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Possibilidade de pedido de recuperação judicial pela Odebrecht volta à mesa

A internacionalização das investigações de suborno e corrupção nas operações da Odebrecht trouxe para a mesa, mais uma vez, a possibilidade de um pedido de recuperação judicial pela empreiteira. Uma decisão deve ser tomada em até 60 dias, a depender do desdobramento de questões que, em grande parte, estão ligadas a processos de leniência em articulação por países da América Latina onde contratos são questionados.

As investigações já emperram, por exemplo, a venda de importantes ativos no Peru. Pelo mesmo motivo, o BNDES está segurando a liberação de US$ 600 milhões para o financiamento de serviços de engenharia no exterior. No Peru, ainda não foram vendidos o Gasoduto Sur Peruano e a Usina Chaglla.

A Odebrecht diz que após fechamento do acordo de leniência com o Ministério Público Federal, sua estratégia está concentrada no retorno das atividades normais, com acesso a crédito e credenciamento para participação em novas concorrências. Ao mesmo tempo, a companhia afirma que avança positivamente no plano de desalavancagem ordenada. (Agência Estado 27/03/2017)

 

Raízen e BR Distribuidora arrematam dois terminais no Porto de Santarém

Empresas formavam consórcio que venceu o certame ao oferecer ágio médio de 146%.

Representantes do consórcio vencedor na Bovespa: investimento será de aproximadamente R$ 30 milhões.

O consórcio Porto Santarém, formado pela Raízen (60%) e pela BR Distribuidora (40%), venceu nesta quinta-feira o leilão de duas áreas destinadas à movimentação e armazenagem de granéis líquidos (STM04 e STM05) no Porto Organizado de Santarém, no estado do Pará. O certame ocorreu na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Para a área STM04 o consórcio ofereceu ágio de 62% e, após disputa com outras duas empresas no lance a lance, arrematou o terminal por R$ 18,2 milhões. Já na área STM05 o prêmio oferecido foi de 231%, com a compra sendo finalizada por R$ 50 milhões. Neste caso, o único proponente interessado para o consórcio Porto Santarém.

As outras duas companhias interessadas na área SPM04 foram a Aba Infraestrutura e a Distribuidora Equador de Produtos de Petróleo.

No total, os investimentos nos dois terminais, que são considerados estratégicos para o abastecimento de combustíveis na região amazônica, somam R$ 29,8 milhões e deverão ser aplicados, principalmente, na ampliação e melhorias dos tanques de armazenamento (gasolina, diesel e etanol).

Segundo informou a Antaq, agência que regula os transportes aquaviários e que realizou o certame, o novo arrendatário do terminal STM04 pagará pelo uso da área, de 28.827 m², um aluguel fixo mensal de R$ 2.471,67 e mais R$ 1,35 por tonelada movimentada. Estão previstos investimentos no terminal de R$ 18,8 milhões. O valor global do contrato do STM04 é de 82,376 milhões e a receita média estimada para o novo arrendatário é de R$ 55,71 por unidade por tipo de produto movimentado derivados de petróleo e etanol.

Já na área STM05 o investimento será de R$ 11 milhões em melhorias. Para uso da área de 35.097 m², o novo arrendatário pagará um aluguel fixo mensal de R$ 25.016,88 e mais R$ 5,40 por tonelada movimentada. O valor global do contrato deste terminal é de R$ 199,418 milhões, e, assim como no STM04, estima-se uma receita média para o novo arrendatário de R$ 55,71 por unidade por tipo de produto movimentado de derivados de petróleo e etanol.

O prazo de vigência dos dois contratos é de 25 anos, prorrogável por mais 25 anos.

Ao final dos leilões, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, afirmou que a disputa superou as expectativas do governo.

“O governo federal acertou ao reformular as regras tornando os certames mais atrativos. O resultado de hoje representa um sucesso estrondoso”, disse, repetindo o mesmo termo que usou para classificar o resultado do leilão de aeroportos realizado na semana passada. ( O Globo 24/03/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: América do Sul em foco: O otimismo com a produção de café na América do Sul pressionou os contratos futuros do grão na sexta-feira em Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1,4 a libra-peso, recuo de 290 pontos. No Brasil, embora deva haver queda na produção devido à bienalidade negativa das lavouras, as boas condições climáticas tendem a reduzir essa redução. De acordo com cálculos do Rabobank, os brasileiros devem colher 49,2 milhões de sacas de café. Na Colômbia, foram colhidas 1,293 milhão de sacas em fevereiro passado, elevando em 15% a produção total acumulada este ano no país, segundo a Federação Nacional dos Cafeicultores do país. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica ficou em R$ 472,83 a saca de 60 quilos, queda de 1,91%.

Cacau: Escalada interrompida: Após quatro pregões consecutivos de alta, o cacau caiu na sexta-feira em Nova York. Os papéis para julho fecharam a US$ 2.139 a tonelada, recuo de US$ 42. A commodity vinha sendo sustentada por previsões climáticas desfavoráveis para o próximo semestre. Segundo os principais centros de meteorologia, há entre 40% e 50% de chances de o El Niño se formar novamente este ano. O fenômeno costuma ocorrer a cada quatro ou cinco anos, sendo raro duas formações consecutivas. No ciclo 2015/16, o fenômeno intensificou a estação seca no oeste da África, levando a um déficit na oferta mundial avaliado em 150 mil toneladas. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor subiu 0,93%, para R$ 107,70 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Demanda firme: A demanda firme pela safra americana de algodão deu força às cotações da pluma na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 78,74 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 26 pontos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos acertaram a venda de 71,46 mil toneladas de algodão da safra 2016/17 na semana encerrada no dia 16, 4% mais que na semana anterior. No acumulado de 2016/17, os EUA já venderam 97,4% do total estimado pelo USDA para ser exportado na atual temporada ante uma média histórica dos últimos cinco anos de 91,8% para o período. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 90,97 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Milho: Futuro incerto: Os efeitos da operação Carne Fraca sobre as exportações brasileiras pressionam os preços do milho em Chicago na sexta-feira. Julho fechou a US$ 3,6375 o bushel, queda de 75 pontos. Na semana passada, o grão acumulou perda de 3% e atingiu o menor patamar desde janeiro. "O escândalo de corrupção no Brasil está causando preocupação, pois poderá reduzir a demanda por ração animal, o que significa que mais milho e soja poderão ser exportados", destacou, em nota, o Commerzbank. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) o Brasil deve colher 91,5 milhões de toneladas de milho na safra 2016/17. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 31,63 a saca de 60 quilos, queda de 0,35%. (Valor Econômico 27/03/2017)