Macroeconomia e mercado

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Dólar volta a cair e fica abaixo de R$ 3,10

O dólar caiu ontem pelo sexto dia consecutivo frente ao real, o que para alguns analistas sugere que a marca de R$ 3 é apenas uma questão de tempo. A expectativa é que a moeda americana siga enfraquecida, tendo como pano de fundo um contexto externo favorável a mercados emergentes como um todo. Além disso, o real vem de dois meses em que mostrou desempenho mais fraco que seus pares, o que acabou deixando a moeda com algum espaço para valorização.

Ontem, o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,0878, agora de olho nas mínimas dos dias 5 de abril (R$ 3,0830), 21 de março (R$ 3,0603) e 16 de fevereiro (R$ 3,0416). No fechamento, a cotação caiu 0,36%, a R$ 3,0954.

Em seis pregões, a queda é de 3,16%. A desvalorização nesse período é a mais intensa desde os seis pregões findos em 26 de dezembro, quando a cotação caiu 3,38%. Apenas entre 5 de dezembro e 13 de dezembro o dólar caiu por mais dias, sete no total, acumulando recuo de 4,22%.

A série de quedas é atribuída a uma combinação de fatores. Aqui, o mercado elevou a confiança de que o governo conseguirá aprovar as reformas fiscais, após em março e abril aumentarem dúvidas sobre esse tema. Outro fator que pesa sobre a perspectiva para o dólar é a postura do Banco Central. A atual queda da moeda não impediu que o BC sinalizasse nesta semana rolagem integral do lote de US$ 4,4 bilhões em swaps cambiais que expira em 1º de junho. Com a expectativa de manutenção de liquidez, a taxa de câmbio tem espaço para absorver o bom humor predominante nos mercados emergentes.

Em âmbito externo, o dólar entrou em espiral de baixa, com mais dúvidas sobre a capacidade do presidente americano, Donald Trump, de avançar com sua agenda econômica, cujas propostas iniciais ajudariam a dar fôlego à moeda americana. A recuperação das commodities após a temporária onda de vendas neste mês e a consolidação da busca por ativos com retornos mais altos, diante da queda de várias medidas de volatilidade, completam a "tempestade perfeita" para a moeda americana.

Não à toa, outras moedas além do real têm se beneficiado. As moedas emergentes europeias lideram os ganhos em maio, com destaque para a coroa tcheca (3,4%). Fora da Europa, o real é destaque, em alta de 2,6% no mês, seguido por rand sul-africano (2,4%) e peso colombiano (2,2%).

"Existe uma busca por 'yield' [retorno] ainda muito forte. A América Latina já vinha conseguindo evitar o momento de dólar forte e agora capta com mais força a baixa da moeda", diz o estrategista do Crédit Agricole para mercados latino-americanos em Nova York, Italo Lombardi.

Por ora, grandes instituições financeiras ainda não parecem motivadas a revisar para baixo suas estimativas para o dólar. Mas algumas já trabalham uma taxa de câmbio perto ou abaixo de R$ 3.

O BNP Paribas, por exemplo, segue com projeção de dólar a R$ 2,90 no fim do segundo trimestre. O Morgan Stanley espera taxa de R$ 3 até o fim de junho.

O Santander não descarta que a moeda siga no intervalo entre R$ 3,05 e R$ 3,15 no curto prazo, pressionada pela entrada de recursos ao país. "Estamos num momento excepcionalmente favorável para exportações e fluxo de investimento no mercado de renda fixa, em função da perspectiva de que o juro pode cair mais rápido", afirma o economista-chefe do Santander Brasil, Maurício Molon.

Em seu cenário mais otimista, o J.P. Morgan espera que o dólar caia a R$ 3,05 em setembro. O cenáriobase do banco, porém, é de taxa de câmbio de R$ 3,30 ao fim do ano. Há cerca de uma semana, a instituição passou a trabalhar com esse prognóstico, contra R$ 3,40 antes.

Da mesma forma, o Crédit Agricole projeta taxa mais alta para o dólar, de R$ 3,25, no final deste trimestre. "Há alguma complacência com riscos de cauda no mundo emergente, e isso em algum momento pode terminar", alerta Lombardi.

O Credit Suisse continua prevendo que o dólar oscile perto de R$ 3,20 nos próximos três meses. O banco, conhecido pelo seu conservadorismo, evitou revisar projeções para cima mesmo com a cotação superando a marca de R$ 3,21 no fim de abril. (Valor Econômico 17/05/2017)

 

Produtor vive dilema entre vender a soja no preço baixo ou armazenar

Num momento como o atual, em que os preços estão em baixa, o produtor fica no dilema entre armazenar a soja ou esperar valores melhores.

Analistas do Rabobank, instituição especializada no agronegócio, se debruçaram sobre o tema para avaliar a melhor saída para os produtores.

A conjuntura atual de mercado joga contra. A safra mundial é recorde, e os Estados Unidos seguem firme no plantio de uma área ainda maior do que a de 2016/17.

Os estoques mundiais estão elevados, e o dólar, enfraquecido no mercado interno, deixou de ser um ponto de apoio aos preços da soja.

O resultado desse cenário é uma queda nos preços internos do produto. Os valores atuais estão pelo menos 25% inferiores aos de há um ano.

O problema é que a posição de venda dos produtores neste ano são bem diferentes da dos últimos cinco anos.

Dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) indicam que os produtores de Mato Grosso comercializaram 69% da soja colhida em 2016/17, bem abaixo dos 83% da média dos cinco anos anteriores neste mesmo período do ano.

Vender ou apostar em preços melhores? Os analistas do Rabobank alertam sobre alguns fatores importantes.

Um deles é o custo da armazenagem para quem não tem o armazém. O custo é de pelo menos R$ 1,8 por saca por mês.

O produtor precisa avaliar também a remuneração do capital que será empregado na armazenagem, próxima de 0,9% ao mês.

Considerados esses pontos, o agricultor precisa avaliar, ainda, a tendência dos preços e se vale a pena armazenar.

O preço atual da saca de soja em Sorriso (MT) é de R$ 51, o que dá uma margem de 12,8% em relação aos custos de produção, que foram de R$ 44,54, aponta o Rabobank.

Para obter essa mesma margem em novembro, considerando os custos da armazenagem, os produtores terão de vender a soja por R$ 58,5 por saca nos cálculos do banco. Ou seja, os preços deveriam subir 15% no período.

O problema é que só um grande choque poderá alterar os rumos dos preços de forma significativa. Se o líder mundial em produção, os Estados Unidos, tiver uma safra "sem sustos", não haverá muito espaço para novas altas de preços.

Para haver uma pressão sobre os estoques, a produtividade da safra atual dos Estados Unidos deveria cair pelo menos 10% em relação à do ano passado, segundo o banco.

As lições que ficam para as próximas safras, dependendo do porte dos produtores, são que eles deveriam reativar projetos de armazenagem e definir uma política de hedge, apontam os analistas.

Preço menor faz valor de produção de MT recuar

Mato Grosso, líder nacional na produção de grãos e na pecuária, vai registrar queda do VBP (Valor Bruto de Produção) deste ano. Já São Paulo, Estado que tem a maior receita agropecuária do país, terá aumento.

O principal motivo da queda do valor da produção de Mato Grosso é o recuo dos preços das commodities neste ano, em relação ao anterior.

Já São Paulo ganha fôlego com cana-de-açúcar e laranja, produtos que vão ter melhores preços.

O VBP de Mato Grosso cai para R$ 70,2 bilhões neste ano, 2% menos. O de São Paulo sobe para R$ 72,4 bilhões, 0,4% mais.

O valor bruto da produção do país sobe para R$ 545 bilhões em 2017, com aumento de 4,4%. O melhor desempenho vem das lavouras, que aumentam 10%. A pecuária cai 6%, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Menos escandalosa

A operação da Polícia Federal no setor de carne desta terça-feira (16) foi menos barulhenta e mais cirúrgica. A anterior, mais alardeada, trouxe sérios problemas para a imagem da carne brasileira no exterior, o que poderia ter sido evitado.

Reflexos

Enquanto a anterior teve impacto sobre toda a cadeia de proteínas no exterior, essa deverá ter efeitos localizados. Uma das empresas da lista desta operação chega a exportar 70% do que produz. Vai sentir a pressão do mercado externo.

Saldo melhor

As exportações do complexo soja devem render US$ 29,5 bilhões neste ano, conforme dados da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). Se confirmado, o valor vai superar os US$ 25,4 bilhões do ano anterior. (Folha de São Paulo 17/05/2017)

 

Maggi diz que esperava que novos casos viriam à tona depois da Carne Fraca

Em comunicado divulgado na tarde desta terça (16/5), o ministro interino da Agricultura, Pecuária Abastecimento (Mapa), Eumar Novacki, afirmou que todos os servidores envolvidos nas operações deflagradas pela Polícia Federal (PF) foram afastados preventivamente por 60 dias e os que tinham cargo de comissão, exonerados. A PF anunciou duas operações na manhã de terça, a Operação Lucas, que investiga corrupção de servidores em benefícios de laticínios e frigoríficos e a Operação Fugu, que se concentrou em Santa Catarina e investiga fraudes em empresas de pescados.

No caso dessa última operação, inclusive, o Mapa informou que colaborou com as investigações durante 9 meses. Técnicos do órgão participaram da operação e houve também o envio de amostras de produtos que foram analisadas pelos laboratórios do Mapa (Lanagro) no Pará.

O ministro Blairo Maggi, que está em missão no exterior, também se manifestou nas redes sociais em relação às operações policiais. Ele disse que está acompanhando os casos pela imprensa e que o Mapa está tomando providências. (Revista Globo Rural 17/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Maior: oferta no Brasil: A recuperação da produção de laranja no Brasil continua a pressionar os contratos futuros do suco concentrado e congelado na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 1,418 a libra-peso ontem, recuo de 115 pontos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Brasil deve colher uma safra de 18,2 milhões de toneladas de laranja em 2017/18, volume 27% superior ao registrado no ciclo anterior. Já o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) estima que a produção de laranja no cinturão de São Paulo e Minas Gerais deve crescer 48,6% na safra 2017/18, para 364,47 milhões de caixas. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja ficou em R$ 16,33, queda de 0,43%, segundo o Cepea.

Algodão: Realização de lucros: Após três pregões de alta expressiva na bolsa de Nova York, os contratos futuros do algodão registraram queda ontem refletindo um movimento de realização de lucros dos investidores. Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 76,92 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 185 pontos. O Departamento de Agricultura do país (USDA) revisou pela terceira vez consecutiva suas estimativas para exportações e estoques na semana passada. Segundo o órgão, os americanos devem exportar 3,15 milhões de toneladas em 2016/17, o segundo maior volume de exportação já registrado no país e bem acima das 2,61 milhões de toneladas apontadas no início do ano. No mercado interno, o preço médio ao produtor na Bahia ficou em R$ 92,65 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Soja: Demanda firme: Os sinais de demanda firme pela soja americana deram força às cotações da oleaginosa na bolsa de Chicago pela segunda sessão consecutiva ontem. Os contratos com vencimento em agosto fecharam a US$ 9,7625 o bushel, avanço de 9,75 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores do país acertaram contratos para entregar 132 mil toneladas de soja nesta safra. As empresas do país são obrigadas a notificar ao órgão sobre qualquer movimentação acima de 100 mil toneladas, o que é considerado um indicador da demanda pela produção americana. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja no porto de Paranaguá ficou em R$ 67,56 a saca de 60 quilos ontem, com leve queda de 0,24%.

Milho: Quase estável: Os contratos futuros do milho ficaram praticamente estáveis ontem na bolsa de Chicago, um dia após o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontar forte avanço no plantio da safra 2017/18 no país. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 3,7575 o bushel, avanço marginal de 0,25 centavo. Na semana encerrada no último dia 14, os produtores do país semearam quase um quarto dos 36,42 milhões de hectares esperados para atual temporada, 71% da área já foi plantada. Analistas acreditam que até o fim desta semana os trabalhos atinjam 90%, reduzindo a possibilidade de transferência de parte da área para o plantio da soja. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 27,88 a saca de 60 quilos ontem, queda de 0,89%. (Valor Econômico 17/05/2017)