Macroeconomia e mercado

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Cade aprova fusão de Dow e DuPont, condicionada a desinvestimentos

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira, por unanimidade, a operação mundial de fusão entre a Dow Chemical e a DuPont, condicionada a cumprimento de acordo com as partes que prevê uma série de desinvestimentos ao redor do mundo, que foram negociados com órgãos de defesa da concorrência de outros países e no Brasil.

Entre esses compromissos está o desinvestimento de ativos relacionados a sementes de milho da Dow no Brasil, como a transferência de cotas em banco de germoplasma, centros de pesquisa, entre outros. (Reuters 17/05/2017)

 

BNDES perde R$ 711 milhões com JBS, diz TCU

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) calculou em R$ 711,3 milhões o prejuízo que o BNDES teve com operações de compra de ações e debêntures (títulos de dívida) do grupo JBS. Os auditores chegam a afirmar que houve “cessão graciosa de dinheiro público” para a empresa. O material é um dos elementos que levaram à Operação Bullish da Polícia Federal, deflagrada na semana passada. O GLOBO teve acesso com exclusividade ao material.

Os técnicos do TCU avaliam que o BNDES deixou de cobrar recursos a que tinha direito, não fiscalizou a aplicação do dinheiro aportado e nem levou em conta o alcance social do resultado das operações realizadas com o grupo. (O Globo 17/05/2017)

 

Maggi se manifesta sobre nova operação da Polícia Federal

Em viagem ao Oriente Médio, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, se manifestou sobre as operações da Polícia Federal realizadas nesta terça-feira (16), afirmando que servidores envolvidos em irregularidades serão afastados. “Estou acompanhando e tomando pé da Operação Lucas. Já estamos tomando as providências. Os envolvidos serão afastados imediatamente das funções e serão alvo de uma auditoria que poderá terminar com a exoneração dos cargos públicos. O ministério acompanha e dá todo suporte à PF nas operações”.

A operação Lucas foi deflagrada, ontem, pela Polícia Federal para investigar crimes de corrupção envolvendo servidores do Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento e empresas fiscalizadas. A investigação começou após denúncia de que frigoríficos e empresas de laticínios fiscalizadas teriam sido favorecidas em processos administrativos, por meio do retardamento na tramitação e anulação de multas.

Para Maggi, novos casos, semelhantes aos descobertos durante a Operação Carne Fraca, já eram esperados. “Já sabíamos que outros casos viriam à tona, uma vez que, após a Operação Carne Fraca, aumentamos o rigor nas apurações internas, fornecendo inclusive material de apoio à PF e MP. Temos total interesse em extirpar do corpo de funcionários do Mapa, os servidores que mancham a imagem do órgão, não honram o compromisso de trabalhar pelo bem público e servir à sociedade. Por outro lado, tem muita gente trabalhando para mudar a situação e a imagem”, afirmou, via rede social. (Canal Rural 17/05/2017)

 

"O crédito de carbono será a nova commodity do Brasil"

Para a presidente do Ibá, o país tem à frente sua maior chance de, finalmente, decolar, transformando-se no maior exportador mundial de serviços ambientais.

Elizabeth de Carvalhaes: "O mundo precisará cada vez mais de madeira e de crédito de carbono".

Nunca o mundo precisou tanto das florestas brasileiras, e isso poderá ser uma enorme oportunidade para o país. É o que defende Elizabeth de Carvalhaes, presidente do Ibá, associação que reúne empresas dependentes de madeira e investidores de florestas plantadas no Brasil. Para ela, a busca por uma indústria de baixo carbono, obrigação que hoje faz parte da agenda dos 195 países signatários do Acordo de Paris, dará ao Brasil a chance de, finalmente, decolar, transformando-se no maior exportador mundial de serviços ambientais. "O mundo precisará cada vez mais de madeira e de crédito de carbono", diz ela. "Nós somos o país com o maior potencial para entregar tudo isso."

Chefe do International Council of Forest and Paper Associations (ICFPA), o cargo institucional máximo do setor de base florestal mundial, Elizabeth estará nesta semana na Alemanha, onde discute em reuniões com a ONU e empresários de 19 países soluções para ajudar a deslanchar o acordo de clima - fazendo rodar o promissor mercado de créditos de carbono. "Não tenho dúvida que essa será a nova commodity brasileira", diz Elizabeth. "É muito maior que o pré-sal". Nesta entrevista à Época Negócios, ela explica os motivos de seu otimismo e aponta os desafios a serem superados para que o país não deixe a oportunidade passar.

Por que o otimismo em relação às perspectivas para os negócios ambientais no Brasil?

De todas as tarefas dificílimas estabelecidas na Conferência do Clima de Paris (COP-21), a mais difícil de todas é a migração mundial para uma indústria de baixo carbono. Não estamos falando de um ou dois países, mas de 195 nações que assinaram o acordo e, agora, precisam de alternativas para cumprirem suas metas. Isso passa necessariamente pela substituição de combustível de origem fóssil por energia limpa. A madeira é uma das alternativas para essa migração. Talvez a mais importante delas. Vem daí - somado ao aumento populacional - a estimativa da FAO (órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) de que a demanda por madeira vai triplicar até 2050, chegando a 8 bilhões de metros cúbicos por ano. Isso é mais ou menos 250 milhões de hectares adicionais de florestas, uma área equivalente à soma dos territórios de Espanha, França, Itália, Alemanha, Finlândia e Noruega. Nós temos madeira. Nós temos produtos da madeira que são combustível limpo, como a lignina. Com nossas opções de energia limpa, mais nossas florestas, que removem carbono, o Brasil pode ser a solução para muitos países que não têm mais áreas para plantio e vão precisar adquirir créditos de outros lugares.

De que maneira essa maior demanda por madeira e a busca por uma indústria de baixo carbono podem ajudar o Brasil, para além da indústria de floresta e celulose?

Todos os setores brasileiros vão se beneficiar, entre outras coisas, porque essa demanda pode impulsionar o mercado de crédito de carbono em todo o mundo. Nós temos, comparativamente a países como Estados Unidos ou China, uma indústria de baixo carbono. Temos, além disso, possibilidades para reduzir emissões em diferentes atividades. Os outros países só têm ônus. Não têm onde plantar, não têm como reduzir a atividade. O Brasil vai, sem dúvida, aparecer como solução. O Brasil é famoso por exportar commodities. Agora vai exportar serviços ambientais.

A oferta desses serviços poderia substituir a importância das commodities na nossa economia?

São coisas paralelas. Se tirar commodity, eu mato a galinha dos ovos de ouro. O Brasil vai exportar commodities e também superávits de carbono e mais uma gama de serviços ambientais.

Então, isso será uma nova commodity?

Ah, isso sem dúvida. É a commodity do futuro. E pode ser melhor que o pré-sal. Quantos pré-sal não valem nossas florestas ou o potencial que temos de ser superavitários em créditos de carbono? Essa é a chance de o Brasil decolar. Durante muitos anos, todo mundo ficou falando do gigante adormecido, sem saber direito como acordar esse gigante. Pois está aí: a conferência do clima com as demandas por uma indústria global de baixo carbono abre muitas perspectivas para um país como o Brasil. Não dá para perder essa oportunidade. Mas, para isso, é preciso fazer a lição de casa.

Qual seria a lição de casa do Brasil?

São tarefas difíceis. Precisamos dar valor econômico às nossas florestas. E aí é preciso extrapolar o setor de florestas plantadas, que é o qual eu represento. A plantada, nesse cenário, é o de menos. Você só pode dar valor econômico a uma floresta como a Amazônia, por exemplo, terminando com o desmatamento. E por desmatamento, entenda-se, desmatamento ilegal. A Amazônia tem que ser explorada economicamente. Tem 20 milhões de brasileiros que moram lá. Há formas de aproveitar a floresta, com manejo sustentável. Já tem empresas fazendo isso bem, como a AMATA. Os mecanismos estão aí. Agora, precisamos chegar a um conceito comum. E isso não é fácil. Precisamos criar também um mercado interno para os créditos de carbono, que é uma maneira de valorar a floresta e beneficiar aqueles que fazem a coisa direito. O governo brasileiro vem fazendo estudos nesse sentido, de como seria o mercado doméstico de carbono. Isso não está pronto, mas está acontecendo.

Como isso se aplica na prática? Poderia dar um exemplo?

No meu setor, por exemplo, precisamos de energia para alimentar as caldeias na produção de celulose. Hoje, boa parte da produção já é feita a partir de combustíveis menos poluentes. Quando a indústria faz essa migração - de trocar diesel por lignina, por exemplo -, o impacto no meio ambiente diminui. Esse ganho, esse saldo pode ser precificado e negociado. Pense no pequeno produtor rural. Se ele faz bom uso do solo, dos recursos hídricos, ele capturou carbono. Esse cara precisa ser compensado. Há processos industriais que são impactantes no meio ambiente e serão sempre. Esses setores mais importantes podem compensar - financeiramente - aqueles que operam com baixa emissão e têm um saldo, um crédito a oferecer ao mercado.

O mercado de carbono é discutido há muito tempo. O que muda agora?

Hoje, 40 regiões no mundo já precificaram o carbono e têm um mercado operante. Alguns exemplos estão na costa oeste dos Estados Unidos até Quebec, no Canadá, há outros 14 lugares na China e também na Austrália e Nova Zelândia. O que eles fazem é estimular o mercado, via benefícios para quem consome produtos com baixo carbono ou via taxação para indústrias que não cumprem determinadas metas. Mas são políticas domésticas, não há um marco regulatório. Parte do trabalho agora, que é o desdobramento da COP-21, é olhar esses sistemas, ajustar, readaptar, criar regras que possam funcionar para as mais de 190 nações. Esse é o desafio, a grande tarefa até 2020. É o ponto principal - desenvolver o artigo 6 do acordo, criando os mecanismos de mercado para que a coisa possa acontecer em todo planeta.

A sra. faz parte do Conselhão (órgão criado em 2003 pelo governo Lula, reunindo dezenas de empresários e representantes de classe para discutir com o Executivo políticas públicas para o desenvolvimento econômico). As questões ambientais têm sido colocadas à mesa? Qual é a avaliação interna do governo sobre a prioridade de desenvolver esses serviços ambientais?

No Conselhão, essa matéria aparece ainda um pouco diluída. Hoje, são as grandes reformas estruturais que tomam conta da agenda - previdenciária, trabalhista. A gente discute coisas de curtíssimo prazo. Mas resolvidas as questões mais estruturais, que incluem ainda reforma tributária, fiscal, a gente precisa consolidar o mercado de carbono no Brasil. Como já disse, não podemos perder essa oportunidade. Ela é muito importante para o país.

Mas como promover esse avanço?

Isso é algo que já aconteceu repetidas vezes na história da economia - como fazer A chegar em B? Com incentivo. Precisa de políticas. Mas esse é um mercado que não pode depender exclusivamente de políticas públicas. Não há capacidade nos tesouros do governo para colocar as exigências da conferência do clima em pé. Não é somente no Brasil. É em qualquer lugar. Então, é preciso pensar em um sistema que seja capaz de se retroalimentar. O dinheiro para a melhoria climática virá das próprias ações para a melhoria climática. Lá atrás falava-se em conferência de clima e todo mundo pensava em bicho-grilo, natureba. Isso acabou. Não estamos tratando apenas de meio ambiente, mas de economia, de dinheiro, money. É assim que as coisas vão funcionar. (Revista Época 17/05/2017)

 

Joesley diz que Mantega ‘intermediava’ propinas ao PT

Executivo afirmou que ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma era responsável por mediar junto ao BNDES aportes ao Grupo JBS.

No acordo de delação que firmou com a Procuradoria-Geral da República, o empresário Joesley Batista afirmou que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega intermediava pagamentos de propina a parlamentares do PT. Segundo o jornal O Globo, executivos da JBS afirmaram em depoimento que o então ministro era uma espécie de operador do grupo no BNDES.

Joesley disse aos procuradores que Luciano Coutinho, então presidente do banco público de fomento, era duro nas negociações, mas que, muitas vezes, Mantega participava das reuniões e os negócios fluíam de forma mais fácil.

O dinheiro de propina que Mantega recebia da empresa, segundo o relato dos delatores, seria destinado ao partido, e não ficava para ele.

Mantega foi alvo da 34.ª fase da Lava Jato, batizada como Arquivo X, em setembro do ano passado, quando chegou a ser preso temporariamente, mas solto no mesmo dia por decisão do juiz Sérgio Moro. Na ocasião, ele foi detido por agentes da PF quando acompanhava a mulher em uma cirurgia no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Na época, a Procuradoria da República, no Paraná, informou que o empresário Eike Batista, ex-presidente do Conselho de Administração da OSX, havia declarado que, em 1 de novembro de 2012, recebera um pedido de um então ministro e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, para que fizesse um pagamento de R$ 5 milhões ao PT.

Palocci. A delação da JBS cita ainda a participação do ex-ministro Antonio Palocci, que também negocia um acordo de colaboração. O ex-ministro, segundo Joesley, foi contratado pelo grupo para prestar consultoria e ajudar a empresa como uma espécie de “professor de política” a executivos. Apesar de não ter interferido nos pleitos da empresa no BNDES, o ex-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff teria pedido doações via caixa 2 para o PT.

O Estado procurou os ex-ministros Mantega e Palocci e Coutinho, mas não conseguiu localizá-los. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, JBS

Procurada, a assessoria de imprensa da JBS disse que ‘não tem qualquer informação sobre as notícias publicadas há pouco pelo jornal O Globo‘. (O Estado de São Paulo 18/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Dólar e petróleo: O cenário macroeconômico continua a dar força às cotações do açúcar na bolsa de Nova York após a recente desvalorização do dólar ante o real. Os papéis com vencimento em outubro fecharam ontem a 16,54 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 39 pontos. Além da moeda americana mais fraca, o que tende a desestimular as exportações brasileiras, o petróleo em alta após o recuo nos estoques americanos também ajudou a impulsionar as cotações. A matéria-prima mais cara tende a elevar a competitividade e a demanda pelo etanol, estimulando a produção brasileira do biocombustível em detrimento do açúcar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 76,46 a saca de 50 quilos, alta de 0,33%.

Cacau: Maior demanda: A perspectiva de melhora na demanda europeia por cacau levou os contratos futuros da commodity a mais uma alta ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 2.064 a tonelada, avanço de US$ 16. O euro chegou a atingir ontem o maior valor desde novembro do ano passado, impulsionado pela resultado das eleições presidenciais na França e pelo risco político nos EUA. A Europa concentra um terço de todo o processamento mundial de cacau e a moeda local mais forte tende a elevar o poder de compra e, consequentemente, o consumo da amêndoa. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor avançou 0,58%, para R$ 103 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: De olho no clima: As previsões de novas precipitações no Meio-Oeste e no Delta do Mississipi nos EUA deram sustentação às cotações do milho na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 3,7925 o bushel, alta de 3,5 centavos. Há receios de que o tempo úmido volte a atrapalhar o plantio da safra 2017/18, cujos trabalhos atingiram a média histórica na última semana após um longo período de atraso. A janela ideal de plantio do milho encerra-se no próximo dia 20 nos EUA. Segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA), 71% da área esperada havia sido semeada até o dia 14, abaixo dos 73% observados em 2016/17. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 27,67 a saca de 60 quilos, queda de 0,75%.

Trigo: Lavouras em risco: As previsões climáticas para o Meio-Oeste dos EUA também têm gerado apreensão em relação às condições das lavouras do trigo de inverno nos EUA. Na bolsa de Chicago, o cereal com vencimento em setembro fechou a US$ 4,4025 o bushel, avanço de 2 centavos. Já em Kansas, o grão com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,4375 o bushel, alta de 2 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 51% do cereal de inverno plantado no país estava em condições boas ou excelentes até o último domingo, recuo de dois pontos percentuais ante o visto uma semana antes e abaixo dos 62% observados no mesmo período do ano-safra anterior. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou em R$ 611,24 a tonelada, alta de 0,27%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 18/05/2017)