Macroeconomia e mercado

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Vai chover na horta do agronegócio no MS

Em meio à grave crise fiscal, a cadeia do agronegócio no Mato Grosso do Sul não tem do que reclamar.

O Fundo Constitucional para Financiamento do Centro-Oeste (FCO) deverá injetar, ao longo deste ano, cerca de R$ 1,3 bilhão no setor agrícola no estado.

É um pouco mais do que a estimativa original, de R$ 1,1 bilhão, e quase o dobro do valor liberado no ano passado, de R$ 748 milhões.

 

Órgão antitruste dos EUA aprova compra da Syngenta pela ChemChina

As autoridades antitruste americanas autorizaram a compra da suíça Syngenta pela chinesa ChemChina, mas exigiram que o grupo chinês venda três negócios de defensivos agrícolas para uma empresa rival.

A aprovação pela Federal Trade Commission (o equivalente ao Cade no Brasil) é um marco para o acordo de US$ 43 bilhões, a maior aquisição de uma companhia chinesa no exterior.

A decisão antecipa uma onda de fusões e aquisições que deverão remodelar o mercado mundial de sementes e defensivos, numa época em que os agricultores e empresas que os abastecem estão lutando contra os baixos preços das commodities.

Grãos em abundância reduziram a receita dos agricultores e forçaram os produtores de sementes e químicos a demitir funcionários e a reduzir algumas pesquisas.

Para garantir o acordo da Syngenta, a ChemChina concordou em vender vários defensivos agrícolas fabricados pela Adama Agricultural Solutions, uma subsidiária sua baseada em Israel, especializada em defensivos genéricos. A American Vanguard Corp. comprará todos os direitos e bens da produção de paraquat da Adama, usado para matar ervas daninhas antes do plantio, segundo as autoridades americanas.

A American Vanguard também deve adquirir o negócio da Adama em abamectina, um inseticida usado no cultivo de citros e nozes, e o clorotalonil, usado como defensivo nas culturas de amendoim e batatas. A Syngenta vende versões com marca desses produtos químicos.

Os demais termos do acordo não foram divulgados. "Estamos confortáveis com o resultado e mais importante, a Syngenta continuará a fornecer um amplo portfólio de produtos e soluções de alta qualidade para os agricultores dos EUA”, disse um porta-voz da Syngenta.

Autoridades antitruste da União Europeia, China, Índia e México ainda estão revisando o acordo. (Valor Econômico 04/04/2017)

 

Dedini:Justiça suspende pagamento de R$ 13,3 milhões para ex-funcionários

Decisão foi um resposta a um recurso feito pela União que solicitava a interrupção dos pagamentos.

O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o pagamento dos trabalhadores da Dedini ao atender um recurso da União que solicita que o dinheiro da venda de um terreno da empresa seja utilizado para débitos da empresa com o governo. De acordo com a Dedini, a empresa entrará com recurso para alterar a decisão.

Em março, O juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 2ª Vara Civil de Piracicaba (SP), autorizou a transferência de R$13,3 milhões do montante depositado para os chamados credores concursais, ou seja, os trabalhadores que foram demitidos até agosto de 2015.

Antes da decisão do TJSP cerca de 1.000 trabalhadores já tinham recebido o dinheiro, segundo a Dedini. A suspensão do pagamento permanece até que seja julgado o mérito do processo ou venha a ser alterada a liminar concedida.

Em nota, a metalúrgica disse que tomará providências para reverter a decisão e que deve tomar medidas para amenizar as consequências dessa situação. "Enquanto isso ( suspensão do pagamento), a empresa pretende continuar pagando aos trabalhadores um valor mensal, para ao menos amenizar os valores alimentares", diz um trecho da nota. (G1 04/04/2017)

 

Caiado anuncia medidas para evitar colapso de setor com cobrança do Funrural

O senador Ronaldo Caiado (Democratas-GO) esteve reunido com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), nesta terça-feira (04/04), para buscar soluções após nova decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).

O Supremo decidiu na última semana pela constitucionalidade do fundo, impondo o pagamento de retroativo, o que cria uma dívida a produtores rurais do Brasil que pode chegar a R$ 7 bilhões. Para Caiado, é preciso achar uma saída para que a cobrança do passivo não inviabilize a produção agropecuária brasileira justamente no momento em que o setor começa a alavancar a economia para fora da crise.

"O governo federal não pode promover uma cobrança sem antes buscar saídas para as várias crises que chegaram ao mesmo tempo sobre o produtor rural. Tem a questão da carne, o crédito inacessível e agora o Funrural. Ou seja, uma somatória de problemas que vem levando um setor que sempre foi um alavancador da economia brasileira a uma crise aprofundada nos últimos dias", comentou.

Após reunião dos parlamentares, Caiado apontou três linhas que a FPA deve atuar para achar uma saída satisfatória: "O que definimos foi apresentar requerimentos e trazer várias autoridades nas comissões de Agricultura de Câmara e Senado para debater o assunto; a redação de um projeto de lei em caráter de urgência-urgentíssima dando opção para o produtor pagar pela folha de pagamento ou pela sua receita bruta; e discutir o grave endividamento do setor nos últimos cinco anos. Estamos trabalhando com esses objetivos", concluiu Caiado.

O Funrural prevê uma contribuição de 2,1% sobre receita bruta da comercialização da produção e havia sido considerado ilegal pelo Supremo em 2011. O assunto voltou a plenário após recurso da União. Durante o encontro da FPA, também foi acordado uma reunião ainda nesta terça com o ministro Alexandre de Moraes, no STF, para tratar do tema. (Senado 04/04/2017)

 

Precisamos de segurança, não de beleza, diz produtor, sobre máquina

O fórum de agronegócio realizado nesta terça-feira (4) durante a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina mostrou uma discussão acalorada sobre a utilização das tecnologias existentes nas máquinas agrícolas.

Glauber Silveira, produtor, vice-presidente da Abramilho e do conselho consultivo da Aprosoja, diz que os produtores utilizam apenas 30% das tecnologias existentes nas máquinas. "Precisamos de segurança, e não de beleza e conforto", diz ele.

O problema, segundo Silveira, é que existe uma inovação tecnológica, mas o produtor não está colhendo mais com essa tecnologia.

"Os engenheiros agrônomos estão aprendendo nas faculdades, mas não levam esses conhecimentos para o campo", diz ele.

Para Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil, "a tecnologia está chegando, mas está sendo usada de forma ineficiente". Na avaliação dele, o país vive uma assimetria. Há avanços em alguns lugares e atrasos em outros.

Herrmann concorda com Silveira que há um aproveitamento das tecnologias dessas máquinas bem abaixo do que elas oferecem.

O usuário "mais fera" das máquinas não consegue subtrair mais de 70% das tecnologias que ela tem, segundo ele.

Mas não tem outro caminho, a tecnologia chegou para ficar, tem de ser útil e de funcionar, afirma o presidente da John Deere.

"O que não pode haver é apenas uma tecnologia de modismo."

Pedro Valente, diretor-geral da Amaggi Agro, concorda com Glauber e diz que os usuários das máquinas no grupo tiram apenas de 40% a 50% das tecnologias oferecidas. Valente destaca que a formação dos profissionais é importante no campo.

Atualmente os engenheiros agrônomos estão mais voltados para a indústria química do que para as lavouras. As químicas pagam mais.

Para Herrmann, a próxima etapa da tecnologia é "as máquinas falarem entre si". Elas vão ler dados disponíveis da lavoura e tomar as decisões acertadas.

"Esse é o caminho, e as assimetrias precisam ser resolvidas com mais aprendizado".

Um caminho difícil, no entanto, admite o executivo da multinacional.

Valente diz que, "no futuro, a tecnologia vai permitir mais sustentabilidade, mas sem treinamento hoje não existe futuro".

ALIMENTAR O MUNDO

O fórum do agronegócio discutiu, nesta terça-feira (4), os desafios de o Brasil de alimentar o mundo. Um desses desafios passa pela sustentabilidade e pela interação na cadeia produtiva. A profissionalização e a educação são indispensáveis para que esse objetivo seja conseguido, segundo Germano Kusdra, coordenador de projeto da Emater. (Folha de São Paulo 05/04/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: De olho em 2017/18: As perspectivas otimistas para a oferta mundial de açúcar na safra 2017/18 seguem pressionando os contratos futuros da commodity na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a 16,33 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 35 pontos. Com um superávit de até 3 milhões de toneladas na oferta mundial previsto para a próxima temporada, os fundos reduziram seu saldo líquido comprado em Nova York de 265 mil contratos em outubro para 56.417 papéis no último dia 28 de março, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities. Isso levou a uma queda de mais de 700 pontos nas cotações entre outubro e março. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 74,48 a saca de 50 quilos, com alta de 0,35%.

Cacau: Incertezas: As incertezas em relação à oferta de cacau da Costa do Marfim no curto prazo têm gerado instabilidade no mercado futuro da commodity na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a US$ 2.112 a tonelada, avanço marginal de US$ 1. De um lado, as autoridades locais reduziram o preço mínimo da amêndoa, o que tende a desestimular a colheita e reduzir o ritmo das entregas nos portos locais. De outro, cortou a taxa de 5% que incide sobre o registro das exportações, o que tende a estimular a oferta internacional. A Costa do Marfim é o maior produtor mundial de cacau. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou em R$ 106,40 a arroba, alta de 0,66%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Rolagem de posições: Após atingirem o menor patamar em dois meses na segunda-feira, os contratos futuros do algodão voltaram a registrar queda ontem em meio à menor movimentação comercial na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 76,61 centavos de dólar a libra-peso, queda de 51 pontos. Na semana, os contratos acumulam recuo de 198 pontos. Os fundos mantinham um saldo líquido comprado em patamares recordes em Nova York no último dia 28, de 105.442 papéis, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities. As especulações refletem a demanda internacional firme na última temporada. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 90,96 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Milho: Recorde no Brasil: Após registrarem alta diante das previsões de queda na área plantada dos EUA, os contratos futuros do milho voltaram a ser pressionados ontem na bolsa de Chicago pelas boas condições de desenvolvimento da safra brasileira. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 3,7075 o bushel, recuo de 4,5 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), Brasil e Argentina devem colher, juntos, mais de 120 milhões toneladas do cereal na atual safra, sendo 91,5 milhões de toneladas só no Brasil. Previsões privadas, contudo, apontam uma produção recorde de mais de 98 milhões de toneladas em 2016/17 no país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 28,86 a saca de 60 quilos, com queda de 1,8%. (Valor Econômico 05/04/2017)