Macroeconomia e mercado

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Compra da Monsanto pela Bayer deve ser finalizada este ano, diz CEO global

A aquisição da americana Monsanto pela alemã Bayer deve ser finalizada ainda neste ano, segundo Hugh Grant, presidente do conselho e CEO global da Monsanto. O executivo afirmou, durante o evento "Global Agribusiness Forum" ontem, que após a conclusão do negócio "as pesquisas em inovação serão aceleradas".

Segundo Grant, após a aprovação da venda para a Bayer, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na Monsanto subirão de US$ 1,5 bilhão anuais para US$ 2,5 bilhões por ano, considerando o investimento anual de US$ 1 bilhão feito nessa área hoje pela alemã.

Nesta semana, a Comissão Europeia aprovou a fusão entre as americanas DuPont e Dow Chemical, o primeiro dos três grandes negócios do setor a receber o aval do órgão de proteção à concorrência da União Europeia. A expectativa é de que a venda da Syngenta à ChemChina, outra das operações que marcam a consolidação do setor, seja aprovada ainda neste mês e que a aquisição da Monsanto pela Bayer seja aprovada na até o fim de abril. Para Grant, essas negociações contribuíram para a integração dos conhecimentos tecnológicos do agronegócio.

O CEO global ressaltou que nos últimos 20 anos, a Monsanto tem lançado patentes de tecnologias de sementes e isso continuará após a conclusão da venda para a Bayer. A negociação deverá deixar a tecnologia mais acessível, avaliou.

Para ele, o maior desafio da agricultura é dobrar a produção de alimentos usando a área disponível atualmente para cultivo. O executivo acredita que problemas globais, relativos ao solo, mudanças climáticas e à seca, precisam de soluções globais, mas com algum nível de solução regionalizada. "A [semente] Intacta é um exemplo de solução criada, desenvolvida e lançada no Brasil e para o Brasil", afirmou.

Um dos maiores desafios hoje, avaliou Grant, é integrar as soluções, muito fragmentadas, para a agricultura tropical. "A ciência de dados ajudará a integrar ciências e conhecimentos para o desenvolvimento de soluções", disse, citando como exemplos tecnologias na área de defensivos, fertilizantes, desenvolvimento de sementes, maquinários e soluções biológicas. (Valor Econômico 30/03/2017)

 

O fator Blairo Maggi

Se o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, e a Polícia Federal saíram mais do que chamuscados, a Operação Carne Fraca fortaleceu a posição de Blairo Maggi.

No próprio Palácio do Planalto e entre as empresas do setor, há um consenso de que o estrago teria sido muito maior não fosse a rápida reação de Maggi para amortecer o impacto da notícia, sobretudo no exterior.

Logo na manhã de sábado, 18 de março, no dia seguinte à Operação, em um trabalho conjunto entre a Agricultura e as Relações Exteriores, as embaixadas do Brasil na Europa e na Ásia começaram a passar informações a autoridades de países chaves no comércio da carne brasileira, como Rússia e China.

Naquele mesmo fim de semana, foram iniciadas as tratativas para a visita de Maggi a Pequim.

O ministro também trouxe para si o complexo trabalho de comunicação, a ponto da Agricultura assinar conjuntamente a nota em que a Polícia Federal purga os excessos da Operação.

O que também calou fundo entre o setor foi o valor simbólico da imediata declaração do ministro da Agricultura afiançando oficialmente ao mercado internacional que não havia qualquer problema com a carne brasileira. (Jornal Relatório Reservado 31/03/2017)

 

PIB do agronegócio cresceu 4,5% em 2016, diz CNA

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresceu 4,48% em 2016, em comparação com o desempenho do ano anterior, de acordo com o levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O setor agrícola teve incremento de 5,77% e o pecuário avançou 1,72%, na comparação com o ano anterior.

Segundo informações da CNA, o segmento primário do agronegócio acumulou alta de 6,44%, o de serviços 4,50%, e a indústria, 2,85%.

O levantamento mostrou que as lavouras que tiveram índices positivos, com crescimento no faturamento anual, foram: banana (52,09%), batata (10,34%), café (18,41%), cana-de-açúcar (18%), feijão (19,48%), laranja (42,47%), mandioca (112,53%), milho (17,14%), Soja (1,95%) e trigo (26,90%). (Valor Econômico 30/03/2017)

 

Novos projetos de geração de energia podem ter hiato de 2 anos no Brasil, diz CPFL

Investidores em geração de energia deverão enfrentar um longo intervalo sem novos projetos no Brasil, o que forçará empresas interessadas em crescer no segmento a apostar em aquisições ou em licitações de projetos existentes, disse à Reuters o presidente da unidade de geração da CPFL, maior elétrica privada do país.

O Brasil viu a demanda por eletricidade cair nos últimos dois anos, o que não acontecia desde 2009, quando o país foi afetado pela crise financeira global, mas ao mesmo tempo um volume recorde de novas usinas entrou em operação, o que deixou o país em um cenário de sobre-oferta.

"Não estou enxergando muitos projetos de geração novos. Ainda vai levar uns dois anos, sendo otimista, porque depende da recuperação da economia", disse à Reuters o diretor-presidente da CPFL Geração, Fernando Mano.

A última década viu um grande volume de contratações de usinas em leilões públicos. Entre 2005 e 2016, o Brasil contratou 69 mil megawatts em novas usinas que representam cerca de 198,5 bilhões de reais em investimentos estimados, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Atualmente, o país tem cerca de 150 mil megawatts em capacidade instalada.

"A gente torce para que os leilões (para contratação de novas usinas de energia) voltem, mas tem um ponto importante, que é essa situação de sobre-oferta", avaliou.

Ele ressaltou, no entanto, que a CPFL Geração ainda não definiu sua estratégia para os próximos anos, que tem sido discutida junto a executivos da chinesa State Grid, maior elétrica do mundo, que neste ano concluiu a compra do bloco de controle da CPFL Energia por 14,2 bilhões de reais.

"Estamos hoje discutindo com o acionista o plano estratégico, a gente tem discutido muito com eles. Eles têm sinalizado um processo suave de continuidade, de forma nenhuma uma ruptura", disse.

As discussões envolvem os volumes de aporte e as fontes de energia que serão priorizadas pela CPFL, bem como o ritmo de expansão da companhia sob o comando dos chineses.

O executivo comentou ainda que o atual cenário de menos oportunidades em geração deve favorecer uma licitação que o governo federal prepara para oferecer a concessão de hidrelétricas em operação, cujos contratos já venceram.

O governo tem falado em arrecadar cerca de 10 bilhões de reais para o Tesouro com esse leilão por meio da cobrança de bônus de outorga junto às elétricas.

"O sucesso desses leilões está muito associado ao preço das outorgas, mas essa sensibilidade acho que o governo está tendo", disse Mano, que lembrou os bons resultados da última licitação realizada pelo governo no setor elétrico, com concessões de linhas de transmissão de energia.

A CPFL Geração administra usinas que somam cerca de 2,2 mil megawatts em capacidade, com hidrelétricas e termelétricas. A CPFL possui ainda cerca de 1,8 mil megawatts em operação na subsidiária CPFL Renováveis, de usinas eólicas, à biomassa e pequenas hidrelétricas.

Mudanças no setor

O presidente da CPFL Geração também disse que a empresa está otimista com mudanças no setor elétrico do Brasil devido à nova equipe do Ministério de Minas e Energia, que tem prometido solucionar problemas regulatórios no setor para atrair mais investidores.

Segundo Mano, as autoridades do setor têm sinalizado que tentarão promover reformas mesmo após um projeto de pesquisa proposto pelas elétricas para rever a regulamentação do setor ter sido arquivado nesta semana pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

"A gente sente interesse do governo e dos agentes. Independente disso (arquivamento da proposta), as mudanças vão acontecer. A forma de se fazer é que vai ser diferente", apostou.

Entre as potenciais novidades para o setor, Mano acredita que as principais podem ser a separação entre leilões para contratar novas usinas, ou capacidade, e a comercialização de energia, ou lastro, um tema que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já admitiu estar em avaliação.

A expansão do mercado livre de eletricidade, onde grandes consumidores podem negociar contratos diretamente com geradores e comercializadoras, também é um tema que a CPFL acredita que está no radar do governo. (Reuters 30/03/2017)

 

John Deere lidera de Dia de Campo ILPF e mostra os benefícios da adoção em fazenda modelo

Evento acontece em 31 de março, na Fazenda Santa Brígida, em Ipameri (GO.

A adoção do sistema produtivo conhecido como Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) já atinge quase 12 milhões de hectares em todo o País. E, desta forma, a agricultura brasileira confirma todo seu potencial para atender ao aumento da demanda global por alimentos; aliando produtividade e sustentabilidade. Incentivadora do sistema há uma década, a John Deere lidera novamente do Dia de Campo ILPF, na fazenda modelo Santa Brígida, em Ipameri (GO), nesta sexta-feira 31. O evento é realizado pela Rede de Fomento à ILPF.

Aberto ao público, o Dia de Campo divulga os benefícios da produção integrada em suas diversas possibilidades, além de mostrar como é a administração de uma propriedade com ILPF. Espera-se cerca de mil pessoas no evento, entre estudantes de faculdades e ensino técnicos, pesquisadores e produtores regionais.

“A Integração Lavoura Pecuária Floresta é uma revolução agrícola que nasceu no Brasil e aqui pode ser utilizada em toda sua potencialidade, pelo clima tropical. Ela é a grande resposta do País para a demanda mundial em produzir mais alimentos, por meio de mais produção na mesma área. Ao mesmo tempo, a ILPF ainda protege biomas, trabalha sobre áreas degradadas, planta árvores. Além disso, o metano eliminado da pecuária retorna para a árvore. Em suma: adotar a ILPF é demonstrar que produzir e preservar é possível”, diz Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil. “E vamos trabalhar cada vez mais que os produtos gerados em propriedades que adotam ILPF sejam valorizados e reconhecidos pelos consumidores”, completa.

A edição deste ano vai se debruçar a apresentar e entender os números da adoção da integração ecossistêmica em todo o Brasil, resultado da pesquisa encomendada pela Rede com a consultoria Kleffmann Group. Os 11,5 milhões de hectares adotados com a tecnologia significa três vezes mais do que o estipulado anteriormente. Mato Grosso do Sul (2.085.518 ha), Mato Grosso (1.501.016 ha) e Rio Grande do Sul (1.457.900 ha) são os principais estados com área com integração.

Desenvolvida há cerca de três décadas pela Embrapa e aplicada em diversas pesquisas de campo, inclusive na fazenda Santa Brígida, a integração de sistema busca a intensificação sustentável do uso da terra em áreas agrícolas e o aumento da eficiência dos sistemas de produção, além de responder a uma necessidade de redução de desmatamento e da emissão de gases de efeito estufa.

Encontro ILPF

Na quinta-feira (30), a Rede de Fomento organizará uma reunião técnica sobre a evolução da adoção da ILPF no Brasil, seguido de palestras e apresentações de histórias de sucesso com a tecnologia. Maurício Lopes, presidente da Embrapa, dá início à reunião com análise sobre o avanço da integração nas fazendas brasileiras.

Já Paulo Herrmann vai abordar o papel da Rede, as contribuições já realizadas e, principalmente, os próximos passos. Após Herrmann, a engenheira agrônoma e ex-secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi, dá palestra sobre possibilidades de reforma na Legislação Trabalhista para o trabalhador rural.

O encontro terá ainda uma mesa redonda com casos de sucesso com a adoção da ILPF. O Diretor Executivo da Rede de Fomento à ILPF, William Marchió, coordena a apresentação de três histórias de propriedades que adotaram a técnica: Fazenda Nelson Guerreiro, de Brotas (SP); Fazenda Modelo II, em Ribas do Rio Pardo (MS) e Fazenda Nossa Senhora das Graças, em Caarapó (MS). Os agricultores vão contar aos participantes os obstáculos encontrados e o que eles fizeram para ultrapassá-los. (Fonte CDI 30/03/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Mais um recuo: Pela quarta sessão consecutiva, os contratos futuros do açúcar registraram queda ontem na bolsa de Nova York, pressionados pelas perspectivas favoráveis para a safra 2017/18. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 16,94 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 28 pontos e o menor valor desde maio de 2016. Na semana, as perdas acumuladas somaram 75 pontos (4,24%). "Devido à elevada produção de açúcar no Brasil, bem como ao aumento da oferta na Índia, na Tailândia e na União Européia, é provável que o mercado global de açúcar tenha um superávit na oferta na safra 2017/18", avalia o Commerzbank em nota. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 73,79 a saca de 50 quilos, queda de 1,28%.

Soja: Área maior nos EUA: A previsão de aumento na área plantada dos EUA na safra 2017/18 pressiona as cotações da soja na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 9,7325 o bushel ontem, queda de 6,25 centavos. Segundo a média das previsões de mercado, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) deve apontar hoje o plantio de 35,7 milhões de hectares de soja no país na próxima temporada, avanço de 5,6% ante o observado na safra 2016/17 e acima dos 35,61 milhões de hectares apontados no mês passado. Os EUA são o maior produtor mundial de soja com uma safra estimada em 117,2 milhões de toneladas na atual temporada. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 66,66 a saca de 60 quilos, queda de 0,6%.

Milho: Vendas desaquecidas: Os contratos futuros do milho recuaram ontem na bolsa de Chicago ante a queda das vendas externas dos EUA na semana. Os lotes para julho fecharam a US$ 3,65 o bushel, recuo de 1 centavo. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores americanos fecharam contratos para a venda de 716,9 mil toneladas de milho na semana móvel encerrada no dia 23 de março, volume 47% menor do que o registrado na semana anterior e 28% abaixo da média em quatro semanas. Também pressionou o mercado a perspectiva de oferta elevada na América do Sul. Para o Brasil, as estimativas mais otimistas são de uma safra de 98 milhões de toneladas, volume recorde para o país. O indicador Esalq/BM&FBovespa subiu 0,36%, para R$ 30,27 a saca.

Trigo: Taxação da Índia: A retomada do imposto sobre a importação de trigo na Índia em meio às perspectivas positivas para safra 2017/18 no país pressiona as cotações do cereal nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 4,34 o bushel, recuo de 4,5 centavos. Já em Kansas, o trigo com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,3025 o bushel, queda de 6,25 centavos. A Índia é o segundo maior produtor mundial de trigo, mas zerou a cobrança do imposto após uma seca impulsionar os preços no mercado interno. A nova safra, que começa em abril, é estimada em 96 milhões de toneladas, um recorde no país após um aumento de 7% na área plantada. No mercado interno, o preço médio pago pelo cereal no Paraná ficou em R$ 601,46 a tonelada, avanço de 0,42%. (Valor Econômico 31/03/2017)