Macroeconomia e mercado

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Efeito Odebrecht atrapalha desenvolvimento na América Latina

As investigações de corrupção envolvendo o grupo Odebrecht S.A. estão atrasando o desenvolvimento de grandes projetos de energia e infraestrutura em toda a América Latina, criando efeitos negativos para governos, empresas e bancos, afirmou a agência de classificação de risco Moody's em relatório nesta quarta-feira.

"Várias concessões de infraestrutura foram interrompidas e precisarão ser relançadas como resultado do escândalo de corrupção da Odebrecht. Os obstáculos jurídicos e administrativos para esses projetos provavelmente levarão outros 12 a 24 meses", disse o vice-presidente da Moody's, Adrian Garza.

Um dos principais alvos da operação Lava Jato, a Odebrecht admitiu ter pago 788 milhões de dólares em propina a funcionários de governos em 11 países além do Brasil, incluindo 9 na América Latina.

Diversos contratos de concessão de grandes projetos, desde gasodutos até iniciativas de navegação fluvial, foram cancelados em vários países , incluindo Peru, Colômbia e Panamá. Uma investigação também foi aberta no México.

As repercussões foram sentidas em toda a economia, contribuindo para reduções recentes das previsões da Moody's para o crescimento de vários desses países.

As empresas que participam desses projetos estão enfrentando agora pressões de fluxo de caixa e os bancos, que emprestaram tanto às concessões como diretamente às empresas envolvidas, estão enfrentando maiores riscos de ativos, afirmou a Moody's.

Para a agência, os cancelamentos de projetos agravam desafios que os desenvolvedores de infraestrutura já enfrentam na região, como lento crescimento econômico, pressões fiscais que limitam o investimento público, e os riscos de taxa de juros e de moeda.

Por outro lado, a investigação levará a um impulso regional para fortalecer os procedimentos anticorrupção e, no longo prazo, os projetos de infraestrutura se beneficiarão de medidas em prol de maior transparência, conclui o relatório. (Reuters 03/05/2017)

 

Índia quer vender apenas carros elétricos a partir de 2030

Além da China, outra grande economia emergente promete revolucionar seu próprio mercado interno com apoio maciço à chegada dos elétricos. Trata-se da Índia, que anuncia nesta semana a ambiciosa meta de comercializar unicamente carros de propulsão elétrica a partir de 2030. O feito será alcançado com apoio do governo, por meio de subsídios, bem como com a ampliação da demanda por meio do “despertar” do consumidor para a tecnologia.

As palavras são de Piyush Goyal, ministro da Energia, que acredita na meta como algo razoavelmente alcançável. “Nós vamos introduzir veículos elétricos de uma maneira muito grande. Vamos fazer veículos elétricos autossuficientes. A ideia é que até 2030 nem um único carro a gasolina ou diesel deva mais ser vendido no país “, disse.

Ele complementa: “O custo dos veículos elétricos vai começar a se pagar e os consumidores já começam a ter essa percepção. Gostaríamos de ver a indústria de veículos elétricos funcionar por conta própria”. O plano é que o governo dê apoio por 2 ou 3 anos e que, depois disso, o mercado tenha condições de crescer sozinho.

A Índia enfrenta sérias questões com as consequências da poluição e a popularização dos elétricos é vista como alternativa verde para este problema. Segundo estimativas do Greenpeace, até 2,3 milhões de pessoas morrem prematuramente no país todo ano por causa da baixa qualidade do ar. (UOL 04/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Queda no consumo: O recuo no consumo de suco de laranja nos Estados Unidos tem pressionado as cotações da commodity na bolsa de Nova York. Ontem, os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1,495 a libra-peso, queda de 465 pontos. Segundo a consultoria Nielsen, foram consumidos 33,36 milhões de galões de suco de laranja nos EUA ao longo das quatro semanas encerradas no último dia 15 de abril. O volume é 7,6% inferior ao registrado em igual período de 2016. No acumulado do atual ano-safra, a empresa estima retração de 7,4% nas vendas de suco de laranja nos EUA, com recuo de 9,3% no caso da bebida concentrada e congelada. Em São Paulo, o preço médio da caixa de laranja de 40,8 quilos destinada à indústria ficou estável em R$ 17,17, segundo o Cepea.

Algodão: Maior plantio: As previsões de aumento na área plantada de algodão na safra 2017/18 no mundo ajudaram a pressionar as cotações da pluma ontem em Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 78,77 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 60 pontos. Segundo o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC, na sigla em inglês), a área mundial destinada ao algodão deverá ser 5% maior na próxima temporada, atingindo 30,8 milhões de hectares. Nos EUA, maior exportador mundial, a alta deve ser de 21%, segundo o Departamento de Agricultura (USDA). Para a Índia, o ICAC estima um aumento de 7% na área plantada. Ontem, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 91,30 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Chuva nos EUA: O clima chuvoso no sul dos EUA deu impulso às cotações da soja na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 9,7525 o bushel, avanço de 6,5 centavos. Segundo as previsões climáticas, são esperadas novas precipitações no sul do país nos próximos dias, o que pode atrasar o plantio da safra 2017/18. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 10% da área esperada para a cultura na safra 2017/18 havia sido semeada até o último dia 30, percentual acima dos 7% observados no mesmo período do ciclo anterior e da média histórica dos últimos cinco anos, também de 7%. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 67,87 a saca de 60 quilos, retração de 0,57%.

Trigo: Sem direção definida: Os contratos futuros do trigo ficaram estáveis ontem em Chicago após um pregão sem direção definida. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 4,54 o bushel. Em Kansas, o cereal com o mesmo vencimento fechou a US$ 4,6325 o bushel, recuo de 4,5 centavos. Embora haja a perspectiva de mais chuva no sul dos EUA nos próximos dias, o que poderia comprometer a qualidade das lavouras em desenvolvimento e atrasar o plantio do cereal de primavera, a elevada oferta mundial segue pressionando as cotações. Segundo o Conselho Internacional de Grãos, a produção na safra 2016/17 está estimada em 753 milhões de toneladas, 2,3% acima do ciclo anterior. No mercado interno, o preço médio no Paraná caiu 0,1%, para R$ 610,29 a tonelada, segundo o Cepea. (Valor Econômico 04/05/2017)