Macroeconomia e mercado

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Governo Trump abre 3 investigações contra produtos brasileiros

O governo de Donald Trump já abriu três investigações contra produtos brasileiros em menos de cem dias no poder. Esta semana representantes brasileiros terão discussões bilaterais com enviados de Washington, em Genebra, sobre os novos casos, que têm potencial de dificultar exportações.

Em fevereiro, a administração Trump abriu investigação antidumping contra importações de borracha de butadieno estireno em emulsão (e-SBR), que é a borracha sintética mais difundida no mundo. Washington suspeita que o produto entra com preço deslealmente baixo em seu mercado e pode ameaçar a industria local.

Mais recentemente, o governo americano deflagrou mais duas investigações, uma antidumping e outra antissubsídio, contra o silício metálico exportado pelo Brasil para o mercado americano. O Canadá, parceiro dos EUA no Nafta (o acordo comercial que inclui também o México), abriu investigações idênticas contra o produto brasileiro.

À margem de reuniões de comitês técnicos da OMC, representantes do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) vão se reunir com representantes dos Estados Unidos do Canadá. O Brasil vai mostrar preocupação com a investigação que alega existência de subsídios para o silício metálico. Estima que os programas citados pelos dois países não caracterizam subsídios e estão cobertos pelas regras internacionais.

Por outro lado, o Brasil deflagrou no fim do ano passado o mecanismo de disputa contra os EUA, na OMC, por causa de sobretaxas aplicadas a produtos siderúrgicos das empresas CSN e Usiminas.

Em consultas bilaterais, exigidas pelas regras da OMC, no começo do ano, os EUA deram respostas vagas ao Brasil sobre as sobretaxas. Agora, falta o governo brasileiro decidir se pede o painel, ou seja, um comitê de especialistas da OMC para examinar a legalidade da investigação americana.

O fato é que a inquietação global cresce com uma política comercial mais nacionalista que Trump promete implementar. Na semana passada, o presidente americano mandou sua administração examinar a possibilidade de frear a importação de aço em nome da segurança nacional. Os principais fornecedores de produtos siderúrgicos para os EUA incluem Brasil, Canadá, Coreia do Sul, México, Japão e Alemanha.

Ontem, em comitê na OMC, o Brasil manifestou preocupação com a investigação de salvaguarda que a China abriu contra importações de açúcar. O Brasil é o principal fornecedor para o mercado chinês. O Brasil notou que esse tipo de investigação pode ter impacto significativo nas suas exportações. Os chineses responderam que têm sido cautelosos, mas que açúcar é um caso especial, porque as importações cresceram 600% em alguns anos, com impacto sobre os produtores chineses.

Coreia do Sul, Austrália e Cuba também se manifestaram na mesma linha do Brasil. Os chineses devem decidir até o fim de maio se, e em quanto, aplicarão sobretaxas nas importações do produto. (Valor Econômico 25/04/2017)

 

GM planeja lançar 10 veículos elétricos e híbridos na China até 2020

A General Motors planeja lançar 10 veículos elétricos e híbridos (que funcionam com gasolina ou eletricidade) na China até 2020, disse o presidente da GM China, Matt Tsien, nesta sexta-feira, à medida que as montadoras aceleram o lançamento de veículos alternativos sob pressão de Pequim para promover o segmento.

A GM vai iniciar a produção de um modelo puramente elétrico na China dentro de dois anos, disse Tsien, em uma entrevista coletiva durante feira de automóveis em Xangai. Ele disse que a GM espera vendas anuais de 150 mil carros elétricos e híbridos na China em 2020 e possivelmente de mais de 500 mil veículos em 2025. Ford Motor, Volkswagen, Nissan Motor e outros fabricantes de automóveis também anunciaram planos agressivos para fabricar e vender veículos elétricos e híbridos na China, o maior mercado de automóveis por número de unidades vendidas.

O governo chinês tem os objetivos de carro elétrico mais ambiciosos do mundo, esperando tanto limpar a poluição do ar nas cidades chinesas e assumir a liderança em uma indústria emergente. Reguladores estão pressionando marcas estrangeiras para ajudar a desenvolver a indústria e abalaram a indústria ao propor uma exigência de que carros elétricos representem pelo menos 8% da produção de cada marca no ano que vem, subindo para 10% em 2019 e 12% em 2020. As montadoras dizem que podem não conseguir cumprir essas metas e os reguladores sugeriram que elas podem ser reduzidas ou adiadas.

Pequim também deve reforçar o que os executivos de automóveis dizem que são os padrões de emissões mais rigorosos do mundo. Eles afirmam que isso provavelmente exigirá que todos os fabricantes incluam elétricos em sua produção.

"Nos próximos anos, até 2020, esperamos lançar pelo menos 10 novos veículos de energia no mercado", diz Tsien, usando o termo do governo para veículos elétricos e híbridos. "Temos um pipeline que vai se materializar, o que nos colocará em uma posição muito boa de uma perspectiva de exigência de economia de combustível". Todos os veículos serão fabricados na China, segundo ele.

As montadoras estrangeiras estavam relutantes em vender carros elétricos na China porque os reguladores exigiam que transferissem propriedade intelectual valiosa para parceiros locais ou pagariam taxas de importação de 25%, mesmo que os veículos fossem produzidos em uma fábrica chinesa. Pequim atenuou essas exigências em um esforço para atrair participantes estrangeiros, embora as montadoras digam que as regras finais para a produção de veículos elétricos ainda não foram anunciadas.

"Não temos preocupações relativas à quantidade de propriedade intelectual que tem de ser compartilhada. Temos uma compreensão bastante clara do que são as regras de envolvimento", afirma Tsien. "Para os veículos em que a General Motors detém a propriedade intelectual, temos acordos de licenciamento de tecnologia de longa data com nosso parceiro. Esses funcionam de forma eficaz."

Tsien destaca que os fabricantes precisarão desenvolver os veículos que tenham apelo junto aos clientes. "A indústria tem de trabalhar muito duro para educar os clientes no que diz respeito aos méritos (do produto)", afirma. (Agência Estado 25/04/2017)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Ainda a Flórida: As más condições climáticas na Flórida e o avanço do greening no Estado, em meio ao maior apetite por risco dos investidores, deram força às cotações do suco de laranja ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1,5705 a libra-peso, avanço de 230 pontos. A Flórida concentra 60% da produção de laranja dos EUA e, segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA), deverá colher 3,02 milhões de toneladas de laranja na safra 2016/17, queda de 18% em relação ao volume da safra passada. Com isso, a produção dos EUA como um todo deverá recuar 16% na mesma comparação. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja em São Paulo ficou estável, a R$ 16,83, segundo levantamento do Cepea.

Algodão: Pregão volátil: Os contratos futuros do algodão fecharam em alta ontem em Nova York, após terem permanecido em queda durante a maior parte do pregão, pressionados pela queda das importações chinesas. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 79,36 centavos de dólar a libra-peso, alta de 57 pontos. De acordo com o serviço aduaneiro da China, foram importadas 121 mil toneladas da pluma em março, queda de 12,4% ante o registrado em fevereiro. No acumulado do primeiro trimestre deste ano, no entanto, o volume adquirido pelos chineses no exterior cresceu 78,4%. O país é o terceiro maior importador mundial da pluma. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 89,28 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Avanço do plantio: O início do plantio da soja em ritmo acima do esperado nos EUA pressiona as cotações da oleaginosa em Chicago. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a US$ 9,65 o bushel, queda de 6,75 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 6% da área estimada para a cultura havia sido semeada até o último dia 23, acima dos 3% observados no ciclo anterior e da média histórica dos últimos cinco anos, também de 3%. Segundo o USDA, os produtores americanos deverão semear 36,22 milhões de hectares com a oleaginosa, avanço de 7% ante o plantio da atual temporada e um recorde no país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 67,63 a saca de 60 quilos, alta de 1,39%.

Trigo: Demanda chinesa: O aumento das importações chinesas de trigo em março deu força às cotações do trigo nas bolsas americanas, em meio às previsões de chuva e menor ritmo de plantio nos EUA. Em Chicago, os papéis com vencimento em julho fecharam ontem a US$ 4,27 o bushel, alta de 7,75 centavos. Em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,2475 o bushel, avanço de 10,5 centavos. Segundo o serviço alfandegário chinês, o país adquiriu 502,12 mil toneladas de trigo no mercado internacional em março, 140,49% mais que no mesmo mês de 2016. No ano, as importações cresceram 92,25%, para 1,069 milhão de toneladas. No mercado interno, o preço médio do cereal praticado no Paraná ficou estável, cotado a R$ 607,80 a tonelada, segundo acompanhamento do Cepea. (Valor Econômico 26/04/2017)