Macroeconomia e mercado

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Volkswagen e suas nuvens de fumaça

Na Volkswagen do Brasil, a discussão já não é mais “se” e sim “quando” será convocado o recall das 17 mil picapes Amarok fabricadas entre 2011 e 2012.

Os veículos foram produzidos com o dispositivo criado pelos alemães para mascarar a emissão de gases poluentes, escândalo mundialmente conhecido como "dieselgate".

A montadora tentou segurar ao máximo o recall, e consequentemente a confissão de culpa, à espera do recurso contra a multa aplicada pelo Ibama.

Na última sexta-feira, no entanto, o órgão ambiental confirmou a sanção de R$ 50 milhões.

Há um agravante: a Volkswagen havia garantido às autoridades que o sistema estava desativado no país.

Após os testes, no entanto, o Ibama descobriu que a companhia mentia duas vezes. (Jornal Relatório Reservado 11/04/2017)

 

Marcelo Odebrecht relata pagamento de R$ 13 mi em espécie para Lula

O empresário Marcelo Odebrecht prestou nesta segunda (10) o primeiro depoimento ao juiz Sergio Moro depois de fechar delação premiada.

Herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo reafirmou que Lula tinha o apelido de "Amigo" em suas anotações, segundo a Folha apurou.

Ele detalhou que a empreiteira tinha uma conta com esse codinome usada para fazer repasses vinculados ao ex-presidente.

Entre os repasses informados por Marcelo no depoimento estão pagamentos feitos ao Instituto Lula que seriam usados em um prédio que abrigaria a entidade e também R$ 50 milhões direcionados à campanha de Dilma Rousseff por meio do ex-ministro Guido Mantega.

Ele também relatou o repasse de R$ 13 milhões em espécie que teriam sido entregues ao ex-presidente. Segundo a Folha apurou, o empresário disse que o dinheiro saiu da conta "Amigo" e foi pago em parcelas ao longo de 2012 e 2013. Na planilha da Odebrecht esses pagamentos aparecem associados a "Programa B", referência a Branislav Kontic, assessor do ex-ministro Antonio Palocci, e está dividido em seis vezes.

A reportagem apurou que Marcelo reafirmou que Palocci, que foi ministro nas gestões Lula e Dilma Rousseff, era o "Italiano" apontado em planilha de repasses de propina da empresa.

O empresário detalhou os mecanismos de pagamento de vantagens indevidas a Palocci que, segundo ele, era o principal interlocutor da empresa no governo Lula.

A íntegra do depoimento está sob sigilo, assim como o acordo de delação premiada dos executivos da empreiteira, que ainda não foi tornado público pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O interrogatório fez parte da ação contra Palocci, acusado de interceder em favor dos interesses da empreiteira. Ele foi mencionado em planilhas apreendidas na empreiteira que demonstram o pagamento de R$ 128 milhões em vantagens indevidas, segundo a denúncia.

Marcelo apontou Mantega como o sucessor de Palocci no contato com a Odebrecht, sendo ele o "Pós-Itália" na planilha apreendida pela PF.

O advogado Nabor Bulhões, que defende Marcelo, não conversou com a imprensa sobre a audiência. Durante o interrogatório, Moro foi informado da publicação de trechos da audiência na imprensa. Ele prometeu apurar o vazamento.

OUTRO LADO

O Instituto Lula disse que o ex-presidente nunca pediu valor indevido à Odebrecht. "Lula não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros possam se referir a ele como "Amigo" (...) Por isso não lhe cabe comentar depoimento sob sigilo de Justiça vazado seletivamente e de forma ilegal."

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, não quis comentar o teor da audiência, sob o argumento de que ela está em segredo de Justiça. Ele vem afirmando que o ex-ministro é inocente e que "Italiano" não se refere a Palocci, mas "é um apelido em busca de um personagem".

Mantega tem negado irregularidades (Folha de São Paulo 11/04/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Clima favorável: As boas condições climáticas no Brasil têm pressionado as cotações do café arábica na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a US$ 1,4215 a libra-peso, recuo de 25 pontos. "Estamos na situação incomum em que a relação estoques-uso caminha para um nível muito baixo até ao fim do primeiro semestre de 2018, mas o mercado provavelmente irá refletir uma safra de arábica monstruosa no Brasil em julho de 2018", disse o Rabobank em nota. Apesar da bienalidade negativa das lavouras, o banco avalia que os preços poderão cair ainda mais ao longo deste ano caso não haja problema climático durante o inverno brasileiro. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 572,21 a saca de 60 quilos, recuo de 0,25%.

Algodão: De olho no USDA: As expectativas com o relatório de oferta e demanda mundial que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulga hoje deram fôlego às cotações do algodão na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 76,81 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 134 pontos. Após as vendas externas dos EUA terem atingido 106% do volume estimado pelo USDA para ser exportado na atual temporada, o mercado espera que o órgão revise positivamente suas estimativas para os embarques do país e reduza as previsões de estoques finais americanos. Os EUA são o maior exportador mundial de algodão. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 89,28 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Revisão à vista: A potencial revisão nas estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a oferta mundial de soja na safra 2016/17 em meio aos sinais de demanda firme pela produção americana travou, ontem, as cotações da soja na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 9,5325 o bushel, estáveis em relação ao fechamento de sexta-feira. Embora a média das previsões de mercado indique que o USDA estimará a oferta brasileira em 110 milhões de toneladas (2 milhões acima do apontado em março), os embarques do grão nos EUA na semana encerrada no último dia 6 avançaram 33,4%, segundo o próprio USDA. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 64,62 a saca de 60 quilos, alta de 0,29%.

Milho: Plantio lento: O início lento do plantio da safra 2017/18 de milho nos EUA deu sustentação aos contratos futuros do grão na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 3,745 o bushel, avanço de 7,25 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 3% da área estimada para a cultura havia sido semeada até o último dia 9, um ponto percentual abaixo do observado no ciclo anterior. Segundo os analistas, as chuvas das últimas semanas no Meio-Oeste dos EUA têm atrasado os trabalhos de campo. Na Argentina também há o registro de chuvas, afetando a colheita da safra 2016/17. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 27,92 a saca de 60 quilos, com queda de 0,78%. (Valor Econômico 11/07/2017)