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Exportação do complexo de soja vai a US$ 6,8 bilhões

Como sempre ocorre no fim do primeiro trimestre de cada ano, a soja passa a ocupar um lugar de destaque na balança comercial brasileira.

No mês passado, o volume exportado da soja em grãos subiu para 9 milhões de toneladas. As receitas, para US$ 3,5 bilhões. Esses valores superaram em 7% e 21%, respectivamente, os de março do ano passado.

Tomando como base o complexo soja, que inclui grãos, farelo e óleo de soja, as receitas do primeiro trimestre sobem para US$ 6,82 bilhões, 34% mais do que em igual período de 2016.

Nos próximos meses, a soja voltará a determinar o comportamento das exportações brasileiras. A produção desta safra deverá superar, pela primeira vez, 110 milhões de toneladas, gerando excedente maior para as exportações.

As carnes, embora tenham passado por um tsunami em março, renderam US$ 1,11 bilhão, 11% mais do que há um ano (alta de 4,4% pela média diária). No acumulado do ano, as receitas atingem US$ 3,04 bilhões para o produto "in natura", 15% mais do que as de janeiro a março de 2016.

A evolução das receitas das carnes ocorre devido ao aumento de preços das proteínas no mercado internacional. Já as vendas em volume tiveram queda em março em relação a igual mês do ano passado: 13% para a carne bovina, 7% para a de frango e 4% para a suína.

Na última semana de março, o valor médio diário das exportações de carne se recuperou em relação ao da anterior. Foram US$ 52,1 milhões por dia, ante US$ 50,5 milhões na semana logo após a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal.

O açúcar também fecha o primeiro trimestre do ano com uma boa ajuda à balança comercial. As exportações do produto renderam US$ 2,5 bilhões no período, 33% mais do que em igual período ano passado, de acordo com dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Preços externos favoráveis e aumento das exportações deverão garantir mais receitas com o açúcar neste ano. As exportações do produto bruto somaram US$ 1,9 bilhão no ano. Já as com o produto refinado atingiram US$ 578 milhões, conforme dados da Secex.

CONCENTRAÇÃO

Apenas três itens da balança comercial brasileira concentram 72% das receitas de exportações com os produtos básicos. São soja, minério de ferro e petróleo.

MAIS SOJA

A área de soja a ser plantada neste ano deverá ser de 36,2 milhões de hectares nos Estados Unidos, 2,4 milhões a mais do que no ano passado.

MENOS MILHO

Já a de milho recua para 36,4 milhões de hectares, após ter atingido 38 milhões em 2016. Os dados são do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).

À ESPERA

Esses números indicam uma tendência da safra norte-americana deste ano, mas os dados mais confiáveis são os que serão divulgados no fim de junho, afirma Fernando Muraro, da AgRural.

ESTOQUES

Outro dado que impressionou o mercado na semana passada foram os estoques de grãos. Os de soja somam 47,2 milhões de toneladas; os de milho, 218 milhões.

CENSO

O 10º censo agropecuário do IBGE vai ser feito com receitas enxutas. Haverá um corte de 50% no orçamento e menos perguntas a serem feitas nos 5 milhões de estabelecimentos a serem consultados.

LEITE

A entressafra permitiu uma elevação dos preços recebidos pelo produtor pelo segundo mês. Mas a demanda enfraquecida limita a alta, que foi de 1,4% no mês passado, aponta o Cepea.

DIA DE QUEDAS

A soja fechou ontem a US$ 9,38 por bushel (27,2 quilos) na Bolsa de Chicago. A queda se alastrou também pela Bolsa de commodities de Nova York, onde o café recuou 1% e o açúcar, 1,3%. (Folha de São Paulo 04/04/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Pressão especulativa: O desmonte de posições dos fundos continua pressionando os contratos futuros do açúcar na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a 16,68 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 20 pontos. Os fundos têm liquidado suas posições vendidas desde que a Índia descartou a possível autorização da importação do produto para suprir um déficit na oferta local estimado em quase 4 milhões de toneladas. Além disso, as perspectivas mais otimistas para a produção mundial em 2017/18, quando se espera um superávit de 3 milhões de toneladas na oferta global, também ajudaram a para pressionar as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 74,22 a saca de 50 quilos, alta de 0,3%.

Algodão: Área dos EUA: As previsões de aumento na área plantada com algodão nos EUA na safra 2017/18 pressionaram as cotações da pluma na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 77,12 centavos de dólar a libra-peso, queda de 147 pontos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o país deve plantar 4,94 milhões de hectares de algodão na próxima temporada, alta de 21% ante o registrado em 2016/17. De acordo com o órgão, 4% dessa área havia sido semeada até o último dia 2, um ponto percentual acima do observado no mesmo período de 2016 e dentro da média histórica dos últimos cinco anos. No mercado interno, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 90,96 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Condições perfeitas: As boas condições da safra 2016/17 de soja no Brasil, classificadas como "perfeitas" pela consultoria Safras & Mercado, pressionaram os contratos futuros do grão na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a US$ 9,4925 o bushel, queda de 7,75 centavos. De acordo com a consultoria, os produtores brasileiros deverão colher 111,5 milhões de toneladas da oleaginosa na atual temporada, volume que é quase 15% superior ao produzido na safra 2015/16, quando o país colheu 97,15 milhões de toneladas. As cotações foram pressionadas ainda pela previsão de aumento de 7% na área plantada dos EUA em 2017/18. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 65,05 a saca de 60 quilo, recuo de 2,53%.

Milho: Plantio americano: As previsões de redução da área plantada com milho nos EUA voltaram a sustentar as cotações do grão na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 3,7525 o bushel, avanço de 3,5 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os produtores americanos devem semear 36,42 milhões de hectares de milho na safra 2017/18, queda de 4% na comparação com a temporada anterior e abaixo das médias das previsões de mercado, que estimavam uma área de 36,84 milhões de hectares. O menor plantio reflete a queda recente nos preços do grão em meio à oferta mundial confortável. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 29,39 a saca de 60 quilos, queda de 2,42%. (Valor Econômico 04/04/2017)