Macroeconomia e mercado

Notícias

TCU vai analisar possíveis irregularidades em negócios do BNDES com a JBS

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai analisar possíveis irregularidades na compra de ações do frigorífico JBS pela BNDES Participações (BNDESPar), subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Segundo o relatório do ministro Augusto Shermann, as ações da JBS, dona da marca Friboi, foram adquiridas por um valor acima do que era cotado na bolsa de valores.

O valor previsto foi acrescido de um adicional de R$ 0,50 por ação o que, segundo o ministro, não se justifica. Cada ação valia R$ 7,65, mas o BNDES pagou R$ 8,15 por cada papel.

A área técnica do TCU também apontou ausência de demonstração da aplicação dos recursos na finalidade para a qual foi repassada, da ordem de US$ 230 a 235 milhões. O aporte, de R$ 1,14 bilhões, foi feito em 2007, com o objetivo de apoiar a compra do frigorífico americano Swift Foods pela JBS. “Os recursos do BNDES são subsidiados, de modo que qualquer recurso adicional que se repassa significa uma certa perda para o estado brasileiro”, disse Shermann.

Privilégio

Outra possível irregularidade apontada pelo TCU é o curto prazo de aprovação da operação. Sherman disse que o negócio foi aprovado em 22 dias úteis. No entanto, análise do TCU mostra que o prazo médio para a aprovação de operações como esta é de 116 dias corridos. “Isso mostra que houve sim um certo descompasso entre o prazo com que essa operação foi analisada, em relação às outras que o BNDES tinha nesse mesmo período de tempo. Portanto, há indício que houve certo privilégio ao grupo JBS na análise dessa operação”, disse o ministro.

Além da abertura de uma Tomada de Contas Especial para apurar os indícios de irregularidades, o tribunal vai definir até o dia 10 de maio quais responsáveis serão ouvidos para esclarecer o caso. Segundo Shermann, a abertura do processo não significa uma condenação do TCU. “É apenas a abertura de um processo para que esses indícios possam ser melhor avaliados, a partir das oitivas dos responsáveis para que o tribunal venha depois a decidir se se eles realmente se confirmam como regularidades e eventualmente haver sanções”, disse.

Outro lado

Em nota, a JBS disse que todos os investimentos do BNDESPar foram praticados de acordo com a legislação do mercado de capitais brasileiros e com total transparência. “Sendo assim, a companhia não tem o menor receio que, ao término do processo, o resultado dele possa afetar os negócios ou mesmo a situação patrimonial da companhia. Já houve inclusive uma perícia da Polícia Federal informando a inexistência de qualquer indício de irregularidades”, diz a empresa.

O BNDES ainda não se manifestou sobre a decisão do TCU. (Agência Brasil 26/04/2017)

 

Trator autônomo chega ao Brasil

Enquanto o país decide sobre legislação trabalhista e acordos de trabalho entre patrões e empregados, a tecnologia pode estar diminuindo a amplidão dessas discussões.

Está no Brasil um trator autônomo que poderá mudar as relações de trabalho, de produtividade e de como a agricultura será administrada no futuro.

Após circular pelos Estados Unidos e Europa, o trator autônomo da Case sai, nesta quinta-feira (27), de Sorocaba (SP) para Ribeirão Preto (SP), onde estará durante a feira Agrishow, que vai de 1º a 5 de maio.

Ainda considerado "um conceito de trator autônomo" pela Case, a máquina já tem um patamar mais avançado de tecnologia.

"É um primeiro passo para o caminho da automação total", diz Christian Gonzalez, diretor de marketing da empresa para a América Latina.

Sem cabine e, é claro, sem um operador, o trator vai desempenhar as suas funções com comando à distância. Sensores, câmeras, GPS e rádio vão permitir que o trator leia o ambiente e tome as decisões de como atuar.

Ele vai trabalhar dentro de uma cerca virtual, que compreende as áreas de atuação determinadas pelo proprietário da fazenda.

Sai do barração na sede da fazenda, vai até a lavoura e inicia a operação, seguindo orientações predeterminadas via software.

Se durante o caminho ou a operação agrícola encontrar algum objeto móvel, o trator para e espera até que o caminho esteja livre.

Se for um objeto fixo não programado, para e manda um alerta para o gestor, que poderá estar distante do local e, via câmeras, vai avaliar a situação. Por meio de celular ou computador, dá novas orientações à máquina.

Apesar de todos esses avanços, a máquina não tem uma autonomia total a ponto de tomar decisões sozinha.

A passagem desse trator pelo Brasil, na sequência vai para a Argentina, tem seus motivos. Na avaliação de Gonzalez, o país reúne duas das principais áreas de atuação da máquina: Primeiro, as fazendas são grandes e estão em busca de tecnologias. Segundo, há uma escassez de mão de obra qualificada no país.

Segundo ele, o país reúne grandes fazendas de grãos, de cana-de-açúcar e de café. E todas elas estão em busca de ganho de produtividade e de eficiência.

O diretor da Case diz que "o trator autônomo tem a capacidade de elevar a produtividade para patamares superiores aos atuais", diminuindo o efeito da ação dos trabalhadores que entendem menos de tecnologia.

EM OBSERVAÇÃO

A Case ainda considera o trator autônomo apenas como "um conceito" porque quer ver a reação do agricultor, a aceitação por esse tipo de tecnologia e até receber eventuais sugestões para mudanças.

Apesar de o trator autônomo ser uma realidade, a sua utilização ainda não é. Os principais entraves hoje são legislação e segurança. Essas discussões ainda devem se estender por vários países, inclusive o Brasil.

Gonzalez acredita, no entanto, que a aprovação dessas máquinas será mais rápida do que a dos veículos autônomos que serão usados nas cidades.

A empresa quer avaliar também qual o nível de tecnologia que a máquina deve ter e até quanto o produtor está disposto a pagar.

"Temos que ter um projeto de autonomia real", diz Gonzalez.

O diretor da Case acredita que as máquinas autônomas vão custar valores similares às de mercado que contenham equipamentos para agricultura de precisão. O trator autônomo da Case tem como protótipo o Magnum 380, que custa próximo de R$ 900 mil atualmente.

O Brasil faz parte dos testes de desenvolvimento dessa máquina que, segundo Gonzalez, poderá estar no mercado em cinco anos.

As máquinas estão sendo desenvolvidas não apenas para grandes áreas mas também para pequenas. Nos próximos meses dois tratores estarão sendo testados na Califórnia. Um deles, de menor parte, vai ser utilizado nas vinícolas do Estado.

A escolha da Califórnia tem dois motivos. Primeiro, é o Estado com a legislação mais avançada na utilização de novas tecnologias. Além disso, os tratores estarão no Estado que é o berço da tecnologia, da qual a máquina depende.

MAIS AUTONOMIA

A Agres, empresa brasileira voltada para agricultura de precisão, também lançará na Agrishow duas tecnologias que, combinadas, possibilitam que máquinas agrícolas, como tratores, pulverizadores e colheitadeiras, se tornem autônomas.

Os equipamentos são instalados em máquinas normais e que já estão no mercado.

As novas tecnologias são a IsoPoint, da Agres, e a IsoFarm, desenvolvida com base em soluções de inteligência cognitiva da IBM. (Folha de São Paulo 27/04/2017)

 

Petrobras diz, agora, que RenovaBio pode ser ‘aprimorado’

Após ser criticada por representantes do segmento sucroalcooleiro durante evento em São Paulo, a Petrobras afirmou ao Valor que as propostas que estão em discussão para incentivar os biocombustíveis no âmbito do Programa RenovaBio ‘podem ser aprimoradas’.

Em nota, a estatal federal afirmou que ‘as propostas atualmente em discussão no âmbito do RenovaBio podem ser aprimoradas para que gerem os melhores incentivos para o equilíbrio do mercado de combustíveis no país’.

Acompanhia também afirmou que ‘de forma alguma se posiciona contra o uso de combustíveis renováveis, em especial o setor de biocombustíveis’. ‘A empresa reconhece a relevância do segmento para o futuro da matriz energética assim como para a indústria de óleo e gás, tanto que continuará presente no desenvolvimento dessas tecnologias e competências, conforme estabelecido em seu planejamento estratégico’, acrescentou.

A Petrobras foi criticada pela ‘contribuição’ que apresentou ao Ministério de Minas e Energia no processo de elaboração das políticas do RenovaBio. Um dos argumentos apresentados pela estatal em seu documento é que os biocombustíveis emitem ‘compostos, como aldeídos e outros compostos oxigenados, cuja reatividade pode levar a uma maior produção de poluentes secundários’.

Dentro do governo, já se avalia incluir a mensuração da emissão de poluentes secundários no programa, além da mensuração da emissão de gás carbônico, que já está sendo considerada na fórmula para incentivar o uso de combustíveis renováveis. (Brasil Agro 26/04/2017)

 

Commodities Agrícolas

Café: Pressão cambial: O cenário macroeconômico em meio à alta do dólar pressionou as cotações do café arábica na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1,307 a libra-peso, com recuo de 170 pontos. A moeda americana acumula ganhos de mais de 2% nos dois últimos dias, e atingiu o maior valor em quase dois meses ontem. O dólar mais forte tende a estimular as exportações brasileiras, elevando a oferta no mercado internacional. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil exportou 2,34 milhões de sacas de café arábica em março, recuo de 13,5% em relação a igual intervalo de 2016. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica em São Paulo ficou em R$ 453,92 a saca de 60 quilos, valorização de 0,34%.

Cacau: Semana positiva: O cacau ampliou, ontem, os ganhos registrados desde o início da semana em meio aos dados positivos de moagem na América do Norte. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1.875 a tonelada, avanço de US$ 23. Na semana, os ganhos acumulados somam US$ 25. Os futuros de cacau são impulsionados pelo maior apetite do mercado por risco após o resultado das eleições presidenciais na França. O desfecho do pleito levou o euro ao maior valor em cinco meses esta semana, o que reforça as expectativas de uma maior demanda pela amêndoa no continente europeu. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou estável, cotado a R$ 96 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Pregão volátil: Os contratos futuros do algodão registraram ganho marginal em Nova York ontem após uma sessão marcada pela volatilidade. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 79,39 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 3 pontos. Embora a demanda mundial venha dando sustentação às cotações, as perspectivas para a safra 2017/18 são de um aumento de 21% na área plantada dos EUA, maior exportador mundial, e de 7% na Índia, maior produtor mundial. Com isso, os indianos deverão colher 5,9 milhões de toneladas da pluma em 2017/18, avanço de 2%, segundo o Comitê Consultivo Internacional do Algodão. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 89,28 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Milho: Recuo em Chicago: A forte alta do dólar ante as principais divisas do mundo e as oscilações nos preços do petróleo pressionaram as cotações do milho em Chicago ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 3,6675 o bushel, queda de 5 centavos. Enquanto o dólar mais forte tende a reduzir a demanda internacional pelo produto americano, o petróleo mais barato tende a reduzir a competitividade do etanol, que nos EUA é produzido a partir do milho. Também tem pressionado o cereal a estimativa de uma grande oferta mundial, projetada em mais de 1 bilhão de toneladas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), e aumento dos estoques finais de 2016/17. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão subiu 0,14%, para R$ 28,56 a saca de 60 quilos. (Valor Econômico 27/04/2017)