Macroeconomia e mercado

Notícias

Clima devolve, em 2017, o que retirou da produção de grãos de 2016

Com o aumento de apenas 2 milhões de hectares de área semeada nesta safra 2016/17, o Brasil vai elevar a produção de grãos em 45 milhões de toneladas.

Isso ocorre porque o clima, bastante favorável, está devolvendo, neste ano, o que tirou no ano passado.

A melhora nas condições climáticas permitiu avanço de 20% na produtividade, que subiu para 3,84 toneladas por hectare.

O país utiliza 60,4 milhões de hectares nesta safra, o que deve gerar uma safra recorde de 232 milhões de toneladas, 24% mais do que a anterior, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (11) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

A safra 2015/16 foi iniciada com perspectiva de produção de 215 milhões de toneladas. Afetada pelo clima, a produção caiu para 186 milhões.

Já em 2016/17, as perspectivas iniciais de produção eram de 215 milhões, mas, com o desenrolar da safra e com as boas condições de clima, a produção foi sendo reavaliada, podendo chegar aos 232 milhões, como as mostram as previsões atuais.

ESTOQUES

A boa evolução da produção neste ano é importante porque volta a dar uma melhor segurança para os estoques finais de produtos no país.

Em 2016, com a forte queda de produção, os estoques recuaram para patamares preocupantes. O resultado foi a elevação de preços e a pressão na taxa de inflação.

Em 2017, o cenário é exatamente o contrário. Os preços estão comportados, e a boa oferta de alimentos segura a taxa inflacionária. A recessão econômica também coopera para a queda da taxa.

Os números da Conab indicam estoques finais de arroz de 923 mil toneladas nesta safra, 101% mais do que na anterior. Esses estoques são suficientes para 29 dias, ante 15 dias em 2016.

Apesar dessa recuperação, os estoques finais do cereal deste ano ainda são bem inferiores aos da média histórica, que são superiores a 2 milhões de toneladas por safra.

O balanço final da oferta e do consumo de feijão também melhorou, mas em ritmo menor do que o de arroz. O volume da leguminosa atingirá 194 mil toneladas, 4% mais do que em 2016.

Os estoques de milho, produto importante na produção de carnes, se apresentam bem melhores do que os do ano passado. Saem de 8 milhões de toneladas, em 2016, para 20 milhões, neste ano.

Além de impedir uma forte elevação de preços, como ocorreu em 2016, os estoques de milho serão suficientes para 128 dias de consumo. Em 2016 eram suficientes para apenas 55.

Os estoques finais de soja também aumentam nesta safra. Serão suficientes para 35 dias, bem acima dos 12 dias de 2016.

O aumento de safra e a consequente elevação dos estoques finais de alimentos acabam sendo um cenário menos favorável para os produtores, que vão receber menos, mas mais favorável para consumidores, que estão pagando menos.

Ritmo lento

A moagem de cana tem um ritmo bem menor neste início da safra 2017/18 do que na anterior. A moagem soma 42 milhões de toneladas, 40% menos.

Açúcar

Os dados são da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que aponta queda de 44% na produção de açúcar e de 42% na de etanol.

Fiscais federais

Entra em vigor nesta sexta-feira (12) decreto que estipula regras para nomeação de superintendentes regionais do Ministério da Agricultura. O objetivo é evitar a ingerência política em questões técnicas.

Substituição

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários pede a substituição dos 16 superintendentes que não se enquadram na nova regra.

Não é imediata

Na avaliação do Ministério da Agricultura, no entanto, a regra valerá apenas para as novas indicações. A partir de agora, para assumir o cargo o profissional precisa ser servidor do Ministério da Agricultura, ter curso superior completo e haver concluído o estágio probatório. (Folha de São Paulo 12/05/2017)

 

Petrobras mostra lucro de R$4,45 bi no 1º tri e já fala em dividendos

A Petrobras teve lucro líquido de 4,45 bilhões de reais no primeiro trimestre, o melhor resultado em dois anos, impulsionado por um desempenho operacional histórico, apesar de uma menor demanda por derivados no mercado interno, informou a estatal nesta quinta-feira.

O forte resultado líquido, registrado em meio a reduções acentuadas de gastos e despesas e maiores exportações, veio acima das previsões de analistas compiladas pela Reuters, que apontavam lucro de 3,773 bilhões de reais no período. A empresa reverteu assim prejuízo de 1,246 bilhão de reais registrado no primeiro trimestre do ano passado.

O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado subiu para o recorde histórico de 25,254 bilhões de reais, ante 21,193 bilhões de reais no mesmo período do ano passado, ressaltou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, a jornalistas.

O lucro do primeiro trimestre e um ganho contábil de 6,7 bilhões de reais previsto para o segundo trimestre, com a venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), levaram Parente a falar sobre a retomada de pagamentos de dividendos para o exercício de 2017, o que não ocorre desde 2014, antes de a empresa lançar prejuízos bilionários por conta do atos de corrupção que envolveram a petroleira.

"Tem um resultado positivo relevante para o segundo trimestre... que aumenta as chances (de pagar dividendos), aumenta sem dúvida nenhuma, mas não posso prometer isso. Nosso desejo é pagar dividendos o mais cedo possível, e a empresa trabalha forte para isso", declarou Parente, que está perto de completar um ano à frente da companhia.

O desempenho do trimestre foi alcançado também por meio de menores gastos com importação de petróleo e derivados, em função da maior participação do óleo nacional na carga processada e da maior oferta de gás natural nacional, num mercado interno que registrou retração. Isso em momento em que a extração do pré-sal está crescente.

"A produção está crescendo e estamos usando mais óleo nacional... e um volume expressivo foi exportado a um preço maior", disse o diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, citando ainda redução no custo de logística para processar nas refinarias.

A Petrobras registrou produção total de petróleo e gás natural de 2,805 milhões de barris de óleo equivalente por dia, em média, no período. Foram produzidos 2,248 milhões de barris por dia (bpd) de petróleo, sendo 2,182 milhão bpd no Brasil, 10 por cento acima do mesmo período do ano passado, o que permitir à empresa elevar exportações do óleo de boa qualidade do pré-sal.

A Petrobras citou menores despesas com vendas, gerais e administrativas, que somaram 4,697 bilhões de reais no primeiro trimestre, uma queda de 26,6 por cento ante o mesmo período do ano passado. A estatal também registrou redução das despesas financeiras líquidas e menores gastos com baixas de poços secos/subcomerciais.

O CEO ressaltou ainda uma redução de 18 por cento nos gastos operacionais gerenciáveis.
"O controle de custos e a redução de gastos estão sem dúvida por trás desse resultado da companhia no primeiro trimestre", disse Parente. Como parte da redução de custos, Parente apontou que o número de empregados do sistema Petrobras caiu 17 por cento no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2016, para um total de 65.220 funcionários.

MENORES VENDAS

A receita com vendas, entretanto, caiu 3 por cento na comparação com o mesmo período do ano anterior, para 68,365 bilhões de reais, em meio a menor demanda no mercado interno.

O volume de vendas de diesel, o combustível mais vendido pela empresa, caiu 12 por cento, para 702 mil barris/dia, enquanto a comercialização de gasolina recuou 4 por cento, para 539 mil barris/dia, com o impacto da crise econômica e da maior concorrência no mercado doméstico.

De outro lado, as exportações de petróleo, derivados e de outros produtos aumentaram 72 por cento ante o mesmo período do ano passado, para 782 mil barris/dia.

REDUÇÃO DA DÍVIDA

Com bons resultados operacionais em ambiente adverso, a empresa reduziu a alavancagem, com o índice dívida líquida sobre Ebitda ajustado recuando a 3,24 vezes no primeiro trimestre, ante 4,81 vezes no mesmo período de 2016, aproximando-se cada vez mais da meta de 2,5 no fim de 2018.

"É possível sim que cheguemos a esse (indicador dívida líquida sobre Ebitda) 2,5 antes do fim de 2018, mas isso de maneira nenhuma significa que a gente possa relaxar, porque nossa conta de juros ainda consome um valor elevado", afirmou Parente, lembrando que a companhia ainda tem um endividamento que é o dobro de suas pares.

O endividamento bruto da petroleira caiu 5 por cento ante 31 de dezembro de 2016 para 364,758 bilhões de reais, e do endividamento líquido em 4 por cento, para 300,975 bilhões de reais. Em dólares, a dívida líquida caiu 1,388 bilhão de dólares ante dezembro de 2016, para 94,993 bilhões de dólares, com aumento do prazo médio para 7,61 anos, ante 7,46 anos.

O presidente da Petrobras lembrou ainda que os recursos advindos da venda da NTS, que entrarão no resultado do segundo trimestre, ajudarão a companhia a reduzir mais a dívida.

"Então a gente observa uma trajetória que sem dúvida está abaixo daquela que a gente previu no plano... a meta de 2,5 não significa a meta ideal para endividamento, porque nós estamos pagando ainda uma conta de juros que é 5 ou 6 bilhões maior do que a gente pagava anteriormente...", disse.

De qualquer forma, o diretor financeiro ressaltou que, desde que entrou na empresa, no início de 2015, esta é a primeira vez que a Petrobras tem todas as alternativas de funding à sua disposição, diante da melhora dos resultados, o que permitirá um alongamento dos vencimentos.

"A companhia tem hoje a sua disposição muitas alternativas de funding, e a gente vai explorar ao longo do ano... a posição de caixa hoje de 23 bilhões de dólares que permite a gente ao longo de um ano pagar o serviço da dívida e as amortizações de caixa", disse Monteiro.

Dessa forma, o diretor disse que a companhia vai "explorar sim alternativas para mudar o perfil" da dívida, uma vez que a empresa tem concentração de vencimentos importantes pela frente. "Temos alternativas de funding e vamos no momento adequado submeter as alternativas à diretoria."

A Petrobras registrou fluxo de caixa livre positivo pelo oitavo trimestre consecutivo, de 13,368 bilhões de reais, 5,6 vezes superior ao registrado no primeiro trimestre de 2016. (Reuters 11/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Safra mais açucareira: A destinação de um maior percentual de cana para a produção de açúcar no Brasil durante a segunda quinzena de abril pressionou os contratos futuros da commodity na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 15,96 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 18 pontos. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o percentual de cana da safra 2017/18 (iniciada em 1º de abril) utilizado para a produção de açúcar atingiu 42,9% na segunda quinzena de abril no Centro-Sul do país. O número ficou acima das expectativas do mercado, de cerca de 42,3%, e do registrado um ano antes, quando esse percentual era de 42,9%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 76,29 a saca de 50 quilos ontem, com queda de 0,61%.

Algodão: Demanda firme: Os sinais de demanda firme pelo algodão dos EUA na reta final da safra 2016/17 no país deu força às cotações da pluma na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 74,15 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 65 pontos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), foram fechados contratos para a venda de 35,68 mil toneladas de algodão na semana encerrada no último dia 4, sendo 34,96 mil toneladas da safra atual ­ aumento semanal de 5%. Segundo o órgão, o país exportará 3,15 milhões de toneladas de algodão em 2016/17, avanço de 3,57% ante o estimado em abril. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 90,96 a arroba ontem, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Ainda o USDA: O mercado continuou ontem a digerir as estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a produção mundial de soja na safra 2017/18 ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 9,6625 o bushel, queda de 4 centavos. O órgão americano previu que os EUA devem produzir 115,8 milhões de toneladas de soja na safra 2017/18, abaixo do recorde 117,2 milhões de toneladas estimados para 2016/17, mas ainda assim o segundo melhor resultado já registrado no país. No Brasil, o USDA espera produção de 107 milhões de toneladas no ciclo 2017/18 e de 111,6 milhões de toneladas em 2016/17. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 68,95 a saca de 60 quilos, queda de 0,68%.

Milho: Recuo em Chicago: Os sinais de enfraquecimento da demanda mundial pelo milho americano pressionaram as cotações do grão ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 3,6925 o bushel, com queda de 4,5 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), foram fechados contratos para a venda de 222,6 mil toneladas do grão na semana móvel encerrada no dia 4, sendo 277,7 mil toneladas da atual safra. O volume é 64% inferior ao da semana precedente e 66% menor do que a média das quatro semanas anteriores. No Brasil, a Conab elevou as estimativas para a produção de milho em 1,49%, para 92,83 milhões de toneladas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 27,99 a saca, baixa de 0,57%. (Valor Econômico 12/05/2017)