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Órgão do Cade recomenda aprovação de fusão de Dow e DuPont com desinvestimentos

A Superintendência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) apresentou parecer pela aprovação no Brasil da fusão mundial entre Dow Chemical e DuPont, desde que condicionada à assinatura de um acordo que irá prever desinvestimentos pelas companhias.

O parecer agora segue para o tribunal do órgão de defesa da concorrência, responsável por uma decisão final sobre a operação entre as empresas, que atuam nos segmentos de produtos químicos, agroquímicos e diversos outros negócios.

"Verificou-se que a operação geraria elevada concentração nos mercados de defensivos agrícolas, especialmente inseticidas e herbicidas utilizados em diversas culturas; de copolímeros de ácido e ionômeros, que são produtos petroquímicos utilizados em ampla variedade de aplicações finais; e de sementes de milho", afirmou o Cade em nota à imprensa.

Diante dessas preocupações, Dow e DuPont propuseram acordo em que se comprometem a desinvestir no Brasil e no mundo de um "conjunto substancial de ativos" nos mercados afetados pelo negócio.

Em defensivos agrícolas, as empresas estão dispostas a se desfazer globalmente de parte relevante das atividades da DuPont em inseticidas e herbicidas. O acordo também inclui também ativos relevantes em pesquisa e desenvolvimento da empresa no mundo.

No segmento de sementes de milho, as companhias propõem desinvestir parte relevante da atividade da Dow no Brasil, onde a concentração das atividades entre as duas empresas é especialmente significativa. O pacote de ativos inclui banco de germoplasma, unidades produtivas, centros de pesquisa, marca, produtos em desenvolvimento (pipeline), entre outros.

O Cade disse que Dow e DuPont também se comprometem a desinvestir, globalmente, os negócios de copolímeros de ácido e ionômeros de propriedade da Dow.

Segundo a análise da superintendência do Cade, "os desinvestimentos propostos pelas partes reduzem significativamente as concentrações nos mercados afetados, no Brasil e no mundo, e, por isso, são suficientes para afastar as preocupações concorrenciais geradas pela operação". (Reuters 06/05/2017)

 

Setor de máquinas agrícolas se prepara para ‘arrancar’ em 2017

O setor de máquinas agrícolas projeta um crescimento de 15% para 2017, na comparação com o ano anterior, quando a fabricação de tratores foi de 43.442 unidades e a produção total de colheitadeiras chegou a 5.759 máquinas. A aposta é na safra recorde de grãos, que, conforme o Indicador Brasil da Expedição Safra, deve ultrapassar 217 milhões de toneladas, além da necessidade de renovação da frota.

No Agrishow 2017, que reúne em Ribeirão Preto (SP) as principais empresas do segmento, o tom geral é de otimismo. Após uma largada para se esquecer em 2016, a situação começou a mudar ao apagar das luzes daquele ano. Tanto que, na comparação do primeiro trimestre de 2017 com o mesmo período do ano anterior, o crescimento no segmento de tratores foi de 50% (total de 7.919 máquinas) e o aumento na produção de colheitadeiras chegou a 30%, com 1.248 unidades fabricadas. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Estamos num momento bastante favorável, a safra foi recorde em todos os lugares, do sul ao nordeste”, salienta o gerente da John Deere para a região Sul do país, Tangleder Lambrecht. “E o Agrishow é um termômetro para o segundo semestre, e tudo indica que vai ser bom”, complementa. (Gazeta do Povo 04/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Alta semanal: Com cotações no menor patamar em dez anos, os contratos futuros do cacau registraram nova alta na sexta-feira na bolsa de Nova York, encerrando a semana com valorização de 1,36%, primeiro avanço semanal desde 24 de março. Os papéis com vencimento julho fecharam a US$ 1.866 a tonelada, com alta de US$ 27. "A demanda está fraca, mas pode começar a melhorar assim que os preços do cacau se tornarem muito baixos", afirma o analista da Price Futures Group, Jack Scoville. Em março passado, as importações americanas da amêndoa somaram 88,38 mil toneladas, avanço de 28,15% ante o registrado em fevereiro. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 99,70 a arroba, alta de 3,1%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Área maior: As previsões para a área plantada e para a produção mundial de algodão na safra 2017/18 pressionaram as cotações da pluma na última semana em Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 77,77 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 114 pontos. Na semana, a queda acumulada foi de 110 pontos. Segundo o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC), a área mundial destinada à cultura do algodão deverá ser 5% maior na próxima temporada, atingindo 30,8 milhões de hectares. Nos EUA, maior exportador mundial da pluma, o aumento deverá ser 21%, segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA). No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 91,30 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Incertezas nos EUA: As dúvidas sobre os efeitos das chuvas recentes nos EUA deixam voláteis os preços da soja em Chicago. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 9,73 o bushel na sexta-feira, com queda de 1,25 centavo. Na semana, contudo, o grão acumulou alta de 1,75 centavo. Segundo alguns analistas, os preços devem se manter num intervalo relativamente apertado enquanto os traders tentam avaliar o impacto das intempéries para a área plantada, o rendimento e a produção dos EUA. O mercado também segue atento ao próximo relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que sai na quarta-feira. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão em Paranaguá ficou em R$ 69,71 a saca de 60 quilos, alta de 0,91%.

Trigo: Clima chuvoso: O clima chuvoso nos EUA e na Europa, que pode afetar a qualidade do trigo, deu força para as cotações do cereal nas bolsas americanas na sexta-feira. Em Chicago, o grão com entrega para julho fechou a US$ 4,4225 o bushel, avanço de 4,5 centavos. Em Kansas, o cereal de mesmo vencimento fechou a US$ 4,50 o bushel, alta de 5,5 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 54% do trigo de inverno plantado no país estava em boas ou excelentes condições até o último dia 30, abaixo dos 61% observados no mesmo período do ano passado. Na França, 75% das lavouras receberam a mesma avaliação contra 87% no mesmo período de 2016. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná ficou em R$ 609,51 a tonelada, alta de 0,18%, segundo levantamento do Cepea. (Valor Econômico 08/05/2017)