Macroeconomia e mercado

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Grupos chineses avançam sobre distribuidoras de gás

O novo alvo dos chineses no mercado brasileiro de energia é a distribuição de gás natural.

Executivos da China Gas e da Beijing Gas têm mantido uma rotina de apresentações e contatos com governos estaduais que deverão privatizar suas respectivas concessionárias, como contrapartida ao pacote de ajuda da União.

No caso específico da Beijing, há um interesse maior pela gaúcha Sulgás e pela Bahiagás.

Não custa lembrar que, no ano passado, o grupo disputou a compra da Gaspetro, mas perdeu o duelo para Mitsui. (Jornal Relatório Reservado 09/05/2017)

 

Shell planeja sair do sexto para o segundo lugar em lubrificantes

Ocupando apenas a sexta posição no mercado brasileiro de lubrificantes, a Shell quer mais. Vice-presidente do segmento para o Brasil e Argentina, o americano Hasan Allgayer chegou ao país no ano passado com a missão de acelerar o ritmo de crescimento da companhia e acredita que este é o momento certo para a "virada" da empresa. No longo prazo, segundo ele, a meta a ser perseguida é o segundo lugar em participação de mercado.

 "Para chegar ao número um [do ranking] com [a concorrência de] uma estatal [a BR] é difícil. Mas para chegar a um número dois... acho que essa é uma expectativa boa. Seria um bom alvo para a gente no longo prazo", afirmou o executivo, em entrevista ao Valor.

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), a Shell fechou 2016 com 9,2% do mercado de lubrificantes e graxas do país, atrás da BR (28,1%), Cosan (17,8%), Ipiranga (18%), Petronas (11,3%) e Chevron (10,7%). Embora sejam sócias na Raízen, Cosan e Shell deixaram o setor de fora do escopo da joint venture e mantêm negócios independentes em lubrificantes. A multinacional, contudo, tem acordo de exclusividade para venda de seus produtos na rede Raízen.

"Tem muito espaço para crescer. O sexto lugar no mercado é ruim. Não vim para o Brasil para ficar no sexto lugar, com o peso que a marca [Shell] tem no mercado. Esperamos até o fim deste ano fazer um movimento bem interessante. As coisas estão se movimentando e acelerando", conta Allgayer, citando os resultados do primeiro trimestre.

De acordo com o Sindicom, as vendas de lubrificantes e graxas da Shell cresceu 5% nos três primeiros meses do ano, enquanto o mercado brasileiro como um todo caiu 0,8%. O avanço da multinacional no mercado, neste início de ano, foi de 0,2 pontos percentuais.

Allgayer acredita que, depois de cair 5% em 2016, o mercado nacional começará a se recuperar a partir deste ano e que este é o momento certo para crescer. "Com a crise, alguns dos nossos concorrentes pararam de investir na marca. Nós aumentamos de maneira expressiva", afirma. "Mas essa mesma oportunidade que a gente vê, os concorrentes estão vendo também", ressalva o executivo.

Para aumentar as vendas, a companhia aposta no lançamento de um conceito de negócios em seus postos de combustíveis: o Shell Helix Centro de Serviços, que consiste num espaço que oferecerá gratuitamente alguns serviços básicos de manutenção do carro durante o momento da troca de óleo, como uma mini-revisão de 15 itens do veículo e o complemento gratuito de fluidos do carro.

Allgayer explica que esses serviços normalmente são realizados fora de postos de combustíveis, em oficinas especializadas, mas que a proposta da Shell é permitir que o cliente realize tudo em um único local. Ele comenta ainda que o modelo foi desenvolvido exclusivamente para o mercado brasileiro.

"Um dos diferenciais é que aqui no Brasil a rede de postos é o canal preferido do consumidor para fazer troca de óleo. [o modelo do centro de serviços] Faz com que a jornada do consumidor no posto seja maior. Estamos esperando aumentar vendas [com a nova estratégia]. Trazer mais clientes para o posto é importante, mas é importante também trazer esse consumidor que já está no posto, abastecendo o veículo, para a troca de óleo", afirma.

A meta da Shell é que cerca de 250 postos da rede da companhia contem com os centros de serviços em 2017. Para os próximos anos, o objetivo é atingir 800 dos cerca de 6 mil postos da rede da multinacional no país.

O Shell Helix Centro de Serviços funcionará como modelo de franquia. A empresa estima que o investimento do franqueado varie de R$ 90 mil a R$ 150 mil na implementação da infraestrutura e que o retorno do investimento se dê entre dois e três anos.

São Paulo, Rio de Janeiro e a região Sul serão os mercados prioritários dentro da expansão do modelo. Uma primeira unidade já está em funcionamento em Joinville (SC) e a expectativa é que em breve mais uma loja seja aberta no Rio. (Valor Econômico 09/05/2017)

 

Companhia Müller já é autossuficiente em matéria-prima

Após um plano de investimentos de quatro anos em busca de autossuficiência em matéria-prima, a Companhia Müller de Bebidas, conhecida pela produção da cachaça 51, processará, ao longo desta temporada 2017/18, apenas cana-de-açúcar plantada em terras próprias ou arrendadas.

Essa aposta da empresa nas operações agrícolas é uma mudança central em sua busca pelo aperfeiçoamento da qualidade do produto final. Segundo Ricardo Gonçalves, presidente da Müller, a estratégia foi inspirada no conceito de "terroir", que nos vinhos está intimamente ligado ao solo, ao clima e à topografia das áreas de cultivo de uvas.

A "verticalização" do processo produtivo da cachaça também destoa do padrão do segmento. Até por isso, a moagem de cana associada a ela é relativamente modesta. Neste ciclo, iniciado em abril, a companhia prevê processar aproximadamente 630 mil toneladas da matéria-prima. A maior parte desse volume virá de lavouras cultivadas em terras arrendadas, mas todos os cuidados agrícolas, do plantio à colheita, são realizados pela Vale do Xingu, controlada da Müller nessa frente.

Considerando que a área de cana-de-açúcar a ser colhida neste ano, em terras próprias e arrendadas, alcança 9 mil hectares, a expectativa é que a produtividade agrícola chegue a cerca de 70 toneladas por hectare, desde que o clima colabore, evidentemente.

Trata-se um índice próximo da produtividade média esperada pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) para as lavouras da região Centro-Sul do país nesta temporada, que, conforme divulgado recentemente, chega a 75 toneladas por hectare.

Antes da autossuficiência, toda a cana que a Companhia Müller de Bebidas recebia de terceiros tinha que passar por uma bateria de exames e análises físico-químicas, para adequar o produto final às exigências do Ministério da Agricultura que o caracterizam como cachaça.

Sem a figura do fornecedor, o controle da qualidade agora está concentrado no campo, associado à adoção de variedades mais apropriadas à região de atuação da companhia, em Pirassununga, no interior paulista, e aos cuidados agrícolas necessários para uma produção mais depurada da cachaça.

Mas o investimento em cultivos próprios também demandou adaptações industriais. Quando vinha do fornecedor, a cana chegava em feixes, já que o corte era realizado à mão. Agora, nas lavouras cultivadas pela companhia, o corte é realizado com colhedoras, que cortam a planta em tocos pequenos.

"Na destilaria, agora temos que aceitar esses toquinhos. Por isso, tivemos que investir uma pequena quantia para fazer adaptações para processar essa cana-de-açúcar", afirma Gonçalves. Inicialmente, 2% da colheita nas plantações da Müller ainda será manual, por causa da topografia acidentada que dificulta a entrada de máquinas. Mas a perspectiva é que na próxima safra todo o processo esteja mecanizado.

Nessa transição para a utilização de cana-de-açúcar própria, a companhia também conseguiu prescindir da adição de açúcar em suas cachaças. Até então, o adoçante era utilizado para suavizar o gosto e impedir que a aguardente "arraste" na garganta. Agora, com um controle mais apurado da qualidade a partir do uso de matéria-prima produzida pela própria empresa, o gosto da aguardente ficou mais suave, conforme Gonçalves.

De acordo com o executivo, o fim dos pagamentos para fornecedores terceirizados gerou ganhos praticamente marginais para a Müller. "O objetivo não é economia de custos. É ligado à qualidade e ao controle maior da cachaça", ressalta Gonçalves. Mais que um investimento estratégico da Companhia Müller, afirma, a "sofisticação" da aguardente é uma forma de sobreviver em um mercado que tem se mantido estável nos últimos anos e que tem "um viés de baixa". (Valor Econômico 09/05/2017)

 

Governo quer elevar alíquota do Funrural para cobrir o passivo, diz Blog Ambiente Inteiro

A equipe econômica do governo não pretende baixar o alíquota de 2,1% cobrados atualmente sobre a produção bruta a título de Funrural. Os técnicos alegam que isso caracterizaria renúncia de receita, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo pretende manter a taxa 2,1% e adicionar mais 1% para produtores que têm débito pagarem o retroativo em até 180 vezes. O Governo também não pretende criar a opção de pagamento sobre o faturamento ou sobre a folha. A informação é do blog Ambiente Inteiro.

A proposta apresentada pelo setor rural era reduzir a alíquota cobrada sobre a comercialização bruta de 2,1% para 1% e adicionar mais 0,25% para cobrir o passivo dos últimos cinco anos. O setor também queria que o produtor tivesse o direito de escolher entre contribuir pela receita ou pela folha de pagamento. No segundo caso, a alíquota seria de 23%, dependendo da atividade.

As duas pontas da negociação estão postas. Na próxima terça-feira, dia 9, a bancada tem reunião marcada com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para fechar o acordo. (Blog Rural 08/05/2017)

 

Próximo plano decenal de energia terá cenários econômicos mais realistas, diz EPE

O próximo Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2026, que pode ser publicado no primeiro semestre, terá cenários econômicos mais realistas que os anteriores, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso.

"O que vai diferenciar da gestão do Maurício (Tolmasquim) para a gestão que a gente está agora... vocês vão ver quando o plano sair, estamos trabalhando agora com cenários econômicos bastante mais realistas", afirmou Barroso.

O novo Plano Decenal, com diretrizes para o setor entre 2017 e 2026, vai prever a contratação de 10 a 15 gigawatts médios no período e focará a expansão em fontes renováveis, como energia eólica, solar, bioenergia e pequenas hidrelétricas (PCHs), além de térmicas.

Em entrevista à Reuters no mês passado, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Azevedo, havia comentado as mesmas diretrizes. (Reuters 08/05/2017)

 

Klabin estica sua dívida

A prioridade do novo CEO da Klabin, Cristiano Cardoso Teixeira, é acelerar o processo de alongamento do passivo. Nos últimos 12 meses, a relação dívida líquida/Ebitda recuou de 6,2 para 5,3 vezes.

Está longe de ser um índice confortável para os acionistas da Klabin. A intenção é trazer essa relação a três para um até 2019, igualando o menor nível de alavancagem dos últimos dez anos.

Entre as engenharias discutidas, ganha força a proposta de uma emissão de bônus no exterior para a repactuação da dívida de curto prazo, que hoje somam R$ 12 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 08/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Reação em NY: Após acumularem queda de 3,35% na última semana, os contratos futuros do açúcar registraram leve alta ontem em na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão a 15,68 centavos de dólar a libra-peso, com avanço de 9 pontos. A valorização reflete as dúvidas sobre o potencial açucareiro da próxima safra conforme os preços do adoçante tornam-se cada vez menos remuneradores. "Apesar do quadro sombrio para as usinas, acreditamos que o risco descendente do açúcar, nesse patamar de 15,31 centavos de dólar por libra-peso, é limitado", avalia a Archer Consulting ,em nota. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 76,87 a saca de 50 quilos, alta de 0,43%.

Café: Menor oferta: Os sinais de queda na oferta de café nos principais países produtores do grão arábica ajudou a impulsionar as cotações da commodity ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1,369 a libra-peso, com avanço de 120 pontos. Números sobre a produção da Colômbia apontaram uma queda de 20% na produção de café arábica do país em abril passado enquanto no Brasil a bienalidade negativa das lavouras aponta para uma queda entre 19,3% e 12,7% na colheita local de arábica na safra 2017/18. A Conab estima que a produção no ciclo deve ficar entre 35,01 milhões e 37,88 milhões de sacas de 60 quilos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão negociado em São Paulo ficou em R$ 462,07 a saca de 60 quilos, alta de 0,57%.

Cacau: Tensão na África: As tensões políticas na Costa do Marfim voltaram a dar sustentação aos contratos futuros do cacau na bolsa de Nova York ontem, apesar dos fundamentos de queda para os preços da amêndoa. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1.955 a tonelada, com alta de US$ 89. Um grupo de rebeldes chegou a fechar a principal rodovia do país no último fim de semana. A via dá acesso à segunda maior cidade do país, gerando temores de atraso nas exportações e de dano ao produto, uma vez que tem chovido na região nos últimos dias. A Costa do Marfim deve colher 1,9 milhão de toneladas de cacau em 2016/17. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 100,40 a arroba, alta de 0,7%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Milho: Plantio nos EUA: As especulações sobre o avanço do plantio da safra 2017/18 de milho nos EUA pressionaram as cotações na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 3,66 o bushel, queda de 4,75 centavos. O mercado esperava que a semeadura do avançasse para mais de 50% da área esperada no país. Os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura do país (USDA), após o fechamento do mercado, no entanto, ficaram abaixo das expectativas. Segundo o órgão, 47% da área havia sido semeada até o dia 7, alta semanal de 13 pontos percentuais, mas abaixo dos 61% vistos em igual período do ano anterior e da média histórica dos últimos cinco anos, de 52%. No mercado interno, o indicador Esla/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 28,22 a saca, queda de 0,11%. (Valor Econômico 09/05/2017)