 0,12. O tributo do etanol foi zerado entre abril de 2013 e dezembro de 2016 e a primeira pressão do setor produtivo de etanol e açúcar junto ao governo ocorreu no final do ano passado. À época, houve a tentativa de que a retomada da cobrança do PIS/Cofins sobre etanol recaísse, ao menos em parte sobre a gasolina. A demanda não foi atendida e, em busca de uma receita estimada em R$ 1,5 bilhão em 2017, o governo retomou a cobrança do tributo sobre o etanol em 1º de janeiro deste ano.

A pressão do setor foi retomada depois que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declarou que não descarta a possibilidade de aumento de tributos para garantir o cumprimento da meta fiscal deste ano. Além disso, o setor tem uma bancada atuante, voto no Congresso e pode apoiar as propostas importantes, como a Reforma da Previdência.

Embora a possibilidade de alta não tenha chegado à área técnica do Ministério da Fazenda para cálculos do impacto da medida, a demanda já chegou ao governo, segundo apurou o Broadcast. Meirelles tem insistido que não há decisão sobre aumento de imposto e muito menos sobre qual tributo poderia ser elevado em caso de necessidade. Na semana passada, por exemplo, ele negou que o governo esteja estudando aumento do IOF sobre câmbio.

No ano passado, o governo lançou o Renovabio, um programa para incentivar o setor de biocombustíveis, entre eles o etanol. O programa prevê três etapas básicas no caso do etanol: a primeira etapa, que depende apenas de uma canetada do presidente Michel Temer, seria justamente a proposta de aumentar o PIS/Cofins da gasolina, para criar um "diferencial de competitividade" para o combustível de cana-de-açúcar.

A segunda seria um estudo para criar uma taxa de carbono para a gasolina, que demoraria porque seriam necessárias audiências públicas e um escopo legal para sustentá-la, e, a terceira, a criação de um mandato de uso do etanol crescente ano a ano, prevista apenas para 2018. "É possível que Ministério das Minas e Energia (MME) já esteja conversando com o Ministério da Fazenda sobre esse aumento do PIS/Cofins, diante do cenário benigno da inflação, para matarem dois coelhos de uma só vez", disse outra fonte, se referindo ao aumento do imposto sem impactar a inflação e ainda a ajudar a arrecadação. (O Estado de São Paulo 15/03/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Clima favorável: Apesar da queda esperada na produção brasileira de café em 2017/18, as boas condições climáticas no país desde o início deste ano pressionam os contratos do grão na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a US$ 1,409 a libra-peso, recuo de 35 pontos. De acordo com o banco Rabobank, os brasileiros colherão 49,2 milhões de sacas de 60 quilos de café na próxima temporada, sendo 36,7 milhões delas de arábica. O volume é superior ao intervalo entre 43,65 milhões e 47,51 milhões de sacas estimados pela Conab. O Brasil é o maior produtor mundial de café, sendo 80% da sua produção de grãos arábica. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 488,66 a saca de 60 quilos, queda de 0,39%.

Algodão: Demanda chinesa: Apesar de ter retomado os leilões diários de seus estoques, a demanda da China por algodão produzido em outros países segue firme e deu sustentação aos contratos futuros da pluma ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 79,09 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 90 pontos. Em fevereiro, as importações chinesas de algodão cresceram 146% na comparação com o mesmo período do ano passado, para 138,1 mil toneladas, de acordo com a Associação Chinesa de Algodão. Em janeiro, a importação já havia registrado alta de 20% sobre igual intervalo um ano antes, para 114,924 mil toneladas. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 90,96 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Milho: Alta especulativa: As especulações de que a China teria adquirido até 500 mil toneladas de milho dos EUA deram fôlego às cotações do cereal na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 3,71 o bushel, alta de 8,75 centavos. Segundo analistas, apesar de a China ter estoques estimados em mais de 100 milhões de toneladas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o grão armazenado no país é considerado de baixa qualidade, sendo necessário misturá-lo a safras mais recentes. A resistência dos produtores brasileiros em vender a safra 2016/17 após a queda dos preços internacionais e do dólar também ajudou a sustentar as cotações. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 35,11 a saca, queda de 0,62%.

Trigo: Compra do Egito: A compra de um carregamento de 60 mil toneladas de trigo dos EUA pelo Egito ontem deu fôlego às cotações do cereal nas bolsas americanas. Em Chicago, o grão com entrega para junho fechou a US$ 4,5075 o bushel, avanço de 20,25 centavos. Já em Kansas, os papéis de mesmo vencimento fecharam a US$ 4,59 o bushel, alta de 16,5 centavos. O cereal americano foi o mais barato numa lista de 17 ofertas para o Egito, sendo oito da Rússia e três da França. Segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA), os EUA exportaram 15,6 milhões de toneladas de trigo no ano­safra atual até o último dia 9, alta de 27,8% sobre o registrado em igual período da safra 2015/16. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou em R$ 597,03 a tonelada, alta de 0,53%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 16/03/2017)